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Flashcards abrangentes baseados nos tópicos de semiologia e fisiopatologia geral da dor, febre, astenia, síncope e tonturas, desenhados para revisão clínica estruturada.
Qual é a definição semiológica de dor e a que parâmetro clínico corresponde?
A dor é definida como uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a lesões tecidulares reais ou potenciais. É sempre subjetiva, individual, inespecífica e considerada o 5o sinal vital (juntamente com SaO2, frequência cardíaca, frequência respiratória e temperatura).
Quais são as principais diferenças fisiopatológicas e de transmissão entre as fibras nervosas A-delta e as fibras C?
Fibras A-delta: mielínicas finas, transmitem dor rápida em menos de 0,1 s (feixe neoespinotalâmico), precisa, bem localizada, quantificável, com organização somatotópica (pele, músculos, tendões). Fibras C: amielínicas, transmitem dor lenta cerca de 1 minuto após o estímulo (feixe paleoespinotalâmico), mal localizada, sem organização somatotópica, do tipo moedeira ou surda (músculos, tendões e vísceras).
Quais são os três pontos anatómicos de modelação da dor?
1o: Quantidade de mediadores químicos libertados e estado funcional das fibras periféricas. 2o: Cornos posteriores da substância cinzenta da medula espinal (interneurónios que modulam aferentes primários para vias de projeção supra-segmentares como os feixes espinotalâmico, espinorreticular, espinomesencefálico e espinocervical). 3o: Tronco cerebral com projeções para o sistema límbico e córtex cerebral.
Como se distinguem dor irradiada e dor referida?
Dor irradiada: decorre da irritação de um nervo sensitivo ou misto, sendo sentida no trajeto e dermátomo correspondente à raiz nervosa lesada (ex.: ciatalgia). Dor referida: consiste na projeção à superfície de uma dor visceral devido à convergência de aferências nos mesmos dermátomos medulares por órgãos distintos (ex.: lesão cardíaca sentida no ombro, queixo ou epigastro).

Que instrumento de avaliação pediátrica da dor está representado na figura e como se organiza?
Trata-se da Escala de Oucher, constituída por uma graduação numérica de 0 a 100 acompanhada por seis fotografias de crianças apresentando diferentes graus e expressões faciais de desconforto/dor.

Como funciona a Escala de cores apresentada para a avaliação da dor em pediatria?
O doente seleciona uma de três categorias cromáticas que melhor descreve a sua dor: ausência de dor, dor moderada ou dor intensa. Noutra variação, a criança pode colorir um esquema corporal com a cor representativa da intensidade sentida.
Quais são as diferenças clínicas entre a angina de peito estável (angor pectoris) e a angina instável?
Angina estável: dor precordial/retrosternal constritiva transitória (2 a 10 minutos), desencadeada por esforço, emoções ou frio, que alivia com repouso. Angina instável: angor prolongado (>30 minutos), de intensidade flutuante, não alivia com repouso devido a isquemia grave ou necrose já instalada, frequentemente associado a diaforese e dispneia.

Que patologia vascular e respetivas classificações anatómicas estão esquematizadas na figura?
Dissecção aguda da aorta, ilustrada segundo a classificação de DeBakey (Tipo I, II e III) e a classificação de Stanford: Tipo A (proximal ou ascendente, que envolve a aorta ascendente) e Tipo B (distal ou descendente, que tem início a jusante da artéria subclávia esquerda).
Quais são as características da dor na pericardite aguda e quais as posturas que a modificam?
Dor retrosternal súbita com carácter pleurítico, frequentemente referida ao pescoço e ombros. Agrava caracteristicamente com a inspiração profunda e o decúbito dorsal; alivia com a anteflexão do tronco ou na posição genupeitoral (prece maometana).

Como varia a dor na pleurite parietal com os movimentos respiratórios e o decúbito?
A dor é localizada e em facada, agravando-se com a tosse e a inspiração profunda (devido ao maior atrito entre os folhetos pleurais) e aliviando com o decúbito sobre o hemitórax afetado (que diminui a excursão e o atrito pleural).
Qual é a diferença fisiopatológica fundamental entre febre e hipertermia?
Na febre, ocorre um reajuste para cima do termóstato hipotalâmico mediado por pirogénios endógenos (citocinas como interleucinas) e exógenos. Na hipertermia, a temperatura sobe (>38oC) por sobrecarga térmica ou incapacidade de dissipação de calor, sem alteração do ponto de regulação do termóstato hipotalâmico.
Como diferem as medições de temperatura oral, retal e timpânica em relação à temperatura axilar?
Oral: cerca de +0,5oC em relação à axilar. Retal: cerca de +0,8oC em relação à axilar (+0,4oC face à oral). Timpânica (canal auditivo externo): cerca de +1,0oC em relação à axilar, sendo a mais fidedigna para estimar a temperatura do centro regulador.
Quais são as principais alterações metabólicas induzidas por cada aumento de 1oC na temperatura corporal durante a febre?
Cada 1oC aumenta a taxa de metabolismo basal em 10%. Provoca esgotamento do glicogénio hepático, mobilização de ácidos gordos com cetonemia e cetonúria, consumo proteico com aumento de compostos azotados, taquicardia, perdas hidroeletrolíticas por sudorese/taquipneia e tendência a acidose metabólica.
Como se definem os conceitos de hiperpirexia e hipotermia?
Hiperpirexia: temperatura corporal superior a 41oC (com falência do feedback hipotalâmico a partir dos 41,5oC e desnaturação proteica acima dos 43,5oC). Hipotermia: temperatura corporal inferior a 36oC (ou le35oC nos registos termométricos de alarme clínico).
A que etiologias correspondem os padrões de febre terçã, febre quartã e febre de Pel-Ebstein?
Febre terçã (febre nos dias 1 e 3): malária por Plasmodium vivax. Febre quartã (febre nos dias 1 e 4): malária por Plasmodium falciparum. Febre de Pel-Ebstein (períodos de 3 a 10 dias com febre seguidos por 3 a 10 dias afebris): Doença de Hodgkin e outros linfomas.
Quais são os critérios de definição de Febre de Origem Obscura ou Indeterminada (FOO)?
Febre prolongada com duração superior a 21 dias, sem diagnóstico etiológico firmado após anamnese, exame físico rigoroso, exames analíticos de rotina e radiografia de tórax normais. As principais causas dividem-se em infeções (20−40%), neoplasias (20%) e doenças autoimunes (25%).
Como varia o padrão diurno da astenia consoante a etiologia seja orgânica ou psicológica?
Astenia orgânica: o doente acorda relativamente bem (devido ao repouso noturno restaurador) e o cansaço agrava-se progressivamente ao longo do dia. Astenia psicológica: o doente tem grande dificuldade em acordar/iniciar o dia (acorda exausto) e vai melhorando progressivamente ao longo do dia.
Quais são os critérios definidores da Síndrome de Fadiga Crónica?
Fadiga clinicamente inexplicável com duração superior a 6 meses, associada a pelo menos 4 dos seguintes sintomas: adenomegalias cervicais ou axilares dolorosas, mialgias/poliartralgias, cefaleias, défice de concentração/memória, sono não reparador, mal-estar pós-esforço superior a 24 horas e odinofagia.
Quais são os parâmetros hemodinâmicos para o diagnóstico de hipotensão ortostática?
Descida sustentada da pressão arterial sistólica superior a 20 mmHg ou da pressão arterial diastólica superior a 10 mmHg dentro dos primeiros 3 minutos após a transição do decúbito para a posição de pé (ortostatismo).
Quais são os critérios de resposta positiva para hipersensibilidade do seio carotídeo?
Verificação de assistolia superior a 3 segundos e/ou de uma queda da pressão arterial sistólica de pelo menos 50 mmHg em resposta à massagem/estímulo mecânico do seio carotídeo.

De acordo com a etiologia das tonturas apresentada no gráfico, qual é a principal causa e respetiva percentagem?
A causa mais prevalente é a disfunção vestibular periférica, correspondendo a 40% de todas as etiologias de tonturas (seguida por pré-síncope e desequilíbrio com 25% e causas psiquiátricas com 15%).

Que procedimento diagnóstico vestibular está representado na imagem e para que serve?
A Manobra de Dix-Hallpike, utilizada para diagnosticar vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) através da provocação de nistagmo e vertigem ao posicionar rapidamente o doente de sentado para decúbito dorsal com a cabeça virada a 45o.
Que manifestações clínicas diferenciam a vertigem de origem central da vertigem de origem periférica?
Vertigem central: frequentemente acompanhada por défices neurológicos (marcha atáxica grave, descoordenação, disartria, diplopia, dormência focal da face/corpo e nistagmo que não fatiga). Vertigem periférica: manifesta-se tipicamente com sintomas cócleo-vestibulares (hipoacusia, acufenos/tinnitus, plenitude auricular ou otorreia), sem défices neurológicos centrais.