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Flashcards abrangentes para revisão da matriz de avaliação de Filosofia do 10.º ano, cobrindo a natureza e disciplinas da filosofia, noções elementares de lógica, análise de conceitos, proposições categóricas e quadrado da oposição.
Qual é a origem etimológica da palavra «filosofia» e qual é o seu significado literal?
Deriva da junção das palavras gregas philia (que significa amor ou amizade) e sophia (que significa sabedoria), traduzindo-se literalmente por «amor à sabedoria».
De acordo com a perspetiva socrática, qual é o ponto de partida para o conhecimento e qual o principal obstáculo à sabedoria?
O ponto de partida é o reconhecimento da própria ignorância («Só sei que nada sei»), adotando uma postura crítica e de problematização; o grande obstáculo à sabedoria consiste em julgar que já se possui o saber sem se questionar ou procurar saber mais.
Por que razão se afirma que a filosofia é uma atividade crítica que «nada toma como garantido e aceite por fé»?
Porque se dedica ao exame minucioso e imparcial das crenças aceites acriticamente das autoridades, procurando descobrir se são justificadas com boas razões para nos libertar de preconceitos e conferir liberdade e autonomia de pensamento.
Por que motivo se diz que a filosofia é uma atividade conceptual e qual é o seu método de investigação?
É uma atividade conceptual porque se dedica à análise de conceitos fundamentais; o seu método de trabalho não é empírico ou experimental, recorrendo exclusivamente ao pensamento crítico, à conceptualização e à argumentação.
Quais são as três características essenciais dos problemas filosóficos?
São problemas de natureza conceptual, dizem respeito às nossas crenças básicas ou fundamentais e não se podem resolver por vias experimentais.
O que é uma tese e qual é o papel dos argumentos em relação a ela?
Uma tese é a ideia ou posição que se quer defender em resposta a um problema em aberto; os argumentos fornecem as boas razões e os fundamentos que sustentam e justificam criticamente essa tese.
Qual é o objeto de estudo da Lógica e que questões centrais procura responder?
Estuda o logos, isto é, a coerência do pensamento e do raciocínio/argumentação, respondendo a questões como «Que características deve ter um bom argumento?» e «Como poderemos produzir raciocínios válidos?».
Qual é o objeto de estudo da Metafísica e quais são algumas das suas questões típicas?
Estuda os aspetos gerais da realidade, como a identidade e o livre-arbítrio, questionando: «Somos livres ou tudo está determinado?», «Quem somos?», «De onde vimos?» e «Para onde vamos?».
Qual é a distinção entre o objeto de estudo da Ética e o da Metaética?
A Ética estuda os critérios e princípios de uma ação correta («O que torna as ações moralmente corretas?»), ao passo que a Metaética investiga a natureza e o significado desses princípios éticos e juízos morais («Os juízos morais têm valor de verdade objetivo?»).
Qual é o objeto de estudo da Epistemologia e qual o significado do termo grego do qual deriva?
Estuda a origem, a possibilidade e os limites do conhecimento humano, derivando da palavra grega gnose (conhecimento).
Qual é o objeto de estudo da Ontologia?
Estuda o ontos (o ser em si), respondendo a perguntas fundamentais como «O que é o ser?» e «Porque há ser em vez de nada?».
Como se articulam os instrumentos do pensamento com as respetivas expressões verbais no discurso?
O conceito (instrumento mental) expressa-se verbalmente pelo termo; o juízo (relação entre conceitos) expressa-se pela proposição; o raciocínio (relação lógica entre juízos) expressa-se pelo argumento.
O que é um conceito e de que processo cognitivo resulta?
É uma representação mental abstrata que reúne as características comuns a uma diversidade de seres de uma mesma classe, resultando de um processo de abstração. É a unidade básica do pensamento a partir da qual se formam juízos e raciocínios.
Por que razão «termo» e «palavra» não são termos rigorosamente sinónimos?
Porque um mesmo termo pode ser expresso por palavras diferentes (sinónimos ou em línguas distintas, como livro, book e Buch), ou por um conjunto de palavras (como «cidade capital de Portugal» ou «pôr-do-sol»).
O que é uma proposição?
É o pensamento ou conteúdo objetivo expresso exclusivamente por uma frase declarativa, o qual possui valor de verdade (pode ser classificado em verdadeiro ou falso).
Que tipos de frases não exprimem proposições e por que razão?
Frases imperativas, exclamativas, interrogativas, promessas, pedidos e optativas (desejos), visto que não comunicam um conteúdo suscetível de ser classificado como verdadeiro ou falso.
Como se comprova que frase e proposição são realidades distintas a partir de frases declarativas diferentes e de frases ambíguas?
Frases declarativas diferentes podem partilhar a mesmíssima proposição (ex.: «O rio Minho desagua em Caminha» e «A foz do rio Minho é em Caminha»), enquanto uma única frase ambígua pode conter duas proposições distintas (ex.: «O João está a carregar uma bateria»).
Qual é a distinção entre a representação de uma proposição na forma canónica e na forma lógica?
A forma canónica utiliza a linguagem natural (português) expressando a relação de maneira clara e explícita (ex.: «Todas as árvores são vegetais»); a forma lógica abstrai o conteúdo e utiliza uma linguagem simbólica formal (ex.: «Todo o S eˊ P»).
Quais são os três elementos estruturais de uma proposição categórica?
O sujeito (S: termo sobre o qual se afirma ou nega algo), o predicado (P: característica afirmada ou negada do sujeito) e a cópula (elemento de ligação, forma do verbo ser).
Como se dividem as proposições segundo a sua quantidade e segundo a sua qualidade?
Quanto à quantidade dividem-se em universais, particulares e singulares; quanto à qualidade dividem-se em afirmativas e negativas.
Qual é a origem histórica da designação das quatro proposições categóricas pelas letras A, E, I e O?
Remonta à Idade Média a partir das palavras latinas AffIrmo (cujas duas primeiras vogais, A e I, identificam a universal afirmativa e a particular afirmativa) e nEgO (cujas vogais, E e O, identificam a universal negativa e a particular negativa).
Quais são os quatro tipos canónicos de proposições categóricas e as suas respetivas formas lógicas?
Tipo A: Universal afirmativa («Todo o S eˊ P»); Tipo E: Universal negativa («Nenhum S eˊ P»); Tipo I: Particular afirmativa («Algum S eˊ P»); Tipo O: Particular negativa («Algum S na˜o eˊ P»).
Qual é o procedimento correto para efetuar a negação de proposições singulares?
Basta alterar a qualidade da proposição (trocar afirmação por negação ou vice-versa), recorrendo ao «não» ou a expressões como «é falso que» ou «não é verdade que» (ex.: «Sócrates era grego» tem como negação «Sócrates não era grego»).
Qual é a regra geral para negar proposições universais e particulares?
Implica alterar simultaneamente a quantidade e a qualidade da proposição inicial: a negação de A é O, a de E é I, a de I é E e a de O é A.
Em que consiste a relação de contraditoriedade no quadrado lógico da oposição?
Ocorre entre proposições com quantidades e qualidades opostas (A e O; E e I); não podem ter o mesmo valor de verdade: a verdade de uma implica necessariamente a falsidade da outra e vice-versa.
Em que consiste a relação de contrariedade e quais as suas implicações lógicas?
Ocorre entre universais com qualidades distintas (A e E); não podem ser ambas verdadeiras, mas podem ser ambas falsas (a verdade de uma implica a falsidade da outra, mas a falsidade de uma não implica a verdade da outra).
Em que consiste a relação de subcontrariedade e quais as suas implicações lógicas?
Ocorre entre particulares com qualidades distintas (I e O); não podem ser ambas falsas, mas podem ser ambas verdadeiras (a falsidade de uma implica a verdade da outra, mas a verdade de uma não implica a falsidade da outra).
Como se traduz a frase «Qualquer filósofo é crítico» para a forma canónica de uma proposição categórica?
Traduz-se por uma proposição universal afirmativa (Tipo A): «Todos os filósofos são críticos».
Como se traduz a frase «Nem todos os caminhos são transitáveis» para a sua forma canónica categórica?
Traduz-se por uma proposição particular negativa (Tipo O): «Alguns caminhos não são transitáveis».
Qual é a diferença funcional entre proposições categóricas, condicionais e disjuntivas?
As categóricas afirmam ou negam sem condições; as condicionais afirmam ou negam sob certas condições («Se… então…»); as disjuntivas afirmam ou negam sob a forma de alternativas que se excluem mutuamente (disjunção exclusiva) ou não (disjunção inclusiva).