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Comparação (Símile)
Aproxima dois elementos com o uso de conectivos (como, tal qual, igual a...).
🔸 Exemplos:
Ela é forte COMO um leão.
Chorava FEITO criança.
O menino correu COMO um raio.
Ele é esperto IGUAL uma raposa.
Metáfora
Comparação implícita; transfere o sentido de uma palavra para outro com base em semelhança.
🔸 Exemplos:
Ela é (como) uma rocha em tempos difíceis.
O amor é (como) um fogo que arde sem se ver.
Seu olhar é (como) luz na escuridão.
Aquela notícia foi (como) um balde de água fria.
Metonimia
Substituição por proximidade de sentido (autor pela obra, causa pelo efeito, etc).
🔸 Exemplos:
Li MACHADO DE ASSIS ontem. (autor pela obra)
Comi dois PRATOS no almoço. (objeto pelo conteúdo)
Precisamos de mais BRAÇOS na fábrica. (parte pelo todo)
A SALA aplaudiu de pé. (local pelo grupo de pessoas)
Catacrese
A catacrese acontece quando usamos uma palavra fora do seu sentido original por falta de um termo específico, e o uso já está cristalizado na língua
As pernas da cadeira estavam quebradas.→ "Pernas" aqui são partes da cadeira, não de um ser vivo.
Embarcou no braço do sofá e cochilou.→ "Braço" do sofá é uma parte lateral, por analogia ao corpo humano.
Ele colocou o quadro na boca do túnel.→ "Boca" usada como entrada do túnel.
A mãe enxugou o rosto com os olhos da toalha.→ "Olhos" são os buraquinhos da toalha — nome emprestado por falta de outro.
Personificação (Prosopopeia)
Atribuir características humanas a seres inanimados ou irracionais.
🔸 Exemplos:
O vento sussurrava segredos.
As estrelas sorriam no céu.
A noite abraçou a cidade.
O rio cantava suavemente.
Ironia
Quando se diz o contrário do que realmente se quer dizer, com intenção crítica ou sarcástica.
Que ótimo, perdi o ônibus de novo!
Parabéns! Tirou zero na prova.
Que beleza! Choveu no meu casamento.
Nossa, como você é educado, hein?
Eufemismo
Suavização de uma ideia "pesada" ou desagradável.
Ele passou dessa para melhor. (morreu)
Ela não é muito de sair. (é antissocial)
Ele foi morar com Deus. (morreu)
Hipérbole
Exagero intencional para dar ênfase.
Morri de rir com a piada!
Estou te esperando há mil anos.
Chorei um rio de lágrimas.
Estou morrendo de fome!
Anáfora
Repetição de palavras no início de versos ou frases para criar ritmo ou ênfase.
Se você quiser, se você lutar, se você tentar...
Nada, nada me faz parar.
Canta, canta alto, canta livre!
A vida é luta, a vida é dor, a vida é amor.
Hipérbato
É a inversão da ordem direta dos termos da oração para dar ênfase, ritmo ou efeito poético.
📌 Ordem direta: sujeito + verbo + complementos
Das flores o perfume exalava.
(ordem direta: O perfume das flores exalava)
Tão cedo passou a juventude.
(ordem direta: A juventude passou tão cedo)
Cheia de encantos estava a noite.
(ordem direta: A noite estava cheia de encantos)
De saudade morria o coração.
(ordem direta: O coração morria de saudade)
Pleonasmo
Repetição intencional de palavras ou ideias para reforçar o sentido.
Subir para cima é perigoso sem proteção.
Entrar pra dentro da caverna foi assustador.
Ouvi com os ouvidos atentos.
Chovia uma chuva miúda e fria.
Anacoluto
Ruptura na estrutura da frase — começa de um jeito, mas muda o rumo. É uma quebra na construção sintática, bem comum na fala informal.
A minha irmã, eu não sei onde ela foi.
Esses alunos, ninguém entende o que querem.
O João, ele nunca aparece nas festas.
A vida, a gente tem que aproveitar ao máximo.
Elipse
Omissão de um termo que está subentendido no contexto, geralmente o sujeito ou o verbo. (Ainda não mencionado)
Fomos ao mercado e (nós) compramos frutas.
Na sala, apenas (estava) o professor.
Saiu cedo, (ele) não quis se atrasar.
Chove muito em abril, (chove) pouco em junho.
Zeugma
Tipo de elipse: omissão de um termo já mencionado antes na frase, pra evitar repetição.
Ela gosta de cinema; eu, (gosto) de teatro.
João foi ao mercado, e Maria (foi) à farmácia.
Pedro estudou matemática, Ana (estudou) português.
Assíndeto
Omissão das conjunções que ligariam termos ou orações. Cria um ritmo mais direto e rápido.
Cheguei, vi, venci.
O menino gritou, correu, caiu.
Comeu, bebeu, saiu sem falar nada.
Polissíndeto
Repetição excessiva e intencional de conjunções (principalmente "e", "nem", "mas", etc.) pra criar ritmo, intensidade ou emoção.
E fala, e chora, e grita, e implora...
Não come, nem bebe, nem dorme, nem sorri.
Lutou e caiu, e levantou, e correu, e venceu.
Ele ria e falava, e cantava, e dançava sem parar.
Paradoxo (Oxímoro)
Junção de ideias aparentemente contraditórias numa mesma frase, gerando um efeito profundo ou reflexivo.
É preciso morrer para viver.
Tenho tudo, mas não tenho nada.
O silêncio grita em minha alma.
O amor é ferida que dói e não se sente.
Antítese
Aproximação de palavras ou ideias opostas, mas sem contradição direta como no paradoxo.
O dia estava claro, a alma, escura.
Era o início do fim.
Entre o ódio e o amor, preferiu o silêncio.
Na guerra, uns choram, outros sorriem.
Gradação
Sequência de ideias que crescem (ou decrescem) em intensidade — progressão lógica ou emocional.
Sussurrou, falou, gritou, esperneou.
Vim, vi, venci.
Era um menino, virou um jovem, tornou-se um homem.
Subiu a escada, abriu a porta, entrou na sala, sentou e chorou.
Sinedóque
Um tipo de METONÍMIA com a seguinte caracteristica:
Uso de um termo no lugar de outro com que mantém uma relação de inclusão, como:
Parte pelo todo
Todo pela parte
Espécie pelo gênero
Gênero pela espécie
Singular pelo plural, ou vice-versa
Aliteração
Repetição intencional de consoantes (especialmente no início das palavras) para criar ritmo, musicalidade ou ênfase.
O rato roeu a roupa do rei de Roma.
Vim, vi, venci.
Bate bem baixo, brisa bela.
O vento varria o vale vazio.
Assonância
Repetição intencional de sons vocálicos (vogais) para dar musicalidade ao texto.
O sino fino de menino argentino. (repetição de "i")
A alma amarga amarga a água. (repetição de "a")
O louco voou como um corvo no outono. (sons "o")
Ecoa o coro no ouro do povo. (sons "o" e "ou")
Paronomásia
Uso de palavras parecidas na forma, mas com significados diferentes — tipo jogo de palavras.
Conhecer é diferente de reconhecer.
Quem com ferro fere, com ferro será ferido.
O cavaleiro era um verdadeiro cavalheiro.
O moral da história era manter a moral em tudo
Onomatopeia
Palavra que imita sons naturais, ruídos, vozes, etc.
O relógio fazia tic-tac sem parar.
O tiro ecoou: PÁ!
Os porquinhos faziam oinc oinc.
A chuva caiu com plim plim plim no telhado.
Sinestesia
mistura sensações de diferentes sentidos (visão, audição, tato, paladar, olfato).
"Cheiro quente de café recém-passado."→ olfato + tato (temperatura)
"Cores gritantes na pintura."→ visão + audição
"A voz áspera me incomodava."→ audição + tato
"Olhar doce e suave."→ visão + paladar + tato
Perífrase
TIPO DE METONÍMIA
se usa uma expressão descritiva no lugar de um nome (ou uma palavra simples) para caracterizar alguém ou algo por meio de uma qualidade marcante.
O rei do futebol foi homenageado."→ Pelé
"A estrela da manhã brilhava no céu."→ Vênus (planeta)
"A terra da garoa está nublada hoje."→ São Paulo
Antonomásia
Tipo de METONÍMIA
se substitui:
O nome de uma pessoa por uma característica marcante, título, função ou referência simbólica.
Ou o contrário: usa-se o nome próprio no lugar de uma categoria.
O Rei do Pop revolucionou a música.→ (Michael Jackson)
A Dama de Ferro governou com firmeza.→ (Margaret Thatcher)
O Poeta dos Escravos escreveu "Navio Negreiro".→ (Castro Alves)