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O que é coqueluche?
Doença infecciosa respiratória aguda altamente transmissível, causada pela Bordetella pertussis e prevenível por vacinação.
Qual é o agente etiológico da coqueluche?
Bordetella pertussis, uma bactéria.
Qual é o reservatório da Bordetella pertussis?
O ser humano é o único reservatório/hospedeiro conhecido.
Como ocorre a transmissão da coqueluche?
Principalmente por via respiratória, através de gotículas e secreções respiratórias de pessoas infectadas.
A coqueluche é uma doença transmissível?
Sim. É altamente transmissível, especialmente durante a fase catarral e no início da fase paroxística.
Quando começa a transmissão da coqueluche?
Geralmente cerca de 5–7 dias após o contágio, podendo ocorrer antes mesmo do aparecimento dos sintomas.
Até quando um paciente com coqueluche pode transmitir a doença sem tratamento?
Por várias semanas; classicamente, até cerca de 3 semanas após o início dos paroxismos de tosse.
Após quanto tempo de antibioticoterapia adequada o paciente deixa de ser considerado contagioso?
Após aproximadamente 5 dias de tratamento antibiótico adequado.
Qual é a importância epidemiológica da coqueluche?
É uma doença de distribuição mundial, imunoprevenível e especialmente importante em lactentes pequenos, nos quais pode causar doença grave e alta letalidade.
Em quais pacientes a coqueluche apresenta maior risco de gravidade e morte?
Principalmente lactentes jovens, especialmente menores de 6 meses e, sobretudo, aqueles ainda não completamente imunizados.
Por que a coqueluche é especialmente perigosa em lactentes?
Porque eles podem apresentar apneia, cianose e insuficiência respiratória sem desenvolver o guincho inspiratório clássico.
A vacinação elimina completamente a possibilidade de coqueluche?
Não. Pessoas vacinadas podem apresentar doença mais leve ou atípica e ainda podem transmitir a bactéria.
Como a pandemia de COVID-19 afetou a epidemiologia da coqueluche?
As medidas de isolamento e redução da circulação de pessoas reduziram significativamente a transmissão; após a retomada da circulação, houve aumento progressivo de casos em diversos locais.
Qual é a situação epidemiológica recente da coqueluche?
Tem ocorrido aumento de casos em diferentes regiões, incluindo surtos em países e aumento de notificações no Brasil, especialmente a partir de 2024.
Qual é o tropismo da Bordetella pertussis?
Pelo epitélio respiratório ciliado.
Como a Bordetella pertussis causa os sintomas respiratórios?
Toxinas e adesinas, incluindo hemaglutinina filamentosa e toxina pertussis, promovem lesão/disfunção do epitélio ciliado e prejudicam a eliminação das secreções.
Qual é a consequência da destruição/paralisia dos cílios respiratórios na coqueluche?
Redução da depuração mucociliar, favorecendo acúmulo de secreções e desencadeando crises intensas de tosse.
Quais são as três fases clássicas da coqueluche?
Fase catarral, fase paroxística e fase de convalescença.
Como é a fase catarral da coqueluche?
É semelhante a um resfriado: coriza, espirros, lacrimejamento, febre ausente ou baixa e tosse inicialmente seca e discreta.
Por que a fase catarral é importante para o diagnóstico?
Porque é a fase de maior transmissibilidade e pode ser facilmente confundida com uma IVAS viral comum.
Quanto dura aproximadamente a fase catarral da coqueluche?
Geralmente cerca de 1–2 semanas, antes da evolução para a fase paroxística.
Como é a fase paroxística da coqueluche?
Caracteriza-se por acessos súbitos e repetidos de tosse intensa, seguidos frequentemente por uma inspiração profunda e ruidosa ("guincho").
O que é o "guincho" inspiratório da coqueluche?
É uma inspiração profunda e ruidosa que pode ocorrer após uma sequência de acessos de tosse durante a fase paroxística.
O guincho inspiratório está presente em todos os pacientes com coqueluche?
Não. É menos comum em lactentes pequenos, adultos, adolescentes e pessoas previamente vacinadas.
Quanto pode durar a fase paroxística da coqueluche?
Geralmente 2–6 semanas, podendo ser prolongada.
O que é o vômito pós-tosse na coqueluche?
Vômito que ocorre após uma crise intensa de tosse e é uma pista clínica importante para o diagnóstico.
Qual é a tríade clássica que deve fazer pensar em coqueluche?
Tosse paroxística + guincho inspiratório + vômito pós-tosse.
Como é a fase de convalescença da coqueluche?
Há redução progressiva da intensidade e frequência das crises de tosse, mas a tosse pode persistir por várias semanas.
Quanto tempo a tosse pode persistir durante a convalescença?
Pode persistir por semanas, mesmo após a eliminação da infecção.
Por que a coqueluche pode ser chamada de "tosse dos 100 dias"?
Porque a tosse pode persistir por muitas semanas, chegando em alguns pacientes a aproximadamente 3 meses.
Como a coqueluche pode se apresentar em lactentes menores de 6 meses?
Com apneia, cianose, engasgos, dificuldade respiratória e crises de tosse, muitas vezes sem o guincho inspiratório clássico.
Qual é a principal pista para coqueluche em um lactente pequeno que não apresenta guincho?
Episódios de tosse associados a apneia, cianose, engasgos ou vômitos devem levantar forte suspeita.
Como a coqueluche pode se apresentar em adultos e adolescentes?
Como tosse persistente/prolongada, frequentemente sem os paroxismos ou o guincho clássicos.
Como a vacinação prévia modifica a apresentação da coqueluche?
Pode tornar o quadro mais leve ou atípico, com tosse prolongada sem o quadro clássico completo.
Quais são as principais complicações respiratórias da coqueluche?
Pneumonia, atelectasia e pneumotórax, além de insuficiência respiratória nos casos graves.
Quais são as principais complicações neurológicas da coqueluche?
Convulsões, encefalopatia, hemorragias intracranianas e, raramente, déficits neurológicos como perda auditiva.
Por que podem ocorrer complicações neurológicas na coqueluche?
Podem estar relacionadas à hipóxia, à gravidade da infecção e às consequências dos acessos intensos de tosse.
O que é coqueluche maligna?
Forma extremamente grave, geralmente em lactentes, caracterizada por hiperleucocitose importante, insuficiência respiratória, hipertensão pulmonar e alta letalidade.
Qual alteração hematológica pode ocorrer na coqueluche grave?
Leucocitose importante, podendo ultrapassar 50.000 células/mm³ nas formas graves/malignas.
Por que a hiperleucocitose é preocupante na coqueluche maligna?
A hiperleucocitose pode aumentar a viscosidade sanguínea e contribuir para comprometimento pulmonar e hipertensão pulmonar, associando-se a pior prognóstico.
Quais sinais devem fazer suspeitar de coqueluche maligna?
Lactente pequeno com coqueluche, leucocitose extrema, deterioração respiratória, hipoxemia e hipertensão pulmonar.
Qual é a importância da coqueluche em um lactente com apneia e cianose?
É uma hipótese importante mesmo que não exista guincho inspiratório; lactentes podem apresentar forma atípica e grave.
Quais são os critérios clínicos de suspeita de coqueluche em menores de 6 meses apresentados no resumo?
Tosse por pelo menos 10 dias associada a pelo menos um sinal típico, como tosse paroxística, guincho, vômito pós-tosse, cianose, apneia ou engasgo, independentemente do estado vacinal.
Quais são os critérios clínicos de suspeita de coqueluche em maiores de 6 meses apresentados no resumo?
Tosse por pelo menos 14 dias associada a pelo menos um sinal típico, como tosse paroxística, guincho ou vômito pós-tosse.
A vacinação prévia exclui o diagnóstico de coqueluche?
Não. Pessoas vacinadas podem apresentar formas mais leves ou atípicas.
Coqueluche é uma doença de notificação?
Sim. Casos suspeitos devem seguir as regras vigentes de notificação compulsória e vigilância epidemiológica.
Qual é o exame padrão-ouro clássico para confirmação microbiológica da coqueluche?
Cultura de secreção de nasofaringe para isolamento da Bordetella pertussis.
Quando deve ser coletada a cultura para coqueluche?
Idealmente antes do início do antibiótico, pois a antibioticoterapia reduz a chance de isolamento da bactéria.
Qual é a principal vantagem da PCR na coqueluche?
É mais rápida e possui alta sensibilidade, sendo especialmente útil para confirmação durante a fase inicial da doença.
Qual é a principal limitação da cultura para coqueluche?
É mais lenta e sua sensibilidade diminui com o tempo de doença e após o início de antibióticos.
Qual material é utilizado para cultura/PCR de coqueluche?
Secreção das vias respiratórias, geralmente obtida por swab ou aspirado nasofaríngeo conforme a técnica recomendada.
O diagnóstico de coqueluche é exclusivamente laboratorial?
Não. A suspeita é clínica e o diagnóstico laboratorial pode confirmar o caso, especialmente por PCR ou cultura.
Qual é o tratamento antibiótico da coqueluche?
Macrolídeos, principalmente azitromicina, claritromicina ou eritromicina.
Qual é o objetivo principal do antibiótico na coqueluche?
Eliminar a Bordetella pertussis, reduzir a transmissão e, quando iniciado precocemente, potencialmente reduzir a intensidade/duração dos sintomas.
O antibiótico costuma reverter imediatamente os paroxismos de tosse na coqueluche?
Não. A tosse pode persistir por semanas mesmo após tratamento adequado, pois a lesão/disfunção do epitélio respiratório pode permanecer.
Além do antibiótico, quais são medidas importantes no tratamento da coqueluche?
Hidratação adequada, suporte respiratório quando necessário, controle das secreções e monitorização de complicações.
Quais pacientes com coqueluche têm maior indicação de internação?
Lactentes jovens, especialmente menores de 6 meses, pacientes com apneia/cianose ou dificuldade respiratória, formas graves e pacientes com comorbidades importantes.
Por que a hidratação é importante na coqueluche?
Ajuda a manter a volemia e favorece a fluidificação das secreções respiratórias.
Qual é a principal medida para interromper a transmissão da coqueluche?
Tratamento antibiótico adequado, associado às medidas de isolamento respiratório recomendadas.
Após quantos dias de macrolídeo a transmissão da coqueluche geralmente é considerada interrompida?
Após aproximadamente 5 dias de antibioticoterapia adequada.
O que é quimioprofilaxia na coqueluche?
Uso de antibiótico em pessoas expostas para reduzir o risco de desenvolver/transmitir a doença, especialmente quando há risco elevado de complicações ou transmissão.
Quem deve receber atenção especial para quimioprofilaxia da coqueluche?
Contatos domiciliares, pessoas de alto risco para complicações e indivíduos com potencial elevado de transmitir a doença para pessoas vulneráveis.
Qual medicamento é utilizado para quimioprofilaxia da coqueluche?
Um macrolídeo, geralmente utilizando o mesmo tipo de antibiótico empregado no tratamento, conforme indicação e protocolo vigente.
Por que contatos domiciliares são importantes na quimioprofilaxia?
Porque têm exposição prolongada e próxima ao caso, aumentando o risco de aquisição e transmissão da Bordetella pertussis.
Quem são exemplos de contatos de alto risco na coqueluche?
Lactentes, imunossuprimidos, idosos frágeis e outras pessoas com maior risco de complicações.
Por que colegas de escola ou trabalho podem ser considerados contatos relevantes?
Porque exposição prolongada e próxima em ambientes fechados pode permitir transmissão, mesmo sem convivência domiciliar.
Qual é a principal estratégia de prevenção da coqueluche?
Vacinação.
Qual vacina infantil protege contra coqueluche no PNI?
A vacina pentavalente, que contém componente pertussis, seguida dos reforços com DTP conforme o calendário vigente.
Qual é o esquema básico da vacina pentavalente contra coqueluche?
Três doses, geralmente aos 2, 4 e 6 meses de idade.
Quando são feitos os reforços com DTP na infância?
Geralmente aos 15 meses e aos 4 anos, conforme o calendário do PNI vigente.
Qual vacina contra coqueluche é recomendada durante a gestação?
dTpa (vacina tríplice bacteriana acelular do tipo adulto).
Por que a gestante deve receber dTpa em cada gestação?
Para produzir anticorpos maternos e transferi-los ao feto pela placenta, protegendo o recém-nascido nos primeiros meses de vida.
Quando a dTpa deve ser administrada durante a gestação?
Conforme o calendário brasileiro vigente, a partir da 20ª semana de cada gestação.
O que fazer se a gestante não recebeu dTpa durante a gestação?
Deve receber no puerpério o mais precocemente possível, conforme as recomendações vigentes.
O que é a estratégia de "casulo" na prevenção da coqueluche?
Vacinar os contatos próximos de um recém-nascido/lactente para reduzir a chance de introdução da Bordetella pertussis no ambiente do bebê.
Por que a estratégia de casulo é importante?
Porque lactentes jovens são os que apresentam maior risco de formas graves e ainda podem estar incompletamente vacinados.
Caso clínico: lactente de 2 meses apresenta episódios de tosse seguidos de apneia e cianose, às vezes com vômitos, mas não apresenta guincho. Qual diagnóstico deve ser considerado?
Coqueluche. Lactentes pequenos podem apresentar forma atípica com apneia e cianose sem guincho.
Caso clínico: adolescente apresenta tosse seca há 4 semanas, sem febre importante, com crises de tosse e vômito após os episódios. Qual hipótese deve ser lembrada?
Coqueluche, mesmo sem o quadro clássico de lactente.
Caso clínico: criança apresenta coriza, espirros e tosse discreta inicialmente; após cerca de 1–2 semanas passa a apresentar acessos intensos de tosse com guincho inspiratório. Em qual fase está?
Fase paroxística da coqueluche.
Caso clínico: criança apresenta tosse persistente que está gradualmente diminuindo em frequência e intensidade após semanas de doença. Em qual fase está?
Fase de convalescença.
Caso clínico: criança com tosse paroxística apresenta leucócitos de 55.000/mm³ e deterioração respiratória. Qual forma grave deve ser suspeitada?
Coqueluche maligna.
Caso clínico: criança vacinada apresenta tosse persistente por várias semanas, sem guincho e sem febre importante. A vacinação exclui coqueluche?
Não. A vacinação pode modificar a apresentação e produzir quadro atípico.
Caso clínico: lactente com suspeita de coqueluche apresenta apneia recorrente e cianose. Qual deve ser a prioridade?
Internação e monitorização, com suporte respiratório conforme necessidade, devido ao alto risco de deterioração.