1/45
Conjunto abrangente de cartões de vocabulário e conceitos fundamentais dos Modelos Psicodinâmicos, incluindo a biografia e fases da obra de Sigmund Freud, a 1.ª e a 2.ª tópicas, os mecanismos de defesa segundo Anna Freud, as etapas do desenvolvimento psicossexual e os modelos de conflito da neurose e psicose.
Name | Mastery | Learn | Test | Matching | Spaced | Call with Kai | Chat |
|---|
No analytics yet
Send a link to your students to track their progress
Fase Pré-Analítica (1885–1897)
Período da história da psicanálise em que Sigmund Freud recorreu ao método catártico e à hipnose em colaboração com Josef Breuer, estudando pacientes com histeria antes de desenvolver a técnica da associação livre.
Método Catártico
Abordagem terapêutica que visava aliviar a neurose mediante a expressão verbal de afetos penosos recalcados (ab-reacção) sob estado hipnótico.
Transferência
Processo relacional em que o paciente projeta no terapeuta sentimentos, expectativas e padrões relacionais inconscientes do passado; observada inicialmente por Freud como resistência, tornou-se o elemento nuclear do tratamento psicanalítico.
Teoria da Sedução
Hipótese clínica inicial de Freud segundo a qual a etiologia dos sintomas histéricos e das neuroses decorria invariavelmente de um trauma sexual real vivido na infância.
Associação Livre
Método psicanalítico fundamental no qual o paciente, deitado e fora do campo visual do analista, comunica tudo o que lhe surge à percepção interior, sem descarte crítico ou seleção moral (imperativo da sinceridade).
Determinismo Psíquico
Princípio freudiano que postula que nenhum fenómeno mental é acidental: todos os pensamentos, sintomas, sonhos e atos falhados possuem causas inconscientes que os determinam.
Dimensão Tópica
Dimensão metapsicológica que descreve o aparelho psíquico em termos de lugares, instâncias ou sistemas diferenciados: a 1.ª tópica (Consciente, Pré-Consciente e Inconsciente) e a 2.ª tópica (Id, Ego e Superego).
Dimensão Económica
Dimensão metapsicológica referente às quantidades, circulação, investimento e distribuição da energia psíquica (líbido) entre as diferentes instâncias do aparelho mental.
Dimensão Dinâmica
Dimensão metapsicológica que se debruça sobre as forças pulsionais em conflito na mente humana e os mecanismos de repressão do Ego face às exigências externas e internas.
Consciente (1.ª Tópica)
Estado mental imediato e altamente fugaz que compreende aquilo de que a pessoa se dá conta num dado momento.
Pré-Consciente (1.ª Tópica)
Sistema mental cujos conteúdos (vestígios mnésicos, memórias e saberes) não estão ativamente impedidos de aceder à consciência, podendo tornar-se conscientes através de imagens mentais ou linguagem.
Inconsciente (1.ª Tópica)
Instância psíquica primária composta por desejos, impulsos e conteúdos recalcados que não estão acessíveis à consciência, manifestando-se por atos falhados, lapsos e sonhos.
Id (2.ª Tópica)
A mais antiga das instâncias psíquicas, inata e de natureza inconsciente; abriga os impulsos instintivos (Eros e Thanatos), ignora juízos morais e funciona exclusivamente sob o princípio do prazer.
Ego (2.ª Tópica)
Instância psíquica que se desenvolve progressivamente a partir do Id para servir de mediadora entre as pulsões internas, a realidade externa e as ordens do Superego, regida pelo princípio da realidade.
Superego (2.ª Tópica)
Instância moral do psiquismo formada a partir do recalcamento do Complexo de Édipo pela interiorização das normas, interdições e valores parentais e sociais.
Eros e Thanatos
Dualidade pulsional freudiana: Eros representa as pulsões de vida, autopreservação e amor; Thanatos representa o instinto de morte e destruição que visa restabelecer o estado inorgânico primitivo.
Mecanismos de Defesa
Operações inconscientes de auto-regulação mobilizadas pelo Ego para conter exigências pulsionais inaceitáveis, evitar a angústia e preservar a integridade psíquica.
Negação
Mecanismo de defesa que consiste na recusa de uma situação externa real geradora de desprazer, comportando-se o sujeito como se o facto não existisse; possui funcionamento tipicamente psicótico ao romper com o real.
Recalcamento
Operação defensiva em que o Ego expulsa impulsos, pensamentos ou memórias inaceitáveis da consciência para o inconsciente, atuando como um esquecimento seletivo protetor.
Projeção
Mecanismo defensivo pelo qual o indivíduo desloca e rejeita afetos ou impulsos negativos próprios, atribuindo-os a outra pessoa ou objeto do ambiente exterior.
Introjeção
Mecanismo oposto à projeção no qual o sujeito assimila e incorpora como suas atitudes, comportamentos ou valores provenientes de figuras do mundo externo.
Anulação
Tentativa inconsciente de neutralizar pensamentos ou ações hostis anteriores mediante a realização de um novo ato positivo ou reparador gerado pela culpa moral.
Compensação
Estratégia psíquica que busca neutralizar uma fraqueza ou inadequação real ou imaginada investindo esforço e alcançando sucesso noutra esfera da vida para proteger a autoestima.
Deslocamento
Redirecionamento de uma carga afetiva ou impulso agressivo de um objeto ameaçador para um substituto considerado menos perigoso, mantendo idêntica a natureza da resposta.
Retorno contra o Eu
Mecanismo defensivo em que um impulso hostil originalmente direcionado para uma figura externa é revertido e descarregado contra a própria pessoa (autopunição ou automutilação).
Regressão
Retorno defensivo do Ego a modos de funcionamento, atitudes ou padrões de comportamento correspondentes a estádios de desenvolvimento anteriores face a situações ansiogénicas.
Formação Reativa
Inversão de um impulso pulsional inaceitável mediante a adoção de um comportamento ou atitude consciente explicitamente oposta à intenção recalcada.
Isolamento
Mecanismo de defesa que cinde a representação cognitiva (lembrança ou ideia) da sua carga emocional angustiante, permitindo que o facto seja recordado sem qualquer afeto.
Clivagem
Divisão rígida e polarizada das experiências, de si mesmo ou dos outros em categorias estanques de «tudo bom» ou «tudo mau», impossibilitando uma perceção integrativa da realidade.
Sublimação
Canalização e redirecionamento de pulsões sexuais parciais pré-genitais para objetivos culturais, sociais ou artísticos valorizados; rege-se pela realidade e nunca assume caráter patológico.
Racionalização
Produção de justificações lógicas e moralmente aceitáveis, mas artificiais, com a finalidade de ocultar motivações inconscientes inaceitáveis para o próprio Ego.
Líbido
Conceito que designa a energia psíquica fundamental decorrente das pulsões sexuais que impulsiona o desenvolvimento e a atividade psíquica desde o nascimento.
Disposição Perversa Polimorfa
Conceito freudiano que define a capacidade inata da criança de extrair prazer erógeno de variadas partes do seu corpo antes da internalização das normas socioculturais.
Zona Erógena
Região cutâneo-mucosa do corpo que constitui o ponto focal da obtenção de prazer libidinal em cada fase do desenvolvimento psicossexual.
Alvo Pulsional
O objetivo final de uma pulsão, consubstanciado na satisfação alcançada através da descarga ou alívio da tensão somatopsíquica.
Objeto Pulsional
Elemento exterior ou representação através da qual a pulsão atinge a sua satisfação; na teoria freudiana, não é fixo, podendo ser substituído ao longo da vida.
Fase Oral
Primeiro estádio do desenvolvimento psicossexual (0−1 ano), centrado na zona bucolabial e na alimentação/sucção, cujo conflito central reside na satisfação versus frustração no desmame.
Fase Anal
Segundo estádio psicossexual (1−3 anos), localizado na mucosa anorretal, marcado pela pulsão de domínio e retenção/expulsão de fezes, com foco no conflito de autonomia e controlo dos esfíncteres.
Fase Fálica
Terceiro estádio psicossexual (3−5 anos), focado nos genitais e na curiosidade sexual infantil, marcado pelo Complexo de Édipo, pela angústia de castração e pela inveja do pénis.
Complexo de Édipo
Estrutura relacional infantil triangular caracterizada pelo desejo amoroso pelo progenitor do sexo oposto e rivalidade hostil em relação ao progenitor do mesmo sexo; a sua resolução origina o Superego.
Período de Latência
Etapa do desenvolvimento que decorre dos 6 anos até à puberdade, caracterizada pelo adormecimento das pulsões sexuais e canalização da energia por sublimação para as aprendizagens escolares e a socialização.
Fase Genital
Estádio psicossexual final que se inicia na puberdade, caracterizado pela reintegração maciça das pulsões parciais sob os órgãos genitais e investimento libidinal em objetos amorosos externos.
Neurose (Concepção Freudiana)
Perturbação psíquica decorrente do conflito intrapsíquico central entre o Ego e as pulsões do Id; o recalcamento é predominante, a relação global com a realidade partilhada é preservada e os sintomas atuam como formações de compromisso («Não consigo aceitar este desejo»).
Psicose (Concepção Freudiana)
Perturbação psíquica que envolve um conflito primário entre o Ego e a realidade exterior intolerável, resultando numa rutura com o mundo real e na sua substituição ou reconstrução posterior através de delírios («Não consigo aceitar esta realidade»).
Formação de Compromisso
Mecanismo presente na génese do sintoma neurótico, no qual um desejo recalcado do Id encontra uma via de expressão indireta e disfarçada que respeita as exigências defensivas do Ego.
Delírio (Segundo Freud)
Fenómeno central da experiência psicótica compreendido na psicanálise freudiana (ilustrado no caso Schreber) não apenas como pura patologia, mas como uma tentativa ativa de reconstrução psíquica da realidade perdida.