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Qual é o tipo de GD mais comum?
Tipo 1
Características da doença de Gaucher
É a esfingolipidose mais comum
É uma doença do armazenamento lisossomal
Causada por uma mutação no gene GBA1 ou, raramente, por mutações no gene que codifica o seu ativador, saposin C
Existe o tipo 1, 2 e 3
Esfingolipididoses - causas
Ou por mutações nas enzimas lisossomais
Ou por mutações nos transportadores de exportação dos lisossomas
Doença de Gaucher mecanismo geral
Mutação em GBA1 - produção defeituosa da enzima lisossomal GCase - Não ocorre a transformação de GlcCer em glicose e ceramida - acúmulo de GlcCer
Patofisiologia da DG
Mutação GBA1
Défice de GCase funcional
Acúmulo de GlcCer em macrófagos
Tranformação em corpos de Gaucher
Infiltração na MO, baço, fígado e outros órgãos
Porque é que os macrófagos são a linhagem mais afetada?
Os macrófagos são a linhagem mais afetada porque eles estão envolvidos no processo de eliminação de eritrócitos e linfócitos, que contêm elevadas quantidades de esfingolípidos, os quais são uma fonte de GlcCer
Quais as características das células de Gaucher?
Cromatina condensada
Largas
Núcleo excêntrico
Citoplasma com aparência de papel amassadi devido ao acúmulo de GlcCer
São o principal causador de sintomas
Qual é a alteração mutagénica que leva a alterações na autofagia?
Mutação no gene que codifica a saposin C, o PSAP
Porque é que só alguns tipos de DG é que causam complicações neurológicas?
Porque a renovação de GlcCer nos neurónios é reduzida e a sua acumulação só ocorre em casos de redução drástica de GCase
Subpopulação de células Gaucher
Os macrófagos não se tornam células de Gaucher apenas por falha da GCase
Também se transformam nelas por uma via alternativa, especialmente os macrófagos M2
Macrófagos M1
Inflamatórios
Agressivos contra infeções
Produtores de citocinas inflamatórias
Responsáveis pelo estado inflamatório da DG
Macrófagos M2
Anti-inflamatórios
Remodelação/reparação de tecidos
Reguladores do SI
Limpam células mortas
Os mais relacionados com as células de Gaucher
Estado Pseudo-inflamatório
Tecidos - predominam células de Gaucher derivadas de células M2
Sangue - predominam células M1; associação com inflamação, problemas hematológicos e ósseos
Problemas ósseos e macrófagos
Osteoporose
Macrófagos ativados produzem citocinas:
IL-10: reduz a atividade dos osteoblastos - menor formação de osso
IL-6, IL-1, M-CSF: aumenta a atividade dos osteoclastos - maior destruição do osso
Também produzem biomarcadores: CCL18 e Chitotriosidase
Via alternativa da GlcCer
Mutação- falha na GCase - Acúmulo de GlcCer
GlcCer convertida em glicosilesfingosina que:
é + solúvel
Difunde-se nos líquidos corporais
Causa sintomas neurológicos mesmo quando a GlcCer não está presente no cérebro
Esta pode ainda ser convertida em:
Esfingosina-1P, que é uma molécula sinalizadora que promove a sobrevivência, migração e proliferação
Que alterações causam anomalias no tráfego intracelular na DG?
Degradação precoce da GCase
Mutações LIMP2
Mutações na PGRN
Degradação precoce da GCase
A GCase é produzida defeituosamente no RE - está mal-dobrada
A célula reconhece a proteína como defeituosa
Marca-a para destruição prematura no proteossoma
A GCase não chega sequer ao lisossoma
Mutações LIMP-2
A GCase necessita do transportador LIMP-2 para entrar no lisossoma
Quando este está mutado, eles não se ligam e a enzima fica inativa no exterior
Esta mutação, por si só, não causa o fenótipo da doença, mas pode explicar a heterogeneidade nos fenótipos
Mutações PGRN
PGRN é uma chaperona que estabiliza as proteínas, auxilia no tráfego celular e ajuda no dobramento
Ao estar mutada deixa de auxiliar a ligação da GCase à LIMP-2 aumentando a sua degradação
Relação entre a DG e a doença de Parkinson
Mutações GBA1 aumentam mais o risco de ter Parkinson porque:
Diminuição de GCase
Torna os lisosssomas menos eficazes
Afeta a degradação de a-sinucleina
Acúmulo e formação de agregados de a-sinucleína (especialmente na substância negra)
Os agregadas inibem ainda mais a GCase (ciclo vicioso)
Neurodegeneração
Além disso, pessoas sem mutações e sem doenças, à medida que envelhecem também apresentam uma diminuição dos níveis de GCase
Qual é a mutação da GD associada a um maior risco de Parkinson?
L444P
Porque é que nem todos os indivíduos com GD têm Parkinson?
Penetrância Incompleta
Porque os efeitos da mutação em alguns indivíduos por vezes são compensados pela ação do co-ativador Saposin C
Qual é o tipo de cancro com maior risco de incidência em pessoas com GD?
Cancros do sangue:
Mieloma múltiplo
Linfoma
Relação entre GD e neoplasias
Doentes com GD têm maior risco de desenvolver cancro
Existem 2 hipóteses que tentam explicar esta relação
Ambiente Inflamatório
Alteração metabólica direta na célula
Ambiente Inflamatório na DG e cancro
A glucosilesfingosina acumulada pode servir com antigénio crónico
O seu reconhecimento por células B leva à produção de anticorpos específicos
Como o Ag está sempre presente, esse tipo específico de célula B pode sofrer expansão clonal e proliferar excessivamente, sobrepondo-se aos outros
Assim, ocorre proliferação exagerada, Hipergamaglobulinemia, instabilidade genética e MGUS, o que aumenta o risco de mieloma múltiplo
Alteração metabólica nas células na DG e cancro
A própria célula sofre uma transformação metabólica devido à acumulação de GlcCer e glucosilesfingosina
Normalmente estres dois compostos promovem o crescimento celular e sobrevivência, favorecendo a proliferação
Alterações no metabolismo do ferro
Os macrófagos estão envolvidos no processo de reciclagem do ferro, especialmente na MO, fígado e baço
Armazenam o ferro na proteína ferritina
Em estado de inflamação crónica, os macrófagos retêm-no numa tentativa de evitar infeção e porque ele é essencial à sobrevivência e crescimento das células. Assim, dentro das células a ferritina está elevada. Os macrófagos também podem fazer isto por um mecanismo autócrino
Além disso a inflamação crónica estimula a produção de hepcidina, o que leva, não só à retenção de ferro, mas também à diminuição da sua absorção no intestino.
Isto provoca o aumento de ferritina, que retém o ferro dentro das células. Uma vez que para circular no sangue esta proteína precisa de estar glicosilada, os níveis de ferritina glicosilada também diminuem.
O ferro em excesso provoca:
Produção de Radicais livres
Danifica proteínas, DNA e membranas
Causa stress oxidativo
Ferritina como biomarcador
Pode ser usado como biomarcador, sendo que em níveis elevados indica maior gravidade da doença, mas não é o melhor pois é inespecífico. Isto é, pode surgir devido a outras condições ou complicações sem ser consequência direta da GD
Além disso, ter uma ferritina elevada não significa necessariamente que há ferro em excesso, por vezes pode haver até anemia. Isto porque, como em GD ele não circula adequadamente pode ficar com os níveis reduzidos (dentro das células e pouco na circulação, pouca absorção no intestino)
Tipos de Doença de Gaucher
Não-Neuropática
Tipo 1
Neuropática
Tipo 2
Tipo 3
Níveis de gravidade
Tipo 1 < Tipo 3 < Tipo 2
GD tipo 1
A mais comum
Sem envolvimento neurológico
A que tem maior risco de Parkinson
Pode ser diagnosticada em qualquer idade mas normalmente é entre os 10-20 anos
Sintomas variáveis - assintomático aomlongo da vida mas com surgimento precoce na infância
O único sinal clínico é a esplenomegalia, mas só ocorre em 20% dos casos
Complicações renais e pulmonar são mais raras - associadas à infiltração de células de Gaucher
Maior prevalência de cálculos biliares
Osteoporose e osteopenia
As crises agudas de dor óssea são mais comuns em crianças
Raramente é prejudicial à vida/fatal
Lesões focais no fígado
Sangramento
GD tipo 3
Tipo juvenil ou GD subaguda neurológica
Sintomas sistémicos+envolvimento neurológico
Oftalmologia horizontal
Sintomas variáveis
Normalmente surge antes dos 20 anos
Mais comum em crianças jovens com sintomas antes dos 2 nos de idade (são descritas alterações comportamentais e morte inesperada)
Os sintomas neurológicos podem surgir muitos anos depois do surgimento dos viscerais
Pode ocorrer cifose
Mutações específicas envolvem diferentes órgãos
GD tipo 2
A mais severa
A mais rara
Com envolvimento neurológico e sistémico com hepatoesplenomegalia
Diagnóstico e sintomas visíveis entre os 3-6meses de idade
Espetativa de vida de aproximadamente 11,7 meses (2-25 meses)
Óbito frequente dentro do útero ou logo após o nascimento
Sem envolvimento ósseo
Tríade (forte indicativo)
Paralisia oculomotora (estrabismo bilateral)
Rigidez do pescoço e tronco (opistótono)
Sinais bulbares (deglutição)
O primeiro sinal são atrasos no crescimento
Apeneia, epilepsia resistente ao tratamento, trombocitopenia
Diagnóstico
Frequentemente depois de vários anos após o surgimento dos primeiros sinais clínicos e laboratoriais - problema típico de doenças raras devido ao conjunto de sintomas progressivos
Atividade da GCase (atividade residual 10-15%)
Aspiração da MO
Mutações GBA1
Diagnóstico pré-natal
Biomarcadores
Anomalias laboratoriais
Testes biológicos
Exames radiológicos
Aspiraçãpo da MO
Não é mandatória para confirmação do diagnóstico
Pode ser realizada em pacientes sem diagnóstico com trombocitopenia
Não é recomendado o uso rotineiro porque:
Raramente, pode ser impossível ver as células de Gaucher devido à baixa quantidade
Por vezes pode ser difícil distinguir entre as células de Gaucher e as Pseudo-Gaucher, que também estão presentes noutras doenças
Mutações GBA1
O gene GBA1 tem 11 exões, situa-se na região 1q21 do cromossoma 1
Ao seu lado existe o pseudogene GBAP (não produz proteína funcional)
Assim, na recombinação podem misturar-se os dois genes e formar rearranjos e mutações
Mutações GBA1 null
Incompatíveis com a vida
Atividade GCase 0
População Ashkenazi Jews
Mutação N370S
Protege contra formas neurológicas
Não prevê a gravidade de outros sistemas
A enzima ainda tem alguma atividade residual
Mutação L444P
Doença neuropática
GD2/GD3
Maior instabilidade proteica
Pior folding
Menor atividade residual
Mutação D409H
Lesões vasculares cardíacas
Diagnóstico pré-natal
Amostras de células das vilosidade coriónicas ou de células do líquido amniótico para codificação genética
Avalia a atividade GCase
Chitotriosidase
Produzida por células de Gaucher e macrófago ativos
Maior em GD
Para monitorizar a resposta ao tratamento
Limitações:
Inespecífico
Pessoas com mutações em CIHT1 podem não porduzi-lo ou produzir poucas quantidades
CCL18
Quimiocina
Principalmente produzida por macrófagos M2
Vantagens:
Mais específico que o chit
Menos polimorfismos genéticos
Menor variabilidade entre indivíduos
Limitações
Não é totalmente específico
Testes laboratoriais
Hemograma
Hemostase
Protenemia, eletorferese e imunofixação sérica (para ver os Ac’s)
Hemograma
Trombocitopenia - mais comum
Anemia - menos comum e moderada
Leucopenia - rara
Estas citopenias ocorrem devido à sequestração das células sanguíneas para o baço, pela sua infiltração na MO e também devido ao défice enzimático
Hemostase
Tempo de vida prolongado da prototrombina (um fator de coagulação)
Tempo elevado de vida de tromboplastina ativa parcial
Devido à deficiência de fatores por causa da falência hepática ou condições genéticas
Glucosilesfingosina (Lyso-GL1)
Diretamente ligado ao efeito metabólico da doença
Maior sensibilidade e especificidade
Acompanha - atividade da doença; resposta terapêutica; redução de substrato
Um dos melhores biomarcadores