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Flashcards vocabulares para o estudo introdutório da disciplina de Filosofia de 10.º ano, abrangendo a natureza conceptual da filosofia, o método crítico socrático, as disciplinas filosóficas, a teoria da argumentação, as propriedades da validade e solidez, o quadrado lógico de oposição e conceitos basilares de ética prática.
Etimologia de Filosofia
Deriva dos termos gregos philos (philia), que significa amor ou amizade, e sophia, que significa sabedoria, traduzindo-se por «amor à sabedoria» ou procura contínua e incessante do saber.
Questões filosóficas
Questões de natureza conceptual e não empírica, relativas às crenças fundamentais do ser humano, que são abertas por não admitirem uma solução previamente determinada ou experimental.
Questões das ciências empíricas
Questões fechadas que se resolvem através de métodos empíricos, recorrendo à observação e à experimentação, e que estão sujeitas a verificação, confirmação ou falsificação experimental.
Crenças fundamentais (ou básicas)
Crenças nucleares que servem de base ou alicerce a muitas outras convicções e decisões humanas, e cuja verdade ou falsidade condiciona a verdade ou falsidade das crenças que delas dependem.
Crítica (em sentido filosófico)
Exame minucioso, cuidadoso e imparcial de uma teoria, opinião, crença ou argumento com vista a avaliar as suas razões e justificação, não se confundindo com um juízo negativo ou destrutivo.
Artigos intelectuais em segunda mão (Jerome Stolnitz)
Expressão usada para designar a maioria das crenças que as pessoas assimilam acriticamente a partir do meio social, da tradição ou de figuras de autoridade (como pais e professores), sem reflexão prévia e fundamentada.
Método socrático
Abordagem dialógica centrada na colocação de perguntas, na problematização e no uso da ironia e da refutação para demonstrar a ignorância e buscar o verdadeiro conhecimento a partir do princípio «Só sei que nada sei».
Problema a priori
Problema que se investiga e resolve recorrendo exclusivamente ao pensamento, à reflexão conceptual e à análise lógica, prescindindo de métodos experimentais ou da observação sensível.
Lógica
Disciplina filosófica que estuda o logos, a coerência do pensamento e do raciocínio, determinando as propriedades que tornam válidos os argumentos.
Metafísica
Disciplina filosófica que estuda os aspetos gerais da realidade na sua totalidade, tais como o problema do livre-arbítrio, a identidade e a existência.
Axiologia
Disciplina filosófica dedicada ao estudo da natureza dos valores, dos seus fundamentos e da sua respetiva classificação e hierarquização.
Ética
Disciplina da filosofia que estuda os princípios, critérios e fundamentos da ação moralmente correta, refletindo sobre o bem, o mal e o dever.
Metaética
Subdisciplina filosófica que estuda a natureza e o significado dos próprios princípios éticos, bem como o estatuto e o valor de verdade dos juízos e conceitos morais.
Filosofia Social e Política
Ramo da filosofia que investiga a organização da vida coletiva, as formas legítimas de governação e os princípios reitores de uma sociedade justa.
Epistemologia (ou Gnosiologia)
Disciplina filosófica que estuda o conhecimento humano em geral, averiguando a sua origem, estrutura, possibilidade e limites.
Filosofia da Ciência
Subárea da epistemologia focada na análise do conhecimento científico, na sua progressão, na sua metodologia e na questão da sua objetividade.
Estética e Filosofia da Arte
Área filosófica que investiga o fenómeno artístico, a experiência estética e os conceitos de arte e de belo.
Filosofia da Religião
Estudo crítico e racional das crenças e conceitos nucleares dos sistemas religiosos, tais como a existência de Deus ou a imortalidade da alma.
Ontologia
Ramo central da metafísica que se ocupa do estudo do ontos (o ser em si mesmo) e investiga por que razão existe algo em vez do nada.
Antropologia Filosófica
Reflexão filosófica dedicada ao estudo do antropos (ser humano), procurando clarificar a sua essência e o que é especificamente humano.
Tese filosófica
Posição, perspetiva ou resposta declarativa que um filósofo propõe e defende criticamente perante um determinado problema conceptual.
Argumento
Conjunto de proposições articuladas entre si de modo a que uma delas (a conclusão) seja justificada ou sustentada pelas restantes (as premissas).
Premissa
Proposição inicial apresentada com a finalidade de fornecer razões, fundamentos ou justificação para suportar uma dada conclusão.
Conclusão
Proposição final que se deduz ou infere logicamente a partir das premissas de um argumento.
Proposição
Conteúdo de pensamento ou ideia suscetível de ser verdadeiro ou falso, tipicamente expresso por uma frase declarativa dotada de sentido.
Indicadores de premissa
Palavras ou expressões que sinalizam a introdução de uma razão de suporte no texto, tais como: «porque», «dado que», «pois», «sabendo que», «sendo que» e «na medida em que».
Indicadores de conclusão
Expressões de articulação lógica que introduzem a consequência decorrente das premissas, tais como: «logo», «por isso», «segue-se que», «concluindo», «então» e «por conseguinte».
Entimema
Argumento dedutivo no qual uma ou mais premissas se encontram ocultas ou implícitas, devendo ser explicitadas como premissas omitidas (P.O.).
Ruído (em lógica)
Informações circunstanciais, comentários marginais ou dados não essenciais presentes num texto que devem ser afastados para clarificar a estrutura do argumento.
Forma padrão de um argumento
Estrutura lógica organizada em que as premissas são apresentadas linha a linha, seguidas do símbolo de conclusão (∴) e da respetiva conclusão.
Validade dedutiva
Propriedade lógica formal de um argumento dedutivo no qual é impossível que as premissas sejam verdadeiras e a conclusão seja falsa ao mesmo tempo.
Argumento inválido
Argumento cuja estrutura formal admite pelo menos uma circunstância em que todas as premissas sejam verdadeiras e a conclusão seja simultaneamente falsa.
Solidez de um argumento
Atributo de um argumento que combina duas condições necessárias: possuir uma estrutura formal válida e ser constituído integralmente por premissas factualmente verdadeiras.
Proposição de Tipo A
Proposição categórica Universal Afirmativa cuja estrutura lógica assume a fórmula canónica «Todo o S é P».
Proposição de Tipo E
Proposição categórica Universal Negativa expressa na forma padrão como «Nenhum S é P».
Proposição de Tipo I
Proposição categórica Particular Afirmativa que segue o formato padrão «Algum S é P».
Proposição de Tipo O
Proposição categórica Particular Negativa enunciada sob o modelo padrão «Algum S não é P».
Proposições contraditórias
Pares de proposições dispostos nas diagonais do Quadrado Lógico (A/O e E/I) que diferem em quantidade e qualidade e não podem ter o mesmo valor de verdade em simultâneo.
Proposições contrárias
Relação no Quadrado Lógico entre duas proposições universais que diferem apenas em qualidade (A e E), as quais não podem ser ambas verdadeiras em simultâneo.
Proposições subcontrárias
Relação lógica entre proposições particulares com qualidade diferente (I e O), as quais não podem ser ambas falsas simultaneamente.
Proposições subalternas
Relação lógica existente entre proposições com a mesma qualidade mas quantidades distintas (A em relação a I, e E em relação a O).
Senciência
Capacidade que certos seres vivos possuem de experimentar sensações conscientes, designadamente dor e sofrimento físico ou psicológico.
Valor instrumental (ou extrínseco)
Valor que uma entidade ou ecossistema possui não por si mesmo, mas como meio de satisfazer os interesses, necessidades ou bem-estar de outros seres dotados de senciência.