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O que é otite média aguda (OMA)?
Infecção aguda da orelha média, com inflamação e acúmulo de secreção, de instalação súbita e geralmente resolução completa.
Qual é o principal mecanismo fisiopatológico da OMA?
Disfunção da tuba auditiva, favorecendo pressão negativa e acúmulo de secreção na orelha média, associado à ascensão/aspiração de secreções da nasofaringe.
Qual condição frequentemente precede ou favorece a OMA?
Infecção de vias aéreas superiores, especialmente rinite/rinossinusite viral.
Qual é o papel da infecção viral na OMA?
A infecção viral provoca inflamação e disfunção da tuba auditiva, favorecendo posteriormente a infecção bacteriana da orelha média.
Quais são as principais bactérias associadas à OMA?
Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis.
Em qual faixa etária a OMA é mais prevalente?
Principalmente entre 6 e 24 meses.
Quais fatores epidemiológicos estão associados à maior ocorrência de OMA?
Primeira infância, especialmente 6–24 meses; sexo masculino; episódios bilaterais são comuns.
Quais sintomas respiratórios podem acompanhar a OMA?
Rinorreia, congestão/obstrução nasal e sintomas de IVAS.
Qual é o sintoma mais característico da OMA?
Otalgia de início agudo, frequentemente associada à febre.
Como a OMA pode se manifestar em lactentes que não conseguem relatar otalgia?
Recusa alimentar, irritabilidade, prostração e choro persistente podem ser manifestações indiretas de dor.
Quais sintomas sistêmicos podem ocorrer na OMA?
Febre, irritabilidade, inapetência, vômitos e diarreia.
Qual é o achado mais importante na otoscopia para o diagnóstico de OMA?
Abaulamento da membrana timpânica.
Quais outros achados otoscópicos podem ocorrer na OMA?
Aumento da vascularização radial, redução da transparência/opacificação da membrana timpânica e alteração/ausência do reflexo luminoso.
Qual achado diferencia melhor OMA de uma simples hiperemia da membrana timpânica durante uma IVAS?
O abaulamento da membrana timpânica é o achado mais importante para OMA; hiperemia isolada não é suficiente.
Por que a membrana timpânica fica abaulada na OMA?
Devido ao acúmulo de secreção e aumento da pressão na orelha média.
O que pode acontecer quando a membrana timpânica se perfura espontaneamente na OMA?
Ocorre otorreia, geralmente acompanhada de alívio da otalgia pela redução da pressão na orelha média.
Caso clínico: criança com OMA apresenta saída súbita de secreção purulenta pelo ouvido e melhora da dor. O que aconteceu?
Provavelmente houve perfuração espontânea da membrana timpânica, com drenagem da secreção e redução da pressão na orelha média.
Qual é a evolução natural da maioria dos casos de OMA?
Remissão espontânea, especialmente em crianças maiores de 2 anos; muitos casos melhoram nas primeiras 48–72 horas.
Em quanto tempo cerca de 80% dos casos de OMA podem apresentar remissão espontânea?
Até aproximadamente 72 horas, principalmente em crianças maiores de 2 anos.
O que pode permanecer após a resolução dos sintomas da OMA?
Otite média com efusão/derrame seroso, que pode persistir por semanas ou meses mesmo sem sintomas importantes.
A presença de líquido na orelha média após melhora da OMA significa necessariamente falha do tratamento?
Não. Um derrame seroso pode persistir por semanas ou meses após a resolução da infecção aguda.
Como é feito o diagnóstico da OMA?
Clinicamente, pela história associada principalmente à otoscopia.
É necessário realizar cultura para diagnosticar OMA na rotina?
Não. O diagnóstico é clínico e otoscópico.
Quando a timpanocentese pode ser indicada na OMA?
Em casos persistentes apesar de mudanças adequadas de antibioticoterapia ou em casos associados a complicações, como mastoidite ou labirintite, especialmente quando é necessária identificação etiológica.
Qual é a principal medida para aliviar a dor na OMA?
Analgesia adequada, utilizando analgésicos/antitérmicos como paracetamol ou dipirona conforme idade e peso.
Qual é o papel dos analgésicos na OMA?
São fundamentais para controle da otalgia, independentemente de ser indicada ou não antibioticoterapia.
Quando a antibioticoterapia pode ser evitada na OMA?
Em crianças selecionadas, especialmente maiores de 6 meses, com quadro leve, sem sinais de gravidade, que podem ser acompanhadas com observação e reavaliação.
Em quais situações a antibioticoterapia é mais claramente indicada na OMA?
Crianças muito pequenas, doença bilateral em determinadas faixas etárias, otorreia, otalgia intensa/persistente, febre alta, toxemia ou falha de melhora clínica.
Qual é a conduta em uma criança menor de 6 meses com OMA?
Geralmente iniciar antibioticoterapia, além de analgesia, devido ao maior risco de complicações e menor segurança da estratégia de observação.
Em crianças menores de 2 anos com OMA bilateral, qual é a tendência de conduta?
Antibioticoterapia é geralmente indicada, mesmo na ausência de sinais sistêmicos graves.
Quais são sinais de gravidade que favorecem antibiótico na OMA?
Otalgia intensa ou persistente, otorreia, febre alta, toxemia/comprometimento importante do estado geral e outras complicações.
Qual febre é considerada sinal de maior gravidade na OMA?
Febre alta, especialmente >39°C.
Quando uma criança maior de 6 meses, sem sinais de gravidade, pode ser observada inicialmente sem antibiótico?
Quando apresenta quadro leve e há possibilidade de acompanhamento e reavaliação, especialmente se os sintomas tiverem duração curta.
Quando deve ser iniciado antibiótico em uma criança maior de 6 meses inicialmente observada?
Se houver piora ou ausência de melhora após aproximadamente 48 horas, ou se surgirem sinais de gravidade.
Qual é a primeira escolha antibiótica habitual para OMA?
Amoxicilina.
Qual dose de amoxicilina pode ser utilizada na OMA pediátrica conforme o resumo?
45 mg/kg/dia, dividida em doses, com possibilidade de dose alta em situações de maior risco de resistência.
Quando deve ser considerada amoxicilina em dose alta ou amoxicilina-clavulanato na OMA?
Em situações de maior risco de resistência, como uso recente de amoxicilina, falha terapêutica ou determinadas condições clínicas.
Qual é a duração aproximada do tratamento antibiótico da OMA em crianças segundo o resumo?
7 dias, embora a duração possa variar conforme idade, gravidade e recomendações atuais.
Quais são as principais complicações da OMA?
Mastoidite, perfuração da membrana timpânica, perda auditiva, meningite, abscesso cerebral e trombose de seios venosos.
Qual complicação da OMA deve ser especialmente lembrada diante de edema e dor retroauricular?
Mastoidite.
Caso clínico: criança com OMA apresenta febre alta, otalgia intensa, edema e eritema atrás da orelha e deslocamento do pavilhão auricular. Qual diagnóstico?
Mastoidite aguda, uma complicação da OMA.