Semiologia e Fisiopatologia: Dor, Febre, Astenia, Síncope e Tonturas

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Flashcards abrangentes baseados nos tópicos de semiologia e fisiopatologia geral da dor, febre, astenia, síncope e tonturas, desenhados para revisão clínica estruturada.

23 Terms

1
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Qual é a definição semiológica de dor e a que parâmetro clínico corresponde?

A dor é definida como uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a lesões tecidulares reais ou potenciais. É sempre subjetiva, individual, inespecífica e considerada o 5o5^\text{o} sinal vital (juntamente com SaO2SaO_2, frequência cardíaca, frequência respiratória e temperatura).

2
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Quais são as principais diferenças fisiopatológicas e de transmissão entre as fibras nervosas A-delta e as fibras C?

Fibras A-delta: mielínicas finas, transmitem dor rápida em menos de 0,1 s0{,}1\text{ s} (feixe neoespinotalâmico), precisa, bem localizada, quantificável, com organização somatotópica (pele, músculos, tendões). Fibras C: amielínicas, transmitem dor lenta cerca de 1 minuto1\text{ minuto} após o estímulo (feixe paleoespinotalâmico), mal localizada, sem organização somatotópica, do tipo moedeira ou surda (músculos, tendões e vísceras).

3
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Quais são os três pontos anatómicos de modelação da dor?

1o1^\text{o}: Quantidade de mediadores químicos libertados e estado funcional das fibras periféricas. 2o2^\text{o}: Cornos posteriores da substância cinzenta da medula espinal (interneurónios que modulam aferentes primários para vias de projeção supra-segmentares como os feixes espinotalâmico, espinorreticular, espinomesencefálico e espinocervical). 3o3^\text{o}: Tronco cerebral com projeções para o sistema límbico e córtex cerebral.

4
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Como se distinguem dor irradiada e dor referida?

Dor irradiada: decorre da irritação de um nervo sensitivo ou misto, sendo sentida no trajeto e dermátomo correspondente à raiz nervosa lesada (ex.: ciatalgia). Dor referida: consiste na projeção à superfície de uma dor visceral devido à convergência de aferências nos mesmos dermátomos medulares por órgãos distintos (ex.: lesão cardíaca sentida no ombro, queixo ou epigastro).

5
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<p>Que instrumento de avaliação pediátrica da dor está representado na figura e como se organiza?</p>

Que instrumento de avaliação pediátrica da dor está representado na figura e como se organiza?

Trata-se da Escala de Oucher, constituída por uma graduação numérica de 00 a 100100 acompanhada por seis fotografias de crianças apresentando diferentes graus e expressões faciais de desconforto/dor.

6
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<p>Como funciona a Escala de cores apresentada para a avaliação da dor em pediatria?</p>

Como funciona a Escala de cores apresentada para a avaliação da dor em pediatria?

O doente seleciona uma de três categorias cromáticas que melhor descreve a sua dor: ausência de dor, dor moderada ou dor intensa. Noutra variação, a criança pode colorir um esquema corporal com a cor representativa da intensidade sentida.

7
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Quais são as diferenças clínicas entre a angina de peito estável (angor pectoris) e a angina instável?

Angina estável: dor precordial/retrosternal constritiva transitória (2 a 10 minutos2\text{ a }10\text{ minutos}), desencadeada por esforço, emoções ou frio, que alivia com repouso. Angina instável: angor prolongado (>30 minutos> 30\text{ minutos}), de intensidade flutuante, não alivia com repouso devido a isquemia grave ou necrose já instalada, frequentemente associado a diaforese e dispneia.

8
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<p>Que patologia vascular e respetivas classificações anatómicas estão esquematizadas na figura?</p>

Que patologia vascular e respetivas classificações anatómicas estão esquematizadas na figura?

Dissecção aguda da aorta, ilustrada segundo a classificação de DeBakey (Tipo I, II e III) e a classificação de Stanford: Tipo A (proximal ou ascendente, que envolve a aorta ascendente) e Tipo B (distal ou descendente, que tem início a jusante da artéria subclávia esquerda).

9
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Quais são as características da dor na pericardite aguda e quais as posturas que a modificam?

Dor retrosternal súbita com carácter pleurítico, frequentemente referida ao pescoço e ombros. Agrava caracteristicamente com a inspiração profunda e o decúbito dorsal; alivia com a anteflexão do tronco ou na posição genupeitoral (prece maometana).

<p>Dor retrosternal súbita com carácter pleurítico, frequentemente referida ao pescoço e ombros. Agrava caracteristicamente com a inspiração profunda e o decúbito dorsal; alivia com a anteflexão do tronco ou na posição genupeitoral (prece maometana).</p>
10
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Como varia a dor na pleurite parietal com os movimentos respiratórios e o decúbito?

A dor é localizada e em facada, agravando-se com a tosse e a inspiração profunda (devido ao maior atrito entre os folhetos pleurais) e aliviando com o decúbito sobre o hemitórax afetado (que diminui a excursão e o atrito pleural).

11
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Qual é a diferença fisiopatológica fundamental entre febre e hipertermia?

Na febre, ocorre um reajuste para cima do termóstato hipotalâmico mediado por pirogénios endógenos (citocinas como interleucinas) e exógenos. Na hipertermia, a temperatura sobe (>38oC> 38^\text{o}\text{C}) por sobrecarga térmica ou incapacidade de dissipação de calor, sem alteração do ponto de regulação do termóstato hipotalâmico.

12
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Como diferem as medições de temperatura oral, retal e timpânica em relação à temperatura axilar?

Oral: cerca de +0,5oC+0{,}5^\text{o}\text{C} em relação à axilar. Retal: cerca de +0,8oC+0{,}8^\text{o}\text{C} em relação à axilar (+0,4oC+0{,}4^\text{o}\text{C} face à oral). Timpânica (canal auditivo externo): cerca de +1,0oC+1{,}0^\text{o}\text{C} em relação à axilar, sendo a mais fidedigna para estimar a temperatura do centro regulador.

13
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Quais são as principais alterações metabólicas induzidas por cada aumento de 1oC1^\text{o}\text{C} na temperatura corporal durante a febre?

Cada 1oC1^\text{o}\text{C} aumenta a taxa de metabolismo basal em 10%10\%. Provoca esgotamento do glicogénio hepático, mobilização de ácidos gordos com cetonemia e cetonúria, consumo proteico com aumento de compostos azotados, taquicardia, perdas hidroeletrolíticas por sudorese/taquipneia e tendência a acidose metabólica.

14
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Como se definem os conceitos de hiperpirexia e hipotermia?

Hiperpirexia: temperatura corporal superior a 41oC41^\text{o}\text{C} (com falência do feedback hipotalâmico a partir dos 41,5oC41{,}5^\text{o}\text{C} e desnaturação proteica acima dos 43,5oC43{,}5^\text{o}\text{C}). Hipotermia: temperatura corporal inferior a 36oC36^\text{o}\text{C} (ou le35oC\\le 35^\text{o}\text{C} nos registos termométricos de alarme clínico).

15
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A que etiologias correspondem os padrões de febre terçã, febre quartã e febre de Pel-Ebstein?

Febre terçã (febre nos dias 11 e 33): malária por Plasmodium vivax. Febre quartã (febre nos dias 11 e 44): malária por Plasmodium falciparum. Febre de Pel-Ebstein (períodos de 3 a 10 dias3\text{ a }10\text{ dias} com febre seguidos por 3 a 10 dias3\text{ a }10\text{ dias} afebris): Doença de Hodgkin e outros linfomas.

16
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Quais são os critérios de definição de Febre de Origem Obscura ou Indeterminada (FOO)?

Febre prolongada com duração superior a 21 dias21\text{ dias}, sem diagnóstico etiológico firmado após anamnese, exame físico rigoroso, exames analíticos de rotina e radiografia de tórax normais. As principais causas dividem-se em infeções (20−40%20-40\%), neoplasias (20%20\%) e doenças autoimunes (25%25\%).

17
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Como varia o padrão diurno da astenia consoante a etiologia seja orgânica ou psicológica?

Astenia orgânica: o doente acorda relativamente bem (devido ao repouso noturno restaurador) e o cansaço agrava-se progressivamente ao longo do dia. Astenia psicológica: o doente tem grande dificuldade em acordar/iniciar o dia (acorda exausto) e vai melhorando progressivamente ao longo do dia.

18
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Quais são os critérios definidores da Síndrome de Fadiga Crónica?

Fadiga clinicamente inexplicável com duração superior a 6 meses6\text{ meses}, associada a pelo menos 44 dos seguintes sintomas: adenomegalias cervicais ou axilares dolorosas, mialgias/poliartralgias, cefaleias, défice de concentração/memória, sono não reparador, mal-estar pós-esforço superior a 24 horas24\text{ horas} e odinofagia.

19
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Quais são os parâmetros hemodinâmicos para o diagnóstico de hipotensão ortostática?

Descida sustentada da pressão arterial sistólica superior a 20 mmHg20\text{ mmHg} ou da pressão arterial diastólica superior a 10 mmHg10\text{ mmHg} dentro dos primeiros 3 minutos3\text{ minutos} após a transição do decúbito para a posição de pé (ortostatismo).

20
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Quais são os critérios de resposta positiva para hipersensibilidade do seio carotídeo?

Verificação de assistolia superior a 3 segundos3\text{ segundos} e/ou de uma queda da pressão arterial sistólica de pelo menos 50 mmHg50\text{ mmHg} em resposta à massagem/estímulo mecânico do seio carotídeo.

21
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<p>De acordo com a etiologia das tonturas apresentada no gráfico, qual é a principal causa e respetiva percentagem?</p>

De acordo com a etiologia das tonturas apresentada no gráfico, qual é a principal causa e respetiva percentagem?

A causa mais prevalente é a disfunção vestibular periférica, correspondendo a 40%40\% de todas as etiologias de tonturas (seguida por pré-síncope e desequilíbrio com 25%25\% e causas psiquiátricas com 15%15\%).

22
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<p>Que procedimento diagnóstico vestibular está representado na imagem e para que serve?</p>

Que procedimento diagnóstico vestibular está representado na imagem e para que serve?

A Manobra de Dix-Hallpike, utilizada para diagnosticar vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) através da provocação de nistagmo e vertigem ao posicionar rapidamente o doente de sentado para decúbito dorsal com a cabeça virada a 45o45^\text{o}.

23
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Que manifestações clínicas diferenciam a vertigem de origem central da vertigem de origem periférica?

Vertigem central: frequentemente acompanhada por défices neurológicos (marcha atáxica grave, descoordenação, disartria, diplopia, dormência focal da face/corpo e nistagmo que não fatiga). Vertigem periférica: manifesta-se tipicamente com sintomas cócleo-vestibulares (hipoacusia, acufenos/tinnitus, plenitude auricular ou otorreia), sem défices neurológicos centrais.