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FP ort., het., A Mensagem, Viagens na Minha Terra, Sermão de S.A., Os Maias, Cesário Verde
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FP ORT. - O Fingimento Artístico (geral)
producto n do momento de emoção mas da recordação (da imaginação)
processo intelectual: sentimento -> interpretação -> intelectualização
tensão sinceridade/fingimento
poeta n é confessor, poesia é produto da imaginação
FP ORT. - O Fingimento Artístico (exemplos)
AUTOPSICOGRAFIA
dor imaginada -> dor sentida -> dor fingida -> dor lida
fingir ≠ mentir = criar/transformar
ISTO
resposta a críticas, defesa de n estar a mentir
FP ORT. - A Dor de Pensar (geral)
SENTIR -> inconsciência -> felicidade
PENSAR -> consciência -> infelicidade
TENSÕES: inconsciência/consciência, vontade/pensamento, dicotomia sentir/pensar
inveja e desejo da inconsciência
incapacidade de sentir como alguém sem pré-conceitos
deriva de um estado emotivo perturbado e insatisfeito
só a ausência de interrogação conduzirá à felicidade
FP ORT. - A Dor de Pensar (exemplos)
GATO QUE BRINCAS NA RUA
projeta felicidade possível no gato
n pensa/reflete -> n sofre
A CEIFEIRA
simultânea inveja e pena
n tem consciência da sua felicidade
n recorre à interrogação
FP ORT. - Sonho e Realidade
REALIDADE - tédio existencial, desalento e angústia, introspecção e auto-análise, estranheza e desconhecimento do eu, fragmentação interior, drama da identidade perdida
SONHO - refúgio e evasão - fuga da realidade
FP ORT. - Nostalgia da Infância
tempo de pureza, felicidade, inconsciência e unidade
insatisfeito com o presente e incapaz de o viver em plenitude -> refugia-se na infância através de um processo de intelectualização
construções abstratas n concebida, n há reflexões, simplicidade e rotina
“paraíso perdido”
FP ORT. - Linguagem e Estilo
regularidade estrófica, métrica e rimática
vocab. simples, pont. emotiva
simplicidade estilística
símbolos
FP HET. - Alberto Caeiro Características
BUCOLISMO - espaço de existência no campo, nega ilusões e excessos da modernidade, inspiração nos elementos naturais e ciclos, desejo de contacto sensorial com terra, origem de felicidade
SENSACIONISMO - conhecimento chega pelo olhar, hierarquização dos sentidos, explica filosofia de vida feita de simplicidade
OBJETIVISMO - universo sem profundidade, sem subjetividade, as coisas “são o q são”, resumem-se à sua aparência
-> vocab. simples, estrut. clara, ausência de sentimentos intensos, afasta-se de normas de poesia, coordenação em vez de subordinação, irregularidade
-> MAS CONTRADIZ-SE FREQUENTEMENTE
FP HET. - Alberto Caeiro - Mestre?
consegue sentir sem pensar (ao contrário dos outros het. e do próprio FP)
domina a filosofia
recusa do pensamento, rejeição do que ultrapassa a apreensão do real
FP HET. - Ricardo Reis Características
EPICURISMO:
carpe diem - valorização do dia e dos prazeres do momento presente
culto do prazer e procura da felicidade -> estado de ataraxia (tranquilidade sem perturbação)
moderação dos prazeres
fuga às sensações extremas
indiferença face à morte
atitude contemplativa
ESTOICISMO:
indiferença perante emoções
renúncia aos bens materiais
aceitação do poder do destino (apatia) e do passagem inexorável do tempo
atitude de abdicação
+ NEOPAGANISMO - crença no Fado
FP HET. - Ricardo Reis Características - Mortalidade
consciência da efemeridade da vida
aceitação da transitoriedade da existência
fluir inelutável do tempo
indiferença face à morte
inspiração nos elementos naturais
sem aspirações
vida = “breve adiamento da morte”
FP HET. - Ricardo Reis - Linguagem e Estilo
regularidade
ling. culta, estilo elevado
tom moralista (primeira pessoa do plural)
complexidade sintática
FP HET. - Álvaro de Campos Características - Fase 1
FASE FUTURISTA
elevação da civilização tecnológica e industrial
elogio da força, progresso, modernidade
exaltação do presente
ODE TRIUNFAL
FP HET. - Álvaro de Campos Características - Fase 2
FASE SENSACIONISTA
expressão excessiva dos sentidos
sadismo e masoquismo
euforia
tom exaltado, atitude provocatória
ODE TRIUNFAL
FP HET. - Álvaro de Campos Características - Fase 3
FASE INTIMISTA
tédio existencial
frustração e desânimo
desalento e cansaço, isolamento, atitude antisocial
desajustamento face ao presente
dor de pensar
FP HET. - Álvaro de Campos Características - Fase 4 (ns se é preciso)
FASE DECADENTISTA
sentimentos de tédio, enfado, náusea, cansaço, abatimento e necessidade de novas sensações
O OPIÁRIO
FP HET. - Álvaro de Campos Características
SUJEITO, CONSCIÊNCIA E TEMPO
introspecção e autoanálise
crítica e contraste
passado (exaltação e euforia) vs presente (exaltação e euforia, desilusão e angústia)
NOSTALGIA DA INFÂNCIA
símbolo da pureza, inconsciência e felicidade
perda irrecupável do tempo de meninice
renúncia à soc. materialista, rejeição dos cânones estabelecidos
FP HET. - Álvaro de Campos - Ling. e Estilo
irregularidade, versos soltos
intenso e repetitivo, ritmo rápido
ling. exuberante, pont. emotiva
A MENSAGEM - Visão Global
Epígrafe - Bendito Deus Nosso Senhor Que Nos Deu o Sinal (origem do título?)
BRASÃO - Guerra sem guerra
temas e figuras asociadas à formação de PT -> NASCIMENTO
mito é motor da História
MAR PORTUGUÊS - Posse do mar
acontecimentos e figuras associadas à saga dos Descobrimentos
realização de PT no mundo
O ENCOBERTO - Paz nas Alturas
MORTE - antecipação profético da resurreição de PT (analogia de Cristo)
presente de desencanto e futuro espiritual de PT - QUINTO IMPÉRIO
sebastianismo = renovação nacional
V.N.M.T. - Romantismo
confessionalismo
domínio dos sentimentos
nacionalismo/patriotismo
tradicional e popular
EVASÃO NO TEMPO - apreço pela Idade Média
EVASÃO NO ESPAÇO - culto do exótico
espiritualismo e fatalismo
V.N.M.T. - Viagens
REAL -> Lisboa - Santarém - Lisboa
LITERÁRIA -> reflexões, críticas
HISTÓRIA -> contada de forma intercalada
V.N.M.T. - Dimensão Reflexiva
falta de originalidade na criação literária
desprezo pelo abandono das tradições
excessivo materialismo - por causa dos barões
V.N.M.T. - Sentimento Nacional e Soluções
PT decadente, soc. corrupta, crise de valores
SOLUÇÕES:
união das dif. facções em PT
valorização do passado e tradições
regresso ao estado de pureza
reconstrução da nação
homens religiosos e enérgicos em vez de barões
V.N.M.T. - Carlos
revolucionário e rebelde - personifica lutas liberais
herói romântico
predomínio do coração sobre a razão
patriota
idealista -> materialista (quando torna-se barão, corrompido pela soc.)
O AMANTE - “homem fatal”
inquieto e insatisfeito (n consegue escolehr entre J. e Georgina)
destinado à fatalidade
destrutor de si próprio e os q ama
V.N.M.T. - Joaninha
pura, simples,harmonia e inocente (ligada ao vale de Santarém)
profundamente apaixonada
marcada pela estabilidade (ao contrário do Carlos)
PERDA DA PUREZA (devido ao C.)
representa ideal moral da soc.
mulher-anjo
desencantada com incap. de C. de amar
narrada pelo destino -> morte
V.N.M.T. - Narrador
patriota, defesa dos valores do passado, denuncia males sociais
idealista (mas reconheça q liberalismo falhou - COMPROMISSO necessário entre passado e presente - “ambos erramos”)
duplo de Carlos
diálogo com leitor - coloquialidade
V.N.M.T - Ligação Carlos-Dinis

V.N.M.T. - Frei Dinis
absolutismo conservador
encarna papel de destino, destrói família
crenças rígidas
pai do C. (que o odeia) - antagonismo e conflito
V.N.M.T. - Francisca
avó de C. e J.
cúmplice nos segredos da família
V.N.M.T. - Georgina
entrega C. à família
abdica do amor, torna-se abadessa
sacrifício amoroso
S.D.S.A. - LOUVORES - EM GERAL
obediência, ordem, tranquilidade, respeito a Deus
prudência pelo afastamento face aos homens (n se domesticam)
-> desrespeito e falta de atenção à palavra de Deus
S.D.S.A. - LOUVORES - peixe 1
PEIXE DE TOBIAS - poder curativo, cura a ceguiera e afasta os demónios
->desinteresse pela palavra purificadora de S.A.
-> cegueira moral
S.D.S.A. - LOUVORES - peixe 2
RÉMORA - força e poder
-> fraqueza racional, incapacidade de controlar ímpetos e paixões (soberba, vingança, cobiça, sensualidade)
S.D.S.A. - LOUVORES - peixe 3
TORPEDO - energia
-> indiferença face aos pecados
S.D.S.A. - LOUVORES - peixe 4
QUATRO-OLHOS - capacidade de olhar para cima e para baixo
-> inconsciência e falta de discernimento
S.D.S.A. - REP. - EM GERAL
ICTOFAGIA (comem-se uns aos outros), ignorância
-> antropofagia (exploram-se uns aos outros)
S.D.S.A. - REP. - peixe 1
RONCADORES - prod. exagerada de som
-> arrogância
S.D.S.A. - REP. - peixe 2
PEGADORES - aproveitamento do peixe maior
-> parasitismo, oportunismo
S.D.S.A. - REP. - peixe 3
VOADORES - capacidade de voar e nadar
-> n se contentam com o que têm, vaidade, ambição, destruição de si próprio
S.D.S.A. - REP. - peixe 4
POLVO - camuflagem
-> hipocrisia, traição
S.D.S.A. - OBJETIVOS DE ELOQU.
DOCERE -> ensinar
DELECTARE -> deleitar
MOVERE -> mover (adoção de det. comport.)
S.D.S.A. - CAP. I
EXÓRDIO - apresenta tema, capta atenção do público, ponto de v. do pregador
conceito predicável (Vos estis sal terrae)
apresenta met. do sal - alegoria para mostrar verdade moral - pregador preserva moralidade
S.A. como modelo de inspir.
S.D.S.A. - CAP. II
EXPOSIÇÃO - apresenta matéria, desenvolve estrut. do sermão
louvores aos peixes em geral
sal: conservar e preservar - louvar bem, repreender mal
S.D.S.A. - CAP. II-V
CONFIRMAÇÃO - defesa da tese com argumentos:
EXEMPLOS
ANALOGIA - S.A. imitação
AUTORIDADE - ref. a Cristo
S.D.S.A. - CAP. VI
PERORAÇÃO - síntese do q foi desenvolvido e apelo aos ouvintes q ponham em prática ensinamentos
OS MAIAS - AÇÃO
DOIS NÍVEIS
OS MAIAS - intriga de Pedro e Maria, intriga do incesto - história ao longo das 3 gerações
EPISÓDIOS DA VIDA ROMÂNTICA - retrato da soc. pt. da segunda metade do séc. XIX
OS MAIAS - Personagens - Afonso da Maia
GERAÇÃO DAS LUTAS ABSOLUTISTAS-LIBERAIS
íntegro, generoso, culto, gosto requintado
integridade, dignidade, honra
ponto de equilíbrio dos Maias, todos se voltam para ele em tempos de crise
morre de apoplexia ao descobrir incesto dos netos, com ele morre o futuro da família
CARACT. TRÁGICAS:
deposita esperanças em C. após fracasso com P.
-> tenta alterar destino
ignora presságios (aviso de Vilaça - fatalidade dos Maias no Ramalhete)
OS MAIAS - Personagens - Pedro da Maia
GERAÇÃO ULTRARROM., sobrevivente em Alencar
nervoso, instável, fraco, passividade
temperamento da mãe - excesso de proteção, herdou crises de nervosismo e comp. neuróticos
amor rom. e fatal
instabilidade psicológica
OS MAIAS - Personagens - Carlos da Maia
GERAÇÃO DO PORT. DA REGENERAÇÃO
culto, cosmopolita, gostos requintados
torna-se “diletante culto” - submergido pela soc. lisboeta
educação à inglesa
Carlos falha por influência da soc. ociosa e fútil
“fracassa n por causa da edu. que recebeu, mas apesar dessa edu.”
incapaz de qualquer compromisso produtivo ou de manter relação estável -> VOLUBILIDADE
passa rapidamente de entusiasmos amorosos a desilusão
CARACT. TRÁGICAS:
nome
destino traçado
semelhança com mãe da Maria Eduarda
OS MAIAS - Personagens - Maria Eduarda
elegante, sensual, delicada, “beleza serena”
descrita como deusa - superioridade
edu. rígida de convento
natureza trágica paralela à de C.
OS MAIAS - Personagens - Secundárias
João da Ega - contraponto a Alencar, excêntrico, demagogo, apoia Carlos, adultério com Cohen, defensor do Realismo
Alencar - poeta ultrarromântica, contra realismo (idealismo extremo)
Sousa Neto - admin. pública incompetente
Eusebozinho - educação trad., contraste C., frágil
Conde de Gouvarinho - símbolo de poder político - incompetente
Condessa de Gouv. - provocante, superficial, exigente
Steinbroken - embaixador, diplomata
Cruges - artista incompreendido
Dâmaso - vícios da soc., ignorante, exibicionista, falta de identidade (imitar C.)
Craft - inglês culto, rico
Taveira - admin, púb, inércia pt.
Palma Cavalão - jornalista corrupto, falta de integridade
Os Maias - Tragédia
Descrição - traços superiores
Destino - indícios trágicos indicam fim
Símbolos - da morte (lenda do Ramalhete)
Nomes - C. nome de herói dum romance
Estrutura de tragédia clássica
HYBRIS - problema do amor incestuoso
PATHOS - sofrimento resultante
CATÁSTROFE - morte de A.
Os Maias - Realismo e Naturalismo
personagens produtos de fatores naturais (hereditariedade e edu.)
pormenor de factos, realidade concreta
focalização interna - ponto de v. da pers.
focalização omnisciente - testemunho de acontecimentos mas tb penetra íntimo das pers.
denuncia vícios
Os Maias - Edu. Pt. e Trad.
-> P. e E.
recurso à memorização
desval. da vontade e espírito crítico, criatividade
religião, estudo do latim (LÍNGUA MORTA)
resulta em fracasso, vida instável
Os Maias - Edu. Inglesa
-> C.
promove saúde, força, contacto com nat.
valores de trabalho
desenvolvimento da inteligência, línguas vivas
ao contrário do pai, n se suicida, procura nova vida
Os Maias - Espaços
Lisboa - centro de ação, social e cultural
Coimbra - diletantismo, form. académica
Santa Olávia - campo, tranquilidade, sossego
Toca - vivência amoroso, refúgio (coruja, S. João Baptista -> morte)
Ramalhete - testemunho a evolução da intriga, ascensão e queda da fam.
Os Maias - Jantar no Hotel Central
C. introduzido à soc. lisboeta
aborda crítica lit., situação financeira do país e mentalidade retrógrada da soc.
ultrarrom. vs nat. - denúncia dos excessos sentimentais da poesia u., subjetividade, pouco científico
decadência nacional, bancarrota - Ega defende necessidade de bancarrota e invasão espanhola para ressuscitar espírito público
Os Maias - Corridas de Cavalos
sátira desejo de imitar estrangeiro
ironia de soc. que vive de aparências, conformidade
provincianismo do acontecimento, tom de improv.
desordem, desorg., soc. importada e n autêntica
Os Maias - Corneta do Diabo e A Tarde
sátira à parcialidade do jornalismo, corrupção, falta de ética
public. de carta comprometedora - public. da carta de Dâmaso
Os Maias - Sarau do Teatro da Trindade
critica superficialidade dos temas de conversa, ignorância
excessos do ultrarrom.
TRAGÉDIA DO INCESTO descoberta por Ega
Os Maias - Passeio Final
crítica à estagnação, degradação
românticos fracassados, desiludidos por exist. marcada pela trag.
ironicamente, correm atrás do “americano” “Ainda o apanhamos!”
revisit. do passado
Os Maias - Ling. e Estilo
prosa queirosiana
adjetivos - emotividade, descrição de pormenores
uso do diminutivo (Eusebiozinho)
ironia trágia - pers. n suspeitam da trag., indícios trág.
sinestesia e sensações
C.V. - Poetização do Real
acusa mundo de ser pouco solidário, resignado, indignado, frustrado
caráter deambulatório, reflexões e críticas
denuncia contrastes e injustiças sociais, foca-se nos desfavorecidos
Lisboa - o seu palco, mostra modernidade e mutação
n busca conformação
VISUALISMO - outras sens. auditivas, olfativas, táteis
n só conhecemos sua realidade mas tb íntimo
oscila entre subj. e obj.
C.V. - Dicotomia Campo/Cidade
amor pelo rústico
sente-se confinado, aprisionado
CIDADE -> morte, decadência, opressivo, miséria
CAMPO -> saúde, trabalho duro, vida, vitalidade, liberd.
anseio de evasão
C.V. - Imagética Fem.
-> dualidade
MULHER CAMPONESA: portadora de vida, saúde, mesmo sendo pobre, simples, ligada à Nat., pura, povo trabalhador
MULHER CITADINA: retrata valores decadentes da classe alta, desperta desejo, arrasta suj. poét. à morte, humilha-o, frígida, distante, dominadora
C.V. - O Sentimo Dum Ocidental
percorre Lisboa noturna, relação masoquista com cidade, aprisionamento
subversão da mem. épica de Camões
visão antiépica contrastante, denuncia realidade decadente
cidade prisão do presente/promessa do passado
C.V. - Num Bairro Moderno
invasão simbólica do campo na cidade
transfigura o real após contacto com vendedeira
simpatia pelos desfav.
C.V. - Contrariedades
estado de espírito infeliz
vítima de injustiça social
é rejeitado pela imprensa por causa de soc. rom., falta de apreço pela poesia
processo poético é catártico
C.V. - Estilo
versos longos
vocab. simples
ironia
tom coloquial - aproxima-se do povo
F.H.L! - Influência de Brecht
Teatro do século XX caracterizado por “entusiasmo militante”
Baseado numa nova leitura da História - analisa transformações sociais - provoca o pensamento e reflexão crítica
“Teatro épico” → função pedagógica e não catártica - apelo a ação
F.H.L! - Contexto Histórico
Após eleições presidenciais de 1958 - Fraude eleitoral → época conturbada, marcada por divisões no regime
Reação totalitária e repressiva através de meios políticos, sociais e policiais
Restrição de liberdades individuais e coletivas → PIDE
Guerra colonial em Angola, na Guiné e em Moçambique - enorme esforço de recursos humanos e materiais
Intelectuais denunciam a violação dos direitos e publicam textos q são alvos de censura
F.H.L! - Dualidade Histórica (TEMPO DA HISTÓRIA)
→ Agitação social que levou à revolta liberal de 1820: conspirações internas, revolta contra presença da corte no Brasil e influência do exército inglês, regime absolutista e tirânico
→ classes sociais fortemente hierarquizadas
→ classes dominantes com medo de perder privilégios vs povo oprimido, explorado e resignado
→ proximidade entre poder político e a Igreja
→ “miséria, medo e a ignorância” mas “felizmente há luar”
→ luta contra a opressão do regime absolutista
→ denúncia da opressão e miséria
→ perseguição dos agentes dos governantes britânicos - mecanismos de vigilância
→ censura à opinião
→ severa opressão dos conspiradores - condenações arbitrárias
→ execução do general G.F.
F.H.L! - Dualidade Histórica - TEMPO DA ESCRITA
→ agitação social - conspirações internas, guerra colonial, regime ditatorial de Salazar
→ maior desigualdade entre ricos e pobres
→ classes exploradoras vs povo reprimido e explorado
→ proximidade entre o poder do Estado e a Igreja
→ miséria, medo e analfabetismo mas crença na mudança
→ Luta contra o regime totalitário e ditatorial
→ agitação social - militares antifascistas a protestarem
→ perseguições da PIDE
→ censura à imprensa
→ tribunais controlados pelo poder político - prisão, campos de concentração, duras medidas de repressão
→ condenação em processos sem provas
F.H.L! - O Espaço Físico
contraste entre espaço do poder e o espaço do povo
LUZ: incidência/ausência sublinha momentos fundamentais
SOM: vozes de multidão, tambores, sinos - evidencia intensidade dramática
F.H.L! - O Espaço Social
Espaço da rua - acentua vivências do povo explorado
PODER VS POVO
Interior vs exterior
Cadeiras figurativas do poder vs poucos adereços
Triunvirato - Beresford, D.M. e P.S. vs multidão dos miseráveis
Vaivém de delatores vs presença constante de polícia vigilante
F.H.L! - Resumo dos Atos - ATO I
Manuel, Rita, Vicente e populares - mostram miséria, G.F. referido como “amigo do povo” - idolatrado
Vicente tenta mostrar que o general não é diferente dos outros - multidão dispersa com a chegada da polícia que se aproximem de Vicente → o D.M. quer incumbi-lo de uma missão - ele imagina-se chefe da polícia - dado a missão de vigiar a casa do G.F.
Os “três reis do Rossio” precisam de encontrar alguém que possam acusar - escolhem o G.F.
F.H.L! - Resumo dos Atos - ATO II
PARALELISMO COM ATO I - inicia-se com uma cena coletiva
Rita mostra a sua piedade a Matilde
M. relembra os momentos de intimidade vividos e ironiza dizendo que, se o seu filho ainda fosse vivo, lhe ensinaria a ser cobarde
Sousa Falcão surge, confessa desânimo e desencanto face ao país - deixa a M. para buscar notícias do general
M. suplica a libertação do G.F. diante de Beresford, que a humilha
Manuel e Rita manifestam-lhe a sua solidariedade moral, dando-lhe uma moeda como esmola
M. quer exigir um julgamento, dirige-se a P.S. → desmonta a mensagem evangélica, mostra quanto o seu comportamento é contrário aos ensinamentos de Cristo
Frei Diogo interrompe - tenta acalmar o desespero de M. - ela amaldiçoa o P.S.
S.F. anuncia a execução do general esta próxima
D.M. informa que a execução prolongará pela noite mas “felizmente há luar” - M. lança palavras de coragem e ânimo ao povo - “felizmente há luar” x2
F.H.L.! - Estrutura e Principais Etapas
Peça divide-se em dois atos - complementam-se
ATO I - apresenta os mecanismos do poder que controla a vida política
Percurso sociopolítico, personagens do poder, recompensa dos delatores, comunhão entre poder político e Igreja, procura do chefe da conspiração, incriminação do G.F. através de denúncia infundada
ATO II - desloca a ação para o domínio do antipoder
Domínio dos sentimentos, as personagens que se relacionam com o herói são as marcantes, amor e amizade se sobrepõem à hipocrisia e intolerância, M. supera a dor e exalta o valor de liberdade, denuncia supremacia dos interesses pessoais e a hipocrisia religiosa
F.H.L! - O Carácter Trágico
UNIDADE DE AÇÃO - prisão, julgamento e morte do G.F. (foca da peça)
NOBREZA DAS PERSONAGENS - personagens do antipoder distinguem-se pela nobreza moral e pela coragem com que defendem os seus ideais no confronto com o poder
O DESAFIO, O CONFLITO E A CATÁSTROFE - G.F. questiona o poder instituído, conflito nasce da oposição entre a tradição e a modernidade democrática - luta pela igualdade, justiça e liberdade - pagará com a vida, será castigado com a morte → catástrofe - sacrifício do herói se transformará em revolta e esperança
O SACRIFÍCIO DO HERÓI - defende os seus ideais até à morte
UNIDADE DO ESPAÇO - desenrola no mesmo espaço, na rua
TERROR E PIEDADE - sacrifício do herói, desespero de Matilde
CARÁCTER CATÁRTICO - expurga o público de más intenções - limpa a sociedade
O CORO - personagens que não intervêm diretamente na ação, função é comentar acontecimentos → OS POPULARES
F.H.L! - Personagens do Poder - D. Miguel
Tirano, inseguro, prepotente, avesso ao progresso e insensível à injustiça/miséria
O seu discurso consiste-se sobre verdades e convicções falsas → eco do discurso político salazarista
Falsidade e hipocrisia
F.H.L! - Personagens do Poder - Principal Sousa
Hipocrisia, falta de valores éticos, interesses pessoais superiores ao bem comum
Simboliza o conluio entre a Igreja e o poder
Didascálias mostram o seu carácter vaidoso que aprecia o luxo
Interpreta a Bíblia com os seus interesses pessoais
F.H.L! - Personagens do Poder - Beresford
Cínico e controverso - lidera o processo de G.F. não como um imperativo nacional mas apenas motivado por interesses pessoais - manutenção do seu posto
Antipatia face ao catolicismo, símbolo do poder económico estrangeirado em Portugal
F.H.L! - Os Delatores - Vicente
Elemento do povo, trai os seus iguais para a sua própria ascensão político-social
Provocador/agitador → tenta denegrir o prestígio do general
Denuncia o general a D.M. a troco da posição de chefe da polícia
Leve o espectador a olhar dentro de si e a refletir
F.H.L! - Os Delatores - Andrade Corvo e Morais Sarmento
Traem para servir obscuros “propósitos patrióticos”
Meros títeres na mão dos poderosos
F.H.L! - O Antipoder - Gomes Freire de Andrade
Está sempre presente, embora nunca apareça
A sua presença é construída a partir das falas das outras personagens
Homem instruído, um “estrangeirado”, um militar que sempre lutou para a honestidade e a justiça
O povo vê nele o seu herói - único capaz de o libertar do clima de opressão e terror em que vive - deposita nele as esperanças
Símbolo da modernidade e do progresso - subversivo e perigoso para o poder instituído → personagem ideal como vítima que simboliza a revolta
Defesa intransigente dos seus ideais - incomoda os “reis do Rossio” → morte servirá como lição
Martírio do G.F., lição de coragem, determinação em não abandonar o seu sonho de ver Portugal livre → construção do carácter épico e trágico
HERÓI- pois não desiste do sonho que o faz lutar e perseguir concretização dos seus objetivos
F.H.L! - O Antipoder - Matilde de Melo
Companheira de “todas as horas” de G.F. - dá voz à injustiça sofrida pelo seu homem - denuncia falsidade e hipocrisia do Estado e da Igreja
Diálogos com P.S. revelam profundo conhecimento dos seus princípios - a Igreja desconhece o verdadeiro significado da caridade, da justiça, da igualdade
Insatisfeita com a falta de solidariedade e apoio do povo
Inicialmente é uma mulher apaixonadas que apenas quer salvar o seu homem → toma consciência da situação, assume a luta de G.F. → revelando-se firme e corajosa mas ainda nostálgica de um amor intenso
Acredita num reencontro pós-morte - revela-se como uma cristã autêntica
No final, dialoga com o G.F. nos seus momentos finais → carácter surreal que denuncia o absurdo da violência dos homens
F.H.L! - O Antipoder - Sousa Falcão
O “inseparável amigo” do G.F., amigo fiel em que se pode confiar, está sempre pronto a exprimir solidariedade e amizade, mas tem consciência de que não agiu de forma consentânea com os seus ideais - general é quem desejaria ser
Reflexo e consciencialização da sua própria existência provocado
F.H.L! - O Antipoder - Frei Diogo
Símbolo do antipoder dentro da Igreja - oposição ao P.S. - representante de uma Igreja que se distancia dos princípios mais autênticos da Igreja
Fortalece Matilde
F.H.L! - O Antipoder - O Povo
Representado pela presença de vários populares - não têm intervenção direta no conflito dramático
Pano de fundo permanente
F.H.L! - O Antipoder - Manuel e Rita
Símbolos do povo oprimido, sem vitalidade, têm consciência da injustiça em que vivem, mas sentem-se impotentes para alterar a situação
Veem em G.F. um messias, a prisão dele é uma espécie de traição à esperança que o povo nele depositava
Manuel polariza o povo
Simbolizam a desesperança, a desilusão, a frustração
F.H.L! - Os Símbolos
Título
Saia verde
Luz
Noite
Lua
Luar
Fogueira
Moeda de Cinco Reis
F.H.L! - Os Símbolos - Título
Felizmente há Luar!
Expressão proferida por duas personagens de “mundos” diferentes: D.M., símbolo do poder, M., símbolo da resistência
Luar é interpretado de forma diferente por cada uma das personagens
D.M. → luar permitirá que a fogueira seja visto por todos, atemorizando aqueles que ousem lutar pela liberdade - efeito dissuasor
M. → luar sublinha a intensidade do fogo, incitando à ousadia daqueles que acreditam na mudança - estímulo para que o povo se revolte, reforça a esperança
F.H.L! - Os Símbolos - A Saia Verde
Associada a momentos de felicidade vividos pelo casal - comprada pelo general
Verde simboliza a esperança da justiça - sinal do amor verdadeiro e transformador
Matilde vence a dor e revolta - comunica a esperança aos outros
F.H.L! - Os Símbolos - A Luz
Metáfora do conhecimento dos valores do futuro - possibilita o progresso, vencendo a escuridão da noite (opressão)
Exprime a certeza de que o bem e a justiça triunfarão
Associada à vida, à saúde e à felicidade
F.H.L! - Os Símbolos - A Noite
Associada ao mal, ao castigo, à morte
F.H.L! - Os Símbolos - Lua
Representa a dependência, periodicidade e à renovação
Passagem da vida para a morte
F.H.L! - Os Símbolos - O Luar
Para os opressores, permitirá que mais pessoas fiquem avisadas
Para os oprimidos, significa que poderão seguir essa luz e lutar pela liberdade
F.H.L! - Os Símbolos - A Fogueira
D.M. - ensinamento para o povo
M. - liberdade triunfará
Elemento destruidor e simultaneamente purificador e regenerador
F.H.L! - Os Símbolos - Moeda de Cinco Reis
Símbolo do desrespeito que os poderosos mantinham para com o próximo - contraria os mandamentos de Deus
F.H.L! - Importância das Didascálias
Completa o texto principal
DOIS TIPOS:
um acompanha as falas, em itálico - indica movimentos, tom, gestos etc.
um aparece ao lado do texto principal - análise interpretativa
Mais subjectivo, explica determinados sons, intencionalidade do dramaturgo