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Diérese: definição e o que é quando implica retirada de tecido/órgão
Diérese = dividir/cortar/separar tecidos para criar acesso a uma estrutura. Quando retira tecido/órgão, chama-se exérese
Quais são os 4 tempos operatórios fundamentais e a ordem lógica (macete DHES)?
Diérese → Hemostasia → Exérese → Síntese
Diérese mecânica por punção: o que é e exemplo
Drenar coleções líquidas/coletar fragmentos sem seccionar; ex: agulhas, trocarteres
Diérese mecânica por divulsão: o que é e exemplo
Afastar tecidos nos planos anatômicos sem cortá-los; ex: afastadores, tesouras de ponta romba
Diérese física térmica: instrumento e mecanismo
Bisturi elétrico — energia elétrica convertida em calor
Hemostasia curativa mecânica x física x biológica: exemplos
Mecânica: pinças/pressão manual. Física: bisturi elétrico, tamponamento, ligaduras. Biológica: cola biológica, cera de osso, esponjas de colágeno/fibrina
Síntese cruenta x incruenta: diferença
Cruenta = com sutura (agulha e fio). Incruenta = sem sutura (gesso, adesivo, atadura)
Lâmina de bisturi nº 11: uso típico
Pontas finas — drenar abscesso
Lâmina de bisturi nº 15: uso típico
Incisões pequenas / mucoperiósteo
Lâmina de bisturi nº 10: uso típico
Incisões maiores na pele
Pinças de hemostasia clássicas (exemplos)
Kelly, Halsted, Crile, Rochester, Moynihan
Pinças atraumáticas (Buldogue, Satinsky): para que servem
Usadas em vasos, para não lesar a parede vascular
Pinça anatômica (sem dente) x pinça dente-de-rato (com dente): diferença de uso
Anatômica (sem dente) = menos traumática, usada em vísceras/mucosas. Dente-de-rato (com dente) = mais traumática mas melhor preensão, usada em pele/tecidos resistentes
Afastadores autoestáticos x dinâmicos: exemplos e vantagem
Autoestáticos (Gosset, Finochietto, Balfour) ficam presos sozinhos, liberam a mão do auxiliar. Dinâmicos (Farabeuf, Doyen, Volkmann) precisam ser segurados
Agulha cirúrgica: as 3 partes constituintes
Ponta, corpo e fundo (olho)
Agulha traumática x atraumática: diferença
Traumática = olho verdadeiro/francês, fio montado manualmente, mais trauma. Atraumática = fio já vem encastoado de fábrica, menos trauma (mais usada atualmente)
Agulhas retas: quando são usadas
Sem porta-agulha, direto com a mão — vísceras ocas, tendões, nervos, sutura intradérmica
Qual fração de círculo de agulha é a mais usada e para quê?
3/8 de círculo — sutura de pele e maioria dos tecidos superficiais
Agulha 1/2 círculo: uso típico
Sutura intestinal / cavidades profundas
Agulha 5/8 círculo: uso típico
Urologia / cavidades estreitas e profundas (ex: pelve)
Agulha cilíndrica (ponta cônica/romba): indicação
Tecidos frágeis/nobres — intestino, vasos sanguíneos, fígado
Agulha triangular cortante (ápice para dentro da curva): indicação e risco
Pele e tecido fibroso; risco de a sutura "rasgar" sob tensão
Agulha triangular cortante invertida (ápice para fora): vantagem
Alternativa mais segura à cortante convencional na pele, menos propensa a rasgar sob tensão
Agulha espatulada: indicação
Córnea, microcirurgia (mínimo trauma em tecidos finos)
Ângulo correto de preensão da agulha pelo porta-agulha
90°, na transição entre o 1/3 médio e o 1/3 proximal da curvatura
Código de cores da embalagem do fio agulhado (macete AVAV)
Azul = calibre/tensão; Vermelho = curVatura (fração de círculo); Amarelo = Agudeza da ponta; Verde = composição do fio
Postulado de Van Winkle e Hasting (3 pontos)
1) Fio deve ser tão forte quanto o tecido suturado; 2) Perda de resistência do fio deve ser compensada pelo ganho de resistência da cicatriz; 3) Alterações biológicas do fio na cicatrização devem ser conhecidas
Fios absorvíveis: como são degradados e onde são usados
Hidrólise (maioria sintéticos) ou proteólise/fagocitose (categute). Usados em tecidos internos de cicatrização rápida
Fios inabsorvíveis: o que ocorre com eles no tecido e onde são usados
Permanecem encapsulados por tecido fibroso (reação de corpo estranho crônica). Usados em pele e estruturas de resistência prolongada (aponeurose, tendão, vasos, próteses)
Fios de origem orgânica animal (exemplos)
Categute (colágeno), seda
Fios sintéticos (exemplos principais)
Poliglactina (Vicryl), poliglecaprone (Monocryl), polidioxanona (PDS), ácido poliglicólico (Dexon), náilon, polipropileno (Prolene), poliéster
Monofilamentar: vantagens e desvantagem
Vantagens: baixo atrito, baixa capilaridade, menor infecção, melhor para locais contaminados/estética. Desvantagem: memória alta (nó pode desfazer), manuseio mais difícil
Multifilamentar: vantagens e desvantagem
Vantagens: mais maleável, melhor segurança do nó, fácil manuseio. Desvantagem: maior capilaridade → maior risco de infecção, maior reação tecidual
Fio ideal para ferida contaminada/infectada: qual escolher?
Monofilamentar, e se possível inabsorvível ou de absorção lenta (evitar multifilamentar absorvível)
Diâmetro do fio: regra do número de zeros
Quanto MAIOR o número de zeros, MENOR (mais fino) é o fio (ex: 6-0 é mais fino que 2-0)
Calibre de fio usado em face/pálpebras
6-0 a 5-0
Calibre de fio usado em parede abdominal/tórax (grande tensão)
1 a 3
Memória do fio: definição e relação com segurança do nó
Tendência do fio de voltar à forma original (reta); quanto MAIOR a memória, PIOR a segurança do nó (ex: náilon e polipropileno)
Elasticidade x Plasticidade do fio: diferença
Elasticidade = estica e volta à forma original (bom para tendão/articulação). Plasticidade = estica e mantém a nova forma (acomoda edema sem cortar a borda)
Capilaridade do fio: definição
Capacidade de captar líquido mesmo com só uma ponta molhada; maior em multifilamentar, facilita infecção
Categute simples: tempo de absorção e reação tecidual
7-10 dias; reação tecidual intensa
Categute cromado: tempo de absorção
~20 dias
Vicryl (poliglactina 910): tempo de absorção e indicação
56-70 dias; uso geral (GI, GO, urológica, oftálmica, subcutâneo, cirurgia infantil)
Monocryl (poliglecaprone): características e indicação
Monofilamentar, 90-120 dias, reação mínima; intradérmica/subcutâneo, bom resultado estético
PDS (polidioxanona): características e indicação
Monofilamentar, absorção lenta (180 dias), alta força tênsil prolongada; tecidos de cicatrização lenta (tendão, aponeurose, parede abdominal, cardiovascular infantil)
Náilon: indicação e contraindicação
Sutura de pele; CONTRAINDICADO em cirurgia urológica (bexiga/ureter)
Prolene (polipropileno): características e indicação
Monofilamentar, não absorvível, alta força tênsil mantida; cirurgia cardiovascular, sutura intradérmica, vasos
Poliéster (Ethibond/Mersilene): indicação
Cirurgia cardíaca (próteses valvulares), cerclagem cervical
Aço inoxidável: indicação
Cerclagem óssea, esternorrafia (fechamento de esterno)
Tempo médio de retirada de pontos na face
5 a 7 dias
Tempo médio de retirada de pontos em articulações
10 a 21 dias
Por que a face retira pontos antes que o abdome?
Região mais vascularizada e menos tensa cicatriza mais rápido; mais tensão mecânica (abdome, articulação) exige mais tempo com o ponto
Os 4 objetivos básicos de qualquer sutura
Evitar infecção, promover hemostasia, diminuir tempo de cicatrização, favorecer resultado estético
Situações em que NÃO se deve suturar uma ferida (citar ao menos 4)
Feridas infectadas, mordidas de animais, perfurações profundas não exploradas, debris não removíveis, feridas com muita tensão, sangramento ativo não controlado, escoriações superficiais
Ponto simples separado: características
Agulha entra e sai a 90°, mesma distância da borda dos dois lados; nó por ponto; base de todas as outras técnicas
Chuleio simples (contínuo): vantagem e risco
Rápido, economiza fio, boa hemostasia; porém se um ponto arrebenta, toda a sutura pode se perder
Chuleio ancorado: característica e indicação
Laçada por dentro da alça anterior, mais hemostático/isquemiante; sutura de escolha para o plano total da anastomose intestinal
Ponto de Donati: técnica e macete
Ponto em U vertical: 1º passo profundo/afastado da borda, 2º passo superficial/próximo à borda ("longe-longe, perto-perto"); reduz tensão na pele
Ponto de Wolff: técnica e indicação
Ponto em U horizontal ("colchoeiro"), evaginante; usado em pele e implantes (prótese valvular)
Ponto em X (Sultan): indicação
Fechamento de esterno, musculatura abdominal, sangramento difuso (tensão + hemostasia)
Sutura em bolsa (purse-string): técnica e uso
Chuleio contínuo circular ao redor de um orifício, amarrado só no final, invaginando o conteúdo; usada para fechar coto de víscera, base do apêndice, fixar cateteres
Sutura de Connell-Mayo: tipo e uso
Contínua, invaginante, atravessa toda a espessura (mucosa); 1º plano de sutura gastrointestinal
Sutura de Cushing: tipo e uso
Invaginante, sero-muscular/sero-submucosa (não atravessa a luz); 2º plano (reforço) de vísceras ocas
Sutura de Lembert: tipo e uso
Invaginante, sero-muscular; 2ª camada de fechamento de órgãos ocos (útero, estômago)
Sutura de Parker-Kerr: o que é
Cushing sobre pinça no coto + Lembert contínua por cima; fechamento do coto de víscera oca em 2 planos invaginantes
Eversão x Inversão nas bordas da ferida: quando usar cada uma
Pele precisa de leve EVERSÃO (bordas para fora, evita cicatriz afundada). Víscera oca precisa de INVERSÃO/invaginação (evita extravasamento de conteúdo)
Lesão corporal grave (classificação jurídica): critérios
Incapacidade para ocupações habituais >30 dias, perigo de vida, debilidade permanente de membro/sentido/função, aceleração de parto
Lesão corporal gravíssima: critérios
Incapacidade permanente para o trabalho, enfermidade incurável, perda/inutilização de membro/sentido/função, deformidade permanente, aborto
Mecanismo de ação ativo x passivo x misto (Medicina Legal)
Ativo: objeto em movimento contra corpo parado. Passivo: corpo em movimento colide com objeto parado. Misto: ambos em movimento
Instrumento perfurante produz que tipo de ferida?
Puntiforme / punctória
Instrumento cortante produz que tipo de ferida?
Cortante (incisa)
Instrumento perfurocontundente produz que tipo de ferida? Exemplo
Perfurocontusa; exemplo: projétil de arma de fogo
Diferença entre "ferida incisa" (sensu estrito) e "ferida cortante" na terminologia médico-legal
Incisa = por bisturi (cirúrgica), bordas regulares, profundidade uniforme, sem cauda de escoriação. Cortante = por outro instrumento de gume (faca, navalha), com cauda de escoriação, mais profunda no meio
Característica mais específica/sinal característico da ferida cortante por arma branca
Cauda de escoriação voltada para o lado onde terminou a ação do instrumento
Ferida cortante: formato típico do fundo
Fusiforme (mais profundo no centro que nas extremidades)
Esgorjamento x Degolamento: localização
Esgorjamento = ferida incisa na face ANTERIOR do pescoço. Degolamento = ferida incisa na face POSTERIOR do pescoço
Diagnóstico diferencial suicídio x homicídio no esgorjamento (destro)
Suicídio: corte esquerda→direita, anterolateral esquerdo, mais profundo no início, mão da vítima suja de sangue. Homicídio: corte horizontal uniforme, profundidade semelhante, agressor geralmente atrás da vítima
Ferida contusa: características principais (bordos e fundo)
Bordos de ângulos irregulares com áreas escoriadas/equimosadas; fundo "sujo", irregular, com traves de tecido íntegro misturadas a tecido lesado
Diferença principal entre ferida incisa e ferida contusa
Incisa: bordas regulares, fundo limpo, cicatrização fácil. Contusa: bordas irregulares/maceradas, fundo sujo, cicatrização difícil
Ragádia/víbices: definição
Desenho da estrutura que causou a contusão, SEM ruptura da epiderme (ex: marca de corda)
Lesão escoriante: o que ocorre e como cicatriza
Instrumento contundente age tangencialmente, arrancando a epiderme e expondo a derme; NÃO cicatriza, e sim REGENERA (20-30 dias), sem deixar cicatriz definitiva
Tipos de crosta em escoriação, por profundidade
Serosa/sérica (só linfa, epiderme, amarelada), sero-hemática (linfa+sangue, pardo-avermelhada), hemática (atinge derme, vasos sanguíneos)
Formação de crosta ocorre em que condição (vivo x morto)?
Apenas intra vitam (em vida); post mortem não há crosta, pode haver placa apergaminhada
Lesão perfurante: características do orifício
Abertura estreita, sangramento raro na superfície, diâmetro final geralmente MENOR que o do instrumento, formato de gota
Lei de Filhos: enunciado
Nas feridas perfurantes, o maior eixo da ferida acompanha o sentido das fibras musculares subjacentes
Lei de Langer: enunciado
Em regiões de cruzamento de muitas fibras, a ferida perfurante assume forma de quadrilátero, triângulo ou estrela
Ferida perfurocortante com 1 gume: formato característico
Ferimento em botoeira, fenda regular quase linear, um ângulo agudo e outro arredondado
Lesões de defesa: onde ocorrem e o que sugerem
Palma da mão, borda medial dos antebraços, ombro, dorso, pés; sugerem tentativa de proteção — indício de homicídio
Ferimento por arma de fogo militar: relação entre orifício de entrada e saída
Orifício de saída costuma ser MAIOR que o de entrada
Lesão lacerante (lácero-contusa): mecanismos e exemplo clássico
Compressão (pele esmagada contra plano subjacente) ou tração (rasgo/arrancamento); exemplo clássico: mordida de cão
Equimose: definição e mecanismo
Infiltração hemorrágica nas malhas dos tecidos por ruptura capilar sobre plano mais resistente (permite extravasamento em vez de dispersão)
Víbice (equimose em estria): característica distintiva
Duas linhas paralelas, uma de cada lado do trauma, NÃO na linha de impacto (ex: golpe de bastão/cassetete)
Petéquias: o que são e quando são frequentes
Pequenas equimoses agrupadas, pontilhado hemorrágico; frequentes em mortes rápidas (asfixia, septicemia)
Sequência de cores da equimose (espectro de Legrand du Saulle)
Vermelho (1º dia) → Violáceo (2º-3º) → Azulado (4º-6º) → Esverdeado (7º-10º) → Amarelado (12º dia, some 15-20 dias)
Equimose x livor hipostático: principal diferença quanto ao sangue
Equimose: sangue coagulado, vasos rotos. Livor hipostático: sangue não coagulado, vasos íntegros, em zonas de decúbito
Hematoma: definição e diferença da equimose
Extravasamento de sangue de vaso calibroso, SEM difusão nas malhas — forma cavidade neoformada com relevo e flutuação (equimose não forma cavidade)
Rubefação: definição
Vasodilatação exclusivamente vital, eritema efêmero e fugaz, desaparece em minutos, não deixa vestígios
Classificação de Hoffmann para queimaduras: os 4 graus
1º hiperemia (só eritema); 2º bolhas/flictenas; 3º atinge a derme (necrose, cicatrização por 2ª intenção); 4º carbonização (músculo e osso)
Sinal de Chambert: o que indica
Líquido claro/seroso rico em albumina e cloretos nas flictenas de queimadura de 2º grau — sinal de reação vital
Marca elétrica de Jellineck: o que indica
Porta de ENTRADA da corrente elétrica no corpo; lesão circular/elíptica/em roseta, indolor, cura rápida