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Quais foram as contribuições de Joseph Breuer no período pré-analítico?
No seu trabalho com o caso de Anna O., Breuer identificou um conjunto de sintomatologia somática sem uma causa orgânica, ou seja, sem uma correspondência a uma lesão ou doença física.
Quando Anna O. relatava ou descrevia a sua sintomatologia a Brauer, a mesma era aliviada. Assim, o seu caso levou à hipótese de uma “cura pela fala” para esta sintomatologia.
Descreva algumas perturbações físicas e psíquicas apresentadas por Anna O.
Paralisia de ambas as extremidades do lado direito, com anestesia, estendendo por vezes ao lado esquerdo.
Perturbações dos movimentos oculares e alterações da visão.
Dificuldade de manter a cabeça erguida.
Tosse nervosa intensa.
Repugnância pelos alimentos e incapacidade de beber durante várias semanas, apesar de ter sede.
Redução da faculdade de expressão verbal, impedindo a capacidade de falar ou compreender a língua materna
Estados de ausência (confusão, delírios ou alterações da personalidade).
O que foi observado durante as ausências de Anna O.?
Breuer observou que durante os seus estados de ausência, Anna O, murmurava palavras, anotando as mesmas. Quando repetia essas palavras para Anna O., estimulava a associação de ideias, utilizando estas como via de acesso ao conteúdo psíquico reprimido. Sob hipnose, Anna O. conseguia desenvolver essas palavras em fantasias ou memórias. Ao reproduzir estas fantasias, os sintomas eram aliviados temporariamente, até uma nova ausência.
O que se entende por “cura pela palavra” ou “limpeza da chaminé”?
Refere-se ao alívio dos sintomas quando os conteúdos psíquicos reprimidos eram verbalizados. Esta hipótese foi evidenciada pelo caso de Anna O., sendo que as suas ausências cessavam através da revelação e verbalização das fantasias formadas.
Quais são algumas implicações do caso da Anna O.?
Antes da Psicanálise, não existia forma de alívio do sofrimento provocado pela doença mental, especialmente pela histeria.
O caso da Anna O. levou ao aparecimento da talk therapy, e da cura baseada na fala, o que esta na base de todas as psicoterapias atuais.
Além disso, este caso levou ao surgimento da concepção de que os sonhos têm significados especiais, simbólicos para o indivíduo, e de que a interpretação dos mesmos pode ajudar na compreensão e cura de sintomas.
No contexto da psicanálise, o que é um sintoma, e qual é o seu significado?
Para a psicanálise, o sintoma aparece na sequência de uma ideia reprimida, como uma manifestação de um conflito interno não resolvido.
Isto é, quando uma experiência traumática é excessivamente dolorosa, o indivíduo pode expulsar a mesma da sua consciência e da lembrança, levando temporariamente a um efeito positivo, onde o indivíduo deixa de sentir o sofrimento imediatamente relacionado ao conflito.
Entretanto, um impulso psíquico continua a existir no inconsciente. Estes impulsos procuram ser expressos por uma via indireta, manifestando-se por um sintoma físico, um sintoma psicológico, ou um comportamento.
Como podemos tratar o sintoma, numa lente psicanalítica?
O processo psicanalítico envolve relevar o processo através do qual se realizou a substituição da ideia reprimida pelo sintoma. O tratamento do sintoma exige que o mesmo seja reconduzido até à ideia reprimida, e, posteriormente, que esta ideia reprimida seja restituída à atividade consciente.
A experiência traumática e o sintoma podem ter algum tipo de semelhança?
Sim. Por exemplo, uma pessoa pode ter uma fobia de espaços fechados porque ficou presa num elevador quando era criança. Paralelamente, o sintoma e a ideia reprimida podem ter, aparentemente, nada que ver um com o outro.
Estas variações em semelhanças podem ser explicadas pela complexidade da cadeia de significação entre a experiência traumática e o sintoma. Esta cadeia, sendo mais simples, torna a ligação entre os dois mais evidente. Por oposição, sendo mais complexa, torna-se mais difícil perceber a conexão entre os dois.
Que conceitro, proposto por Freud, pode ser considerado a pedra angular da teoria psicanalítica?
O inconsciente.
Como é que Freud define o Inconsciente?
Freud defende que a maior parte da vida mental não é consciente, sendo que os pensamentos, desejos, memórias, afetos e motivações operam de forma inconsciente, influenciando o comportamento e experiência subjetiva do indivíduo.
Partindo do pressuposto que a atividade psíquica é essencialmente inconsciente, isto tem uma consequência direta no que é a atitude de observação do psicanalista.
De forma geral, como é compreendida a proposta de Freud do inconsciente atualmente?
Apesar de terem sido revolucionárias na sua época, as propostas teóricas de Freud frequentementer não são compreendidas na sua totalidade.
O conceito de uma “mente inconsciente” é amplamente divulgado. Entretanto, esta concepção popular tende a ser vaga, superficial e imprecisa, com pouca atenção a o que são as bases teóricas e clínicas do conceito.
Como é que Freud posiciona-se perante a Hipnose?
Embora a hipnose tenha sido utilizada previamente como meio de acesso aos conteúdos reprimidos, Freud passou a ser céptico em relação à mesma por duas principais razões:
Nem todos os pacientes podiam ser hipnotizados. Freud considerava a hipnose uma técnica pouco controlável, sendo que apesar de todos os esforços, só conseguia hipnotizar parte dos doentes, não podendo mudar o funcionamento psíquico dos mesmos. Assim, decidiu abandonar o método, procurando trabalhar com os clientes num estado normal.
As curas aparentemente conquistadas pela hipnose regressavam quando o doente saía do estado hipnótico. Isto é, a hipnose atuava sem a compreensão do conflito psíquico subjacente, tendo apenas um controlo temporário na manifestação do sintoma.
Depois de ter abandonado a hipnose, qual foi o método adotado por Freud como substituição da mesma?
O método da associação livre.
De forma geral, como funciona o método de associação livre?
O paciente é convidado a verbalizar tudo o que lhe ocorre à mente naquele momento, sem censura (sem filtro do superego). Podem surgir ideias desconexas, palavras soltas, frases incompletas (…). Pressupõe-se que essas produções, aparentemente sem sentido, são expressões indiretas de conteúdos inconscientes ligados a conflitos internos.
O psicanalista escuta o paciente, com o trabalho de organizar e interpretar as ideias apresentadas.
Explique o papel do contacto ocular na associação livre.
Freud defendia que ao evitar o contacto ocular direto com o analista, o indivíduo conseguia falar com menos constrangimentos e autocensura, facilitando a associação livre.
Explique o papel da relação terapêutica na associação livre.
Freud argumenta que o método de associação livre só funciona se existir uma relação de segurança e confiança entre o paciente e o psicanalista, para que o indivíduo conseguir verbalizar o que pode ser vergonhoso ou perturbador.
De que forma é que a associação livre pode atuar sobre a sintomatologia histérica?
Para o modelo psicanalítico, a sintomatologia histérica origina de experiências traumáticas, as que permanecem emocionalmente cristalizadas e continuam a influenciar o funcionamento psíquico. O método de associação livre atua sobre esta sintomatologia ao conduzir aos conteúdos reprimidos, permitindo acesso a estas experiências traumáticas. Assim, é reduzida a necessidade de expressão do conflito em forma de sintoma, integrando o mesmo na consciência.
De que forma funciona a interpretação de sonhos?
A interpretação dos sonhos funciona de forma complementar à associação livre enquanto método de acesso ao inconsciente.
Porque é que Freud via os sonhos como uma via fundamental de acesso ao inconsciente?
Freud postulava que durante o sono, mecanismos como a censura social e o filtro do superego estariam parcialmente desativados, permitindo maior acesso aos conteúdos latentes.
Como era vista a ausência de sonhos por Freud?
Para Freud, um indivíduo não relatar ou não lembrar dos próprios sonhos era um sinal de censura do inconsciente, sendo este fortemente reprimido, de modo que o indivíduo não consegue accessar ou recordar do mesmo em forma de sonho.
O que deve fazer o psicanalista na interpretação de sonhos?
Ao interpretar sonhos do paciente, especialmente quando estes são excessivamente abstratos, o psicanalista deve sempre comparar e associar os conteúdos do mesmo com as queixas e experiências do paciente.
Como se define “neurose”?
Uma neurose define-se como um conflito psíquico que surge de uma fixação disfuncional num acontecimento traumático.
Porque é que existe uma perspetiva dinâmica do aparelho psíquico?
O aparelho psíquico é marcado pela interação e pelo conflito entre forças psíquicas contraditórias. Estes conflitos psíquicos fazem parte do funcionamento normal, e são úteis para a manutenção de um equilíbrio.
Em suma, quais são 3 conceitos fundamentais do método psicanalítico?
Recusa da hipnose como técnica terapêutica.
Promover a associação de ideias e o estabelecimento de relações entre os episódios traumáticos e os sintomas.
As memórias traumáticas não estão apagadas, e podem tornar-se conscientes a partir da associação de ideias.
De que forma progrediu a imagem da mente proposta por Freud?
Os modelos da mente propostos por Freud atravessaram 3 fases:
Modelo do afeto/trauma
Modelo topográfico
Modelo estrutural.
Quais são algumas raízes do Modelo do Afeto-Trauma?
O modelo afecto-trauma foi influenciado pela psiquiatria dinâmica pré-analítica, autores como Charcot e Janet, e pelo trabalho de Breuer com o caso de Anna O.
Quais são as principais conclusões do Modelo do Afeto-Trauma?
Nesta fase do seu modelo da mente, Freud tirou algumas conclusões:
Determinados conteúdos (como pensamentos ou memórias) não são integrados na nossa auto-organização dominante, e, por isso, existem fora da consciência.
Estes conteúdos, dada a sua natureza desintegrada, exercem uma forte influência patogénica sobre o comportamento, pensamento e afeto.
Como funciona o Modelo do Afeto-Trauma de Freud?
Neste modelo, Freud argumenta que cada experiência possui uma quota de afeto.
Em situações normais, esta é processada e exteriorizada através da experiência consciente (ex. falar sobre a experiência, discuti-la, colocá-la em perspetiva, ligar a outras memórias (…)). Assim, esta é integrada pelo indivíduo.
No entanto, uma experiência acompanhada de grande quantidade de afeto (ex. traumas) tendem a ficar isoladas. Isto é, o indivíduo terá mais dificuldade em associar essa experiência a outras, assim como pensar e falar na mesma, deixando esta desintegrada no resto do psique.
Como é que a sintomatologia histérica é explicada pelo Modelo do Afeto-Trauma?
Em casos da histeria, o modelo argumenta que o afeto não foi descarregado, e não foi associado a outros conteúdos. Como o afeto não se manifesta verbalmente ou em pensamentos, este aparece em sintomatologia física (paralisias, dores, convulsões) como forma de descarregar o afeto.
Explique, segundo o Modelo do Afeto-Trauma, a afirmação:
“Estrangulação do afeto + isolamento associativo = sintomas histéricos.”
Neste contexto, a estsrangulação do afeto refere-se à carga emocional que não foi expressa ou elaborada mentalmente. Complementarmente, o isolamento associativo diz respeito a desintegração da memória da experiência, ou seja, a mesma não foi associada a outras memórias.
Assim, o modelo argumenta que os sintomas histéricos resultam das duas condições supramencionadas.
De que forma é que o Modelo do Afeto-Trauma representa uma ruptura com as teorias que o precedem?
Com este modelo, Freud desafiou a proposta de Janet de que os sintomas histéricos se deviam a uma fraqueza inata da capacidade de síntese psicológica.
Em vez disso, defendia que estes resultam de uma expulsão motivada de conteúdo perturbador, tendo como função proteger o indivíduo do sofrimento.
Adicionalmente, este modelo introduziu a noção da repressão, sendo que esta viria a tornar-se central na psicanálise.
Quais são algumas implicações do Modelo do Afeto-Trauma para o tratamento?
Este modelo implica 2 principais estratégias:
O tratamento deve envolver desbloquear o afeto através de uma resposta adequada (ex. resposta verbal, relação terapêutica).
O tratamento deve promover a associação da memória traumática a outros conteúdos.
Em que consiste o Modelo Topográfico de Freud?
Neste modelo, Freud organiza o aparelho psíquico em três níveis. Estas “camadas” podem ser visualizadas utilizando a metáfora de um iceberg.
Consciente: este corresponde à parte visível do iceberg que está acima da água. Refere-se a pensamentos e perceções imediatas.
Pré-consciente: abaixo da superfície do iceberg, parcialmente visível. Contém memórias e informações que são acessíveis com esforço, mas que estão parcialmente inconscientes.
Inconsciente: esta é a maior parte do iceberg, estando esta totalmente submersa e invisível. Diz respeito a desejos, impulsos, traumas e lembranças reprimidas e inacessíveis á consciência.
Qual é o objetivo da psicanálise, na lente do Modelo Topográfico de Freud?
A psicanálise tem como objetivo acessar os conteúdos do pré-consciente e do inconsciente, trazendo estes para a consciência.
Isto pode ser realizado por via de ferramentas como a interpretação de sonhos ou a associação livre.
Quais são algumas limitações do Modelo Topográfico de Freud?
Desconsidera o meio social: o modelo foca-se exclusivamente no indivíduo, como se este fosse isolado de influência externa.
Ignora a incorporação de ideias e valores externos: neste modelo, valores, normas e crenças (ex. regras familiares ou ideologias sociais) não são integradas como fatores estruturantes da mente.
Não considera o dinamismo entre as 3 dimensões propostas: o modelo apresenta os 3 níveis como sendo estáticos e fixos. Na prática, o psiquismo é dinâmico, existindo influencia mutua e mudança constante entre as dimensões.
Em que consiste o Modelo Estrutural de Freud?
O modelo estrutural, desenvolvido mais tarde por Freud, divide a mente em 3 componentes: o Id, Ego, e Superego.
Neste modelo, existe um ênfase no dinamismo entre as 3 componentes, sendo estas consideradas como funções e não como estruturas estáticas. O modelo pressupõe a coexistência de forças antagónicas entre o id, ego e superego, necessária para a manutenção do equilíbrio psíquico.
Na perspetiva do Modelo Estrutural de Freud, qual é o principal objetivo terapêutico?
O objetivo terapêutico deve ser promover adaptação psicológica, garantindo que os desejos internos do indivíduo sejam conciliados com a realidade externa e com normas internas. Isto é, deve-se procurar promover um ego funcional e equilibrado, permitindo a mediação entre o id e o superego.
Em que consiste o Id?
O Id refere-se à componente psíquica que contêm os instintos e pulsões do inivíduo. Isto inclui características herdadas, experiências recalcadas, e tendências inatas
. O Id rege-se pelo princípio do prazer, buscando satisfação imediata, e reduzir a tensão o mais rápido possível. Os desejos e pulsões que constituem o Id são frequentementes censuradas pela sociedade, podendo ser sexuais, agressivas ou destrutivas na sua natureza.
Em que consiste o Ego?
No modelo estrutural de Freud, o ego funciona como um mediador entre o id e o superego, procurando gerar um equilíbrio entre pulsões e pressões internas.
Este funciona pelo princípio da realidade, isto é, procura satisfazer os desejos do id de forma realista, adaptada ás exigências e realidade do mundo externo. O funcionamento do ego envolve processos como o pensamento realista, lógico, e planeado.
Em que consiste o Superego?
O Superego refere-se à estrutura que internaliza valores, normas e regras sociais, agindo como censor moral. Tem como principal função controlar os impulsos do id, através da imposição destas normas e regras. Este deve ser equilibrado com o id, de forma a promover um ego adaptativo.
Um Superego excessivamente ativo pode gerar intensa culpa e ansiedade, restringindo a autonomia do ego. Por outro lado, quando o Superego esta ausente, o indivíduo ignora normas sociais, tornando-se intratável.
Como é que o superego é formado?
O superego é constituido pelo processo de introjeção, ou seja, em fases precoces da infância, a criança absorve padrões, valores e atitudes dos pais e de figuras significativas. Os pais desempenham um papel importante na contenção ou inibição dos excessos do id, ajudando, assim, a criança a sintonizar-se com as demandas da realidade.
O superego é consciente ou inconsciente?
Este é parcialmente consciente e parcialmente inconsciente.
Maioria dos indivíduos tenham alguma consciência das regras morais e padrões que governam o comportamento. Entretanto, existem igualmente outras pressões internas que nos influenciam, sem termos consciência das mesmas, sendo, contudo, capazes de desencadear sofrimento mental.
O que são mecanismos de defesa?
Os mecanismos de defesa são processos psicológicos que as pessoas utilizam para se protegerem do conflito interno e de pressões externas.
Estes mecanismos são acionados pelo Ego, para gerir conflitos entre o Id e o Superego.
De que forma é que os mecanismos de defesa podem ser mais ou menos úteis?
Os mecanismos de defesa podem ser úteis quando são implementados de forma adaptativa e com flexibilidade. Entretanto, também podem impedir o desenvolvimento pessoal e a resolução de problemas em certas situações. Nomeadamente, estes tornam-se desadaptativos quando são usados em excesso, de forma rígida, persistentemente e sem capacidade de adaptação a diferentes situações.
Quais são alguns exemplos de mecanismos de defesa?
Repressão;
Negação;
Deslocamento;
Projeção;
Formação reativa;
Racionalização;
Compensação;
Regressão;
Fantasia;
Sublimação.
O que é a repressão?
Envolve deslocar pensamentos, memórias, desejos ou impulsos que sejam inaceitáveis ou dolorosos do inconsciente para o inconsciente, de forma a proteger o ego de sofrimento.
A repressão pode ser adaptativa quando permite adiar a satisfação de um determinado desejo para um momento mais adequado. Torna-se desadaptativa quando é excessiva e impede sistematicamente a satisfação das pulsões, levando ao esgotamento psíquico.
O que é a negação?
Envolve rejeitar a realidade de uma situação dolorosa ou ameaçadora. A pessoa percebe a realidade, mas age como se a mesma não existisse, reduzindo temporariamente o sofrimento.
Este pode ser útil apenas de forma pontual e transitória, por exemplo, em situações de luto. A negação torna-se desadaptativa quando esta se prolonga, impedindo a elaboração emocional e a adaptação à realidade. Este mecanismo está associado a níveis mais baixos de maturidade psicológica.
O que é o deslocamento?
Envolve redirecionar uma determinada emoção (tipicamente raiva ou ansiedade) do seu alvo original para outro objeto, pessoa ou atividade, que seja percebida como mais aceitável ou ameaçadora.
Este mecanismo pode ser adaptativo quando a tensão emocional é direcionada para alvos inofensivos, como atividade física. Torna-se desadaptativa quando a emoção é dirigida a pessoas vulneráveis, como descarregar raiva num familiar.
O que é a projeção?
Ocorre quando um indivíduo atribui a outra pessoa sentimentos, impulsos ou desejos próprios que considera inaceitáveis em si próprio, de forma a evitar lidar com o conflito interno.
Esta é utilizada frequentemente quando um indivíduo é inseguro, ou tem baixa competência na leitura de interações sociais. Também é associada a um id muito ativo, quando o ego tem dificuldade em gerir os impulsos intensos do mesmo.
O que é a formação reativa?
É um mecanismo de defesa em que emoções ou impulsos que geram ansiedade, ou são percebidos como inaceitáveis, são geridos através do exagero do comportamento oposto. Isto é, quando o impulso original provoca desconforto, o superego reprime o mesmo, levando o indivíduo a agir de forma excessiva no sentido contrário.
Na prática, o trabalho terapêutico para a formação reativa envolve reduzir a rigidez do superego e legitimar o funcionamento do id, de forma a fortalecer um ego e permitir uma adaptação equilibrada entre desejos internos e exigências externas.
O que é a racionalização?
Esta envolve criar explicações racionais para situações ou comportamentos que geram sofrimento, culpa ou ansiedade. Estas explicações visam desculpar falhas, evitando o impacto emocional da experiência.
Este mecanismo pode ser adaptativo quando tem uma função protetora, ajudando uma pessoa a lidar com uma situação e manter a sua qualidade de vida. Entretanto, torna-se disfuncional quando esta impede a empatia, responsabilização e adaptação.
O que é a compensação?
Esta envolve encobrir uma fraqueza através do desenvolvimento de outra característica mais desejada ou valorizada. O investimento em outra característica permite ao indivíduo preservar a autoestíma e reduzir o sentimento de inadequação.
Torna-se desadaptativa quando o indivíduo ignora a dificuldade original, impedindo o reconhecimento e elaboração da mesma.
O que é a regressão?
Esta envolve o retorno a um estádio de desenvolvimento anterior, adotando comportamentos mais infantis, de modo a fugir à angustia no presente.
Pode ser adaptativa quando é transitória, e quando tem a função de sinalizar alguma necessidade de cuidado ou apoio.
O que é a fantasia?
Esta refere-se a quando um indivíduo imagina situações ou cenários que, por alguma razão, não podem ser satisfeitos na vida real.
A fantasia é fundamental na primeira infância, permitindo experimentar diferentes papeis e emoções (como em brincadeiras de faz de conta), e contribuindo para o desenvolvimento psicológico. Em crianças, esta torna-se desadaptativa quando a mesma não consegue distinguir a realidade da fantasia.
Em adultos, esta torna-se desadaptativa quando substituem a realidade, ou quando são excessivamente otimistas e irrealistas, impedindo a capacidade de ajustamento à realidade.
O que é a sublimação?
Este mecanismo refere-se a quando impulsos, emoções ou desejos socialmente inaceitáveis são transformados em atividades socialmente aceites e valorizadas. Ao contrario da deslocação, o impulso não é simplesmente descarregado, havendo uma transformação do mesmo.
Este é considerado um dos mecanismos de defesa mais adaptativos, tendo quase sempre um caráter positivo.