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Flashcards em estilo de vocabulário cobrindo a história da acústica arquitetônica, princípios da física das ondas sonoras, conforto acústico, ruído urbano, materiais absorventes e isolantes, e critérios de projeto.
Cávea
Espaço semicircular escalonado destinado aos espectadores nos teatros da Antiguidade grega e romana, aproveitando frequentemente a topografia do terreno para aproximar a plateia da fonte e maximizar a captação sonora direta.
Orquestra (Teatro Antigo)
Espaço circular ou semicircular situado entre a cávea e o palco; no teatro grego destinava-se a coros e danças com altar central, enquanto no teatro romano assumiu formato semicircular reservado a assentos de honra.
Proscênio
Galeria situada à frente do palco que, no teatro romano, tornou-se mais larga, mais alta e mais próxima do público em virtude do formato semicircular da orquestra.
Boca de cena
Grande abertura arquitetônica introduzida nos teatros renascentistas que interliga dois volumes acusticamente distintos: o espaço do palco (menor e mais restrito) e a sala de audiência (grande volume).
Som
Fenômeno físico originado pela vibração mecânica de um corpo que provoca a oscilação periódica das partículas de um meio material elástico (como o ar ou materiais de construção), capaz de ser detectado pelo sistema auditivo humano.
Amplitude da onda sonora
Deslocamento máximo realizado por uma partícula em relação à sua posição de equilíbrio em decorrência da variação de pressão exercida no meio, estando fisicamente associada à intensidade da onda.
Frequência
Número de ciclos completos de compressão e rarefação executados pelas partículas do meio em determinado intervalo de tempo, mensurado em Hertz (Hz), correspondente a ciclos por segundo (c.p.s.).
Tom puro
Som caracterizado por conter uma frequência única de vibração senoidal, sem a presença de harmônicos superiores (exemplo: som emitido por um diapasão).
Tom complexo
Som constituído pela sobreposição simultânea de diversas frequências de oscilação, padrão característico da quase totalidade das fontes sonoras naturais e musicais.
Frequência fundamental
Componente de menor frequência presente no espectro sonoro de um tom complexo, também denominada primeiro harmônico.
Faixa audível humana
Gama de frequências compreendida entre 20Hz e 20000Hz, na qual os valores mais baixos correspondem aos sons graves e os mais elevados aos sons agudos.
Altura sonora
Atributo subjetivo do som determinado exclusivamente pela sua frequência fundamental (número de oscilações por segundo), permitindo classificar os sons em graves ou agudos.
Timbre
Propriedade acústica que resulta da combinação e proporção das frequências que compõem o espectro sonoro, capacitando o ouvido a discriminar sons de mesma frequência e mesma amplitude gerados por instrumentos ou emissores distintos.
Comprimento de onda (λ)
Distância percorrida pela perturbação sonora durante um ciclo completo de oscilação, dada pela equação λ=fc, sendo inversamente proporcional à frequência (f) e diretamente proporcional à velocidade de propagação (c).
Direcionalidade sonora
Tendência de uma fonte sonora em irradiar energia preferencialmente ao longo de determinadas direções no espaço; na voz humana, médias e baixas frequências espalham-se em ângulos abertos, enquanto as altas concentram-se no eixo frontal em um arco de 90∘ (45∘ para cada lado).
Decibel (dB)
Unidade adimensional de escala logarítmica que expressa a razão entre uma grandeza física medida (pressão ou intensidade acústica) e um valor de referência padronizado, compatibilizando a ampla faixa da audição com a resposta não-linear do ouvido.
Nível de Intensidade Sonora (NIS)
Expressão matemática do nível sonoro em decibéis calculada por NIS=10log(I0I), onde I é a intensidade em W/m2 e I0=10−12W/m2 é a intensidade de referência no limiar da audição.
Nível de Pressão Sonora (NPS)
Expressão do nível sonoro em decibéis calculada por NPS=20log(p0p), onde p é a pressão acústica em Pa e p0 é a pressão de referência (20μPa ou 10−12Pa).
Curvas isofônicas
Diagramas de igual sensação de intensidade auditiva (curvas de Fletcher e Munson expressas em fons) que revelam a dependência subjetiva do ouvido com a frequência, demonstrando máxima sensibilidade em torno de 4000Hz e menor sensibilidade nas baixas frequências.

Ábaco de adição de níveis de pressão sonora
Gráfico auxiliar para superposição de duas fontes acústicas logarítmicas; determina-se a diferença ΔL entre os níveis, obtém-se o acréscimo L+ na curva e soma-se esse valor à fonte mais ruidosa (acréscimo máximo de 3dB para fontes iguais).

Mascaramento sonoro
Fenômeno pelo qual a percepção de um som de interesse é ocultada por um som interferente, ocorrendo com maior intensidade entre frequências próximas ou quando frequências baixas encobrem frequências altas; requer que o sinal útil esteja cerca de 15dB acima do mascarante.
Som direto
Onda sonora que atinge o receptor em linha reta diretamente a partir da fonte emissora, sem ter sofrido interferência de obstáculos ou reflexões em superfícies do recinto.
Espelho acústico
Superfície rígida e refletora disposta no espaço arquitetônico para direcionar raios sonoros e reforçar áreas desfavorecidas da plateia, cuja dimensão deve ser maior ou igual ao comprimento de onda da frequência incidente.
Sombra acústica
Região localizada atrás de uma barreira ou descontinuidade física protegida da incidência de raios diretos, gerada com maior nitidez em frequências altas devido ao seu baixo comprimento de onda e baixa capacidade de difração.

Incidência sonora sobre uma superfície
Divisão da energia da onda incidente ao chocar-se com um anteparo em três parcelas distintas: a porção refletida de volta ao recinto, a porção absorvida pela estrutura e a porção transmitida para o ambiente adjacente.
Coeficiente de absorção sonora (α)
Relação adimensional entre a energia sonora absorvida por um determinado material e a energia sonora total incidente (α=EincEabs), variando entre 0 e 1 em função da frequência sonora.
Eco
Defeito acústico percebido quando a diferença entre o percurso do raio direto e do raio refletido resulta em um atraso temporal igual ou superior a 1/30s (Δd≥11m) ou 1/15s (Δd≥22m para eco pleno), permitindo ao cérebro distinguir os sons como eventos separados.

Focalização sonora em superfícies côncavas
Fenômeno acústico no qual superfícies curvas convergentes concentram os raios refletidos em pontos focais específicos do espaço, causando acúmulos excessivos de energia e risco de geração de ecos.

Difusão sonora em superfícies convexas
Espalhamento uniforme dos raios sonoros refletidos promovido por curvaturas divergentes, que amplia a área de cobertura do campo acústico e homogeneíza o som às custas da redução localizada de intensidade.
Difração sonora
Capacidade da onda acústica de contornar bordas de obstáculos ou espalhar-se ao transpor aberturas cujas dimensões sejam inferiores ou comparáveis ao seu comprimento de onda, manifestando-se proeminentemente nos sons graves.
Ressonância acústica
Intensificação da amplitude de vibração de um objeto, elemento construtivo ou volume de ar quando estimulado por uma onda sonora cuja frequência coincide com uma de suas frequências naturais de oscilação.
Tempo de reverberação (TR60)
Intervalo cronológico exigido para que a densidade de energia sonora no interior de um ambiente fechado sofra um decaimento de 60dB após o desligamento da fonte emissora.
Ondas estacionárias
Padrão de interferência estático originado pela reflexão contínua entre paredes paralelas refletoras, estabelecendo nós (anulação de pressão) e ventres (intensificação de pressão) que causam distorções acústicas no ambiente.
Ruído
Qualquer emissão sonora considerada indesejável para a atividade em desenvolvimento em um dado local, capaz de interferir no funcionamento do espaço ou causar desconforto físico e psicológico.
Efeitos fisiológicos do ruído
Patologias orgânicas provocadas pela exposição sonora excessiva, incluindo perda auditiva transitória ou permanente, cefaleias, fadiga crônica, distúrbios cardiovasculares, desregulações hormonais e gastrites.
Efeitos psicológicos do ruído
Distúrbios cognitivos e comportamentais gerados pelo estresse sonoro contínuo, compreendendo queda de concentração e reflexos, irritabilidade permanente, perturbações do sono e sensação de insegurança.
Atenuação geométrica por distância
Taxa de decaimento do nível sonoro a cada duplicação da distância da fonte em campo livre: cerca de 6dB para fontes pontuais esféricas, 3dB para fontes lineares cilíndricas e 4dB para o tráfego rodoviário (fonte intermediária).
Gradiente de vento
Aumento progressivo da velocidade do ar com a altitude devido ao atrito do vento com o terreno, provocando o encurvamento dos raios sonoros em direção ao solo a favor do vento e em direção ao céu contra o vento (gerando sombra acústica).
Gradiente térmico negativo
Condição diurna normal em que as camadas de ar mais baixas estão mais quentes que as superiores, fazendo com que a velocidade do som decresça com a altura e curve as trajetórias sonoras para cima, criando sombras acústicas junto ao solo.
Gradiente térmico positivo (Inversão térmica)
Situação em que o ar próximo ao solo se encontra mais frio que o ar das camadas superiores, provocando o encurvamento descendente dos raios sonoros e concentrando a energia acústica na superfície terrestre.
Ruído de fundo
Nível sonoro base e onipresente em ambientes urbanos ou internos decorrente da soma cumulativa das atividades no entorno, cuja intensidade regula o limiar prático de percepção e mascaramento de outros sons.
Ruído aéreo
Perturbação acústica originada diretamente no meio gasoso que se propaga pelo ar até atingir receptores ou excitar divisórias arquitetônicas por vibração.
Ruído de impacto
Som produzido pela aplicação pontual e brusca de energia mecânica sobre superfícies rígidas da edificação (como saltos, quedas de objetos ou golpes), que se propaga velozmente através das estruturas sólidas com pouca atenuação.
Sonômetro
Instrumento eletrônico portátil calibrado (decibelímetro) utilizado na quantificação in loco da pressão acústica ponderada, integrando microfones, filtros normalizados e circuitos integrados.
Filtro de ponderação A (dB(A))
Curva de equalização padronizada que atenua as baixas frequências para reproduzir a resposta do ouvido humano a níveis moderados (abaixo de 55dB), constituindo o padrão universal em normas de tráfego e conforto urbano.
Zoneamento acústico
Planejamento territorial e arquitetônico fundamentado na classificação dos espaços segundo sua potencialidade de geração de ruído e seu grau de sensibilidade acústica, promovendo o afastamento ou agrupamento harmônico entre atividades.
Barreira acústica rodoviária
Obstáculo sólido construído paralelamente às rodovias com massa e estanqueidade adequadas, com o objetivo de atenuar a propagação direta do tráfego para zonas habitadas por meio da criação de sombras acústicas.


Túnel como barreira acústica
Obra viária subterrânea que confina integralmente o som do tráfego automotivo, protegendo a superfície urbana exterior, conquanto desenvolva elevados níveis sonoros internos por múltiplas reflexões nas paredes.
Isolamento acústico
Processo de atenuação da transmissão sonora aérea através de vedações verticais e horizontais (paredes, portas, vidros e lajes) entre ambientes ou em relação ao exterior.
Isolação acústica
Tratamento de amortecimento contra a propagação de ruídos de impacto e vibrações mecânicas em elementos estruturais sólidos da construção civil.
Lei da massa
Relação empírica que postula um acréscimo de aproximadamente 4dB no índice de atenuação acústica de uma divisória simples a cada duplicação de sua massa superficial (kg/m2) ou da frequência da onda incidente.
Efeito de coincidência
Redução acentuada na capacidade de isolamento acústico de uma parede quando o comprimento de onda do som no ar coincide com o comprimento da onda de flexão do material para um dado ângulo de incidência.
Laje flutuante
Sistema de piso apoiado estruturalmente sobre a laje base, porém desacoplado mecanicamente por mantas ou apoios resilientes periféricos e inferiores para dissipar ruídos de impacto e evitar pontes acústicas.
Ponte acústica
Contato rígido indesejado entre dois elementos construtivos que deveriam estar acusticamente desacoplados, permitindo a transmissão direta de ondas vibratórias e anulando a eficiência do isolamento.
Materiais acústicos porosos
Substâncias fibrosas ou celulares interconectadas (como lã de vidro, lã de rocha e espumas acústicas) que amortecem ondas de média e alta frequência por meio do atrito do ar no interior de seus poros microscópicos.
Membranas vibratórias
Painéis flexíveis fixados com espaçamento de ar em relação a uma base sólida rígida que entram em oscilação quando atingidos por ondas sonoras, fornecendo expressiva absorção nas baixas frequências (sons graves).
Ressoador de Helmholtz
Cavidade de ar confinada conectada ao exterior por um gargalo estreito que ressoa em uma frequência precisa, oferecendo absorção acústica seletiva em bandas estreitas de frequência.
Sabine-métrico (Sm)
Unidade quantitativa de absorção equivalente à absorção perfeita exercida por 1m2 de janela aberta (α=1,0), calculada pelo produto da área física do material pelo seu respectivo coeficiente de absorção.
Fórmula de Sabine
Equação preditiva do tempo de reverberação em salas com campo difuso: TR=Atotal0,1608×V, relacionando o volume cúbico do espaço (V em m3) à absorção total das superfícies e ocupantes (Atotal em Sm).
Linha de audição
Plano médio de captação sonora do público estabelecido convencionalmente à cota de 1,12m do piso, empregado como referência geométrica para o cálculo e inclinação de painéis refletores e espelhos acústicos.