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O que é a dengue?
Arbovirose urbana, sistêmica, geralmente autolimitada e causada pelo vírus da dengue (DENV).
Quais são os sorotipos do vírus da dengue?
DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4.
Como ocorre a transmissão da dengue?
Pela picada da fêmea do mosquito infectado, principalmente Aedes aegypti.
Quais são as três fases clínicas da dengue?
Fase febril, fase crítica e fase de recuperação.
Como é a fase febril da dengue?
Febre geralmente >38°C por 2–7 dias, associada principalmente a cefaleia, mialgia, astenia, artralgia, dor retro-orbitária e, às vezes, exantema.
Quais são os principais sintomas da fase febril da dengue?
Cefaleia, mialgia intensa, astenia, artralgia, dor retro-orbitária e lesões exantemáticas.
Por que ocorre a dor retro-orbitária na dengue?
Está relacionada ao acometimento/inflamação da região orbitária e músculos oculares durante a infecção viral.
Por que ocorre mialgia na dengue?
Relaciona-se à resposta inflamatória e ao acometimento muscular durante a infecção viral.
Como costuma estar o hemograma na dengue?
Leucopenia, linfopenia e trombocitopenia são achados frequentes.
O que caracteriza a fase crítica da dengue?
É a fase em que podem surgir os sinais de alarme, geralmente durante a defervescência, exigindo maior vigilância pelo risco de extravasamento plasmático e evolução para dengue grave.
Quais são os principais sinais de alarme da dengue?
Dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, hipotensão postural, letargia, hepatomegalia, sangramento de mucosa e aumento do hematócrito.
Qual sinal laboratorial sugere extravasamento plasmático na dengue?
Aumento do hematócrito, indicando hemoconcentração.
Por que ocorre aumento do hematócrito na dengue grave?
Devido ao extravasamento de plasma para o interstício, causando hemoconcentração.
O que acontece na fase de recuperação da dengue?
Após aproximadamente 24–48 horas da fase crítica, ocorre reabsorção do líquido extravasado e recuperação progressiva do paciente.
Como ocorre a resposta imune na dengue?
A ativação de linfócitos T CD4+ e CD8+ estimula produção de quimiocinas e citocinas, contribuindo para a resposta inflamatória.
Como a dengue pode causar extravasamento plasmático?
A resposta inflamatória aumenta a permeabilidade vascular, permitindo extravasamento de plasma para o interstício.
Por que a dengue pode causar sangramento?
O aumento da permeabilidade/fragilidade vascular associado à trombocitopenia favorece manifestações hemorrágicas.
Como ocorre a resposta de anticorpos na primeira infecção por dengue?
Inicialmente há produção de IgM, com pico aproximadamente no 7º–8º dia, e posteriormente aumento de IgG a partir da segunda semana.
O que acontece com a resposta de IgG na segunda infecção por dengue?
Há resposta de IgG mais intensa e precoce, principalmente quando o segundo sorotipo é diferente do primeiro.
O que é o fenômeno de amplificação dependente de anticorpos (ADE) na dengue?
Anticorpos de uma infecção anterior podem se ligar ao vírus sem neutralizá-lo adequadamente, facilitando sua entrada em células e favorecendo maior viremia e resposta inflamatória.
Por que uma segunda infecção por dengue pode ser mais grave?
Pela possibilidade de amplificação dependente de anticorpos, com maior viremia e intensa resposta inflamatória, favorecendo aumento da permeabilidade vascular e extravasamento plasmático.
O que é a dengue grave?
Forma caracterizada principalmente por choque por extravasamento plasmático, sangramento grave ou acometimento grave de órgãos.
Quais são as principais formas de gravidade da dengue?
Choque por extravasamento plasmático, sangramento grave e acometimento grave de órgãos.
Quais exames podem ser utilizados para diagnóstico da dengue?
Isolamento viral, RT-PCR, sorologia por ELISA e pesquisa de antígeno NS1.
Em que período pode ser realizado o isolamento viral na dengue?
Principalmente do 1º ao 5º dia de doença.
Em que período o PCR é mais útil para diagnóstico da dengue?
Principalmente do 1º ao 3º dia de doença.
Quando a sorologia por ELISA se torna mais útil na dengue?
Após aproximadamente 10 dias do início dos sintomas.
O que pesquisa o teste rápido de antígeno NS1?
Detecta o antígeno NS1 do vírus da dengue, principalmente durante a fase aguda, aproximadamente do 1º ao 7º dia de sintomas.
O que avalia a prova do laço?
Avalia a fragilidade capilar e auxilia na identificação de tendência hemorrágica.
Como interpretar a prova do laço na classificação apresentada?
A = negativa; B = pode ser positiva; C = positiva; D = positiva.
O que deve ser avaliado no hemograma de um paciente com dengue?
Principalmente leucócitos, linfócitos, plaquetas e hematócrito.
O que é o grupo A da dengue?
Paciente sem sinais de alarme, sem comorbidades, sem risco social e sem condições especiais.
Qual é o tratamento do grupo A da dengue?
Hidratação oral de 60 mL/kg/dia, sendo aproximadamente 1/3 de solução de sais de reidratação oral e 2/3 de líquidos caseiros, acompanhamento ambulatorial e orientação dos sinais de alarme.
O paciente do grupo A precisa ser internado?
Não. O tratamento é ambulatorial, desde que não haja sinais de alarme ou condições que indiquem maior risco.
O que é o grupo B da dengue?
Paciente sem sinais de alarme, mas com comorbidade, risco social ou condição especial.
Quais pacientes podem ser considerados grupo B na dengue?
Entre outros: menores de 24 meses, gestantes, pessoas ≥65 anos, hipertensos, diabéticos, cardiopatas, pacientes com DPOC ou asma, obesidade, doenças hematológicas, doença renal crônica, hepatopatias e doenças imunológicas.
Qual é a primeira conduta no grupo B da dengue?
Solicitar hemograma completo.
O que fazer se o hemograma do grupo B estiver alterado?
O paciente deve ser conduzido como grupo C.
O que fazer se o hemograma do grupo B estiver normal?
Pode receber alta com acompanhamento diário, hidratação oral e repetição do hemograma em 48 horas, além de orientação sobre sinais de alarme.
Qual é a hidratação indicada para o grupo B com hemograma normal?
Hidratação oral de 60 mL/kg/dia, sendo 1/3 de solução de sais de reidratação oral e 2/3 de líquidos caseiros.
O que é o grupo C da dengue?
Paciente com sinais de alarme, mas sem sinais de gravidade.
Qual é a conduta inicial no grupo C da dengue?
Internação por no mínimo 48 horas, hemograma obrigatório, dosagem de albumina e transaminases e início imediato de reposição volêmica.
Qual é a hidratação indicada inicialmente no grupo C?
Soro fisiológico 0,9% IV, 10 mL/kg/h, sem aguardar os resultados dos exames.
Quando deve ser feita a primeira reavaliação do paciente do grupo C?
Após aproximadamente 2 horas, com reavaliação clínica e laboratorial.
O que fazer se o paciente do grupo C não melhorar após a reposição volêmica inicial?
Manter/repetir a reposição volêmica e reavaliar novamente, conforme resposta clínica e laboratorial.
O que fazer se o paciente do grupo C melhorar após a reposição inicial?
Passar para manutenção com 25 mL/kg em 6 horas e depois 25 mL/kg em 8 horas.
O que é o grupo D da dengue?
Paciente com sangramento grave, acometimento grave de órgão ou sinais de choque.
Quais são exemplos de sinais de choque na dengue?
Hipotensão, taquicardia, extremidades frias e outros sinais de hipoperfusão.
Onde deve ser tratado o paciente do grupo D?
Em UTI, inicialmente por pelo menos 48 horas.
Quais exames são obrigatórios no grupo D?
Hemograma, albumina sérica e transaminases.
Qual é a reposição volêmica inicial no grupo D?
Soro fisiológico 0,9% IV, 20 mL/kg em até 20 minutos.
Com que frequência deve ser reavaliada a clínica no grupo D?
A cada 15–30 minutos.
Com que frequência deve ser acompanhado o hematócrito no grupo D?
Inicialmente a cada 2 horas, conforme evolução clínica.
Qual é uma conduta que deve ser lembrada para todo caso de dengue?
A dengue é de notificação compulsória.
CASO CLÍNICO: Paciente com febre de 39°C há 3 dias, cefaleia, mialgia e dor retro-orbitária, sem sinais de alarme ou comorbidades. Em qual fase está e qual grupo de tratamento?
Está na fase febril e, na ausência de sinais de alarme, comorbidades, risco social ou condições especiais, pertence ao grupo A.
CASO CLÍNICO: Paciente com dengue apresenta dor abdominal intensa e contínua, mas não apresenta choque ou sangramento grave. Qual grupo e conduta?
Grupo C. Deve ser internado por no mínimo 48 horas, realizar hemograma, albumina e transaminases e iniciar hidratação IV com SF 0,9% a 10 mL/kg/h, sem aguardar os exames.
CASO CLÍNICO: Paciente com dengue apresenta sinais de alarme e, após hidratação inicial, melhora clínica e laboratorial. Qual é a próxima etapa?
Manutenção com 25 mL/kg em 6 horas, seguida de 25 mL/kg em 8 horas.
CASO CLÍNICO: Paciente com dengue apresenta hipotensão, taquicardia, extremidades frias e sinais de hipoperfusão. Qual grupo e tratamento?
Grupo D. Deve ser manejado em UTI, com reposição volêmica rápida de SF 0,9% 20 mL/kg em até 20 minutos e reavaliação clínica a cada 15–30 minutos.
CASO CLÍNICO: Paciente com dengue pertence ao grupo B e apresenta hemograma alterado. Como deve ser conduzido?
Deve ser classificado e tratado como grupo C.
CASO CLÍNICO: Paciente com dengue pertence ao grupo B e apresenta hemograma normal. Qual a conduta?
Alta com acompanhamento diário, hidratação oral, repetição do hemograma em 48 horas e orientação para retorno imediato diante de sinais de alarme.