Pediatria

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1
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Qual é o papel da herança genética no crescimento da criança?

A herança genética determina tanto quantitativa quanto qualitativamente o potencial máximo biológico de crescimento do indivíduo. Ela define a faixa de resposta do organismo frente aos estímulos ambientais e nutricionais, sofrendo influência de fatores como histórico familiar (estatura dos pais), raça e heterose (vigor híbrido resultante da mistura genética).

2
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Como atua o hormônio do crescimento (GH) no desenvolvimento físico?

O GH atua de forma contínua do nascimento até o término da puberdade. Sua principal via de ação para o crescimento linear consiste em estimular a produção do fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-I ou somatomedina C) no fígado e tecidos-alvo. Além disso, o GH desempenha funções anabólicas gerais (como retenção de nitrogênio e síntese proteica) e tem seu pico máximo de liberação durante o estirão puberal.

3
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De que forma os hormônios tireoidianos afetam o crescimento e a maturação óssea?

Os hormônios tireoidianos (T3 e T4) são imprescindíveis para a síntese de proteínas e para a mineralização e aquisição de massa óssea. Há uma interdependência endócrina: quando os níveis de hormônios tireoidianos caem, a síntese e a secreção de GH também diminuem. Por essa razão, crianças com hipotireoidismo não tratado apresentam parada ou desaceleração intensa do crescimento linear e atraso marcante da maturação esquelética (idade óssea atrasada).

4
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Onde são produzidos os esteroides sexuais e qual a importância deles no estirão puberal?

Os esteroides sexuais são produzidos inicialmente pelas glândulas suprarrenais (fase da adrenarca) e, posteriormente, pelas gônadas (testículos nos meninos e ovários nas meninas). Na puberdade, esses hormônios aceleram o crescimento estatural agindo diretamente nas cartilagens de conjugação, no tecido ósseo e na musculatura. Ao mesmo tempo em que promovem o estirão, são eles os responsáveis por consolidar a fusão das epífises ósseas, determinando o encerramento do crescimento longitudinal.

5
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Quais aspectos compõem os fatores extrínsecos que influenciam o crescimento?

Envolvem principalmente o aporte nutricional (variedade, densidade de nutrientes e disponibilidade de alimentos) e as condições ambientais gerais. O ambiente engloba o saneamento básico, o nível socioeconômico da família, o acesso facilitado e contínuo a serviços de saúde, além da estabilidade emocional e dos vínculos afetivos familiares.

6
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O que representa o conceito dos "primeiros 1000 dias de vida"?

Corresponde ao período que vai do momento da concepção (início da gestação) até a criança completar 2 anos de idade. Trata-se de uma janela crítica de desenvolvimento e alta plasticidade biológica, em que ocorrem intensas interações entre a nutrição materna/infantil, a colonização do microbioma e a programação epigenética, moldando tanto o crescimento quanto o risco de doenças crônicas no futuro.

7
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Quais são as principais causas de restrição de crescimento intrauterino (RCIU)?

As causas intrauterinas que impedem o feto de atingir seu potencial pleno englobam deficiências nutricionais maternas, fatores mecânicos intrauterinos, distúrbios endócrinos maternos ou placentários, infecções congênitas, respostas imunológicas adversas, hipóxia crônica (anóxia), exposição a substâncias teratogênicas/drogas/álcool/tabaco, traumas físicos e radiação.

8
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Por que o peso deve ser aferido em todas as consultas pediátricas?

O peso é o parâmetro mais sensível e dinâmico para indicar o estado de saúde e o equilíbrio nutricional agudo de recém-nascidos, lactentes e pré-escolares. Qualquer alteração clínica recente, como quadros infecciosos ou desidratação, reflete-se precocemente no peso.

9
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Como o peso se comporta diante de doenças e durante a recuperação nutricional?

Diante de agravos à saúde (infecções, carências alimentares ou doenças inflamatórias), o peso é o primeiro indicador a desacelerar ou cair abruptamente. Em contrapartida, quando a causa é tratada e inicia-se o processo de recuperação clínica e calórica, ele tende a ser o último a atingir a estabilização e normalização completa, principalmente em crianças nascidas prematuras.

10
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Qual é a regra prática para estimar o peso aproximado de crianças entre 3 e 12 meses?

Soma-se a idade da criança em meses com o número 9 e divide-se o resultado por 2. Em texto simples: Peso aproximado = (Idade em meses + 9) / 2.

11
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Qual é a regra prática para calcular o peso aproximado de crianças entre 1 e 6 anos?

Multiplica-se a idade da criança em anos por 2 e soma-se 8 ao valor obtido. Em texto simples: Peso aproximado = (Idade em anos vezes 2) + 8.

12
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Qual é a regra prática para calcular o peso aproximado de crianças entre 7 e 12 anos?

Multiplica-se a idade da criança em anos por 7, subtrai-se 5 e divide-se o valor final por 2. Em texto simples: Peso aproximado = ((Idade em anos vezes 7) - 5) / 2.

13
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Por que a estatura é considerada o indicador mais seguro de crescimento a longo prazo?

Porque a estatura sofre menor oscilação direta frente a doenças passageiras ou episódios de carência alimentar aguda quando comparada ao peso. Ela reflete a saúde cumulativa do indivíduo ao longo do tempo e possui uma correlação genética muito estreita com a estatura dos pais biológicos.

14
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Como é feito o cálculo da estatura-alvo (canal genético) para meninos?

Soma-se a altura da mãe em centímetros à altura do pai em centímetros, adiciona-se 13 centímetros a essa soma e, por fim, divide-se o total por 2. Em texto simples: Altura-alvo do menino = (Altura da mãe + Altura do pai + 13) / 2.

15
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Como é feito o cálculo da estatura-alvo (canal genético) para meninas?

Soma-se a altura da mãe em centímetros à altura do pai em centímetros, subtrai-se 13 centímetros dessa soma e, por fim, divide-se o resultado por 2. Em texto simples: Altura-alvo da menina = (Altura da mãe + Altura do pai - 13) / 2.

16
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Qual é o critério de curva estatística para definir baixa estatura?

Considera-se baixa estatura para a idade quando o comprimento ou a altura da criança se posiciona abaixo do escore-Z -2 ou abaixo do percentil 2,3 nas curvas oficiais de crescimento da Organização Mundial da Saúde (OMS).

17
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Até que idade deve-se mensurar rotineiramente o perímetro cefálico (PC)?

O perímetro cefálico deve ser medido obrigatoriamente e acompanhado em curva própria desde o nascimento até os 2 anos de idade (24 meses), intervalo no qual ocorre a fase mais veloz de proliferação glial, crescimento encefálico e fechamento das fontanelas.

18
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Em qual faixa etária a aferição da Pressão Arterial (PA) passa a ser rotineira na puericultura?

Aferição de rotina da pressão arterial em consultas ambulatoriais preventivas de puericultura começa a partir dos 3 anos de idade. Crianças abaixo dessa faixa etária só têm a PA aferida sob circunstâncias especiais de risco (como histórico de prematuridade, internação em UTI neonatal, cardiopatias congênitas ou patologias renais).

19
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Qual percentil equivale ao escore-Z -3?

O percentil correspondente é 0,1.

20
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Qual percentil equivale ao escore-Z -2?

O percentil correspondente é 2,3.

21
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Qual percentil equivale ao escore-Z -1?

O percentil correspondente é 15.

22
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Qual percentil equivale ao escore-Z 0?

O percentil correspondente é 50, que representa a exata mediana populacional padrão da OMS.

23
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Qual percentil equivale ao escore-Z +1?

O percentil correspondente é 85.

24
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Qual percentil equivale ao escore-Z +2?

O percentil correspondente é 97.

25
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Qual percentil equivale ao escore-Z +3?

O percentil correspondente é 99,1.

26
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Em menores de 5 anos, como é classificado o IMC acima do escore-Z +3?

É classificado diretamente como Obesidade.

27
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Em menores de 5 anos, como é classificado o IMC situado entre o escore- -z+2 e+3?

É classificado como Sobrepeso.

28
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Em menores de 5 anos, como é classificado o IMC situado entre o escore-Z -2 e +2?

É classificado como Eutrofia (estado nutricional normal e adequado para a idade).

29
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Em menores de 5 anos, como é classificado o IMC situado entre o escore-Z -3 e -2?

É classificado como Magreza.

30
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Em menores de 5 anos, como é classificado o IMC que fica abaixo do escore-Z -3?

É classificado como Magreza Extrema.

31
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Na faixa de 5 a 19 anos, qual diagnóstico nutricional é dado para o IMC acima do escore-Z +3?

É classificado como Obesidade Grave.

32
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Na faixa de 5 a 19 anos, como é classificado o IMC entre o escore- z+2 e+3?

É classificado como Obesidade.

33
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Na faixa de 5 a 19 anos, como é classificado o IMC entre o escore-Z +1 e +2?

É classificado como Sobrepeso.

34
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Na faixa de 5 a 19 anos, qual é a faixa de normalidade (eutrofia)?

A faixa de eutrofia está compreendida entre o escore-Z -2 e o escore-Z +1.

35
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Qual é a principal diferença nos pontos de corte de excesso de peso entre menores de 5 anos e maiores de 5 anos?

O limite superior para normalidade (eutrofia) muda: para crianças de 0 a 5 anos, a normalidade vai até o escore-Z +2, sendo que acima de +2 já é sobrepeso e acima de +3 é obesidade. Já para a faixa de 5 a 19 anos, a normalidade vai somente até o escore-Z +1; valores acima de +1 caracterizam sobrepeso, acima de +2 indicam obesidade e acima de +3 caracterizam obesidade grave.

36
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Qual é a base anatômica e fisiológica por trás do neurodesenvolvimento na infância?

O neurodesenvolvimento é impulsionado pelo processo progressivo de mielinização das vias neuronais do sistema nervoso central. À medida que a bainha de mielina se forma ao redor dos axônios, a condução sináptica torna-se mais veloz e refinada, permitindo que reflexos primitivos deem lugar a movimentos voluntários coordenados.

37
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O que significa o vetor de progressão "céfalo-caudal"?

Significa que o controle neuromuscular obedece à direção da cabeça para os pés. A criança adquire primeiramente a capacidade de sustentar o pescoço e a cabeça, em seguida estabiliza os músculos do tronco para sentar e, por último, obtém o controle da pelve e dos membros inferiores para ficar em pé e caminhar.

38
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O que significa o vetor de progressão "próximo-distal" (ou centrífugo)?

Significa que o domínio motor caminha do eixo axial/central do corpo para as extremidades. O bebê primeiro desenvolve estabilidade escapular e força nos ombros e braços (movimentos amplos) para só depois conseguir coordenar mãos, punhos e dedos com precisão motora fina.

39
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Qual é o calendário habitual de consultas de puericultura?

No primeiro ano de vida, as consultas são mensais ou bimestrais para acompanhar o ritmo acelerado de crescimento. No segundo ano, passam a ser trimestrais. A partir dos 2 anos de idade, o acompanhamento preventivo regular passa a ser feito a cada seis meses (semestralmente).

40
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Qual é o marco motor amplo esperado aos 3 meses de vida?

Sustentação cefálica consistente. Colocada de bruços (em pronação), a criança consegue erguer a cabeça e sustentar o peso do tronco superior apoiando-se nos cotovelos e antebraços.

41
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O que se espera no desenvolvimento motor amplo aos 6 meses de idade?

A criança atinge a capacidade de sentar com apoio de almofadas ou das próprias mãos à frente ("posição de tripé").

42
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O que a criança deve fazer aos 9 meses no motor amplo e qual a postura correta sobre engatinhar?

Aos 9 meses, ela consegue sentar-se sozinha sem nenhum tipo de apoio. Em relação ao engatinhar, ele pode começar nessa fase, mas não é considerado um marco motor obrigatório nem rígido, já que algumas crianças saudáveis pulam essa etapa e passam direto para a posição ereta.

43
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Quais são as habilidades motoras amplas típicas ao completar 12 meses (1 ano)?

O lactente consegue ficar de pé com apoio (segurando em móveis) ou por breves instantes sem apoio, e inicia os primeiros passos laterais ou guiados.

44
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Quando a marcha autônoma deve estar estabelecida e qual é o limite de alerta?

A marcha independente sem apoio costuma se consolidar entre 15 e 18 meses (1 ano e meio). O limite considerado de alerta clínico máximo é aos 18 meses: se a criança não der passos independentes até essa idade, deve-se iniciar imediatamente uma investigação neurológica e motora.

45
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Como é a acuidade visual típica do recém-nascido?

O recém-nascido nasce com hipermetropia fisiológica (em média 4 graus), o que faz com que enxergue melhor a curta distância (cerca de 20 a 30 centímetros, distância ideal para fixar o rosto de quem o amamenta).

46
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O que se observa na coordenação motora fina entre 4 e 6 meses?

A criança deixa de manter as mãos fechadas em punho involuntário e passa a estender os braços ativamente, conseguindo alcançar e segurar brinquedos e objetos voluntariamente com as duas mãos.

47
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Como evolui o movimento de pinça entre 9 e 12 meses?

Aos 9 meses, surge a pinça inferior ou radial, na qual a criança tenta prender pequenos objetos usando a lateral do dedo indicador e a borda da mão ou base do polegar. Por volta dos 10 a 12 meses, essa habilidade evolui para a pinça fina (ou superior), com a aposição perfeita entre a ponta do dedo polegar e a ponta do dedo indicador.

48
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Quais manifestações vocais e auditivas são esperadas entre 2 e 3 meses de idade?

Emissão de sons guturais simples, vocalizações abertas de vogais (balbucio inicial) e respostas auditivas a sons altos e vozes familiares.

49
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O que é o laleio, característico aos 6 meses de vida?

É a fase da linguagem em que o bebê começa a produzir sons consonantais combinados e repetitivos em cadeias de sílabas, como "ba-ba", "da-da" ou "ma-ma", exercitando o ritmo e a modulação da musculatura orofacial.

50
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Quais marcos da linguagem verbal devem estar presentes aos 12 meses (1 ano)?

O surgimento das primeiras palavras contextualizadas, ou seja, com real intenção comunicativa direcionada ao objeto ou pessoa (como falar "mamá", "papá", "água" ou "dá" de modo específico).

51
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O que é esperado da comunicação verbal e receptiva aos 18 meses (1 ano e meio)?

Espera-se um vocabulário ativo composto por cerca de 10 a 20 palavras compreensíveis e a capacidade receptiva de entender e obedecer a comandos verbais simples e diretos do dia a dia.

52
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O que se espera da fala aos 24 meses (2 anos) e qual o sinal de alarme?

A criança já deve ser capaz de estruturar frases simples ligando duas ou três palavras (por exemplo: "dá bola", "quero água"). O sinal de alarme crítico ocorre quando a criança atinge 2 anos sem emitir nenhuma palavra contextualizada ou não combinando termos, exigindo encaminhamento para exames auditivos e avaliação do neurodesenvolvimento.

53
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Qual marco social indispensável surge por volta dos 2 meses de idade?

O sorriso social em resposta ao rosto, voz e interação com outro ser humano (sorriso voluntário e comunicativo, não apenas o reflexo do sono).

54
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Que comportamento socioemocional surge entre 6 e 8 meses de vida?

A discriminação clara entre pessoas familiares e estranhas. O lactente prefere ativamente os cuidadores próximos e passa a demonstrar receio, retraimento ou choro na presença de pessoas desconhecidas.

55
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Quais comportamentos de atenção compartilhada são observados dos 9 aos 12 meses?

A criança passa a atender prontamente quando chamada pelo próprio nome, olha para onde o adulto aponta, aponta o dedo indicador para mostrar o que deseja e imita gestos sociais (como bater palminhas e acenar "tchau").

56
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Que manifestação comportamental típica costuma se manifestar entre 15 e 18 meses?

Surgem as primeiras reações de birra, crises de frustração e resistência com choro. Isso reflete o início do processo de individuação, no qual a criança percebe suas próprias vontades e tenta testar sua recém-descoberta autonomia frente às regras dos pais.

57
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Quando deve ocorrer o desfralde e como esse processo deve ser encarado?

O desfralde habitualmente tem início entre os 2 e 3 anos, esperando-se que o controle dos esfíncteres durante o dia esteja consolidado por volta dos 3 anos de idade. Esse processo depende da maturação neuromuscular da medula e do aparelho urinário, associada à prontidão psicológica e cognitiva. Portanto, deve ser conduzido de forma natural, sem cobranças excessivas, pressões ou punições que possam causar traumas ou retenções voluntárias.

58
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Qual é o esquema recomendado de suplementação profilática com Vitamina D?

Administra-se a dose diária de 400 UI (unidades internacionais) ao longo do primeiro ano de vida (iniciando na primeira semana após o nascimento) e eleva-se a dose para 600 UI ao dia durante o segundo ano de vida (até os 24 meses), visando à prevenção do raquitismo e à adequada mineralização óssea.

59
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Qual a importância clínica da suplementação profilática de ferro elementar até os 2 anos?

O ferro elementar previne a anemia ferropriva, uma condição frequente nessa fase de crescimento acelerado. A deficiência de ferro nos primeiros 24 meses prejudica a proliferação celular, os neurotransmissores e a formação da bainha de mielina cerebral, o que pode gerar sequelas cognitivas, déficits de atenção e atrasos motores irreversíveis a longo prazo.

60
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Quais são os limites estabelecidos pela Sociedade Brasileira de Pediatria para uso de telas?

Para crianças menores de 2 anos de idade, a recomendação é de zero telas (nenhuma exposição passiva ou ativa a celulares, tablets, computadores ou televisores). Para a faixa etária de 2 a 5 anos, o limite aceitável é de no máximo 1 hora por dia, sempre com conteúdo de alta qualidade pedagógica e acompanhamento presencial ativo de um responsável.

61
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Qual é a definição laboratorial estrita de anemia na infância?

Anemia é definida pela redução da massa de hemoglobina, hematócrito ou concentração de hemácias circulantes em mais de dois desvios padrões (abaixo de -2 desvios padrões) em relação à média esperada para indivíduos saudáveis da mesma idade, sexo e altitude.

62
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Por que a altitude deve ser considerada na definição dos valores normais de hemoglobina?

Em maiores altitudes, a pressão parcial de oxigênio no ar é menor (hipóxia ambiental). Como mecanismo compensatório, o organismo eleva a secreção de eritropoietina para estimular a medula óssea a produzir mais hemácias e hemoglobina, deslocando os valores de normalidade para patamares mais altos do que os observados ao nível do mar.

63
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Qual é a prevalência da anemia na primeira infância no Brasil e sua faixa etária de pico?

No Brasil, a anemia acomete cerca de 20% a 25% das crianças na primeira infância (aproximadamente 1 em cada 4 a 5 crianças). O pico de incidência ocorre entre os 6 meses e os 24 meses (2 anos) de vida.

64
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Qual é a porcentagem que a anemia ferropriva representa dentro do total de anemias na infância?

A anemia ferropriva é a etiologia mais frequente, correspondendo a cerca de 60% a 70% de todos os casos de anemia diagnosticados em crianças.

65
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Quais são as principais consequências clínicas e de neurodesenvolvimento decorrentes da anemia ferropriva não tratada precocemente?

O ferro é cofator indispensável para a mielinização neural, síntese de neurotransmissores (como dopamina e serotonina) e funcionamento mitocondrial. Sua deficiência na fase de maior plasticidade cerebral causa prejuízos cognitivos, motores, comportamentais e de aprendizado que muitas vezes tornam-se irreversíveis, além de provocar retardo no crescimento somático e disfunção do sistema imunológico, levando a infecções de repetição.

66
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Como se explica o mecanismo da chamada "anemia fisiológica" dos primeiros meses de vida?

As hemácias neonatais têm meia-vida média de 120 dias e começam a ser gradualmente senescentes. Paralelamente, nos primeiros 4 a 5 meses de vida, a criança dobra de peso corporal devido ao ritmo acelerado de crescimento somático. Essa rápida expansão da volemia supera a taxa transitória de eritropoiese medular, gerando uma hemodiluição e queda natural nos níveis de hemoglobina, que é fisiológica.

67
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Qual é o papel da puericultura diante da anemia fisiológica do lactente?

A puericultura tem a função de monitorar o crescimento, garantir estoques adequados de ferro desde o pré-natal/nascimento e intervir com a introdução alimentar e suplementação profilática no momento oportuno, impedindo que essa queda fisiológica inicial se aprofunde e se transforme em anemia ferropriva patológica.

68
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Quais são os três grandes grupos fisiopatológicos de classificação das anemias?

  1. Produção inadequada de hemácias pela medula óssea (hipoproliferação); 2. Perda sanguínea excessiva (hemorragias agudas ou crônicas); 3. Destruição eritrocitária acelerada (hemólise).
69
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Quais são as principais causas de anemia por produção medular inadequada na infância?

Deficiência de micronutrientes essenciais (ferro, vitamina B12 e ácido fólico), aplasia ou hipoplasia medular congênita/adquirida, infiltração neoplásica da medula óssea (como leucemias agudas e neuroblastoma) e doença renal crônica (pela redução na síntese de eritropoietina).

70
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Por que filhos de mães vegetarianas estritas ou veganas merecem atenção especial para anemia?

A vitamina B12 (cobalamina) é encontrada exclusivamente em fontes de origem animal. Mães veganas estritas sem suplementação adequada transferem baixos estoques de B12 pela placenta e pelo leite materno, predispondo o lactente ao desenvolvimento de anemia megaloblástica por produção inadequada e a graves déficits neurológicos.

71
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Quais são as causas gastrointestinais e ginecológicas mais comuns de anemia por perda sanguínea na faixa pediátrica?

Gastrointestinais: Alergia à proteína do leite de vaca (APLV), enteroparasitoses espoliadoras (como ancilostomíase), doença inflamatória intestinal, pólipos, úlceras pépticas e sangramentos microscópicos induzidos pelo consumo precoce de leite de vaca integral. Ginecológicas: Menorragia em meninas adolescentes na fase pós-menarca; nos primeiros 2 anos após a menarca, a imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovário gera ciclos anovulatórios com fluxos menstruais intensos e não percebidos pela paciente.

72
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Quais anemias hemolíticas congênitas são comumente rastreadas no Teste do Pezinho?

A Doença Falciforme (e outras hemoglobinopatias) e a Deficiência de G6PD (Glicose-6-Fosfato Desidrogenase), ambas detectáveis precocemente na triagem neonatal.

73
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Qual é a base da suscetibilidade infecciosa aumentada na anemia falciforme?

O afoiçamento constante das hemácias na microcirculação esplênica gera vaso-oclusão e microinfartos de repetição, culminando em autoesplenectomia funcional ainda na primeira infância. Sem o baço funcionante para filtrar o sangue e opsonizar antígenos, a criança fica altamente vulnerável a bactérias capsuladas, em especial o Streptococcus pneumoniae (pneumococo).

74
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Por que a deficiência de G6PD exige reconhecimento precoce na primeira consulta de puericultura?

A G6PD é fundamental para proteger a membrana eritrocitária contra o estresse oxidativo. O médico deve checar o Teste do Pezinho para orientar a família a evitar o contato com substâncias oxidantes (certos medicamentos como sulfas, analgésicos específicos, naftalina e derivados de fava), que de outra forma desencadeariam crises hemolíticas graves com icterícia e insuficiência renal aguda.

75
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Como as anemias são classificadas com base no tamanho das hemácias (VCM) e na coloração (HCM)?

Macrocíticas (VCM alto): Hemácias aumentadas (anemias megaloblásticas por falta de B12/folato, aplasias, uso de certas drogas). Podem ser normocrômicas. Normocíticas e Normocrômicas (VCM e HCM normais): Anemias por hemorragia aguda, fases iniciais de doenças inflamatórias crônicas e certas crises hemolíticas. Microcíticas e Hipocrômicas (VCM e HCM baixos): Hemácias pequenas e descoradas, padrão clássico da anemia ferropriva, do traço talassêmico e da anemia de doença crônica em estágios avançados.

76
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Como diferenciar laboratorialmente a anemia ferropriva do traço talassêmico e da anemia de inflamação/doença crônica?

Anemia Ferropriva: RDW alto (anisocitose marcada), ferritina baixa, ferro sérico baixo e CTLF elevado. Traço Talassêmico: Microcitose acentuada desproporcional ao grau leve de queda da hemoglobina, RDW habitualmente normal, ferritina normal/elevada e confirmação por eletroforese de hemoglobina. Anemia de Inflamação: Ferro sérico baixo, mas com ferritina normal ou elevada (sequestro de ferro) e hepcidina acentuadamente elevada associada a marcadores inflamatórios altos (como PCR).

77
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Quais são os sintomas inespecíficos mais comuns da anemia em lactentes e crianças?

Palidez cutâneo-mucosa, fadiga, prostração, adinamia (menor interesse por brincadeiras), irritabilidade inexplicada, anorexia (recusa alimentar progressiva), desaceleração do ganho de peso e baixa estatura, além de cabelos ressecados e unhas quebradiças.

78
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Onde a palidez cutâneo-mucosa deve ser clinicamente pesquisada no exame físico pediátrico?

Deve ser avaliada em áreas ricamente vascularizadas e de pele fina ou mucosa: leito subungueal, conjuntivas palpebrais inferiores, lóbulo da orelha, mucosa oral jugal e dorso/margens da língua.

79
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O que é o fenômeno da perversão do apetite (pica ou geofagia) e por que ele acontece na anemia ferropriva?

É o impulso de mastigar ou engolir substâncias não nutritivas ou alimentos crus fora do contexto dietético (como terra, barro, argila, gelo, papel, cinzas, cal de parede ou pedras). Acredita-se que decorra de alterações neuroquímicas no hipotálamo e sistema de recompensa induzidas pela carência tecidual grave de ferro.

80
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Quais alterações orais e epiteliais periféricas podem surgir na deficiência grave de ferro?

Glossite (atrofia das papilas linguais, deixando a língua lisa, avermelhada e dolorosa), estomatites e queilites angulares ("boqueiras" ou fissuras nos cantos dos lábios).

81
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O que significa o achado de "cor anêmico" no exame físico cardiovascular?

É a presença de alterações cardiovasculares decorrentes do mecanismo compensatório de alto débito para suprir a hipóxia tecidual crônica. Inclui taquicardia de repouso, pulsos amplos, sopro sistólico ejetivo funcional (por menor viscosidade sanguínea e circulação hiperdinâmica) e, nos casos extremos, sinais de congestão e insuficiência cardíaca de alto débito.

82
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Quando o achado de icterícia deve direcionar a hipótese diagnóstica de anemia para causas hemolíticas?

A icterícia na hemólise decorre da degradação em massa do grupo heme das hemácias destruídas, gerando sobrecarga de bilirrubina indireta (não conjugada). Portanto, palidez associada a escleras ou pele amareladas, colúria acastanhada e hepatoesplenomegalia sugere fortemente anemia hemolítica em vez de ferropriva pura.

83
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Quais condições maternas e gestacionais reduzem o estoque de ferro do feto?

Anemia materna durante a gravidez, desnutrição proteico-calórica materna, tabagismo, síndromes hipertensivas da gestação (como pré-eclampsia) e diabetes gestacional. Essas condições reduzem o fluxo útero-placentário e limitam a transferência ativa de micronutrientes no terceiro trimestre.

84
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Por que os prematuros tardios (34 a 36 semanas e 6 dias) têm alto risco de anemia ferropriva, mesmo quando nascem com bom peso?

Cerca de dois terços das reservas corporais de ferro do concepto são acumuladas no último trimestre gestacional, principalmente entre a 34ª e a 38ª semana. O prematuro tardio é retirado do ambiente uterino antes de completar esse ciclo máximo de estocagem; portanto, apesar de apresentar bom peso ao nascer, suas reservas biológicas de ferro são substancialmente escassas.

85
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Como o clampeamento imediato do cordão umbilical influencia os estoques de ferro do bebê?

O clampeamento imediato (feito em menos de 60 segundos) interrompe bruscamente a transfusão placentária fisiológica, privando o recém-nascido de receber até 30% a 40% do volume adicional de sangue rico em hemácias. Já o clampeamento oportuno (após 1 a 3 minutos) transfere uma carga crucial de ferro que protege a criança contra a anemia ferropriva durante os primeiros 6 meses de vida.

86
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De que maneira o consumo precoce de leite de vaca integral na infância favorece a anemia?

O leite de vaca tem baixíssima biodisponibilidade de ferro e alta concentração de cálcio e caseína, que inibem diretamente a absorção do ferro presente na dieta. Além disso, as proteínas intactas do leite de vaca irritam o epitélio intestinal imaturo do lactente, provocando micro-hemorragias crônicas ocultas na mucosa gastrointestinal.

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Qual é a função da ferroportina no enterócito e macrófagos?

A ferroportina é o único canal transmembrana exportador de ferro conhecido no organismo. Ela atua na borda basolateral dos enterócitos e na membrana dos macrófagos, liberando o ferro absorvido da dieta ou reciclado da fagocitose de hemácias velhas diretamente na corrente sanguínea para ser captado pela transferrina.

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O que é a hepcidina, qual seu estímulo de liberação e como ela atua sobre a ferroportina?

A hepcidina é um hormônio peptídico produzido no fígado que atua como o principal regulador negativo do metabolismo do ferro. Ela é secretada em níveis altos quando há sobrecarga de ferro ou na presença de citocinas pró-inflamatórias (em infecções ou inflamações crônicas). Ao se ligar à ferroportina, a hepcidina induz a internalização e degradação desse canal, bloqueando a liberação do ferro para o plasma e prendendo-o dentro dos enterócitos e macrófagos.

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Por que a suplementação diária ininterrupta de ferro em doses elevadas pode se tornar ineficaz biologicamente?

Doses altas e contínuas de ferro causam um pico excessivo na concentração sérica do mineral, o que sinaliza ao fígado para elevar agudamente a hepcidina. A hepcidina alta degrada a ferroportina nas horas subsequentes, bloqueando a absorção das doses seguintes e fazendo com que o ferro administrado não seja absorvido, acumulando-se no trato gastrointestinal, onde causa efeitos adversos locais e é eliminado nas fezes.

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Quais são os três estágios sequenciais da carência de ferro no organismo?

  1. Depleção de reservas (carência latente): Queda isolada dos estoques teciduais (ferritina reduzida), enquanto ferro sérico e índices hematimétricos permanecem normais; 2. Eritropoiese deficiente em ferro: Estoques esgotados provocam redução do ferro sérico e elevação do CTLF, mas a hemoglobina ainda se mantém dentro dos valores normais; 3. Anemia ferropriva declarada: Redução acentuada da hemoglobina associada à alteração da morfologia eritrocitária (microcitose e hipocromia no hemograma).
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Qual é o valor de corte de hemoglobina para definir anemia na faixa etária de 6 a 24 meses?

O valor de corte padrão utilizado é Hemoglobina (Hb) inferior a 10,5 g/dL.

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Qual índice eritrocitário do hemograma costuma ser o primeiro a cair na instalação da anemia ferropriva?

O Volume Corpuscular Médio (VCM), que indica a redução no tamanho das hemácias (microcitose), antes mesmo de ocorrer uma queda drástica na coloração (HCM/hipocromia) e na própria hemoglobina em estágios iniciais da falência eritropoética.

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Por que o RDW encontra-se aumentado na anemia ferropriva?

O RDW afere o índice de anisocitose, que é a variação de tamanho entre as hemácias circulantes. À medida que o ferro se torna escasso, a medula óssea libera hemácias progressivamente menores e defeituosas que passam a coexistir com as hemácias mais velhas de tamanho normal remanescentes no sangue, elevando a heterogeneidade dimensional da população celular (RDW maior que 14,5% a 15%).

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Quais são os pontos de corte atualizados da ferritina sérica para diagnóstico de ferropenia em crianças menores e maiores de 5 anos?

Crianças menores de 5 anos: Ferritina sérica abaixo de 12 ng/mL; Crianças a partir de 5 anos: Ferritina sérica abaixo de 15 ng/mL.

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Por que a Proteína C Reativa (PCR) deve ser solicitada conjuntamente na avaliação da ferritina?

A ferritina é uma proteína de fase aguda cuja concentração sérica eleva-se na presença de qualquer processo inflamatório ou infeccioso, independentemente do estoque real de ferro. A dosagem simultânea da PCR permite identificar se a ferritina está artificialmente elevada por uma inflamação concomitante, evitando que um quadro real de carência de ferro passe despercebido.

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Como se comportam os valores de Ferro Sérico, CTLF e Saturação de Transferrina na anemia ferropriva?

Ferro Sérico: Reduzido (abaixo de 30 mcg/dL); CTLF (Capacidade Total de Ligação do Ferro): Aumentada (acima de 390 mcg/dL), pois a transferrina livre está disponível e ávida para transportar ferro; Saturação de Transferrina: Reduzida (abaixo de 16%).

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Qual é o comportamento inicial dos reticulócitos na anemia ferropriva e por que eles são importantes após o início do tratamento?

Na anemia ferropriva não tratada, os reticulócitos costumam estar normais ou baixos, refletindo a incapacidade proliferativa da medula por falta de substrato. Após a introdução do ferro medicinal, os reticulócitos elevam-se rapidamente (crise reticulocitária), atingindo o pico entre o 7º e o 10º dia, sendo o primeiro marcador laboratorial a confirmar que a terapêutica foi absorvida e está sendo eficaz.

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Qual é a dose terapêutica recomendada de ferro elementar por via oral e a duração usual do tratamento?

A dose terapêutica varia de 3 a 6 mg/kg/dia de ferro elementar administrada por via oral. A duração total deve ser mantida por um período de 3 a 6 meses de forma contínua.

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Por que a posologia em dose única diária tem sido preferida em relação à fracionada?

A dose única diária reduz a frequência de elevações consecutivas da hepcidina ao longo do mesmo dia (otimizando a absorção intestinal), diminui a sobrecarga de manipulação do medicamento pelos pais e resulta em melhor adesão terapêutica em comparação à administração em duas ou três tomadas diárias.

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Qual é a elevação mensal esperada da hemoglobina durante o tratamento adequado da anemia ferropriva?

Espera-se um aumento de pelo menos 1,0 g/dL na concentração de hemoglobina a cada 30 dias de tratamento regular.