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Receptores Muscarínicos de Acetilcolina (Divisão Parassimpática)
M_1 e M_3 (G_alpha q): Ativam a via PLCβ/IP3/DAG/Ca2+18.
M_2 (G_alpha i): Inibe a Adenilil Ciclase e reduz os níveis intracelulares de AMPc3.
alpha_2 (G_alpha i)
Inibe a Adenilil Ciclase (AC), reduzindo os níveis de AMPc. Atua como autoreceptor pré-sináptico no terminal nervoso adrenérgico; sua ativação diminui a liberação de noradrenalina na fenda sináptica.
alpha_1 (G_alpha q)
Ativa a enzima Fosfolipase C (PLC), que cliva o PIP2 em IP3 (promove a liberação de Ca2+ do retículo endoplasmático) e DAG (ativa a Proteína Quinase C - PKC)8. Esse aumento de cálcio livre induz a contração do músculo liso vascular8.
Comprometimento Autonômico Cardíaco
A destruição dos gânglios e fibras autônomas do miocárdio elimina o controle modulador do SNA sobre o nó sinusal e o nó atrioventricular. Essa denervação, somada à fibrose e miocardite crônica, gera instabilidade elétrica, manifestando-se por arritmias ventriculares graves, bloqueios de condução, distúrbios de repolarização e evolução para cardiomegalia com insuficiência cardíaca congestiva.
Divisão Simpática
Responsável pelas respostas de "luta ou fuga", promovendo gasto de energia e prontidão cardiovascular perante estresse.
Divisão Parassimpática
Responsável pelas respostas de "repouso e digestão", conservando energia e estimulando o funcionamento das vísceras e processos de eliminação.
Neurônio Pré-ganglionar
Possui fibra mielinizada (de condução rápida) e libera obrigatoriamente Acetilcolina (ACh) no gânglio autonômico, ativando receptores nicotínicos (Nn) tanto no simpático quanto no parassimpático1.
Neurônio Pós-ganglionar
Possui fibra amielínica (de condução mais lenta) e conecta o gânglio ao órgão efetor1:
No Parassimpático: Libera Acetilcolina (ACh), que atua em receptores muscarínicos (M2 ou M3)1.
No Simpático: Libera predominantemente Noradrenalina (NA), que atua em receptores adrenérgicos (α ou β)1.
Exceção Simpática: As glândulas sudoríparas écrinas são inervadas por neurônios simpáticos pós-ganglionares colinérgicos que liberam ACh em receptores muscarínicos $M_3$1.
Olhos / Pupilas
O simpático induz midríase (dilatação pupilar via α1), enquanto o parassimpático induz miose (constrição pupilar via M3)1.
Coração
O simpático aumenta a frequência cardíaca (FC) e a força de contração (via β1), enquanto o parassimpático reduz a FC e a condução no nó atrioventricular (via M2)1.
Brônquios
O simpático promove broncodilatação (via β2), enquanto o parassimpático causa broncoconstrição e aumento de secreções (via M3)1.
Trato Gastrointestinal (TGI)
O simpático diminui a motilidade (via α/β), enquanto o parassimpático aumenta a motilidade, o tônus e as secreções (via M3)1.
Bexiga
O simpático favorece a retenção urinária (relaxamento do músculo detrusor via β3 e contração do esfíncter interno via α1), enquanto o parassimpático estimula a micção (contração do detrusor e relaxamento do esfíncter interno via M3)1.
Neurotransmissores Principais
Acetilcolina (ACh): Mediador dos neurônios pré-ganglionares, pós-ganglionares parassimpáticos e das glândulas sudoríparas simpáticas.
Noradrenalina (NA): Principal neurotransmissor pós-ganglionar simpático com ação vasopressora.
Adrenalina: Hormônio liberado pela medula adrenal na circulação sanguínea, promovendo resposta simpática sistêmica ampla.
Nicotínicos (Nn)
Receptores do tipo canal iônico nos gânglios e na medula adrenal, de transmissão rápida.
Muscarínicos (M2 e M3)
Receptores acoplados à proteína G1.
M2: Presentes no coração (acoplados à proteína Gi), diminuindo a FC e o automatismo1.
M3: Presentes nos brônquios, TGI, bexiga, glândulas e olhos (acoplados à proteína Gq com via PLC→IP3/Ca2+), promovendo contrações de músculo liso e secreções1.
Alpha 1
Músculo liso vascular (vasoconstrição e aumento da pressão arterial) e pupila (midríase).
Alpha 2
Receptores pré-sinápticos que inibem a liberação de noradrenalina, agindo como freio da atividade simpática.
Beta 1
Coração (aumento da FC, contratilidade e débito cardíaco) e rins (liberação de renina)
Beta 2
Músculo liso dos brônquios, vasos do músculo esquelético e útero (relaxamento e broncodilatação).
BNMs Não Despolarizantes (ex.: Rocurônio)
Antagonista competitivo do receptor Nm que impede a despolarização muscular1.
Reversão: Feita com Neostigmina (aumenta ACh), obrigatoriamente combinada com um antimuscarínico (como a Atropina) para prevenir colaterais vagais indesejados (como bradicardia e broncorreia)1.
BNM Despolarizante (ex.: Succinilcolina)
Mimetiza a ACh causando despolarização sustentada sem repolarização, resultando em paralisia muscular flácida rápida de curta duração.
Alerta Crítico
Paralisia NÃO significa anestesia, analgesia ou sedação! O paciente paralisado por BNM pode permanecer consciente e sentir dor caso não receba sedativos e analgésicos adequados.
Adrenalina
Agonista α1,β1,β2. Utilizada no tratamento da anafilaxia (vasoconstrição α1 reduz edema e eleva a PA; β1 dá suporte cardíaco; β2 reverte o broncoespasmo) e na parada cardiorrespiratória1.
Noradrenalina
Agonista predominantemente α1 e β1. Funciona como principal vasopressor no choque, aumentando a resistência vascular periférica e a pressão arterial média (PAM)1.
β-bloqueadores Seletivos (β1, ex.: Metoprolol)
Diminuem a FC e a contratilidade, reduzindo o trabalho do coração e o consumo de O2
β-bloqueadores Não Seletivos (β1+β2, ex.: Propranolol)
Além do efeito cardíaco, bloqueiam receptores β2 nos brônquios, podendo precipitar ou agravar broncoespasmos graves em pacientes com asma ou DPOC1.
Antagonistas α1 (ex.: Prazosina, Doxazosina)
Bloqueiam α1 vascular promovendo vasodilatação; têm como efeito adverso marcante a hipotensão postural/ortostática e tonturas ao levantar1.
Monitoração Hemodinâmica e Respiratória
Acompanhar continuamente PA, PAM, FC, padrão respiratório, SpO2 e traçado do ECG1.
Reconhecimento de Quadros Clínicos
Sinais de Predomínio Simpático / Adrenérgico: Midríase, taquicardia, broncodilatação, retenção urinária e tremores.
Sinais de Excesso Colinérgico / Toxicidade: Miose, bradicardia, diaforese, salivação excessiva, broncoespasmo/broncorreia e cólicas/diarreia.
Segurança na Administração
Noradrenalina: Administrar preferencialmente em acesso venoso central via bomba de infusão contínua, atentando para sinais de extravasamento tecidual (risco de necrose)1.
Bloqueadores Neuromusculares: Garantir suporte ventilatório invasivo e checar a associação obrigatória de sedação e analgesia1.
Antagonistas α1: Orientar o paciente a realizar mudanças posicionais de forma lenta para prevenir quedas por hipotensão postural1.
Pilocarpina
Agonista muscarínico (M3) usado no glaucoma (provoca miose e melhora a drenagem do humor aquoso) e na xerostomia (estimula salivação)1.
Betanecol
Agonista muscarínico (M3) que estimula a contração do detrusor vesical, favorecendo a micção em quadros de retenção urinária1.
Anticolinesterásicos Reversíveis (ex.: Neostigmina, Piridostigmina, Fisostigmina)
Inibem a acetilcolinesterase (AChE), aumentando a ACh na fenda sináptica; indicados na Miastenia Gravis, no glaucoma e na reversão de bloqueadores neuromusculares.
Anticolinesterásicos Irreversíveis (Organofosforados)
Inseticidas e gases nervosos que causam síndrome colinérgica grave (bradicardia, broncorreia, diarreia, miose, fasciculações e risco de parada respiratória). Tratamento: Atropina e Pralidoxima.
Atropina
Antagonista competitivo muscarínico; bloqueia receptores M2 cardíacos, anulando a ação vagal e aumentando a FC (usado na bradicardia)1.
Escopolamina
Antagonista muscarínico lipossolúvel (atravessa a barreira hematoencefálica); atua como antiespasmódico e na prevenção de cinetose.
pratrópio e Tiotrópio
Bloqueiam receptores M3 pulmonares, promovendo broncodilatação e redução de secreções na asma e DPOC1.
Oxibutinina
Reduz contrações involuntárias do detrusor em casos de hiperatividade vesical.
Toxina Botulínica
Bloqueia a liberação pré-sináptica de ACh.