CLÍNICA MÉDICA II

DIABETES MELLITUS TIPO 2

Critérios diagnósticos → mínimo de 2 alterados que podem ser na mesma amostra ou em amostras diferentes pois medem a glicose de maneira diferente e evitam o diagnóstico por hiperglicemia transitória, como em uso de corticoide ou infecção.

! critérios para Pré-DM necessita de APENAS 1 resultados alterado para diagnóstico !

*proposição para nomear Pré-DM para hiperglicemia intermediária

  1. Glicemia Jejum

    • <99 = normal

    • 100-125 = Pré-DM

    • >126 = DM

    • >200 + sintomatologia = DM sem necessidade de repetir exame.

  2. TOTG de 2 horas → feito se apenas 1 dos exames estiver alterado e paciente tiver fatores de risco.

    • <140 = normal

    • 140-199 = Pré-DM

    • >200 = DM

  3. HbA1c

    • <5,7% = normal

    • 5,7 - 6,4% = Pré-DM

    • >6,5% = DM

→ TOTG de 1h foi introduzido ao SBD em 2023 porém uso ainda é mínimo. Foi recomendado usar para pacientes de alto risco.

  1. TOTG de 1 hora

    • <155 = normal

    • 155 - 208 = Pré-DM

    • >209 = DM

Rastreio

  • Assintomáticos a partir dos 35 anos (3-3 anos)

  • Sobrepesos/obesos + FR independente da idade → individualiza periodicidade do rastreio

→ FR: HF, etnias (afrodescendentes, hispânicos, latinos), SOP, cardiopatas, HAS, HDL <35, TG >250, HIV, sedentarismo, acantose nigricans.

Continuidade

  1. sem sintomas com 1 critério → semestral

  2. Pré DM; exames normais e 3 FR; exames normias e FINDRISC alto/muito alto → anual

  3. exames normais e < 3 FR; exames normais e FINDRISC baixo/moderado → trianual

Remissão

  • A possibilidade de remissão do diabetes acentua a importância do Pré-DM pois demonstra que é possível retornar ao normal com ou sem medidas farmacológicas e sempre com mudanças de hábitos de vida. É um “aviso”.

  • Remissão = glicose normal por no mínimo 3 meses sem uso de hipoglicemiantes.

Complicações Macrovasculares → estão relacionadas à doença aterosclerótica

  1. Doença aterosclerótica coronariana

  2. Doença cerebrovascular

  3. Doença arterial periférica

Complicações Microvasculares → pesquisa desde 1a consulta

  1. Retinopatia → encaminha para oftalmologia

  2. Nefropatia → creatinina, TFG, urina rotina (proteinúria)

  3. Neuropatia

Comorbidades

  • HAS

  • IC

  • Obesidade

  • Dislipidemia

  • Doença Hepática Metabólica

  • Sedentarismo

  • Tabagismo

Complicações crônicas

  • Doença ocular diabética

  • Nefropatia

  • Neuropatia

  • Osteodistrofia diabética

  • Doença Cardiovascular (coronariana, cerebrovascular, periférica)

TRATAMENTO DE PRÉ-DM

Objetivo → PREVINIR a DM2, não é normalizar a glicose. Embora a normalização possa acontecer como consequência de uma boa terapêutica e adesão.

! o tratamento não-farmacológico é a BASE de todos tratamentos de DM2 e sempre deve ser indicado → consegue diminuir 1Ac em até 2% !

→ a diminuição da Hb1Ac age apenas na melhora de desfechos microvascualres, já os macrovasculares precisam de outras ações (ex: mudança de hábito de vida). LOGO, metformina não substitui tratamento não-farmacológico.

→ Quando começar tratamento farmacológico:

  • 25-69 anos

  • IMC > 35

  • GJ > 110

  • Hb1Ac > 6%

  • DMG prévio

→ Apenas 30% das Pré-DM se tornam DM2

→ A meta para Pré-DM é no máximo 6%, abaixo disso há alto risco de hipoglicemia.

Efeito Legado (para DCV) → Quanto mais rápido o tratamento intenso é iniciado, melhor o desfecho da doença para o RESTO DA VIDA do paciente. Dessa maneira, é preciso equilibrar a intervenção e a qualidade de vida.

TIR [Time In Range] → A medida de tempo em que a glicose fica dentro da faixa-alvo ideal. É 70-180mg/dL. Usado quando há monitorização contínua.

→ A variabilidade de glicose também demonstrou ter alto efeito lesivo na camada endotelial vascular.

! As complicações macrovasculares já começam na Pré-DM, enquanto as microvasculares são EXCLUSIVAS da diabetes !

Hipoglicemia

  • N1 → <70

  • N2 → <54

  • N3 → alteração de estado mental, precisa de ajuda de terceiros para se recuperar.

TRATAMENTO DE DM2

Metas

  • Hb1Ac → <7% (porém pode variar conforme o paciente e seu risco de hipoglicemia, ex: idoso frágil é <8%).

    6,5% → paciente de baixo risco, boa saúde, funcionalidade e poucas ou nenhuma comorbidade

    7% → Maioria dos pacientes adultos

    7,5% → Maioria dos pacientes idosos

    8% → Idosos com problemas complexos ou saúde intermediária

    Sem meta → Idosos com saúde complexa, saúde baixa OU pacientes com expectativa de vida limitada.

    ADA 2025

  • Glicemia pré-prandial → <100

  • Glicemia pós-prandial → <160

  • TIR → 70-180mg/dL

→ A meta da gestante é a unica Hb1Ac <6% pois melhora desfecho materno-fetal, outros testes tem como meta os valores de normalidade.

→ Hb1Ac = glicemia média de 154. Logo resultados de diário de glicemia tem que bater com a média.

Tratamento Não Farmacológico (TODOS)

  • Mudança de estilo de vida

  • Dieta → tem uma dieta padrão para início.

  • Exercício Físico → 150 minutos por semana, nunca menos de 30 minutos por sessão e tentar não passar mais de 2 dias sem fazer.

  • Higiene do Sono

! TODOS PACIENTES COM DM2 DEVEM USAR METFORMINA !

Escolha do Medicamento

→ 6 Ps: Patogênese (resistência a insulina ou queda da secreção de insulina); Potência (impacto na glicose, peso e proteção cardiorrenal), Precauções (contra-indicações e efeitos adversos); Plus (impacto no peso, ACV, função renal, fígado e ossos), Praticidade (modo de uso), Preço.

  1. Secretagogos→ têm alto risco de hipoglicemia, primeira escolha deve ser a Glicazida MP (menor risco de hipoglicemia).

    • CI: IR, IC, acidose, IH, IP

  2. Incretínicos → IDPP4 e A-GLP-1 [A vantagem dos incretínicos é que eles são glicose dependentes, logo só liberam insulina se há hiperglicemia o que impede quedas hipoglicêmicas.

    • Semaglutida - Ozempic

    • Dulaglutida - Trulicity

    • Liraglurida - Victoza

      *Agonista de GLP1/GIP → Tirzepatida (Mounjaro), ainda não disponível no Brasil

  3. Metformina (biguanidas) → diminui produção de glicose pelo fígado (faz hiperglicemia de jejum) e diminui resistência a insulina periférica

    • Metformina XR → prolonga a liveração por capsula que sai nas fezes, diminuindo os principais efeitos adversos (TGI)

    • Deve-se fazer controle anual da Vit. B12 pois medicação afeta a absorção.

  4. ISGLT-2 → reduz reabsorção renal da glicose, provoca glicosúria.

    • EA: aumento de infecções genitourinárias, aumento do risco de cetoacidose diabética em DM1

    • Dapaglifozina - Forxiga

  5. Glitazonas → reduzem resistência à insulina

    • Pioglitazona EA → IC III/IV aumenta taxa de internação, aumento de taxa de fraturas.

Não devem ser associados → Insulina + Secretagogos ; IDPP4 + AGLP-1

Potência: [mais] A-GLP-1 ; ISGLT-2 ; Metformina ; Glitaozna ; Sulfoniureia ; IDPP4 [menos]

Plus

  • Obesidade → A-GLP-1 ; A-GLP-1 + GIP ; ISGLT-2 e Metformina (baixa evidência)

  • HAS, IC e DVC → A-GLP-1 e ISGLT-2

  • Doença Hepática Metabólica → Pioglitazona ; A-GLP-1 ; A-GLP-1 + GIP ; ISGLT-2

DM2 + Doença Cardiovascular Aterosclerótica

  • Iniciar já com terapia dupla → Metformina + AGLP1 ou ISGLT2

  • Se meta não é cumprida, inciar terapia tripla com esses três

DM2 + Insucificiência Cardíaca

  • Iniciar com terapia dupla → Metformina + ISGLT2

  • Se meta não é cumprida, iniciar terapia tripla → Merformina, ISGLT2 + A-AGLP-1

  • CI → Pioglitazona e Saxagliptina não devem ser dadas a IC

Exceções: A metformina não edve ser usada em pacientes instáveis, logo é CI se TFG <30, ou se IC é aguda ou se IC IV.

DM2 + Doença Renal

  • TODOS devem usar IECA ou Bra → suspender se Hiper K ou TFG cair >30%

  • TFG < 60 + RAC >30 → ISGLT2 + IECA/Bra + Metformina

  • Metformina só é indicada até TFG de 30, abaixo disso recomenda-se IDPP-4 ou Insulina.

Insulina para DM2

  • Sintomatologia (poliúria, polidpsia, perda de peso, polifagia)

  • HbA1c > 9% ou GJ >250

→ O uso pode ser transitório!

Tratemento Cirúrgico

→ Cirurgia bariátrica: para tratar obesidade

→ Cirurgia metabólica: para tratar síndrome metabólica (são o mesmo procedimento)

INSULINOTERAPIA

FISIOLOGIA

→ Em jejum, a glicose tem produção predominantemente hepática e levemente renal.

→ Insulina tem ação anabólica

  • Fígado: inibe glicogenólise e gliconeogênese

  • Músculos: promove captação da glicose

  • T. Adiposo: Inibe a lipólise.

EFEITOS ADVERSOS

  • Hipoglicemia

  • Lipodistrofias

  • Ganho de peso

  • Reações alérgicas

METAS DM1

  • < 6,5% se:

    1. Baixo risco de hipoglicemia

    2. Não piora qualidade de vida

    3. Não sobrecarrega o cuidado da diabetes

    4. Em fase de remissão (Lua de Mel)

Fase de Lua de Mel: período aproximadamente 3 meses após início da insulinoterapia que há remissão parcial da DM1, ou seja, normalidade dos níveis glicêmicos com baixa quantidade de insulina terapêutica. Tem duração média de 10 meses.

DT: <0.5 UI/kg/dia

  • < 7,5% se:

    1. Hipoglicemia assintomática ou incapacidade de perceber hipoglicemia

    2. Histórico de hipoglicemia grave

    3. Falta de acesso aos análogos de insulina

    4. Falta de acesso a sistemas avançados de liberação de insulina

    5. Impossibilidade de monitorização glicêmica regular

    6. Impossibilidade de monitorização contínua de glicose

  • Alvos glicêmicos menos rígidos se:

    1. Menor expectativa de vida

    2. Comorbidades limitantes → Neoplasia avançada, doença cardiovascular, doença renal do diabetes avançada.

    3. Risco de hipoglicemia grave

    4. Função cognitiva comprometida

    5. Capacidade funcional comprometida

[ambas visam o menor risco de hipoglicemia]

INSULINA BASAL IDEAL: longa duração sem pico. (faz cair antes de dormir até acordar de 40-60mg)

INSULINA BÓLUS IDEAL: ação rápida e término rápido

FARMACOCINÉTICA

→ possíveis modos de ação: Ultralenta, Lenta, Intermediária, Rápida, Ultrarrápida, *Ultra-Ultrarrápida

  1. Ultralentas

    • Degludeca → Início em 30-90 minutos, não tem pico, dura entre 36-42h e pode ser usada a partir de 1 ano de vida

    • Glargina U-300 → Início em 2h, não tem pico e dura 36 horas. Pode ser usada a partir de 18 anos.

  2. Lentas

    • Glargina U-100 → Início em 2h, não tem pico e dura 20-24h. Pode ser usada a partir dos 2 anos.

      • Orientação aplicar sempre no mesmo horário.

    • Detemir → Início em 3-4h, não tem pico e dura 13-20h. Pode ser usada a partir de 2 anos e em gestantes.

  3. Intermediária

    • NPH → Início em 2-4h, pico em 6-8h e dura 12-18h. É usada como insulina basal, sendo aplicada de 2-4x/dia.

      • Orientação é aplicar logo antes do café da manhã.

  4. Rápida

    • Regular → Início em 30 minutos (5 se EV), pico em 2-3h e dura 4-6h. Sua administração é endovenosa.

  5. Ultra-Rápidas

    • Lispro, Asparte e Glulisina → têm início em 5-15 minutos, pico em 30-90 minutos e duram 4-6h. Podem ser usadas em crianças e gestantes (exceto Glulisina)

      (Lispro e Asparte podem ser administradas com canetas com meia unidade e todas ultra-rápidas tem administração endovenosa e em bombas)

    • O melhor tempo de aplicar essas insulinas é 10-15 minutos antes da refeição.

  6. Ultra-Ultrarrápida (É a que mais se aproxima da insulina endógena)

    • FIASP [Asparte UR] → Início em 2-5 minutos, pico em 1-3h e dura 5 horas. Sua utilização pode ser PÓS-PRANDIAL ou DURANTE.

→ Para a segurança de idosos e nenéms, a insulina Pós-Prandial evita riscos de hipoglicemia caso haja recusa alimentar.

PLANOS DE INSULINOTERAPIA INJETÁVEL

  • Preferível: Múltiplas doses de insulina com análogos de ação longa + análogos de ação rápida ou ultra-ráida (Problema: $$$)

  • Outros: Múltiplas doses de insulina com NPH [preferível aplicar 3x, metade antes do café, ¼ meio dia e ¼ antes de dormir] + análogos de ação rápida ou ultra-rápida OU Múltiplas doses de insulina NPH + Regular OU pré-misturadas (Problema: risco de hipoglicemia)

BOMBAS DE INSULINA

→ Infusão subcutânea de insulinas ultra-rápidas (Lispro, Asparte e Glulisina) e Fiasp.

→ Indicações:

  • Hipoglicemias

  • Fenomêno do Alvorecer → aumento fisiológico de cortisol e GH aumentam glicemia.

  • Gestantes

  • Gastroparesia

  • Crianças

  • Estilo de vida “sem rotina”.

DOSE DIÁRIA TOTAL: 0,5UI/kg/dia (50% basal e 50% bólus → 10-20% por refeição)

  • Aumenta a necessidade de insulina: puberdade, final de gestação, medicamentos (corticóide), doenças intercorrentes, hipertireoidismo, Cushing, estresse.

  • Diminui a necessidade de insulina: DRC, Fase de Lua de Mel, Hipotireoidismo, Má absorção intestinal, insuficiência adrenal

  • DM2 → 0,1-0,2UI/kg/dia

→ Considerações para Bólus Prandiais

  1. Qual a glicemia pré-prandial? → Correção de bólus

  2. O que será ingerido? → Contagem de carboidratos ou dieta pouco variável.

  3. Quantos UI de insulina cobrem Xgr de CHO? → Contagem de carboidratos

  4. Quantos UI de insulina fazem glicemia cair? → Correção de bólus.

CORREÇÃO DE BÓLUS

  • A correção de bólus leva em conta o Fator de Sensibilidade (quanto 1UI de insulina abaixa na glicemia), a glicemia medida pré-prandial e a glicemia alvo (costuma ser 100).

    1. Calcular Fator de Sensibilidade:

      1800/Dose Diária Total de Insulina (0,5UI/kg/dia)

    2. Calcular Correção:

      Glicemia medida - Glicemia Alvo / Fator de Sensibilidade

Ex: Paciente de 70kg com glicemia pré-prandial de 170, alvo é de 120.

  1. 1800/35 = 50

  2. 170-120/50 = 0.9

BÓLUS ALIMENTAÇÃO

  • Regra Geral: a proporção de UI:CHO é 1:15g.

  • 400/DDT é a contagem mais fidedigna.

  • Existem tabelas com quantidade de CHO em alimentos comuns, como 1 copo de leite (12g) e pão integral (12g)

Ex: Paciente de 70kg com glicemia pré-prandial de 170, alvo é de 120. Irá comer 1 copo de leite e 2 fatias de pão integral.

  1. 1800/35 = 51

  2. 170-120/51 = 0.98 → Bólus correção.

  3. Bólus alimentação: 1UI:15g → 12+24 = 36g CHO → 36/15 = 2,4UI

  4. Correção + Alimentação: 2,4 + 0,98 = 3,38 UI

  5. Arredonda para baixo → 3UI.

! Se Glicemia pré-prandial for menor que a glicemia alvo, o valor será negativo e deve-se SUBTRAIR do valor do bólus alimentação !

Regra Geral Adultos → 1 UI para que cada 50mg acima da glicemia alvo (100mg)

→ subir 40-60mg após alimentação está adequado.

TRATAMENTO NÃO INSULÍNICO PARA DM1

→ Não existe evidência científica

→ ISGLT2 são contra-indicados para DM1 pelo alto risco de cetoacidose

TRANSPLANTE EM DM1

  • Transplante de ilhotas

  • Transplante de Pâncreas

  • Transplante duplo: Pânceas e Rim → É o mais usado.

INSULINOTERAPIA EM DM2

  • Início é apenas com basal 0,1-0,2UI/kg/dia ASSOCIADO ao tratamento não-insulínico (exceto sulfoniureias)

  • Se a dose precisar ser aumentada e chegar a 0,5UI/kg/dia deve-se considerar associar A-GLP-1 antes de começar bólus.

    • Degludeca + Liraglutida

    • Glargina U100 + Lixisenatida

  • Se A-GLP-1 não forem possíveis ou ineficazes, iniciar tratamento basa/bólus.

→ Indicações para insulinoterapia em DM2

  • Falência de Células Beta → emagracimento, 4ps (poliúria, polidipsia, polifagia, perda de peso)

  • Descompensações agudas

  • Internações

  • Cirurgias

  • Gravidez

  • Insuficiência Renal

  • Insuficiência Hepática

  • Sintomático ao diagnóstico + GJ > 300 e/ou A1c >10% e/ou cetonúria/cetonemia

  • Sintomático + GJ>250 e A1c >9%

NÓDULOS TIREOIDEANOS

PREVALÊNCIA

  • 3-7% das pessoas tem nódulo palpável, enquanto 20-76% tem nódulo visível em USG → a recomendação é fazer USG em quem possui nódulo palpável

  • Cerca de 90% dos nódulos são benignos, intuito do USG é identificar malignidade

ETIOLOGIA

  • Doença nodular folicular (bócio colóide ou adenomatoso)

  • Cistos simples ou secundários a outras lesões da tireóide

  • Tireoidites

  • Doenças granulomatosas → Sarcoidoses

  • Neoplasias: adenomas, neoplasias de baixo risco, carcinomas, linfomas, tumores raros e lesões metastáticas

SUGESTIVO DE MALIGNIDADE

  • Características pessoais:

    • <30 anos

    • >70 anos

    • Homens

    • Radiação prévia de cabeça ou pescoço

    • HF de Ca. medular ou NEM → Neoplasias Endócrinas Múltiplas

  • Carcaterísticas do nódulo

    • Crescimento rápido → 20 % de aumento em pelo menos 2 dimensões (no mínimo 2mm) ou 50% do volume

    • >4cm

    • Lindafenomegalia → Ca. tireodeano mais comum é o papilífero e costuma metastizar para linfonodos

    • Endurecido, aderido

    • Disfonia, compressão

AVALIAÇÃO LABORATORIAL

→ Caso haja disfunção tireoideana, hormônios costuma subir pois nódulos são autonômos

  • TSH e T4 livre → função tireoideana costuma ser normal, se hipotireoidismo não exclui malignidade e se hipertireoidismo indica pouca probabilidade de câncer.

  • Calcitonina → suspeita de carcinoma medular, porém ainda controverso como rotina

EXAMES COMPLEMENTARES

  • USG é o padrão-ouro

  • Cintilografia é indicada em caso de hipertireoidismo (TSH baixo)

CINTILOGRAFIA → indicada apenas se TSH baixo

[ tem pouco valor na distinção de malignidade e benignidade ]

  • Maioria dos nódulos são hipo ou normocaptantes → se for o caso, indicação é seguir com PAAF

    • <15% dos hipocaptantes são malignos

    • 1-2% dos hipercaptantes são malignos

ULTRASSONOGRAFIA

→ Tireoide normal: hiperecogênica em relação aos tecidos vizinhos. Volume 10-15 cm3

  • Composição: sólido, cístico ou misto → Sólido tem mais risco de malignidade

  • Ecogenicidade: hipo, iso e hiperecogênico → quanto mais hipoecoido maior risco de malignidade (50-60%)

  • Margem/halo: regular, irregulares, infiltração

  • Forma: altura e largura

  • Focos ecogênicos: calcificações periféricas (casca de ovo), macro e microcalcificações → todos os focos ecogênicos aumentam risco de malignidade, principalmente microcalcificações

  • Características linfonodais

→ Nódulos císticos anecoidos são sempre benignos

→ Nódulos espongiformes: Agregação de múltiplos componentes microcísticos em mais de 50% do volume do nódulo [aspecto de colmeia]; Maioria é benigno

→ Colóide espesso é visto como “cauda de cometa” e pode ser diferenciado das calcificações pois essas fazem sombra acústica

DESCRIÇÃO DO USG

  • Medida das 3 dimensões acuradas

  • Localização do nódulo

  • Descrição de no máximo 4 nódulos [escolhe-se os com maiores TI-RADS, independente do tamnho]

  • Características do nódulo

ACOMPANHAMENTO COM USG (Nódulos sem critérios para PAAF)

  • 6-12 meses: < 1cm com características suspeitas

  • 12-24 meses: Nódulos de baixa ou intermediária suspeição

  • 2-3 anos: Nódulos de muito baixo risco

CARACTERÍSTICAS SUSPEITAS DE NÓDULOS SÓLIDOS (SSF)

  • Margem ou halo irregular

  • Altura maior que largura

  • Focos ecogênicos puntiformes

  • Macrocalcificação

PADRÃO DE RISCO USG ATA 2025 → utiliza SSF + ecogenicidade

SFF

MUITO HIPOECOICO

HIPOECOICO

ISO/ HIPERECOICO

2 ou +

Alto

Alto

Intermediário

1

Alto

Intermediário

Intermediário

0

Intermediário

Baixo

Baixo

→ Baixo risco: PAAF se >1,5cm

→ Risco intermediário: PAAF se >1cm

→ Alto risco: PAAF se >1cm

TI-RADS

  • Composição:

    • sólido - 2

    • cístico - 0

    • misto - 1

  • Ecogenicidade:

    • muito hipoecoido - 3

    • hipoecoido - 2

    • isoecoico/hiperecoico - 1

    • anecoico - 0

  • Forma

    • altura maior que largura - 3

    • lagura maior que altura - 0

  • Margem/halo

    • lisa - 0

    • regular - 0

    • irregulares - 2

    • infiltração - 3

  • Focos ecogênicos:

    • cauda de cometa - 0

    • calcificações periféricas (casca de ovo) - 2

    • macrocalcificações - 1

    • microcalcificações - 3

→ TI-RADS 1: 0 pontos; sem seguimento

→ TI-RADS 2: 2 pontos; sem seguimento

→ TI-RADS 3: 3 pontos

  • >2,5cm → PAAF

  • >1,5cm → seguimento 3-5 anos

→ TI-RADS 4: 4-6 pontos

  • >1,5cm → PAAF

  • >1cm → seguimento 1, 2, 3 e 5 ano.

→ TI-RADS 5: >6 pontos

  • >1cm → PAAF

  • >0,5cm → seguimento anual por 5 anos

PAAF

  • Punciona no máximo 2 nódulos (com maior TI-RADS)

  • Melhor exame para distinguir entre lesões malignas e benignas

  • Limitação: diferenciação entre adenoma e carcinoma folicular [tem que ver invasão de cápsula]

  • Deve-se repetir a PAAF sempre que houver mudança no padrão do USG

  • Repetir após 3 meses se: BI, BIII ou BIV

BETHESDA → Classificação para análise da citologia

I → inconclusivo; repete PAAF [nova PAAF dará o diagnóstico em 60- 80 % dos casos]

II → benigno; acompanhamento clínico com USG

  • Repete USG 6-24 meses após PAAF inicial, e repete PAAF se:

    • se aumento > 20% em pelo menos 2 dimensões

    • Se aumento > 50% volume

    • Se surgirem características de malignidade

III → atipia de significado indeterminado; repete PAAF + teste molecular (pode fazer lobectomia diagnóstica ou vigilância)

  • Normalmente se PAAF repetida persiste em BIII, faz cirurgia e decide acompanhamento

IV → Neoplasia folicular; teste molecular e/ou lobectomia diagnóstica

V → suspeita de malignidade; teste molecular + lobectomia ou tireodectomia subtotal ou total [normalmente total]

VI → Maligno; lobectomia ou tireodectomia subtotal ou total [normalmente total]

PAINEL MOLECULAR

Faz para Bethesda III e IV

  • BRAFV600E → carcinoma papilíferos menos diferenciados e anaplásicos

  • RET/PTC → metástase linfonodal; também em tumores benignos

  • RAS → carcinoma folicular; também em adenoma folicular

  • PAX8/PPARᵧ → carcinoma folicular

  • TERT → indica maior agressividade

TRATAMENTO

  • Decisão entre acompanhemnto e cirurgia de acordo com risco de malignidade

  • Disfunção tireoidiana (hipertireoidismo) e sintomas compressivos dizem a favor de intervenção cirúrgica

  • Atualmente, alcoolização e radioablação so usados apenas para tumores benignos.

OBESIDADE

→ É uma doença poligênica com formas monogênicas raras.

CONCEITO: Acúmulo anormal ou excessivo de gordura corporal que pode atingir graus capazes de afetar a saúde (OMS).

CLASSIFICAÇÃO PELO IMC

Abaixo do peso ideal

<18.5

Peso ideal

18.5 - 24.9

Sobrepeso

25 - 29.9

Obesidade Grau I

30 - 34.9

Obesidade Grau II

35 - 39.9

Obesidade Grau III

>40

→ Limitações: não demonstra o percentual de gordura e distribuição corporal e não determina quando o excesso de adiposidade é um problema de saúde.

ALÉM DO IMC

→ 3 medidas corpotais que pode ser usadas para confirmar excesso de gordura corporal (se IMC >40 não há necessidade )

  • Circunferência cintura: >102 para homens e >88 para mulheres

  • Relação cintura-quadril: >0.90 homens e >0.85 mulheres

  • Relação cintura-altura: >0.5 para todos

  • Tomografia computadorizada

→ Nova proposta de 2025 coloca obesidade como IMC + outra avaliação com excesso de godura (TC ou medida) OU medida corporal + TC.

EDMONTON → classificação da obesidade de acordo com acometimento fisiológico, mental e funcional.

  • 0 - ausência de fatores de risco, sintomas físicos, psicopatologias e acometimento funcional

  • 1 - fatores de risco subclínicos, acomentimento físico, psicológico e funcional leve

  • 2 - presença de doença crônica relacionada à obesidade e limitação moderada nas atividades diárias

  • 3 - Dano de orgão-alvo estabelecido, osteoartrite incapacitante, acometimento psicológico e funcional importante

  • 4 - Injúrias severas, acometimento geral severo

FISIOPATOLOGIA

  • Epigenética → interação fatores genéticos e ambientais

  • Desequilíbrio positivo entre consumo e gasto energético

BALANÇO ENERGÉTICO

  • Controlado no hipotalámo e por um grande número de peptídeos secretados pelo intestino e tecido adiposo

  • Na obesidade há uma alteração no “sensor” do SNC de fome/saciedade e do gasto de energia → aumento da apetite e redução da termogênese

TECIDO ADIPOSO

  • Hiperplasia e hipertrofia do tecido adiposo → hipoperfusão → infiltração de macrofágos no tecido adiposo → secretam fatores inflamatórios (TNF-alfa e IL-6) → atuam na resistência à insulina → inflamação crônica de baixo grau

COMORBIDADES

  1. Sistema Cardiovascular → HAS, doença coronariana, acidente vascular cerebral, IC

  2. Metabólicas → DM2, DMG, dislipidemia, hiperuricemia, gota, doença hepática metabólica

  3. Sistema reprodutivo/urinário → Infertilidade, hipogonadismo, SOP, ITU

  4. Sistema gastrointestinal → Refluxo gastroesofágico, doença hepática metabólica

  5. Neoplasias → Mama, colon, endométrio, vesícula, esôfago, fígado, próstata

  6. Psiquiátrica → Depressão, demência

  7. Sistema respiratório → Apneia do sono, asma.

  8. Sistema osseo → osteoratrites

  9. Alterações cutâneuas → lipedema

TRANSTORNOS ALIMENTARES

  • Estão presentes em 20-30%

  • Dentre eles: compulsão alimentar; purgação; ausência de saciedade; hábito do comedor noturno; bulimia

TRATAMENTO

→ Redução de 5-10% do peso melhora: apneia do sono, risco de DM2, qualidade de vida, perfil lipídico, risco cardiovascular, níveis pressóricos.

→ Nova proposta: obesidade controlada → considera peso máximo atingido durante a vida (18-85 anos) e olha trajetória:

  • Obesidade inalterada → perda de <5%

  • Obesidade reduzida → perda de 5-10%

  • Obesidade controlada → perda de >10%

Tratamento não medicamentoso (BASE!)

  • Reeducação alimentar → terapia nutricional: alimentação saudável + relação saudável com comida

  • Atividade física → preferência por atividade aeróbica por 30-60 minutos de média/alta intensidade

Tratamento Medicamentoso → Revisar e ajustar o tratamento no mínimo a cada 03 meses

  • Considerar quando:

    • IMC >30

    • IMC >27 + comorbidade (HAS, DM2, hiperlipidemia, apneia do sono)

  • Fármacos:

    • Sibutramina → sacietógeno que foi retirado do mercado americano e europeu pelo risco de desfechos cardiovasculares (16% RR, scout trial).

      • No Brasil é CI para HAS, DCV, DM2 + FR, > 65 anos, crianças e adolescentes

      • EA: boca seca, cefaleia, taquicardia, elevação de PA, constipação intestinal, agitação, nervosismo

    • Orlistate → inibe 30% da absorção de gordura pelo TGI

      • EA: : esteatorréia, flatulência, descarga de gordura, urgência fecal, deficiência de vitaminas lipossolúveis ( mais raro)

    • Liraglutida → Retarda esvaziamento gástrico + Efeito incretínico → Secreção de insulina e Inibe glucagon + Ação hipotalâmica em vias anorexigênicas/apetite hedônico

    • Semaglutida (para tratamento de obesidade dose deve chegar a 2mg)

    • Bupropiona/naltrexona → compulsão, diminui apetite

    • Lisdexanfetamina → Transtorno alimentar

    • Tirzepatida → aprovada FDA, ainda não comercializada no Brasil, aqui aprovada para DM

  • Off-label:

    • fluoxetina, sertralina → compulsividade

    • semaglutida oral

    • topiramato → transtorno alimentar, hipotimia

CIRÚRGIA BARIÁTRICA

Mecanismo:

  • Redução de apetite → restrição, mal-absorção

  • Alteração dos sinais periféricos da regulação do peso corporal (comunicação intestino-cérebro) → Aumento secreção de hormônios da saciedade (GLP-1 e PYY) + Redução secreção de grelina

Indicações:

  • IMC ≥ 50

  • IMC ≥ 40 com ou sem comorbidades e tto por no mínimo 02 anos

  • IMC entre 35-40 com comorbidades sem sucesso com tratamento clinico por no mínimo 02 anos

  • IMC 30-35 → *Cirurgia metabólica: visa controle da síndrome metabólica

Contra-indicações:

  • Limitação intelectual significativa

  • Transtorno psiquiátrico não controlado

  • Doença cardiopulmonar descompensada

  • Doença que predispõe sangramento gastrointestinal superior

  • Síndrome de Cushing

  • Neoplasias malignas não tratadas

Técnicas:

  • Bypass gástrico em Y de ROUX

  • Gastrectomia vertical (Sleeve)

  • Banda Gástrica ajustável

  • Cirurgia de Scopinaro ou Switch duodenal

Complicações:

  • Má absorção de micronutrientes / desnutrição proteicocalorica

  • Queda de cabelo

  • Reganho de peso → Não existe consenso sobre o que constitui reganho de peso significativo (> 15% do nadir / + 10 Kg do Nadir) [Média de 30% dos pacientes]

    • Adaptações metabólicas compensatórias: Redução do gasto energético; Oxidação tecido adiposo e reduçāo leptina; Aumento hormônios orexígenos Ex :grelina → aumento apetite; Fatores hedônicos

  • Sindromes/complicações gastrintestinais

  • Dumping/hipoglicemia

    • Precoce → hiperosmolaridade, clínica de diarreia líquida e hipovolemia relativa

    • Tardio → hiperinsulinemia incretino-mediada levando à hipoglicema.

  • Doenças ósseas

  • Distúrbios psiquiátricos

  • Excesso de pele

  • Acompanhamento gestacional

SEMIOLOGIA RENAL

→ Início do funcionamento renal: 10° semana

  • Sinal de mau-funcionamento renal no feto: Oligodrâmnio

→ Nascimento: entre 600.000 e 1 milhão de néfrons

  • PIG → menos néfrons do que o normal → maior risco de DRC a partir dos 20 anos

→ Utiliza 20% do débito cardíaco

  • Perfunde 400mL/100g → mais do que coração, fígado e cerébro.

    • Utiliza 10% do consumo total de oxigênio corporal

→ Filtração média: 180 litros de sangue produzem 1,5-2L de urina.

→ Uma pessoa normal urina a cada 4-6h e normalmente não urina à noite.

APRESENTAÇÕES CLÍNICAS DE UM NEFROPATA

  1. Alterações urinárias assintomáticas → demandam acompanhamento

    • Piúria

    • Hematúria → sem mudança de cor

    • Proteinúria → sem espuma na urina

  2. Síndrome Nefrítica → igual a Lesão Renal Aguda ou Insuficiência Renal Aguda

  3. Síndrome Nefrótica → insidiosa

  4. Síndrome Renais Tubulares

    • Maioria se manifesta na infância: túbulo faz equilíbrio ácido-base → doença tubular → criança fica com pH ácido → desgaste ósseo e catabolismo → criança não cresce.

      • doenças císticas (mais comum em idosos);

      • poliúria;

      • glicosúria → glicose é livremente filtrada mas é reabsorvida. Para ser secundária à hiperglicemia a glicemia deve estar >160.

      • acidose metabólica

  5. Doença Renal Crônica → qualquer alteração renal que dure mais de 3 meses, mesmo com TFG normal

SINTOMATOLOGIA (DADOS SUBJETIVOS)

→ Doenças são muito silencionsas, logo dados são muito confusos ou simplesmente inexistentes.

  1. Alterações da micção → são mais agudas

    • Polaciúria → aumento de frequência, relacionado à irritação do TU (cálculo, Ca. bexiga)

    • Poliúria → demanda urina 24h para confirmação

    • Urgência miccional → relacionado à irritação do TU

    • Disúria → relacionada à irritação do TU

    • Nictúria → micção +2 vezes à noite (diferente de noctúria que é a necessidade de se levantar para urinar após deitar para dormir). Relação com tubulopatias mediadas por processos alérgicos, retenção excessiva de líquido e incapacidade de concentração de urina

    • Incontinência urinária

      • queixa mais comum em mulheres na menopausa: tônus da musculatura da pelve é dependente do estrogênio → musculatura fica flácida na menopausa (incontinência urinária) → bexiga muda de lugar anatomicamente → presença de urina residual → ITU de repetição

      • Incontinência urinária paradoxal → relacionada à retenção urinária.

    • Retenção urinária → Bexiga neurogênica, hiperplasia prostática, estenose de uretra.

      • Se agudo, há dor suprapúbica.

  2. Alterações do volume

    • Oligúria [<400ml/dia] → queixa de “urina presa”, mais comum em síndrome nefrítica

    • Poliúria [>2.500ml/dia] → mais comum em diabetes insipidus (insuficiência na produção ou resposta ao ADH)

    • Anúria [<100ml/dia] → principal causa é obstrução do trato urinário

  1. Edema

→ Em geral, percebe-se o edema nas regiões periorbitárias (tecido celular subcutâneo frouxo) e nas extremidades inferiores (ação da gravidade).

→ Funcionamento normal: Pressão oncótica é a pressão que mantém o líquido dentro dos vasos pois vence a pressão hidrostática. Porém na porção arteriorlar dos capilares a pressão hidrostática é maior que a oncótica para que ocorra troca (pressão hidrostática glomerular precisa vencer a oncótica) e na porção venosa ocorre inversão e oncótica se torna maior novamente (pode ocorrer “resgate”).

→ Fisiopatolgia do edema

  • queda da albumina (pode ser por baixa nutrição, baixa produção hepática ou excreção renal elevada) gera queda na pressão oncótica, o que leva à extravasamento (Teoria do underfill). Além disso, extravasamento provoca hipovolemia, que ativa SRAA e consequente leva à retenção de sódio, agravando edema.

  • doença glomerular → proteinúria seletiva → ativação dos canais de sódio → retençao líquida → aumenta volume extracelular → edema. [Teoria do Overflow]

  1. Alterações da cor da urina

    → Pode ser a primeira queixa, importante perguntar sobre uso de remédios e habitos alimentares

    • Amarelo-claro/âmbar → normal

    • Amarelo-escuro → desidratação

    • Marrom → bilirrubina (colúria), uso de cloroquina ou nitrofurantoína

    • Laranja → uso de rifampicina

    • Vermelho/marrom avermelhado → hematúria, hemoglobinúria, necrose tubular aguda (NTA), rabdomiólise, uso de fenitoína, ingesta excessiva de beterraba.

    • Azul/verde → pseudomonas, uso de amitriptilina

    • Preto →uso de nitrofurantoína ou levodopa.

    • Turva/leitosa → infecções, piúria, fungos, cristais de fosfato.

  2. Alterações do odor da urina

    • Fétido → ITU

    • Adocicado → cetonúria

    • Carne podre → proteinúria

  1. Alterações de densidade da urina

→ estão relacionadas ao túbulo

  • VR: 1015-1025 g/ml → dependente do número de paticular presentes

    • 1.000 → hiperdiluição (diabetes insipidus ou polidipsia psicogênica)

    • >1030 → glicosúria

    • >1040 → manitol ou contrastes osmóticos

PARÂMETROS QUÍMICOS

  1. pH → normal da urina é levemente ácido (VR 5,5-7,5).

[alterações de pH da urina podem ser reflexo do pH sanguíneo]

  • Urina ácida → acidose metabólica; dieta rica em proteínas; depleção de volume (aldosterona)

  • Urina básica → acidose tubular renal; dieta vegetariana; vômitos; uso de substâncias alcalinas; proteus.

  1. Bilirrubina e Urobilinogênio → VR do urobilinogênio é 0,2-1

    • Na estase biliar por obstrução ou fármacos, a pesquisa de bilirrubina na urina é positiva

    • Em hemólise, a bilirrubna indireta (lipossolúvel) aumenta na circulação e pesquisa de bilirribina na urina é negativa

  2. Esterase Leucociária

! Indica lise de leucócitos por PROCESSO INFLAMATÓRIO, NÃO NECESSARIAMENTE INFECÇÃO !

  • Causas: cólica renal, ITU…

[Falso positivo leucócito/nitrito → contaminação vaginal]

[Falso negativo leucócito/nitrito → hiplerglicemia, albumina, ácido ascórbico, tretaciclina, cefalexina, cefalotina]

  1. Nitrito

    → O nitrato se torna nitrito na presença de algumas bactérias (E. coli, Proteus, Klebsiella). Logo nitrito positivo diz mais a favor de ITU porém nitrito negativo NÃO EXCLUI ITU (algumas bactérias não fazem a conversão nitrato→nitrito: Streptococcus faecalis, Neisseria gonorrhae, Mycobacterium tuberculosis).

  1. Piócitos → podem ter cultura positiva ou não

    • Cultura positiva → ITU

    • Cultura negativa:

      • Processos inflamatórios → nefrite intersticial, nefrolitíase

      • Bactérias inespecíficas → Tuberculose renal (Koch)

  2. Glicose

    • Hiperglicemia (<160)

    • Gravidez

    • Defeito leve de túbulo proximal

  3. Corpos Cetônicos → degradação lipídica ao invés de carboidratos

    • diabetes descompensada

    • dieta restrita

    • jejum prolongado

  4. Hemoglobina e Mioglobina → hematúria e lesão muscular

  5. Proteinúria

    → Até 150mg/dia é considerado normal:

    • 30-50mg são mucoproteína Tamm-Horsfall → é a matriz de formação de cilindros e a maior constituente dos cilindros hialinos.

    • Até 30mg são albumina

    • Restante são globulinas;

200-500mg/24h

+/++++

500-1500mg/24h

++/++++

2-5g/24h

+++/++++

>7g/24h

++++/++++

→ Determinação quantitativa: Em vez de usar a urina de 24 h, pode-se determinar a quantidade de proteína em relação à creatinina em uma amostra de urina eliminando-se o fator tempo e o grau de diluição urinária.

  • Normalmente, relação proteinúria/creatinina é <1

  • Uma razão maior que 3,0 a 3,5 indica excreção proteica superior a 3,0 a 3,5 g/24 h,

  • Uma razão menor que 0,2 indica menos de 0,2 g em 24 h.

Limitações: subestima proteinúria em individuos musculosos (excretam mais creatinina) e superestima proteinúria em individuos caquéticos (excreta menos creatinina)

! É possivel ter proteinúria normal e albuminúria anormal (>30mg) !

  • Condições clínicas não renais que podem causar proteinúria:

    • Proteinúria funcional: proteinúria transitória decorrente de aumento da permeabilidade glomerular por angiotensina II ou noraepinefrina sem causar lesão (ITU, febre, climas extremos, exercício intenso, convuslões).

    • Proteinúria postural: é detectada durante o dia e desaparece à noite.

  1. Albuminúria

  • VR: <30mg/24h

  • Microalbuminúria (ligeiramente aumentado) → 30-300

  • Macroabuminúria (aumento severo) → >300

SEDIMENTO URINÁRIO/MICROSCOPIA URINÁRIA

  1. Células epiteliais

    • Aumentam com proteinúria

    • Se tem inclusão de partículas de gordura são chamados de Corpúsculos Ovais → Patognomônico de síndrome nefrótica e número de corpusculos são proporcionais à proteinúria

      [ Fisiopatologia: os processos exacerbados de reabsorção de proteína levam a uma degeneração gordurosa das células epiteliais tubulares, com aparecimento de gotículas de gordura no citoplasma. ]

  2. Leucócitos → podem ser originárioa de qualuqer parte do trato urinário

    • Indicam inflamação, não necessariamente infecção.

    • Se cultura negativa → TBC renal, cálculo renal, doençã tubulo intersticial

  3. Hematúria → pode ser originária de qualuqer parte do trato urinário

    • Hemácia isomórficas: indica lesão não renal.

    • Hemácias dismórficas: indica lesão renal (acantócitos → doença glomerular).

    • Hematúria transitória: mais comum em jovens, pode ocorrer após relação sexual ou exercício físico intenso ou por ITU (cistite ou prostatite)

    • Hematúria persistente: é chamada de alta se glomerular (acantócitos) e baixa se de tratao urinário.

  4. Cilindros

    • Cilindro hialino → mucoproteínas de Tamm-Horsfall

    • Cilindro leucocitário → inflamação intersticial

    • Cilindro hemático → doença glomerular

    • Cilindro celular/epitelial → lesão tubular

    • Cilindro granuloso → cilindro celular + células que se desintegraram, Fisiológico ou lesão tubular.

    • Cilindro céreo → fases finais de DRC e estase urinária

    • Cilindros gordurosos → síndrome nefrótica

  5. Cristais

→ Presença de cristais de ácido úrico, fosfato e oxalato de cálcio podem não ter significado clínico: cristalização pode ocorrer na amostra de acordo com temperatura ambiente e pH da urina.

  • Cristais de ácido úrico: se em alta quantiade pode estar relacionado à síndrome de lise tumoral (pós-QT) e pode causar insuficiência renal aguda

  • Cristais de oxalato de cálcio: presente an maioria das crianças em fa se de crescimento, se elas tem HF de cálculo renal, deve-se investir hipercalciúria. Em adultos, normalmente corre por intoxicação por etilenoglicol.

  • Cristais de estruvita: litíase associada à ITU por bactéria produtora de urease (Klebsiella e Proteus).

    → Ocorre transformação do fosfato amoníase-magnesiano em estruvita pela urease. A estruvita não quebra com litotropsia, tratamento é cirúrgico.

PADRÕES DE DOENÇAS RENAIS

  • Hematúria glomerular (codócitos/acantose) + albuminúria = glomerulonefrite proliferativa [Berger, vasculite ANCA, nefrite lúpica]

  • Albuminúria com ou sem hematúria = Glomerulonefrite não proliferativa [diabetes, amiloidose, nefropatia membranosa, GESF, lesões mínimas]

  • Celulas granulares e epiteliais = Necrose tubular aguda com lesão renal aguda subjacante

  • Piúria isolada = infecção ou doença tubuintersticial

AVALIAÇÃO DE FUNÇÃO RENAL

  1. Exame de sangue:

    • Creatinina → cálculo da taxa de filtração glomerular pela formúla de Cockcroft-Gault

      [(140 - idade em anos) x peso corporal em kg] (x0,85 se mulher) / 72 x creatinina sérica mg/dl

TFG → estadiamento da função renal

G1

>90

G2

60-89

G3

45-59

G4

30-44

G5

15-29

G6

<15

  1. Exame de urina amostra única:

    • Albumina (albuminúria):

      • A1 → <30mg

      • A2 → 30-300

      • A3 → >300

EXAMES DE IMAGEM

  1. USG e TC → forma, tamanho, obstrução, cálculos, pólipos e massas.

  2. Pielografia Intravenosa → forma, tamanho, obstrução,anatomina caliciforme [necrose papilar e rim esponjoso medular]

  3. Análises com radionuclídeos → obstrução, vazamento de urina, fluxo arterial renal [estenose arterial renal]

  4. Arteriografia renal → fluxo arterial [esternose arterial renal, vaculite, diferenciação massa vascularizada ou sólida]

  5. Cistouretrografia → refluxo vesicoureteral

  6. Pielografia retrógrada ou anterógrada → sítio de obstrução [colocação de stent renal]

  7. RX abdome → forma, tamanho, nefrolitíase (radiopaco), nefrocalcinose

  8. RMN → massa renal, trombose venosa renal

DOENÇA RENAL SECUNDÁRIA

  1. Infecções → HBV, HIV, HCV, Sífilis

  2. Doenças auto-imunes → LES, AR, Sjogren, Doença mista do tecido conjuntivo, Vasculites

  3. Neoplasias → Tumores de orgãos sólidos (proteinúris pode ser a primeira manifestação), Mieloma Múltiplo

  4. Amiloidose

HIPERTENSÃO ARTERAL SISTÊMICA SECUNDÁRIA

→ HAS causada por acometimento do fluxo renal (20% do fluxo global)

Suspeitas: sopro abdominal, HAS resistene, paciente jovem (<30 anos), asismetria de pulsos periféricos ou cardíacos, resposta exagerada à IECA ou BRA, edema agudo de pulmão sem causa aparente.

CÓLICA RENAL

  • Ondas 20-60 minutos, localização da dor indica local do cálculo

! A dor bedece limites dos orgão genitals externos (nunca vai para as pernas) !

  1. Cálculo na junção uretero-pélvica: dor em flanco + Giordano positivo

  2. Cálculo na porção média do ureter: dor abdominal que irradia para ligamento inguinal e testículos/grandes lábios ipsilateral

  3. Cálculo na junção vesicoureteral: disúria, polaciúria, urgência miccional.

→ Em caso de litíase renal faz-se coleta 24h para descobrir motivo do cálculo

  • Dosa: cálcio, ácido úrico, oxalato, fósfora, cistina, ácido cítrico (citrato), sódio, magnésio

SOLICITAÇÃO DE COMPLEMENTO

  • Solicita-se complemento total e fracionado (C1, C2, C3 e C4)

  1. Consumo (hipocomplementonemia)

    • Glomerulonefrites: pós streptocócica, lúpica, da crioglobulinemia, membranoproliferativa, por endocardite.

  2. Normocomplementonemia

    • Glomerulonefrite por: vasculite ou anticorpo antimembranoso glomerular basal

    • Berger (Nefropatia por IgA)

DOENÇAS GLOMERULARES

HEMATÚRIA GLOMERULAR

→ Clínca: urina amarronzada, cor do coca cola. Normalmente não possui coágulos, diferentemente do sangramento de trato urinário

→ Diagnóstico: presença de codócitos e/ou acantócitos em pesquisa de dismorfismo eritrocitário (exame feito com urina amostra única)

  • A presença de cilindros hemáticos também fala a favor de hematúria glomerular.

→ Principais causas de hematúria assintomática (isolada):

  • Doença de Berger (nefropatia por IgA tratada com dapaglifozina)

  • Doença de Alport → Doença do X que causa defeito de colágeno

  • Doença de membrana fina

PROTEINÚRIA ISOLADA ASSINTOMÁTICA

→ deve ser >150mg/dia e <3g/dia

→ Causas intermitentes:

  • Exercício físico intenso

  • Proteínura postural/ortostática → perceptível pela diferença entre uma urina colhida de manhã e outra no final da tarde; mais comum em jovens.

  • Febre

  • ICC → descompensada

→ Causas persistentes [evolução pode ser lenta e já demonstrar DRC avançada em estado assintomático

  • Glomeruloesclerosse segmentar focal (GESF) → pode ser primário ou resultado final de alterações sistêmicas:

    • HAS → vasoconstrição da artéria arqueada como mecanismo de proteção do glomerulo (HAS não atinge glomerulo diretamente) → isquemia glomerular → menos néfrons funcionantes → hipertensão intraglomerular por sobrecarga → inflamação do endotélio glomerular → esclerose glomerular → GESF

[Angiotensina II promove vasoconstrição arterial, logo o tratamento de escolha para estes casos são IECA]

  • Nefropatia diabética

SÍNDROME NEFRÍTICA

  1. Clinica → Quadro agudo de:

  • Hematúria glomerular [obrigatório]

  • Proteinúria até 3,5g/dia → se ultrapassa esse valor denomina-se Síndrome Nefrítica Nefrótica

  • Edema → não relacionado à proteinúria pois não tme tempo de perder albumina suficiente para afetar pressão oncótica

  • HAS → relacionada à retenção volêmica

  • Oligúria [<400 ml/dia]

! Tratamento sempre envolverá diuréticos e dieta hiposalina !

  1. Etiopatogenia → É uma inflamação que pode ser causada por:

    • Imunocomplexos: deposição de IC no glomerulo gerando inflamação.

      ! Quanto mais próxima da corrente sanguínea for a deposição de IC, maior será a quantidade de células de defesa reagindo e, consequentemente, maior será a reação inflamatória !

      • Glomerulonefrite pós infecciosa → é aguda e auto-limitada

      • Nefropatia por IgA → é intermitente e crônica

      • Nefrite lúpica

    • Anticorpos: doença anti-membrana basal glomerular → é rapidamente progressiva

    • Pauci-imune: há ausência de depósitos de Ig à imunofluorescência porém acredita-se ter, só não foi comprovado ainda

      • Vasculites ANCA e outras associada → é rapidamente progressiva

  2. Exames Complementares

    • EAS: proteinúria não nefrótica + hematúria glomerular + leucocitúria com cultura negativa

    • Bioquímica: aumento de ureia e creatinina [azotemia]

    • Eletrólitos: hipercalemia

    • Gasometria: acidose metabólica

    • Complemento (C3, C4 e CH50 → total)

SISTEMA COMPLEMENTO BAIXO

SISTEMA COMPLEMENTO NORMAL

Glomerulonefrite pós-estreptocócica

Vasculites sistêmicas

Lúpus Eritematoso Sistêmico

Doença de Berger

Criglobulinemia

Vasculite por IgA

Glomerulonefrite proliferativa

Doença de Goodpasture → anticorpos anti-membrana basal glomerular

Endocardite associada a shunt

  1. Exames complementares direcionados

    • Suspeita de Hep B. ou C. → dosagem de crioglobulinas séricas

    • Suspeita de LES → dosagem de FAN, Anti-DNA e Anti-Sm

    • Suspeita de Vasculite → dosagem de antiproteinase 3 (c ANCA) e antimieloperoxidase (p ANCA)

    • Suspeita de Doença de Goodpastura → dosagem de Ac Anti-MBG

    • Suspeita de Endocardite/Abcesso → hemocultura

  1. Principais causas de síndrome nefrítica:

    5.1. Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica

→ Agente etiológico: Streptococo Beta-hemolítco do Grupo A, C ou G

  • Cepas nefritogênicas:

    • Orofaringe: 1, 4, 12 e 25

    • Pele: 2, 42, 48, 56 e 60

→ Fisiopatologia: depósito de IC no mesângio e subendotélio do glomérulo

→ Idade: pode ocorrer em qualquer idade mas pico é aos 7 anos, o prognóstico é pior em adultos com alta chance de evoluir para DRC

→ Sexo: cepas orofaríngeas predominam no homem e da pele não há diferença.

→ Clinica [ ! Não tem febre pois infecção já aconteceu ! ]:

  • Frequentemente é subclínico mas pode apresentar dor abdominal, náuseas, vômitos e dor lombar bilateral

  • Hematúria glomerular é obrigatória

  • 70% tem HAS → é volume dependente e pode se apresentar em edema agudo de pulmão ou encefalopatia hieprtensiva

  • 50% tem disfunção renal.

→ Diagnóstico:

  • Síndrome nefrítica aguda: 1-2 semanas após faringite ou 2-3 semanas após infecção de pele [demora mais em infecções cutâneos devido à menor vascularização] + Anticorpos: ASLO se faringite [não é confirmatório] ou Anti-DNase se cutâneo + Queda do complemento em até 8 semanas

! Complemento TEM que voltar a aumentar após 8 semanas, se não volta diagnóstico está ERRADO !

→ Diagnósticos diferenciais:

  • Glomerulonefrite por endocardite bacteriana

  • Nefrite lúpica

  • Glomerulonefrite membranoproliferativa

  • Vasculite por IgA

  • Nefropatia por IgA

→ Exames específicos:

  • Histologia: glomérulos aumentados com infiltração de mónictos e células polimorfonucleares

  • Imunoflurescência: dépositos de C3, IgG e IgM

  • Microscopia eletrônica: depósitos subendoteliais ao longo da membrana basal glomerulas (humps de camelo)

→ Indicações de biópsia renal:

  • Idade <2 ou >12 anos

  • Oligúria >1 semana

  • Hematúria macroscópica >3 semanas

  • Queda do complemento por >8 semanas

  • Proteinúria nefrótica >8 semanas

  • Proteinúria não-nefrótica >6 meses

  • Hematúria microscópica > 2 meses

  • Evidência clínica ou sorologica de doença sistêmica

  • Glomerulonefrite rapidamento progessiva (GNRP)

→ Tratamento

  • Dieta hiposódica

  • Restrição hídrica (<2000ml/dia)

  • Diurético: Furosemia → utiliza-se diurético de alça pois é o único capaz de eliminar sódio melhor

    • IECA/BRA tem risco de hipercalemia e consequente piora da função renal

  • Vasodilatores: bloqueadores de canal de cálcio

  • Antibióticos: apenas se evidência de processo infeccioso como:

    • S. epidermidis / S. aureus ativos durante glomerulonefrite

    • Encocardite

    • Catater venoso central

    • Nefrite Shunt

! Imunossupressores não estão indicados !

5.2. Glomerulonefrite Rapidamente Progressiva

→ Conceito: é uma síndrome nefrítica, independentemente da causa, que evolui para insuficiência renal de maneira acelerada e fulminante

→ Possíveis causas:

  • Glomerulonefrites primárias

  • Glomerulonefrites infecciosas/pós infecciosa

  • Doenças glomerulares multissistêmicas

  • Doenças glomerulares medicamentosas → alopurinol, hidralazina, rifampicina

→ Tratamento: demanda imunossupressão por pulsoterapia (altas doses em pouco tempo) com corticoides e imunossupressor

→ Prognóstico: sobrevida de 80% em 1 ano com apenas 40% retormando função renal

SÍNDROME NEFRÓTICA

  1. Clínica → quadro insidioso com:

    • Proteinúria >3.5g/dia → paciente pode ter albumina extremamente baixa e não conseguir passar este valor. Logo não é obrigatório

    • Edema → anasarca

    • Hipoalbumenimia <3,5g

    • Hiperlipidemia → tentativa de compensação hepática da hipoalbunemia hiperativa vias lipoproteicas gera aumento de LDL + perda da lipase (hipoproteinemia) gera diminuição do catabolismo do VLDL e aumenta TG.

    • Lipidúria → corpos graxos ovalados

  2. Etiologia

    • < 10 anos → 90% por doença de lesões mínimas

    • 10-50 anos → 30% por GESF

    • >50 anos → 50% por nefropatia membranosa

  3. Avaliação inicial

    • EAS

    • Sangue → perfil lipídico, creatinina, ureia, hemograma

  4. Pesquisa da causa:

    • Glicemia

    • FAN

    • Complemento → reduzido pode indicar GNPE, endocardite, abcesso visceral, nefrites pós shunts, LES, crioglubulinemia ou glomerulopatia membranoproliferativa idiopática

    • Crioglubulinas

    • Sorologia → Anti-HCV, Anti-HBsAg, Anti-HBc IgM e IgG, Anti-HIV

    • Anticorpos → ANCA, Anti-MBG

    • Biópsia renal → indicada apenas quando todas causas secundárias já foram excluídas

    • Eletroforese de proteínas

      • Alfa-2 e betaglobulinas aumentadas indicam que hipoalbunemia é crônica

      • Gamaglobulina normal ou aumentada → síndrome nefrótica secundária à infecções, hepatopatias crônicas ou doença autoimunes

      • Hipogamaglobulinemia → doença por lesões mínimas, GESF, mieloma múltiplo. [há discussões de que DLM é GESF que irá se desenvolver]

  5. Causas secundárias

    • Doenças sistêmicas → DM, amiloidose.

      • vasculites sistêmicas (Wegener, poliangeiíte microscópica)

      • doenças imunológicas sistêmicas: LES, Henoch-Schonlei, Goodpasture

    • Infecções → Sífilis, Hep. B, Hep. C, HIV, CMV, Malária, Filaria, Esquistossomose, Strep (raro)

    • Intoxicação

      • Drogas → Heroína

      • Medicamentosa → AINEs, Lítio, Captopril, Clorpromazina, Penicilamina, Rifampicina

      • Metais Pesados → Ouro, Mercúrio

    • Neoplasias

      • Hematológicas estão associadas à doença de lesões mínimas (leucemia, linfoma)

      • Orgãos sólidos estão relacionados à nefropatia membranosa

    • Hereditários → Anemia falciforme, síndrme de Alport, síndrome nefrótica familiar

    • Outros → Nefroesclerose hipertensiva acelerada, pré-eclampsia

  6. Consequência da hipoproteinemia

    • Albumina → edema

    • Antitrombina III → estado de hipercoagulabilidade

    • Globina de ligação de tiroxina → alteração de função tireoideana

    • Proteína de lifação do colecalciferol → hiperparatireoidismo secundário

    • Transferrina → anemia hipo micro com resistência à reposição de ferro

    • Imunoglobulinas → imunossupressão

TROMBOSE DE VEIA RENAL

→ Suspeita-se na presença de varicocele, hematúria macroscópica, mudança no padrão de proteinúria, redução inexplicável do débito urinário, assimetria de tamanho e/ou função renal

→ Causas: glomerulonefrite membranosa (principal), glomerulonefrite membranoproliferativa, amiloidose

DOENÇA POR LESÕES MÍNIMAS

→ Doença de Nil ou nefrose lipoide

→ Maioria é idiopática, estudos sobre ser precursora de GESF

→ Epidemio:

  • 80% dos casos são em crianças, meninos 2:1, com pico aos 4 anos.

  • 20% são em adultos/idosos sem diferença entre sexo com pico aos 65 anos

→ Clínica:

  • Proteinúria nefrótica

  • Ausência de cilindros hemáticos ou dismorfismo eritrocitário

  • Hematúria em 30% doas casos, não altera prognóstico

  • HAS e 30-40% dos casos

  • Maioria mantém função renal preservada

→ Associações:

  • Medicamentosa → AINEs (principal), alfa-interferona, Lítio, ampicilina, rifampicina

  • Metais pesados → Ouro, Chumbo, Mercúrio

  • Hipersensibilidade → Alergias, Picadas de inseto, Imunizações

  • Doenças Malignas → linfomas (Hodgkin e não Hodgkin), tumores sólidos

  • Infecções → mononucleose, HIV

→ Evolução: segue com remissões e recidivas

  • Adultos tem pior prognóstico e apenas <5% das crianças cursam com DRC avançada

→ Tratamento:

  • Corticoidoterapia → se resistente associar ciclofosfamida

  • IECA ou BRA para tratamento HAS

→ Indicação de biópsia renal:

  • Hematúria macroscópica

  • Complemento baixo

  • <1 ano ou >8 anos

  • Resistência à corticoide

GLOMERULOESCLEROSE SEGMENTAR FOCAL

→ É a principal causa de síndrome nefrótica em adultos: 25% dos brancos e 50% dos negros.

→ Lesão focal: esclesore e colapso capilar em uma parte dos glomérulos

→ Lesão segmentar: alças capilares dos glomérulos

→ Fatores de risco: HAS, DM, Obesidade, Anemia falciforme, Nefrectomia subtotal, disgenesia renal unilateral, doença cardíaca cianóticas congênita, refluxo vesicoureteral.

[FRs podem causar tanto hipertrofia glomerular quanto perda de néfrons, ambos podem evoluir para GESF]

  • Outros: lítio, heroína, pamonidrato e infecção por parvovírus B19

  1. GESF Primária

    • Pico entre 25-35 anos

    • Homens 2:1

    • Ocorre lesão dos podócitos por distúrbio dos linfócitos T, imunofluorescência mostra depósitos de IgM e C3

    • Clinica:

      • síndrome nefrótica

      • queda da função renal (25-50% dos casos)

      • Hematúria em 50% doas casos

      • Perda definitiva da função renal em 10 anos (25-55% doas casos)

      • Recorrência em 30% dos casos

    • Tratamento: prednisona, ciclofosfamida, micofelonato

  2. GESF Secundária à:

    • Sequela de:

      • Nefrite lúpica

      • Vasculite

      • Berger

      • Doenças inflamatórias sistêmicas

    • Sobrecarga por:

      • Nefropatia por refluxo

      • nefroesclerose hipertensiva

      • Nefrectomia parcial >75%

      • Anemia falciforme

    • Hiperfluxo por:

      • Nefropatia diabética

      • Obesidade mórbida

      • Anemia falciforme

NEFROPATIA MEMBRANOSA

→ Epidemo: homens brancos >40 anos

→ 75% são primárias

→ Fisiopatologia: espessamento de membrana basal com depósito de IgG e C3 e formação de IC in situ.

→ Causas secundárias:

  • LES

  • Hepatite B e C

  • Sífilis

  • Malária

  • Neoplasia de pulmão e TGI

  • Medicamento: captopril, sais de ouro, penicilamina

→ Clínica

  • 80% tem síndrome nefrótica clássica

  • 70% mantém função renal e PA preservadas

→ Evolução

  • Doença renal terminal em 10-15 anos

  • Remissão espontânea

  • Proteinúria com função renal preservada ou em declínio lento

→ Tratamento

  • Se proteínuria <4:

    • PA ideal <130/80 → uso de IECA/BRA se necessário

    • exame proteinúria e função renal de 3 em 3 meses

  • Se proteinúria 4-6

    • IECA/BRA

    • se em 3-6 meses não houver remissão, iniciar imunossupressão

  • Se proteinúria >6

    • IECA/BRA

    • imunossupressão imediata

DOENÇA RENAL DIABÉTICA

CONCEITO → complicação crônica da Diabetes Mellitus que acomete cerca de 35% dos portadores de DM.

EPIDEMIO → Ao longo dos anos, os desfechos renais na DM estão diminuindo, porém a prevalência de DM está aumentando.

RASTREIO

  • DM1 → Inicia rastreio renal após 5 anos de doença

  • DM2 → inicia rastreio renal ao diagnóstico

FATORES DE RISCO

  • Hiperglicemia sustentada

  • HAS

  • Obesidade

  • Albuminúria

  • Ativação do SRAA

  • Alta ingesta proteica

  • Tabagismo

  • Genética

  • Inflamação

  • Stress oxidativo

DIAGNÓSTICO → É o mesmo que o diagnóstico para DRC, utiliza Taxa de Filtração Glomerular baixa e Relação Albumina/Creatinina alta.

  • TFG → <60

  • RAC → >30 [É indicado fazer o primeiro rastreio com amostra de urina isolada e em caso de valores alterados, confirmas com exame de 12 ou 24 horas]

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

→ História do paciente deve conter:

  • Passado de controle inadequado da DM

  • Sinal de lesão de outros orgão-alvo da DM

  • Ausência de outros sintomas e sinais que indiquem doença de etiologia renal

→ Deve-se excluir doenças sistêmicas como Hep. B, C e HIV

→ Presença de hematúria é forte indicativo de doença renal auto-imune ou imuno-mediada.

CLASSIFICAÇÃO PATOLÓGICA → classificação é histopatológica, logo demanda biópsia.

  • Classe I (Silencioso) → Aumento da MBG.

    • Não tem albuminúria

    • Aumento na PA diastólica discreto por alteração no descenso noturno

    • Aumento na TFG

  • Classe II → Expansão mesangial [albuminúria frequente]

    • IIa (Silenciosa) → Expansão mesangial <25%

      • Ocorre microalbuminúria apenas em estado hiperglicêmico

    • IIb (Incipiente: é o início da doença renal diabética evidente)→ Expansão mesangial >25%

      • Microalbuminúria em níveis crescentes

      • HAS

  • Classe III (Evidente)→ Esclerose mensagial: a glomeruloesclerose pode ser difusa (mais comum) ou nodular (Lesão de Kimmestiel-Wilson). Para a classificação de Classe III é necessário mínimo de 1 nódulo de KM.

    • Declinio progressivo da TFG (ocorre queda acentuada quando comorbidades como a HAS não são tratadas)

    • Proteinúria >0,5

  • Classe IV (DRC terminal)→ Esclerose mesangial >50% dos glomérulos + Fibrose intersticial + atrofia tubular

    • TFG <15%

→ Classes I e II são lesões revesíveis.

→ Sem controle adequado, há média de 5 anos para progredir de classe.

PATOGÊNESE [principal responsável é a hiperglicemia sustentada]

  1. Fatores Hemodinâmicos

    • Hiperglicemia → liberação de mediadores vasoativos [IGF-I; Óxido Nítrico; VEGF (fatores de crescimento vascular derivado do endotélio) e glucagon] → Vasodilatação de arteríola aferente → Hiperfiltração Glomerular → Hiperperfusão renal → Hipertersão Intracapilar Glomerular + alterações na autorregulação glomerular → Podem gerar dano vascular permanente

    • Hiperfiltração Glomerular + Angiotensina II → Aumento da reabsorção de sódio tubular [explica benefício de bloqueio de SRAA]

    • Hiperglicemia → Fatores de crescimento → Hipertrofia celular + aumento na quantidade de matriz extracelular (em primeiro momento) → diminuição de células de matriz + progressiva expansão de seu material (em segundo momento) → Formação de nódulos

  2. Fatores Metabólicos

    • Hiperglicemia → estímulo de oxidação de glicose no clico do ácido tricarboxílico → gera radicais superóxido no nível mitocondrial → ativa 4 vias:

      1. Via dos polióis → acúmulo de sorbitol

      2. Via das hexosaminas

      3. Via da PCK → induz albuminúria

      4. Produção de AGE (produtos finais da glicosilação avançada) → induzem crescimento celular, inflamação, angiongênese e produção de MBG

      • As vias dos polióis, hexosaminas e PCK induzem stress oxidativo, o que gera fibrose tecidual e disfunção vascular.

  3. Fatores de Crescimento

  • Hiperglicemia sinaliza intra-celularmente:

    • Aumento das moléculos de adesão → ICAM e VCAM

    • Quimiocinas → CCL2 e CCL5

    • Citocinas → TNF-alfa, IL-6 e IL-8

    • Fatores de crescimento → VEFG e PDGF

  • VEFG → Proliferação vascular + aumento da permeabilidade endotelial = retinopatia e nefropatia diabética

  1. Fatores Pró-inflamatórios e Pró-fibróticos

    • Quimiocinas → CCL2 e CCL5

    • Citocinas → TNF-alfa, IL-6 e IL-8

    → Recrutamento de leucócitos causa:

    • Podocitopenia

    • Glomeruloesclerose

    • Atrofia tubular

    • Fibrose Intertiscial

SCREENING

→ Exames: albuminúria em exame de urina em amostra única + creatinina para cálculo de TFG em amostra sanguínea

→ Temporalidade:

  • DM1 : 5 anos após o diagnóstico

  • DM2: imediatamente após diagnóstico

MONITORIZAÇÃO DO TRATAMENTO

  1. Controle Glicêmico → alta dificuldade de manejo da glicêmia em nefropatas diabéticos devido aos fatores de risco para hipoglicemia:

    • Menor degradação insulínica

    • Uremia causando anorexia

    • Menor gliconeogênese renal

→ O monitoramente é feito pela HbA1c e as metas de HbA1c são individualizadas, no geral seguem:

  • 7%: pacientes menores que 50 anos sem comorbidades

  • 8%: pacientes mais velhos ou com comorbidades

→ O controle intensivo diminui:

  • risco de micro e macroalbuminúria

  • prevalência de complicações vasculares

[Não há evidências que controle melhore desfechos renais em pacientes com DRC estabelecida nem reverta alterações causadas pela hiperglicemia previamente → Memória Metabólica/Efeito Legado]

TRATAMENTO NÃO-FARMACOLÓGICO

É a base de todo o tratamento de nefropatia diabética e normalmente consiste em:

  • dietas com restrição de sal

  • prática de atividades físicas

  • perda de massa corporal

  • cessação de tabagismo

TRATAMENTO FARMACOLÓGICO

  1. Hipoglicemiantes → serão escolhidos de acordo com meta glicêmica, efeitos adversos e conveniêncai para o paciente.

    • Metformina: se TFG <45, dose máxima é de 1g/dia; se TFG <30 é contra-indicada.

    • Sulfoniureias: alto risco de hipoglicemias

    • Inibidores de alfaglucosidase: contra-indicado se creatinina <2 ou DRC estágo III ou IV

    • Glitazonas: a piorglitazona pode ser empragas em qualquer fase da DRC, seu único problema é a retenção hídrica que pode exacerbar uma IC.

    • A-GLP-1: recomendados com ajuste de dose

    • IDPP4: recomendados com ajuste de dose

    • ISGLT2: extremamente recomendados, única questão é a falta de estudos da sua associação com bloqueadores de SRAA, que são ponto-base do tratamento

    • Insulinas: recomendadas na ausência de resposta a hipoglicemiantes orais

  2. Bloqueadores do Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona (SRAA)

    • IECA ou Losartana são reocmendados para o traamento da nefropatia diabética em qualuqer estágio

    • Devem ser usados para a prevenção da nefropatia diabética em pacientes diabéticos hpertensos.

  3. Bloqueadores de aldosterona

    • A espironolactona pode reduzir proteinúria e retardar a progressão da doença independentemente do bloqueio de SRAA, porém, não existe até o momento recomendação formal para o uso de medicamentos bloqueadores de aldosterona com essa finalidade.

      ! Risco de hipopotassemia em paciente com TFG mais baixa !

  4. Bloqueadores de canal de cálcio

    • Alguns estudos demonstraram efeito sobre proteinúria

DOENÇA RENAL CRÔNICA*

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DOENÇA RENAL POLICÍSTICA AUTOSSÔMICA DOMINANTE (DRPAD)

(Não entedi por que ela está no slide então coloquei aqui em cima)

→ Nefropatia hereditária mais comum, relacionada ao gene PKD1 (mais jovens, aparecimento abrupto) ou PKD2.

→ Sintomas:

  • HAS

  • Hematúria

  • Proteinúria

  • Disfunção renal

  • Cólica renal

  • Nefrolitíase → 20-30% dos casos

→ É uma doença síndromica: possibilidade de cistos hepáticos e/ou pancreáticos

  • Cistps hepáticos são mais comuns e não levam à insuficiência hepática mas podem fazer efeito de massar, levando à compressão gástrica o que gera empachamento.

→ Principais complicações

  • Aneurisma cerebrovascular (20%) → morte súbita aos 20-30 anos

  • Doença valvar cardíaca: prolapso da valva mitral leve e regurgitação aórtica → não têm repercussão hemodinâmica

  • Divertículos de cólon → aumentam a absroção de oxalato, o que aumenta as chances de cálculo renal

  • Cistos de vesícula seminal

→ Diagnóstico diferencial: Rim multicístico

  • Para diagnóstico correto de rim policístico é obrigatório estudo genético ou presença de cistos em outros orgãos + complicações

→ Critérios diagnósticos em exame de imagem:

  • 15-39 anos: 3 ou mais cistos uni ou bilaterais

  • 40-59 anos: 2 ou mais em cada rim → único critério de exclusão e <40 anos e <2 cistos

  • >60 anos: 4 ou mais cistos em cada rim

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CONCEITO:

  1. Funcional → TFG <60 por mínimo de 3 meses

    • Quando TFG<60 já existe repercussões clínicas:

      • Retenção de fósforo

      • Maior tendência a anemias

      • Maior tendência a cidose metabólica

  2. Marcadores de dano renal alterado por ao menos 3 meses

    • Albuminúria >30mg/g

    • Anormalidades de sedimento urinário → cilindros hemáticos ou leucocitários

    • Hematúria glomerular → codócitos/acantócitos

    • Alterações ácido-base

    • Alterações eletrolíticas

    • Anormalidades histológicas → esclerose, atrofia, fibrose

    • Anormalidades estruturais (visualizadas em exame de imagem) → atrofia, rim em ferradura, displasia e agenesia

    • Transplante renal.

INSIDIOSIDADE

→ A DRC é extremamente insidiosa e a homeostase é mantida até as fases mais avançadas, isso pode ser explicado por:

  1. A capacidade funcional renal é vastamente superior ao mínimo necessário para alguém viver. Seres humanos conseguem viver com 10% ou menos da função renal normal.

  2. Néfrons tem alta capacidade de se adpatar à injúria renal crônica, multiplicando o ritmo de trabalho em várias vezes

FATORES DE RISCO

  • Doenças cardíacas → HAS e cardiopatias em geral

  • Doenças metabólicas → DM e obesidade

  • Fatores exógenos → toxinas, poluição, mudança climática

  • Fatores sociais → pobreza, pouco letramento em saúde, moradia em local remoto

  • Infecções → HIV, TBC

  • Doenças auto-imunes

  • Neoplasias

  • Anormalidade congênitas

  • PIG

→ Grupos de risco: hipertensos, diabéticos, cardiopatas, familiares nefropatadas crônicos e obesos. Demandam rastreio:

  • dosagem de creatinina → cálculo da TFG

  • dosagem de albuminúria em amostra única de urina

FISIOPATOLOGIA

  1. Desequilíbrio Hidroeletrolítico

    • Hipervolemia → HAS gera retenção de água e sódio pelo SRAA (risco de intoxicação hídrica)

    • Hiponatremia → mesmo com a ativação crônica do SRAA, a perda da capacidade renal de excreção de água livre leva a diluição do sódio plasmático

      • Sintomatolgia: cefaleia, confusão mental, desorientação, náuseas.

    • Hipercalemia → Única excreção de potássio é feita pelos rins. No geral, néfrons conseguem manter níveis normais em aumentos séricos de potássio em até 30%. Porém se passado disso, consequências sérias como arritmias podem ocorrer.

      • Sintomatologia: dormência, fraqueza muscular, vômitos e bradicardia

      • Conduta:

        1. Gluconato de sódio + solução injetável de glicose 5% → cálcio antagoniza efeitos do potássio na membrana e a sgi 5% é compátivel para solubilização [dura 3 min]

        2. Insulina + glicose → inuslina carrea potássio intracelularmente e glicose evita hipoglicemia

        3. Diuréticos (furosemida)

        4. Resinas de troca?

        5. Diálise

    • Hiperfosfatemia → A absorção de fosfato não depende muito da Vit. D, logo não é muito afetada pela DRC, enquanto sua excreção é quase proporcional à TFG, que pode estar muito diminuida na DRC, levando à retenção de fosfato

      • Processo fisiológico ao aumento do fósforo: aumento de PTH → bloqueio de canais de fósforo nos túbulos proximais → diminuição da reabsorção → fosfatúria [porém na DRC não é suficiente para manter níveis séricos normais]

      • Sintomatologia: prurido e calcificação metástatica

      • Favorece complicações como calcificações extraósseas e doenças cardiovascular

    • Hipocalcemia: rins sintetizam calcitriol (froma ativa de Vit. D), e a diminuição leva a diminuição drástica de absorção de cálcio no intestino. Este quado leva a um hiperparatireodismo secundário como tentativa compensação, conseguindo manter níveis de cálcio pouco abaixo do normal ou até normais em alguns casos, porém custando reservatório ósseo.

      • Queda de cálcio → aumento crônico do PTH → desmineralização óssea

      • Sintomatologia: cãibras, formigamentos e cólica abdominal

    • Hipermagnesemia (>4,5): a diminuição gradual da TFG leva a diinuição da excreção de magnésio e consequente acúmulo sérico.

      • Sintomatologia: ausência de reflexo tendinosos (Mg inibe liberação de Ach nas terminações nervosas e reduz excitabilidade de membranas), frequeza muscular e respiração lenta

  2. Acidose Metabólica

    → Incapacidade renal de excretar ácidos + distúrbio de produção renal de bicarbonato e reabsorção dele = acidose metabólica

    • Consequências:

      • Aumento da reabsoção óssea (cálcio e fosfato são alcalinos) → osteopenia/osteoporose

      • Aumento do catabolismo proteico [acidose → ativação da via ubiquitina-proteassoma → liberação de aminoácido musculares como a glutamina → utilização para formar bicabornato] → diminuição da massa muscular

      • Insuficiência cardíaca [acidose → distúrbio na entrada e liberação de cálcio intracelular no miocárdio → dificuldade de contração cardíaca → inotrópio negativo → ICC]

      • Aumenta resistência a insulina [acidose gera disfunções na via da insulina e GLUT-4] → intolerância a carboidratos

      • Aumenta resistência ao GH [diminui expressão dos receptores] → distúrbios do crescimento

    → Tratamento é a reposição do bicarbonato a partir de cálculo do déficit.

  3. Distúrbios da Mineralização Óssea

    • Terminologia: DMO-DRC → Distúrbios Minerais e Ósseos da DRC

    • Fisiopatologia: TFG <60 → diminui produção de calcitriol e excreção de fósforo → aumento do PTH:

      • Fosfatúrico

      • Aumento da reabsorção óssea

      • Formação renal de calcitriol → aumento da abrsorção intestinal de cálcio

      • Aumento da reabsorção de cálcio em néfrons distais

    • As osteodistrofias renais (termo restrito para achdos histológicos) pode ser dividas em dois grupos: Doenças de Alto Remodelamento Ósseo (Alto Turnover) e Baixo Remodelamento Ósseo (Baixo Turnover)

      [Remodelação = Absorção (osteoclastos → dura de 30-40 dias) + Formação (osteoblastos → dura aproximadamente 150 dias)]

  4. Anemia

  5. Alterações da Homeostasia

  6. Alterações Endócrino-metabólicas

CLÍNICA

  • Estágio 1 e 2 → desordem de sono, edema de MMII ou face

  • Estágio 3 → Ansiedade, depressão, piora do edema, constipação

  • Estágio 4 → Sobrecarga de volume, prurido, câimbras, disfunção cognitivas, náuseas e vômitos, pernas inquietas

  • Estágio 5 → Síndrome urêmica

→ Síndrome urêmica: não possui sintomatologia específica mas necessariamente deve ter TFG baixa (VR é <15 com exceções)

  • Ureia é depressora de SNC logo podem haver sintomas psiquiátricos

  • Sintomas cardiovasculares

  • Sintomas TGI

  • Anorexia

  • Disfunção sexual

  • Sangramentos

  • Aumento do prurido

DIAGNÓSTICO

USG

TRATAMENTO

→ O tratamento da DRC consiste em reduzir o declínio da TFG, como?

  • Tratando a doença de base, seja ela metabólica ou auto-imune

  • Reduzindo o s níveis de hipertensão glomerulas

  • Reduzindo os níveis das moléculas pór inflamatórias (citocinas e quimiocinas)

→ Terapia de substiuição renal: hemodialiase, dialiase peritoneal e transfusão renal

  1. diálise:

    • indicada para diabéticos com TFG <14

    • indicada para não diabeticos com TFG <12

    • indicada para qualquer DRC com quadro de: edema agudo de pulmão, hiperpotassemia e acidose metabólica que não possam ser controlados de outra maneira

    • No geral, a dialise peritoneal será indicada para pacientes que não possuem acesso vascualr adequado

  2. Transplante renal: uma TFG <20 já indica o transplante

    • Não cura causa base! Poderão haver recorrências:

      • DM2: 100%

      • Berger: 20-50%

      • GESF: 30-40%

      • GNM: 5-20%

      • LES:2-10%

INTRODUÇÃO À REUMATOLOGIA

DOR

→ Duração:

  • Aguda: <4 semanas

  • Subaguda:4-6 semanas

  • Crônica: >6 semanas

→ Evolução-

  • Aditiva: soma

  • Migratória: resolve-se e migra para outro local

→ Peridiocidade

  • Remitente: períodos de exacerbação e período de dor leve

  • Intermitente: crises com períodos sem dor

  • Constante

→ Padrão/Ritmo

  • Inflamatório:

    • piora em repouso → associada a despertar noturno

    • dor noturna e na manhã

    • alivia com movimentação

    • rigidez marinal >30 minutos

    Ex: LES, AR, EA

  • Mecânico:

    • doi ao movimento

    • pior no final da tarde

    • alivia com repouso

    • rigidez <30 minutos

    EX: OA

FIBROMIALGIA

DEFINIÇÃO

→ É uma síndrome de dor musculo-esquelética crônica, difusa e não-inflamatória.

EPIDEMIOLOGIA

→ É a principal causa de dor musculo-esquelética generalizada.

  • 50-60 anos

  • Mulheres 3:1

  • Comum associação à outras doenças reumatológicas

PATOGÊNESE

A dor da fibromialgia é do tipo nociplástica, ou seja, ocorre um aumento da sensibilidade do sistema nervoso e os receptores nociceptivos são estimulados de dor desproporcional ao estímulo ou sem causa evidente.

Esta dor possui duas bases patogênicas:

  • Resposta anormal e inadequada do SNC à estimulo perifértico → hiperexcitabilidade neuronal → amplificação da dor

  • Reestruturação do sistema nociceptivo → perpetuação da dor, mesmo sem estímulo periférico

ETIOLOGIA

[É uma condição multifatorial]

→ Mecanismo periférico:

  • Estímulos periféricos dolorosos inciam ou aumentam o processo nociplástico → alterações dos nervos periféricos (disfunção das pequenas fibras)

→ Mecanismos centrais:

  • Aumento da substância P no LCR

  • Redução dos receptores opiodes

  • Atividade doparminérgica reduzida durante o estímulo doloroso

  • Aumento de NT excitatórios (glutamato)

  • Redução dos níveis da GABA

  • Fenômeno wind-up [forma de plasticidade de curta duração que ocorre no corno dorsal da medula como aumento do número de potenciais de ação iniciados por um estímulo]

→ Disfunções do SNA

  • Hiper ou hipoativação do SNA

  • Redução dos níveis de catecolaminas

  • Níveis séricos de cortisol aumentados

→ Genética:

  • Parentes de 1° grau tem 8,5x mais chance.

  • Existem genes e polimorfismo que envolvem o metabolismo e transporte relacionado à neuromodulação da dor

→ Infecções virais podem desencadear o processo da doença:

  • Hepatite C

  • HIV

  • Covid-19

  • Parvovírus B19

→ Sensibilização cognitivo-emocional: ativação em áreas do cerébros relacionadas à dor.

  • Embotamos da respotas ao stress

  • Níveis reduzidos de estratégias de entrentamento

  • Catastrofização

→ Possível correlação imune:detecção de subtâncias e citocinas pró-inflamatórias

CLÍNICA

  1. Sintomas cardinais:

    • Dor musculoesqueléticas generalizada (multissítio)

      • Pode ser em queimação, peso ou parestesia

      • Altralgia de duração <30 minutos

      • Alodinia (redução do limiar doloroso → não demanda estímulo)

      • Hiperalgesia (respotas aumentada a estímulos dolorosos)

      • Sensação de inchaço

    • Fadiga mental e física

      • Sensação de cansaço sem justificativa, pode ter diferentes graus.

    • Distúrbios do sono

      • Insônia

      • Despertares frequentes

      • Sono não-reparador

  2. Outros sintomas:

    • Psiquiátricos:

      • Ansiedade

      • Depressão

      • PTSD

      • TAB

      • Ideação suicida

      • Sindrome das pernas inquietas

    • Disfunção cognitiva [Fibrofog”]:

      • Hipotenacidade

      • Perda de memória

      • Hipovigilância

    • Hipersensibilidades

      • À extímulso externos

      • Fotossensibilidade

      • À sons

      • À lugares cheios

    • Síndromes dolorosas regionais:

      • Dispepsia

      • Síndrome do intestino irritável

      • Dismenorreia

      • Vulvodínea → dor crônica na vulva

      • Dor pélvoca/vaginal

      • Cefaleia

      • Dor na ATM

    • Distúrbios autonômicos:

      • Xeroftalmia

      • Fenômenos de Raynauld

      • Hipotensão ortostática

      • Variação na FC

      • Perda auditiva

    • Outros: urgência miccional e turvação visual

EXAME FÍSICO

No geral, paciente é BEG sem alterações em exame articular com sensibilidade leve/moderada em locais de tecido mole na maioria da s vezes, principalmente nos tender points

Tender Points → Occipito, Trapézio, Cervical Inferior, Super-espinhoso, 2a costela, Epicôndio lateral, Glúteo, Trocanter e Joelho

CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS:

  • Dor generalizada há pelo menos 3 meses sem explicação: avalia 9 regiões e índice de dor

  • Gravidades dos sintomas (0-3) na última semana: fadiga, sintomas cognitivos, sono nao-reparador

  • Últimos 6 meses: presença de dor ou cãibra na parte infeiror do abdome, depressão, cefaleai

→ Dor generalizada: dor me pelo menos 4 das 5:

  • Região superior esquerda

  • Região superior direita

  • Região inferior esquerda

  • Região inferior direita

  • Região axial

DIAGNÓSTICO → >/= 6 locais de dor + distúrbios do sono moderados a grave ou fadiga + sintomas há pelo menos 3 meses

! A presença de outro distúrbio de dor ou sintomas relacionados não exclui o diagnostico !

INVESTIGAÇÃO

Não existe um exame que confirme o diagnóstico porém são importantes para descartar diagnósticos diferenciais

  1. Laboratorial:

    • Hemograma

    • PCR

    • VHS

    • TSH

    • T4 livre

    • HBsAg

    • HIV

    • Auto-anticorpos apenas se alta suspeita de doença auto-imune

  2. Imagem → São desnecessárioa pelo alto risco de falsos positivos, resultado em tratamento desnecessário

TRATAMENTO

→ Tem como base 4 pilares:

  1. Educação do paciente: conhecimento sobre a doença e autogestão

  2. Atividade Física: 30 minutos no mínimo de aeróbico 3x por semana

    • Pode ter piora no inpicio porém atividade tem alto nível de evidência

  3. Psicoterapia: TCC e estrategias de enfrentamento

  4. Farmacologia: decorre de decisão comportilhada e fatores como comorbidades, efeitos adversos, acesso/custo e sintomas predominante devem ser levados em conta

    • ADT (IRSN) → Amitriptilina ou nortriptilina

      • Atuam na dor, sono, fadiga e depressão

      • Tme bom custo-benefício porém tolerância é baixa.

    • Relaxantes musculares de ação central → ciclobenzapina

      • É um tipo de agente triciclíco que atua na dor e no sono

    • Duais (IRSN) → Duloxetina ou venlafaxina

      • Atuam na dor, fadiga e alterações do humor

    • Anticonvulsivantes Moduladores do Canal de cálcio Alfa-2-ligantes → Pregabalina e gabapentina

      • atuam na alodinia, hiperalgesia, sono e fadiga

    • IRSR → Fluoxetina

      • Atua na dor e humor

[ ! AINEs e Corticoides são ineficazes ! ]

→ Em caso de refrateriedade (mínimo de 1-3 meses de tratamento) deve-se rever a desão e então mudar a conduta:

  • Mudar mecanismo de ação

  • Associar: IDT + ISRS ou Dual + Anticonvulsivante

  • Clínica da dor

  • Tramadol (opióide)

  • Tratamentos alterantivos → acunpuntura, ioga

  • Neuromodulação cerebral

  • Cannabis

PROGNÓSTICO

O prognóstico é afetado por fatores psicossociais e demográficos, a maioria dos paciente vem de maneir normal porém em alguns a dor e a fadiga pode persistir e afetar a capcidade de trabalho

Fatores de risco para pior prognóstico: mulheres, depressão, desemprego, obesidade e baixo nível econômico.

OSTEOARTRITE

CONCEITO

→ Osteoartrite = osteoartrose = artrose

→ É uma doença degenerativa e inflamatória das articulações sinoviais, principalmente por insuficiência cartilaginosa e comprometimento do osso subcondral. Porém, acomete todas as estruturas da articulação.

EPIDEMIOLOGIA

  • É a doença reumatológica mais comum e uma causa importante de incapacidade e morbiadde.

  • A incidência aumenta com a idade e a prevalência aumenta conforme envelhecimento populacional e aumento de taxas de obesidade

  • É mais comum em mulheres e local mais comum de acometer são os joelhos

FATORES DE RISCO

  1. Fatores locais → fatores que influenciam como a carga é distribuida pela articulação

    • Joelho valgo ou varo

    • formato e congruência do quadril

    • lesão ou cirurgia prévia em aritculação

    • fraqueza muscular

    • desigualdade no comprimento das pernas

  2. Fatores sistêmicos

    • Idade avançada

    • sexo feminino

    • susceptibilidade geneética

    • Doenças sistêmicas: obesidade, artropatia inflamatória, doença de paget, doença de wilson, osteonecrose, hemocromatose, artropatia por cristais, hemofilia, hiperparatireoidismo, amiliodose

FISIOPATOLOGIA

  1. Os fatores de risco levam a ativação de vias:

  • vias das citocinas pró-inflamatórias

  • via da sinalização WNT-Beta Caternina

  • Via da sinalização de fatores de crescimento de fibroblastos

  • Via do óxido nítrico

  1. A ativação das vias leva a:

    • ativação e hipertrofia dos condrócitos com desregulação anabólica e catabólica

    • Produção da proteasses

    • Inflamação sinovial

    • Apoptose de condrócitos

  2. Os possívels resultados são:

    • Ruptura da cartilgaem rticular

    • Hiperplasia sinovial

    • Degeneração meniscal

    • Osteófitos em margem mensal

    • Fibrose capsular

    • Esclerose e remodelação óssea subcondral

CLÍNICA

→ Início é insidioso (anos a décadas) e pode ser mono, oligo ou poliarticular.

A dor tem ritmo mecânico e protocinético

→ Riidez costuma durar <30 minutos e é desencadeada por inatividade longa

→ ! ausência de sintomas sistêmicos !

→ Locais típicos: 1a CMC [base do polegar], IFDS, IFPS, joelhos, pés, coluna lombar e ccervical, coxofmorais.

  • Osteoartrite generalizada → acometimento de mão, pés, joelhos com ou sem quadril

→ Locais atípicos: Punhos, MCF, omboas, tornozelos e cotovelos

  • ! Nestes casos, pensar em causas sistêmicas !

→ O exames físico no geral irá procurar por: aumento do volume articular, defornimidade, artrite, desvios, desalinhamento, redução, de amplitude, crepitações e instabilidade

  1. Gonartrose [Joelhos]

    • Procurar por desalinhamento em varo (desalinhamento femorotibial medial) ou em valgo (compartimento femorotibial lateral)

  2. Coxoartrose (quadril)

    • Procurar por dor em região da virilha ou emparte anterior do quadril que pode irradiar para região medial ou anterior da coxa, dor aumenta em rotação ou flexão do quadril

    • A perda mais precoce é da rotação interna e evolução leva a posição em flexão, rotação externa e leve adução com marcha antálgica

  3. Mãos

    • Rizartrose → é a osteoartrite na 1a CMC

      • Clínica é de crepitações frequentes e perda imporante de funcionalidade

    • Osteófito de IFD → nódulos de Heberden

    • Osteófito de IFPs → Nódulos de Bouchard

    • Em <10% dos casos a osteoartrite da mão é erosiva, normla é nodal

  4. Pés

    • Local típico é a 1a MTF e a deformidade típica é hálux valgo (joanete)

    • Evolução leva a háluz rígido

  5. Coluna

    • Tipos: uncoartrose, atrose facetária /interpofisária, discoartrose

    • Locais:

      • Carvica: C5-C6 e C7-C8

      • Lombar: L4-L5 e L5-S1

    • ! osteófitos podem levar a compressão radicular !

EXAMES COMPLEMENTARES

  • Laboratorial: exclusão de diagnpstico diferencia ou investigação causa secundária

  • RX: Pode ter dissociação clínico-radiológica.

    • Achados: redução do espaço articular, esclerose óssea subcondral, osteófitos, cistos

  • Análise do liquido sinovial: Líquido sinovial não inflamatório (<2000

    células)

    Cuidado: cristais de pirosfosfato de cálcio são frequentemente encontrados em articulações com OA

TRATAMENTO

→ O objetivo do tratamento é otimizar a função, aliviar a dor e modificar o processo de dano articular

! Não existe medicação modificadora do curso da doença !

  • Não-farmacológicos: educação do paciente, atividade física, equipamento auxiliar, TCC, perda de peso, acunpuntura?, frio local em caso exacerbação e calor local tem benificio a curto prazo para mão e joelho

  • Farmacológicos

    • AINEs oral ou tópico

    • Corticoide intra-articular para joelho e quadril [indicado máximo 3-4 vezes/ano]

      Duloxetina (IRSN) para generalizada

    • Capsaicina tópica para joelho → gera dessensibilização das fibras nervosas da pele

    • Suplementos nutricionais não são recomendados, exceto condroitina para mãos

    • analgésicos simples tem pouco beneficio

    • Acido hialuronico é controverso

    • Opiódes são pouco eficazes mas se precisar usar, optar pelo tramadol

PROGNÓSTICO

  • Aumentos da mortalidade por todas causa, principalmene DCV

  • Piora funcional progressiva

    • FR: intesidade da dor, IMC>25, sintomas bilaterais e depressão

GOTA

CONCEITO

→ Artrite inflamatória e destrutiva resultante da deposição de cristais de monourato de sódio.

[hiperssaturação de ácido úrico sanguíneo → cristais de monourato de sódio]

EPIDEMIOLOGIA

  • Prevalência: 2-7% da população, mais comum em negros e aborígenes

  • 30-60 anos

  • Homens → estrogênio promove excreção de ácido úrico e “protege” mulheres, incidência aumenta no sexo feminino após menopausa.

  • HF positiva em 40% dos casos

FATORES DE RISCO → aumentam uricemia

  • Não modificáveis:

    • Homo sapiens → não possui uricase

    • Sexo

    • Idade

    • Etnia

    • Genética

  • Modificáveis:

    • Síndrome metabólica → 70% dos pacientes

    • DRC

    • DCV

    • SAOS [Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono]

    • Dieta → carne vermelha, álcool, frutos do mar, bebida açucaradas, frutas ricas em frutose

    • Medicamentos → AAS (>60mg), cliclosporina, diuréticos, ácido nicotínicos, betabloqueadores, BRA não losartana, IECA, Levodopa, QT citotóxica, tacrolimus

    • Doenças inflamatórias/proliferativas → pré-eclâpsia, psoríase, cetoacidose diabética, acidose lática, estado hipoxemico, DRC, distúrbios hemolíticos, Síndrome de Batter e Gitelman, Neoplasias (principalemnte hematológica/linfroproliferativa pois tem maior lise tumoral)

FATORES DE PROTEÇÃO [Promovem uricosúria]

→ Modificáveis:

  • Dieta: café, laticínios, cereja, óleos saudáveis, suplement de vitamina C

  • Medicamentos: Losartana, bloqueadores do canal de cálcio, fenofibrato, atorvastatina, sevelamer

ETIOPATOGENIA

Em homeostase, o ácido úrico sanguíneo origina-se 80% do metabolismo endógeno das purinas e o restante da alimentação. 1/3 é eliminado pelo intestino e 2/3 são eliminados pelos rins.

A gota ocorre por um estado de hiperuricemia crônico (>7,5) levando à formação de cristais.

  • Fatores que facilitam a formação de cristais: pH baixo, baixa temperatura, desidratação, presença de restos de colágeno, cartilagem, condroitina e hialuronato normalemnte liberados por osteoartrite ou trauma.

[Em 90% dos casos o aumento ocorre pode hipoexcreção (correlação direta com DRC) e 10% por hiperprodução.]

CLASSIFICAÇÃO

  • Primária/idiopática: hipeuricemia sem causa identificada (maioria)

  • Secundária: hiperuricemia pode ser explicada

ESTÁGIOS

  1. Hiperuricemia Assintomática [ác. úrico >6,8]

    • Clínica assintomática mas exames de imagem evidenciam microtofos sinoviais e de tecido mole.

    • O risco de desenvolver gota aumenta proporcionalmente ao nível urêmico sendo um risco de 50% quando ác. úrico >10

    • NÃO HÁ NECESSIDADE DE SER TRATADA! (reforçar MEV)

  2. Gota Aguda

    • Ocorre pela liberação aguda de mediadores inflamatórioa sendo as principais células os macrofágos e neutrófilo e as principais citocinas a IL-1B e IL-18

    • Clínica: dor intensa e inchaço que pode ser acompanhados de calor, eritema, redução de funcionalidade e movimento, frebe/calafrios e fadiga.

      Costuma iniciar como mono ou oligoarticular migratória e evoluir para poliarticular em crises subsequentes [mulheres tendem a já iniciar poliarticulares]

      • Pico: 12-48h

    • Articulações acometidas:

      • 1° metatarsofalangiana (podagra) → principal

      • Tarso

      • Joelho

      • Punhos

      • Dedos

      → Pode ter bursite olecraniana e tenossinovite/tendinite em aquiles.

    • As crises tendem a acontecer à noite:

      • Queda da temperatura corporal

      • Queda dos níveis de cortisol

      • Desidratação relativa

      • Acidose respiratória leve

    • Fatores desencadeantes de crises:

      • Libação alcóolica/alimentar

      • desidratação

      • trauma articular

      • sepse

      • medicamentos hiper ou hipouriceminates

    • As crises em estágio inicial desaparecem em 3-14 dias sem tratamento graça às NETSs (armadilhas extracelulares dos neutrófilos) e mediadores anti-inflamatórios

    • A subsequência de crises pode aumentar:

      • A gravidades delas

      • A frequencia cias

      • A duração delas

      [Após 1 ano, 60% das pessoas tem nova crise e após 3 anos, 80%]

    • Propedêutica em caso de crise: Artrocentese → fundamental para descartar diagnósticos diferenciais, principalmente a artrite séptica

  3. Período Intercrítico

    • É um intervalo de ausência completa de sintomas, normalmente dura de 6 a 2 ano mas pode chegar até 10 anos.

    • Tende a diminuir com o tempo

    • Hiperuricemia ainda está presente e a formação e a deposição de cristais pode continuar, assimc om uma inflamação subclínica contínua

  4. Gota Avançada

    • A gota grave de longa duração sem tratamento pode levar a formação de tofos, aproximadamente após 10 anos de crises agudas contínuas, a à poliartrie crônica.

    • Tofos → cleção organizada de cristais de monourato de sódio rodeado por células inflamtória e tecido conjuntivo com aparência de nódulo subcutâeno drenantes ou semelhantes a giz.

      • Locais: articulações e dedos, bursa do olécrano, tendão de aquiles, pavilhão auricular, olhos e válvulas cardíacas

EXAMES COMPLEMENTARES

  1. Exames Laboratoriais

    • Ácido úrico → 4 semanas após crise

    • Uricosúria

    • Função Renal (creatinina e ureia)

    • Função Hepática (albumina e bilirrubinas)

    • Provas inflamatórias (PCR, VHS)

    • Pesquisa de DM e DLP (GJ, HbA1c, CT e frações e TG)

  2. Análise de líquido sinovial [padrão ouro]

    • visualização dos cristais → análise microscópiccom luz polarizada permite ver cristais com forte birrefringência negativa, em formato de agulha

    • celularidade (<2000) + viscosidade + turvação [pode ser semelhante à artrite séptica, são sinais de inflamação]

  3. Exames de imagem

    • Rx simples → possível ver presença de tofo e erosão em saca bocado

    • USG articular → possívei ver depósito de cristais e sinal do duplo contorno

    • TC → Tc de dupla energia (DECT) evidendia tofos bem

    • RMN

TRATAMENTO

  1. Tratamento Não-Farmacológico:

    • Mudanças de estilo de vida → diminui 10-20% dos níveis de ácido úrico

      • Perda de peso

      • Atividade físicad

      • Diminuição da ingesta de álcool e bebidas açucaradas

      • Diminuição da ingesta do EXCESSO de carne vermelha, miúdos, embutidos e frutos do mar

  2. Tratamento da crise aguda → primeira linha: AINEs, corticoide e colchina.

    (Não tem diferença de eficácia, escolha depende de carcaterísticas do paciente)

    • AINEs → naproxeno, ibuprofeno, diclofenaco, meloxicam, celecoxibe ou indometacina em dose plena por ao menos 3 dias: idealmente, início será nas primeiras 48h para melhor efetividade e após resolutação completa descontinuar em 2-3 dias.

      • Cuidados: HAS mal controlada, IR, IC, história ou risco de doença ulcerosa péptica.

    • Glicocorticoides → normalmente se utiliza predniso VO mas pode-se usar corticoide IM, metiprednisona EV ou intração intra-artciular.

      • Cuidados: HAS mal controlada, IC, DM ou suspeita de infecção

    • Colchicina → anti-inflamatório que inibe movimentação de leucócitos e fagocitose

      • No geral, mantém uso como profilaxia mas tem efeito terapêutico. Deve ser usado nas primeira 12-36h

      • Cuidados: toxicidade, DRC, idosos, disfunção hepática e interações medicamentosas

    • Outras opções em casos de refratariedade ou CI aos tratamentos de primeira linha (pouco disponíveis):

      • Anti-IL-1 → Anakira, Canaquinumabe

      • Corticotropina

      • Analgésico transdérmico alcalinizante

  3. Profilaxia → o ínicio do tratamento hipouricemiante altera os níveis de ácido úrico rapidamente, o que pode desencadear um crise. Logo é importante que haja uma profilaxia prévia ao tratamento.

    • Colchina

  4. Tratamento hipouricemiante

    • Indicações → 2 ou + crises/ano; DRC GIII; Urolitíase; Tofos; crises agudas graves difíceis; sinal de dano articular em Rx; 1 crise + ácido úrico >9

    • Primeira Linha → Alopurinol

      • Inibe xantina oxidase

      • Pode se rinicado junto a tratamento de crise e não deve ser suspenso em caso de uma.

      • Dose depende do ácido úrico alvo: <6 ou <5 se há presença de tofo.

      • Hipersensibilidade (SSJ) está relacionada ao alelo HLA-B*5801

      • Efeitos adversos: alterações de TGI, citopenias, Rash, hepatotoxicidade

    • Segunda Linha → Fenobuxostate; Uricosúricos

      • Indicados em caso de CI, toxicidade ou falha do alopurinol em máxima dose tolerada.

      • Uricosúricos → Probenecida; Benzbromarona (disponível no brasil)

        • inibem URAT 1

        • CI → TFG<30 ou história pregressa de litíase urinária

    • Terceira Linha → Pegloticase

      • É um imunobiológico que induz a conversão de ácido úrico em alantoína (mesmo processo da uricase)

      • Indicado em caso de atrite gotosa grave cronicamente incapacitante refrária à tratamento de primeira e segunda linha

    • Tratamentos complementares:

      • HAS → preferir losartana e/ou anlodipino e suspender hidroclorotiazida se possível.

      • Hipertrigliceridemia → preferir fenofibrato

LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO

EPIDEMIOLOGIA

  • Mais comum em muheres em idade fértil (relação com estrogeno)

CLÍNICA

  • 40-80% tem manifestçoes sistêmicas: febre, fadiga, perda de peso e mialgia

  • 70-80% tem manifestações cutaneo-mucosas

    • Manifestações cutaneo-mucosas não especificas: fenomeno de raynaud, vasculite uritcariforme [mais prolongada que a normal (>24H) e quando some deixa hipo ou hiperpigmentação], úlceras mucosas indolores (25%), alopecia não cicatricial (50%)

  • 93% tem artite ou artralgia

  • 5-25% tem fibromialgia

  • 50-70% tem nefrite lúpica → pode acometer qualquer parte do rim mas mais comum é glomerular

    • proteinúria

    • cilindros celulares

    • hematúria glomerular

    • nefrite intersticial é menos comum

      → A classficação é pela biópsia renal, classes proliferativas são as mais graves [4 é a mais comum e 5 e a que mais se asoscia à síndrome nefrótica]

  • Das manifestações pulmonares a serosite é a mais importante

  • Das manifestações cardíacas o derrame pericárdico é o mais comum e a pericardite vem em seguida.

    • Em caso de endocardite, ela é asséptica (endocardite de Libman-Sacks)

  • Das manifestações psiquícas acomentimento é mais central

    • Psicose lúpica esta relacionada ao anti-P-ribossomal

  • Manifestações hematlógicas podem ser anemia por doença crônica ou ferropenica

  • Manifestações de TGI e oftalmológicas são menos comuns

LÚPUS CUTÂNEO-MUCOSO

→ É possível ter o lúpus cutâneo isolado, pode ser:agudo, subagudo ou crônico

  1. Lúpus Cutâneo Agudo

    • Tem muito relação com a fotossensibilidade

    • Pode ser localizado (Asa de borboleta/rash malar) ou generalizado

    • Não deixa cicatriz

    • 90% de asssociação com LES

  2. Lúpus cutâneo subagudo

    • Pode despigmentar e gerar teleangiectasia

    • Tem forte assciação com Anti-Ro/SSA

    • Pode ter lesões anulares ou papuloescamas ( psoriaseforme)

  3. Lúpus cutâneo crônico

    • Deixa cicatrizes

    • Tipos: discoide (muito eritematoso), profundus, perniose, liquenoide

EXAMES COMPLEMENTARES

  • Sangue: Hemograma, VHS,Anti-DNAds, complemento (C3, C4, CH50) [marcadores de atividade da doença] PCR, Creatinina, Albumina, Eletroforese de proteínas, Dosagem de Imunoglobulinas: IgG, IgM e IgA, lipidograma, glicose jejum, HbA1c

    • Reticulócitos, LDH, bilirrubinas, haptoglobina, coombs direto [pesquisa de anemia hemolítica auto-imune]

  • Urina: Urina rotina, Relação proteína/creatinina, Proteinúria 24h, Clearence de creatinina

  • Imagem: RX-T, TC, RNM SNC, ECOTT e ECG

  • Biópsia renal e pele se necessário

AUTO-ANTICORPOS

  1. FAN

    • 1:80 e acima são mais significartivo

    • Padrão Nuclear pontilhado fino denso é prevalente em hígidos

    • Padrão Nuclear homogêneo é específico de LES

  2. Anti-DNA

    • É mais específico para LES

    • Serva para marcador de atividade e nefrite

    • FAN nuclear homogêneo

  3. Anti-Sm

    • É mais específico para LES

    • FAN nuclear pontilhado grosso

  4. Anti-histona

    • Relacoinado a LES induzido por drogas

  5. Anti-Ro

    • Relacionado ao Les Neonatal [Anti-Ro atravessa a placentea pdoe causam LES neonatal, o principal sintoma é BAV]

  6. Anti-fosfolípides

    • Tem relação com trombose e morbidade gestacional

    • São eles: anti-cardiolipina, anticoagulanete lúpico, anti-beta2-glicoproteína1

TRATAMENTO

  1. Hidroxicloroquina

    • Todo paciente exceto se CI deve usar !

    • Avaliação oftalmológica inicial e anualmente após 5 anos

  2. Não-farmacológica

    • Educação do paciente

    • Controle pressórico

    • Vacinação

    • Fotoproteção

  3. AAS → se presença de anticorpos anti-fosfolípides

SÍNDROME DE SJOGREN

CONCEITO

Doença autoimune crônica caracterizada por infiltração linfocitária das glândulas salivare,s lacrimais e outras glândulas exógenas.

→ Pode ser primária ou associada a outras doenças reumáticas

EPIDEMIOLOGIA

  • Prevalência: 0,05-0,7%

  • Sexo: 10-13 mulheres para 1 homem

  • Idade: diagnóstico costuma ocorrer entre 40 e 60 anos

ETIOPATOGENIA

  1. Fatores Genéticos:

    • Polimorfismos de nucleotídeo único [HLA-DQ e HLA-DR → DR2 e DR3] em:

      • Fator des transcrição do fator 5 regulatórioa de interferon → direciona a produção de IFN-alfa e citocina prói-inflamatórias

      • Ativador e transdutor de sinal da transcrição 4 (stat 4) → estimula a produção de IFN-gama e IL-17

  2. Fatores Ambientais:

    • Infecções virais (CMV, EBV, HTLV) → aumento de interferon → indução de autoantígenos

    • Diminuição de hormônios sexuais (estrogênio e di-hidroepiandrosterona)

FISIOPATOLOGIA:

  • Genética + Gatilho Ambiental → ativação anormal do epitélio glândular [epitelite auto-imune] → recruta sistema imune → infiltração linfocítica das glândulas exócrinas → células epiteliais passam a produzir e expressar auto-antígenos → infiltrado inflamatório se intensifica e predomina linfócitos T, B e células dendríticas → Linfócitos B tornam-se hiperreativos → produção de autoanticorpos [Anti-RO/SSA e Anti-LA/SSB] → destruição progressiva das glândulas exócrinas pela inflamação e infiltração crônica.

SINTOMATOLOGIA

  1. Sintomas Secos:

    • Xerostomia (boca seca), que pode ser percebida através de: halitose, perda dentária, cárie, candidíase, disfagia.

    • Xeroftalmia (olho seco), que pode ser percebido através de: prurido, hiperemia, ceratoconjuntivite, irritação.

    • Xerodermia (pele seca), que pode ser percebida através de: prurido, lesões

    • Xerotraqueia, que pode ser percebica como uma tosse seca

    • Secura vaginal que pode ser percebida através de: dispareunia, atrofia vaginal, candidíase

  2. Sintomas constitucionais:

    • Fadiga

  3. Sintomas Musculoesqueléticos:

    • Poli (artrite/artralgia) inflamatória não deformante

    • Miosite

    • Mialgia

  4. Sintomas Glandulares

    • Aumento de glândulas lacrimais e salivares → um exemplo comum é a parotidite

  5. Sintomas Dermatológicos:

    • Fenômeno de Raynauld

    • Eritema anular

    • Queilite angular

    • Eritema nodoso

    • Livedo reticularis → mancha violácea em forma de rede

    • Líquen plano

    • Vasculite cutânea.

  6. Sintomas renais:

    • Nefrite intersticial → comum acidose tubular renal.

    • Glomerulonefrite

  7. Sintomas neurológicos centrais

    • Desmielinização

    • Neurite óptica

    • Mielite transversa

    • Disfunção cognitiva

    • Vasculite

  8. Sintomas neurológicos periféricos:

    • Polineuropatia axonal sensorial e sensitivo-motora,

    • Neuropatia de pequenas fibras

    • Neuropatia sensorial atáxica (ganglionopatia)

    • Mononeurite múltipla

    • Neuropatia trigeminal

    • Neuropatia autonômica

    • Polineuropatia inflamatória desmielinizante crônica (PIDC)

    • Radiculoneuropatia desmielinizante

  9. Sintomas cardiovasculares:

    • Pericardite

    • Distúrbios de condução

    • Aumento do risco cardiovascular

  10. Sintomas Pulmonares

    • Doença pulmonar intersticial → PRINCIPAL [cerca de 10-20%, principalmente a doença pulmonar intersticial não-específica]

    • Doença pulmonar cística

    • Hipertensão pulmonar

    • Derrame pleural

  11. Sintomas Gastrointestinais

    • Disfagia

    • Esofagite de refluxo

    • Dispepsia

    • Pancreatite

    • Gastrite atrófica

    • Gastroparesia

    • Colangite biliar primária

    • Hepatite autoimune

ALTERAÇÕES LABORATORIAIS

  1. Sintomas Hematológicos

    • Citopenias (anemia de doença crônica ou hemolítica) → Leucopenia, neutropenia, linfopenia, plaquetopenia;

    • Linfocitose e monocitose

    • Hipergamaglobulinemia policlonal

    • Gamopatias monoclonais

    • Presença de crioglobulinas

    • Linfonodomegalias

    • Llinfoma

  2. Aumento de provas inflamatórias (PCR, VHS)

  3. Consumo de complemento

  4. Autoanticorpos positivos → os autoanticorpos podem estar positivos anos antes das manifestações clínicas. Os principais são Anti-RO e Anti-LA [1/3 tem ambos, 1/3 não tem nenhum], normalmente cursam com FAN padrão fino pontilhado porém FAN pode estar negativo (mais comum quando Anti-RO52 +).

    • Anti-RO

      • Anti-RO52 → tem maior risco de doença pulmonar intersticial e pode ter FAN negativo

      • Anti-RO60

    • Anti-LA → positivo isoladamente apenas em 2,3% dos casos

    • Fator Reumatóide → positivo em 40-70% dos casos

    • Anti-Centrômero → positivo em 5-10% dos casos. Relacionado a maior risco de colangite biliar primária

PROPEDÊUTICA

  1. Biópsia de glândula salivar menor (padrão-ouro)

    • Resultado esperado em Sjogren: sialoadenite linfocítica focal com presença de um ou mais foco em 4mm quadrados de tecido glandular

      • Foco = 50 ou mais linfócitos agrupados → A presença de 4 ou mias focos ou de centros germinativos indica risco de linfoma

  2. Testes Objetivos de Olho Seco

    • Teste de Schimmer → mede-se a quantidade de lágrimas produzidas com fita estéril

      • Resultado sugestivo de olho seco: <5mm/5min em pelo menos 1 olho

    • Coloração da SUperfície Ocular → utiliza-se Fluoresceína para córnea lisamina verde para conjuntiva

      • Utiliza-se dois scores:

        • Ocular Staining Score ≥ 5 (0 a 12)

        • Van Bijsterveld Score ≥ 4 (0 a 9)

  3. Exames complementares para avaliação de xerostomia:

    • Sialografia → exame invasivo que utiliza contraste

    • Cintilografia → Hipocaptação ou hipoexcreção do radiofármaco. Baixa sensibilidade, alta especificidade

    • USG de glândulas salivares → Áreas hipo ou anecoicas. Correlaciona-se fortemente com a presença do anti-Ro.

    • Sialometria (medida de fluxo salivar) → <0,1ml/min durante 5-15 minutos

CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS

→ Critérios de Inclusão (basta um dos tópicos):

  • Xeroftalmia ou Xerostomia com mínimo de 2 destes 5:

    1. Olho seco, diária e persistentemente ao menos 3 meses?

    2. Sensação de areia nos olhos?

    3. Uso de lágrima artificial mais de 3x/dia?

    4. Sensação de boca seca diariamente há > 3 meses?

    5. Frequentemente ingere líquidos para facilitar a deglutição, principalmente sólidos?

  • Na presença de envolvimento extraglandular característico definido pelo ESSDAI

→ Critérios de Exclusão (basta 01)

  • História pregressa de tratamento com radiação de cabeça e pescoço;

  • Infecção ativa por hepatite C;

  • Síndrome de imunodeficiência humana adquirida (SIDA);

  • Sarcoidose;

  • Amiloidose;

  • Doença enxerto versus hospedeiro;

  • Doença relacionada a IgG4

→ Critérios Classificatórios: mínimo de 4 pontos

Biópsia de glândula salivar com sialoadenite linfocítica focal com pontuação de foco >/=1

3

Anti-RO positivo

3

OSS (Ocular Staining Score) >/=5 em pelo menos 1 olho

1

Schirmer </=5mm/5 minutos em pelo menos 1 olho

1

Fluxo salivar não estimulado </= 0,1ml/min

1

TRATAMENTO

  1. Medidas Gerais:

    • Hábitos de vida saudáveis

    • Vacinação em dia

    • Monitorização do risco cardiovascular

  2. Xeroftalmia:

    • Tratamento não-farmacológico:

      • Colírios sem conservantes

      • Gel ocular;

      • Barreiras físicas (óculos que conservem a umidade);

      • Modificação do ambiente (ex:umidificadores);

      • Compressa morna

    • Tratamento Farmacológico:

      • Imunomodulador tópico como ciclosporina ou tacrolimus.

      • Colírio com vitamina A.

      • Corticoide tópico.

      • Soro autólogo (pouco disponível)

      • Agonistas muscarínicos (pilocarpina, cevimelina)

      • Suplementação oral com ômega 3 (óleo de linhaça)?

      • Imunossupressor sistêmico?

    • Tratamento Cirúrgico: oclusão de ponto lacrimal

  3. Xerostomia

    • Tratamento não-farmacológico:

      • Higiene oral (pasta com flúor)

      • Estimulantes gustatórios (balas ácidas, pastilhas e chicletes sem açúcar e/ou com xilitol)

      • Saliva artificial

      • Clorexidina (enxaguante bucal)

      • Limpeza dentária a cada 3 meses

      • Gotas de limão em copo d'água

      • Fatias de frutas secas como pêssego.

      • Tomar goles regulares de água (ou chupar gelo)

      • Evitar bebidas ácidas (coca, café, energético)

      • Adicionar omega-3 de cadeia longa líquido à água.

      • Manutenção de vias nasais abertas para evitar respiração pela boca.

    • Tratamento Farmacológico:

      • Agonistas muscarínicos (pilocarpina e cevimelina): paciente

        ainda precisa de saliva residual.

      • Mucolítico (acetilcisteína)

      • Imunossupressor sistêmico?

  4. Opções de imunossupressores e imunomoduladores:

    • Hidroxicloroquina

    • Metotrexato

    • Leflunomida

    • Ciclosporina

    • Azatioprina

    • Micofenolato de Mofetil

    • Ciclofosfamida

    • Rituximabe

    • Belimumabe

    • Glicocorticoide

    • Imunoglobulina

    • Colchicina

SEGUIMENTO

→ Os seguintes exames devem ser solicitados com periodicidade:

  • Eletroforese de proteínas

  • Crioglobulinas,

  • C3, C4,

  • Gasometria Venosa

  • EAS

→ Monitorização da atividade da doença se faz através do índica ESSDAI.

PROGNÓSTICO

  1. Maior mortalidade está associada a:

    • Vasculite

    • Hipocomplementenemia (principalmente C4)

    • Crioglubulinemia

  2. Risco de Linfoma Não Hodgkin → a síndrome em si já aumenta o risco de 5-9 vezes comparado a outras pessoas

    • Normalmente ocorre 6-7 anos após o diagnóstico, local mais comum é na parótida e tipo mais comum é MALT

    • Achados suspeitos de LNH

      • Aumento persistente das parótidas e consistência endurecida

      • Vasculite cutânea

      • Púrpura palpável

      • Neuropata periférica

      • Perda de peso

      • Esplenomegalia

      • Linfadenopatia

      • Desenvolvimento de glomerulonefrite

      • Febre

      • Proteína Monoclonal IgM Kappa

      • Neutropenia

      • Linfopenia

    • Fatores de risco para LNH

      • Crioglobulinas circulantes

      • Hipocomplementenemia (principalmente C4)

      • Escore focal >3-4

      • Presença de centro germinativo

      • Fator Reumatóide em alto títulos

      • Desaparecimento do Fator Reumatóide

ARTRITE REUMATÓIDE

DEFINIÇÃO

Doença sistêmica, inflamatória, autoimune, crônica e progressiva, sendo o sítio primário a membrana sinovial das articulações.

→ A artrite reumatóide tem como impacto: a perda da capacidade funcional e laboral; Diminuição da qualidade de vida; Significativo impacto social e econômico

EPIDEMIOLOGIA

  • Prevalência 0,4-1% e incidência de 0,2-0,4 a cada 1000

  • Mulheres 3:1 homem

  • Inicio 30-50 anos

FATORES DE RISCO

  1. Genética:

    • Taxa de concordância para gêmeos idênticos: 12 a 15%.

    • Parentes de 1o grau tem risco 3x maior.

    • HLA-DRB1: epítopo compartilhado.

    • Genes: PTPN22, STAT4, TRAF1-C5, PADI4

  2. Ambiental:

    • Tabagismo

    • Doença periodontal (Porphyromonas gingivalis)

    • Microbioma intestinal (Prevotella)

    • Infecções virais

    • Exposição à sílica

    • TEPT

FISIOPATOLOGIA

  • Citrulização e carbamilação de proteínas por indução/expressão de proteínas (peptidil arginina deiminase) → criação de neoantígenos na membrana sinovial → quebra da tolrância imunológica → Reconhecimento pela células T → Ativação de linfócitos B com produção de autoanticorpos + secreção de citocinas (TNF, IL-1, IL-6, IL-7) com recrutamento e ativação de macrófagos, fibroblastos, osteoclastos e acrondrócitos e angiogênese → Forma Pannus

  • Pannus: tecido composto por células inflamatórioas em membrana sinovial que invade cartiglageme osso, destruindo-os.

→ A sinovite crônica é mantida pelas interações entre as células nativas da articulação e células inflamatórias recrutadas para a articulação, com o subsequente estabelecimento de redes de citocina que perpetuam a inflamação

CLÍNICA

→ O padrão mais comum é de instalação insidiosa (semanas-meses)

  1. Sintomas constitucionais: Astenia, Fadiga, Mal-estar, Febre baixa e Perda de peso

  2. Sintomas Periarticulares: Artralgia de ritmo inflamatório; Poliartrite aditiva e simétrica de pequenas e grandes articulações; Acometimento mais periférico; Poupa as IFD;

    Rigidez matinal > 30min e Tenossinovites

  3. Sintomas extra-articulares: Ocorrem em 40% dos pacientes ao longo da doença, sendo a maioria homens.

    • Fatores preditores para essas manifestações: Tabagismo, presença de autoanticporpos, HLA-DRB1*04

      1. Pele: Nódulos reumatiodes são a MEA mais frequente, podem estar em qualquer lugar do corpo. Característica indolor, firme e imóvel são preditores de gravidade da doença

        • Outros: Síndrome de Sweet; Pioderma gangrenoso; Dermatite neutrofílica e Úlceras cutâneas

      2. Hematológicas: Anemia de doença crônica; Trombocitose; Linfadenopatia; Linfoma não Hodgkin

        Síndrome de Felty [AR + esplenomegalia + neutropenia, está relacionado ao HLA-DRB1*0401 e Associação com leucemia linfocitária granular]

      3. Respiratória:

        • Pleurite → Relação com FR em altos títulos e nódulos

          subcutâneos.

        • Derrame pleural → Assintomático em até 70%. Exsudato. Geralmente pequeno e unilateral

        • Doença pulmonar intersticial → Manifestação pulmonar mais comum. Principal: PIU

        • Síndrome de Caplan: AR + pneumoconiose: múltiplos nódulos pulmonares

        • Obstrução de via aérea → Artrite da cricoaritenoide

      4. Cardiovascular

        • Pericardite está presente em mais de 50%, mas maioria assintomática

        • Aterosclerose: A doença cardiovascular é a principal causa de morte nos pacientes com AR

        • Vasculite Reumatoide [Inflamação de vasos de pequeno e médio calibre→ MEA mais grave com 40% óbito em 5 anos; Associada a AR grave, ativa, soropositiva e com anos de evolução

          • Manifestações: vasculite cutânea com úlceras, infartos ungueais, gangrena digital, púrpura palpável, neuropatia dos vasa nervorum, aortite, acometimento ocular, vasculite renal e mesentérica.

      5. Olhos

        • Ceratoconjutivite seca é mais comum (15-40% dos pacientes). Xeroftalmia. A AR e a doença de Sjogren frequentemente se sobrepoe. Risco de síndrome da ceratomalácia (grave).

      6. Sistema Nervoso Periférico

        • neuropatias compressivas (STC), neuropatias periféricas (sensorial, sensitivo-motora, autonômicas)

      7. Sistema Nervoso Central

        • Mielopatia Cervical → É uma urgência neurociúrgica.

          Por subluxação atlanto-axial (C1-C2) secundária à tenossinovite do ligamento transverso de C1.

          Fatores de risco: sexo feminino, presença de autoanticorpos, uso de corticoide em longo prazo, doença de longa data, doença erosiva, níveis elevados de PCR e VHS.

SINAIS E EXAME FÍSICO

  • Aumento de volume nas articulações MCF e iFP.

  • Subluxação das MCF com desvio ulnar dos dedos e polegar em Z

  • Subluxação do punho; tenossinovite extenssores com ruptura de tendão extensor

  • Dedo em botoeira: flexão das IFP e extensão das IFD

  • Dedo em pescoço de cisne: flexão das IFD e extensão das IFP

→ Exame das IFD: palpação em 4 pontos

→ Exame da MCF: palpação dorsal e volar

COMORBIDADES

→ O risco de desenvolver muitas destas comorbidades aumenta como consequência da inflamação contínua ou das suas sequelas:

  • Doenças cardiovasculares e seus fatores contribuintes (HAS, DLP)

  • Tromboembolismo venoso

  • Malignidades

  • Doenças metabólicas (obesidade, sarcopenia)

  • Osteoporose

  • Doenças mentais (depressão, ansiedade)

  • Fibromialgia

  • Infecções

EXAMES COMPLEMENTARES

  • Hemograma: Anemia de doença crônica, trombocitose

  • VHS e PCR: Avaliação de atividade de doença e resposta terapêutica

  • Auto-anticorpos: Fator reumatoide e Anti-peptídeo citrulinado cíclico

    • Ambos tem relação com prognóstico.; Podem estar presentes anos antes da doença clínica e Ambos podem ser NEGATIVOS (AR soronegativa).

    • Fator Reumatoide: anticorpo que tem como alvo a porção Fc da IgG. Presente em 70-80%.

      • Presente em: idosos, após vacinação ou transfusão, se familiar de 1o grau com AR. Pouco específico (+ em outras dças crônicas - LES, Sjogren, hepatopatia crônica, sarcoidose, fibrose pulmonar, mononucleose, hepatite B, TB, hanseníase, sífilis, endocardite, leishmaniose, paracoco, esquistossomose, malária)

    • Anti-CCP: ANTI-CCP: sensibilidade semelhante porém mais ESPECÍFICO (95-98%) que o FR.

  • Raio X: método mais utilizado na avaliação do dano. Pouco útil na fase inicial.

    • Achados iniciais: aumento de partes moles e osteopenia justa-articular. → Com a progressão da doença: subluxações e anquilose.

    • Lesões mais características: erosões ósseas e redução dos espaços articulares.

  • USG: Sensibilidade superior ao RX na detecção do dano. Útil para detecção precoce e na dúvida entre dano e atividade.

    • Power Doppler é útil no monitoramento da doença (hiperfluxo indica a presença de sinovite ativa).

  • RNM: Método mais sensível para detecção de alterações iniciais. Identifica edema ósseo, sinovite e erosões.

CRITÉRIOS CLASSIFICATÓRIOS

→ Pontuação minima de 6, analisa:

  • Artrite de articulações grandes ou pequenas e quantas

  • VSH e/ou PCR aumentados

  • Fator reumatoide e/ou anti-CCP positivo

  • Duração por menos ou mais de 6 semanas

TRATAMENTO

  1. Não-Farmacológico: Intervenções psicossociais; Educação do paciente; Atividade física e reabilitação; Medidas de proteção articular e Vacinação

  2. Farmacológico

    Há janela de oprtunidade de 6-12 meses após inicio dos sintomas para o tratamento efetivamente mudar o curso da doença a longo prazo

    • DMARDs (drogas modificadores do curso da doença sintética) → Metotrexato é a 1a escolha, outros: leflunomida, sulfassalazina e anti-maláricos

    • Corticoides podem ser usados em curtos períodos no início da doença e em perídos de exacerbação/recidiva

    • Outras possibilidades: DMARD biológicos e DMARD alvo especificas

SEGUIMENTO

→ Objetivo do tratamento sempre será atingir remissão ou baixa atividade da doença em 3-6 meses de tratamento.

  • A atividade da doença é verificada por progressão radiográfica, impacto funcional, exame físico e índices compostos de atividade da doença

    • Índicede atividade de doença 28 (DAS28)

    • Índice simplificado de atividade de doença (SDAI)

    • Índice clínicode atividade de doença (CDAI)

  • Nem FAN nem anti-CCP ser alteram com o tratamento, logo sua função prognóstica é apenas no diagnóstico inicial.

PROGNÓSTICO

→ Fatores agraventes do prognóstico: Tabagismo; Início de doença em idade mais precoce; Baixo nível socioeconômico; Manifestações extra-articulares; FR em títulos elevados; Positividade do anti-CCP; Provas inflamatórias elevadas (persistente); Grande número de articulações edemaciadas; Índices elevados de atividade de doença; Erosões precoces; Presença do epítopo compartilhado

ESPONDILITE ANQUILOSANTE

CONCEITO

  • Espondilo = vértebras

  • Anquilosante = fusão

  • Espondilite anquilosante = espondiloartrite axial

    • É um acometimento inflamatório das ênteses [local em que tendões, ligamentos, cápsular, artricualres e fáscias se ligam no ossopondiloartrite axial

EPIDEMIOLOGIA

→ A prevalência depende da frequência de HLA-B27 em uma população

  • Mais comum em caucasianos e homens

  • Risco de 10% se parente de 1° grau e 20% de HLA-B27 presente

  • Sintomas costumam inicar 20-30 anos

ETIOPATOGENIA

  1. Genético → HLA-B27

    • hipóteses relacioadas a patogenese → peptídeo atritogênico, mimetismo molecular, cadeia pesada livre, proteína desdobrada

    • HLA-B27 + tem risco 50-70% maior de desenvolver mas 0,5% dos positivos realmente desenvolvem a doença

    • presença do gene está relacionado ao prognóstico e existem subtipos que não estão relacioados à EA.

  2. Ambiental

    • Estresse mecânico em estruturas alvo (coluna e calcanhar)

    • Imunológico

    • Disfunção microbiota intestinal

    • Infecções

FISIOPATOLOGIA

  • articulações sacro-ilíacas + artciulações facetárias → sinovite ou osteíte → erosão → neovascularização e osteoproliferações → anquilosa + sindesmófitos

  • Sindesmófito → é uma proliferações óssea que ocorre no ânulo fibroso (êntese vertebral → componente externo do disco intervetebral que insere-se nos corpos vertebrais adjacentes)

SINAIS E SINTOMAS

  1. Sintomas articulares:

    • Dor lombar inflamatória → critérios (mínimo 4 de 5)

      • Idade < 40 anos

      • Início insidioso

      • Melhora com exercício

      • Sem melhora com o repouso

      • Dor à noite (com melhora ao se levantar)

    • Dor em glúteos (unilateral, bilateral ou alternante)

    • Rigidez marinal por mais de 30 minutos

    • Artrite periférica → tipicamente é oligoarticular em MMII

    • Entesite (32%)

      • Local característico: Inserção do tendão de Aquiles.

    • Dactalite (6%) → Dedo em salsicha

      • A dactalite é a combinação de Polientesite + tenossinovite + artrite

  2. Síntomas extra-articulares

    • Oculares → Uveíte anterior aguda é a manifestação extra-articular mais comum (25-35%)

      • Clínica: Unilateral ou alternante. Dor, hiperemia, lacrimejamento, fotofobia [Recorre em 50%.]

    • Cutâneas → Psoríase (10%)

    • TGI → Doenças inflamatória intestinal [Chron ou retocolite ulcerativa] 4-6%

    • ACV → Distúrbios de condução, aortite com ou sem insuficiência aortica

    • AR → Fibrose pulmonar apical, distubio ventilatorio restritivo

    • Renais → Nefropatia por IgA, amiloidose renal

TÉCNICAS DE EXAME FÍSICO

  • Manobra de Patrick Fabere → Flexão, Abdução e rotação externa de um MI, se há dor glútea contralateral é sinal de sacroiliíte

  • Manobra de Gaenslen → flexão máxima de um lado e extensão contralateral como teste bilateral da scroilíaca

  • Teste de Schoeber

    1. paciente em pé e descalço

    2. Linha entre espinha ilíacas postero-superiores

    3. Linha 10cm acima da primeira linha

    4. Flexão da coluna ao máximo sem dobrar os joelhos

    5. Esperado em pessoa hígida é aumento de minimo 5cm entre as linhas

  • Teste da expansibilidade torácica → medida do 4° EI-anterior em inpiração e expiração máxima, em pessoa hígida espera-se aumento de 2cm no minimo.

EXAMES COMPLEMENTARES

  • Hemograma → anemia de doença crônica, leucocitose e trombocitose

  • VHS e PCR → aumentados em 50-60% dis casos.

    • São preditores de progressão radiográfica e servem para acompnhamento da resposta ao tratamento

  • Teste antigênito → HLA-B27 por PCR (reação em cadeia da polimerase)

  • Fosfatase alcalina óssea específica → fica aumentada

  • IgA → Aumenta

  • Raio X de articulações sacroilíacas → indicado em caso de dúvida diagnóstica ou para diferencias atividade x dano da doença:

    • Grau 0 → sem alterações

    • Grau 1 → alterações suspeitas

    • Grau 2 → áreas localizadas de erosão ou esclerose + espaço articular normal [alterações mínimas]

    • Grau 3 → Anormalidade moderdas

    • Grau 4 → Anquilose total

ALTERAÇÕES AGUDAS

ALTERAÇÕES CRÔNICAS

Edema medular ósseo

Erosões

Sinovite

Anquilose

Capsulite

Metaplasia gordurosa

Entesite

Esclerose

Visível em: T2-FAT-SAT, STIR

Visível em: T1

  • RNM de Coluna Vertebral

    • Locais de lesões inflamatorias

      • Canto vertebral

      • Placa terminal vertebral

      • Lateral torácica (articulações costovertebrais)

      • Articulações facetárias

      • Elementos posteriores (ligamentos espinhais articulação costotransversa)

CRITÉRIO CLASSIFICATÓRIO

[2009]

→ Aplicar em pacientes com dor lombar > 3 meses e início antes dos 45 anos.

  • Sacroiliíte em imagem com 1 ou mais característica de espondilite anquilosante

  • HLA-B27 positivo com 2 ou mais característica de espondilite anquilosante

→ Características de espondilite anquilosante: Dor axial inflamatória, artrite, entesite de calcâneo, uveíte, dactilite, psoríase, doença inflamatória intestinal, boa resposta à AINE, história familiar de espondiloartrite (presença em parentes de primeiro ou segundo grau de EA ou uveíte anterior aguda), PCR elevada, HLAB27

AVALIAÇÃO E SEGUIMENTO

→ Índices de atividades: BASSDAI (Doença atividade >4 pontos); ASDAS (mudança de 1,1 é melhora e >2 é melhora importante, se total <1,3 = doença inativa); MASES (avalia 13 locais, pontuação de 0-13), BASMI

→ Avaliação radiografica: mSASSS [avalia partes anteriores das vértebras cervicais e lombares em perfil]

TRATAMENTO

  1. Não farmacológico: educação, atividade física (alongamento, aeróbico e musculação), interrupção de tabagismo e alimentação com fibras e ácidos graxos de cadeia curta

  2. Farmacológico:

    • Primeira linhas: AINEs

      • Manter contínuo enquanto doença ativa. Pode manter sob demanda posteriormente.

      • Mudar tratamento se refratário a 2 AINEs por 4 semanas cada.

    • 2o linha para quadro axial: DMARD biológicas (Anti-TNF ou Anti-IL-17) e medicamentos alvo-específicos

    • 2a linha para quadro periférico: DMARDs (sulfassalazina e e metotrexato)

      ! Não tem eficácia para quadro axial !

    • 3a linha para quadro periférico: DMARD biológicas (Anti-TNF ou Anti-IL-17) e medicamentos alvo-específicos

→ O bloqueio de citocinas depende da área com manifestações

  • TNF: Pele, articulaçoes periféricas e axiais, intestino e olho

  • Il-17: Pele, articulaçoes periféricas e axiais, intestino e dor generalizada

PROGNÓSTICO

  • Baixa chance de remissão espontânea

  • Alta chance de recorrência após suspensão do tratamento

  • Se doença leve, maioria mantém capcidade funcional e ocupacional

    • Complicações extramusculares com risco de vida são raras

AVC ISQUÊMICO

EPIDEMIOLOGIA

  • 2a maior causa de morte no mundo

  • Principal causa de sequelas neurológicas no Brasil

  • 1 a cada 4 pessoas no mundo terão um AVC, sem incluir fatores agudos

  • 87% dos AVCs são isquêmicos, enquanto 13% são hemorrágicos

PROBLEMA

  • internações prolongadas

  • reabilitações prolongadas

  • complicações secundárias com internações

FATORES DE RISCO

  1. NÃO MODIFICÁVEIS

    • Idade

    • Gênero → M>F exceto extremos de idade [pode estar relacionado comm comportamento]

    • Etnia → afrodescendentes > latino > asiático > europeu

    • Genética

  2. MODIFICÁVEIS

    • HAS → Principal!

    • Cardiopatias → FA (escala de CHADS-VASc → se for mulhere 2 já é indicado anticoagulação, se homem, apenas 1), IAM, Doença Valvar Mitral

    • DM

    • Tabagismo

    • Hiperlipidemia

    • Obesidade

    • Sedentarismo → indicada atividade física de moderada a intensa pelo menos 40 minutos 3 a 4 vezes por semana

    • Excesso de álcool

    • Contraceptivo Oral → quando não usar: mulheres com exaeuca com aura não controlada, tabagista, historia de aborto espontâneo

    • Apneia do sono

→ Portadores de estenose de carotida assintomatica ja devem receber AAS e estatina

CLASSIFICAÇÃO DE TOAST - causas de AVCI

  1. Aterosclerose de grandes artérias (trombose/embolia)

    • Placa ateromatosa → estenose do vaso → oclusão [se não houver embolia ou trombose, oclusão é assintomática pois há tempo para formação colateral]

      • Rompimento da placa → trombose aguda → AVC [MLEHOR REMÉDIO PARA PREVENÇÃO É ANTIAGREGANTE PLAQUETÁRIO]

      • Rompimento de placa → embolização de peuqneas porções de placa → pequenos AVCIs de repetição em área de irrigação de artéria específica

  2. Oclusão de peqeunas artérias (lacunares) [microangiopatia]

    • Artérias perfurantes (derivam da cerebrla media, não tem camada média) → sofrem com HAS, dislipidemia, tabagismo

    • Maior parte da substância branca é area não eloquente (assintomatico), paciente vai tendo micro AVCs mas não faz nada → desenvolve Microangiopata obstrutitva crônica [sintoma é demência]

    • PREVENÇÃO É ANTIANGREGANTE PLAQUETÁRIO

  3. Cardioembólico

    • Principal causa é FA (estase na auricula esquerda) [PRINCIPAL FORMA DE PREVENÇÃO É ANTI-COAGULANTE]

    • Trombo → oclui grandes vasos (AVCs catastróficos)

  4. Outras causas identificáveis

    1. Dissecção arteria

      • Maior causa de AVC em jovens (<50 anos)

      • Causas:

        • Trauma

        • Atividade sexual

        • Tosse e espirro

        • Yoga

        • Exercício físico intenso

        • Montanha russa

        • Dança, natação, tênica, voleibol, basquetebol

        • Quiropraxia

        • Condições predisponenetes: displasia fibromuscular (parede do vaso fica irregular, costuma ter alteração simpática) síndrome de ehlers-danlos e Marfan

      • Prevenção de AVC na dissecção é AAS

    2. Vasculites

      • Podem ser sistêmicas ou Primárias do SNC:

        • Arterite de Takayasu

        • Arterite de células gigantes

        • Poliarterite nodosa

        • Doença de Kawasaki

        • Angeíte primária de SNC (PACNS)

        • Secundárias: Colagenosas (LES), Infecções (meningites virais ou bcaterianas, HIV, sífils, TBC)

      • Inflamação → contração → estenose do vaso pr acumulo temporário de sangue

    3. Estados Pró-Trombóticos

      • Causas:

        • Síndrome do anticorpo anti-fosfolípide (LES e Covid-19 geram essa sindrome transitória]

        • Mutação do Fator V de Leiden (pirnicpal)

        • Mutação de MTHFR

        • Deficiencia de proteina C ou S

        • Deficiencia de antitrombina

        • Mutação de protrombina

        • Elevação da liporoteina

      • Pode ser secundaria: síndrome paraneoplásica

    4. Doenças Metabólicas e Genéticas

      • Raros

      • Doença de Fabry (polineuropatia, cardioparia, alterações cutaneas)

      • CADASIL (cefaleia, déficit cognitvo progressivo)

    5. Medicamentoso ou Drogas Ilícitas

      • Substâncias simpaticomiméticas → hipertensão, vasoespasmo e/ou vasculite:

        • Anfetaminas

        • Cocaína

        • Heroína e outros opiódes

        • Maconha

        • Canabióide sintético (spice)

        • GHB (boa noite cinderela)

  5. Criptogênico (30% dos casos)

    • Provavelmente um grande percentual é cardio-embólico → FA é paroxístca, pode chegar no PA sem estar arrítmico

      ! FA faz o átrio esquerdo crescer → é possível pesquisar isso !

    • Prevenção é com AAS de acordo com protocolo, porém prevenção real seria com anti-coagulante

ATAQUE ISQUÊMICO TRANSITÓRIO

  • Não gera lesão, nem sequela, mas mostra um risco de AVC (alta morbimortalidade)

  • Principal causa é doença aterosclerótica

    → CLASSIFICAÇÃO DE ABCD2 (risco vascular)

    • <4 baixo risco e acima é alto risco

    • se <4 → iniciar AAS e estatina

    • se >4 → iniciar dupla anti-agregação (AAS + Clopidogrel)

  • Pode ser cardioembólico, porém é mais raro (trombo pequeno, é dissolvido endogenamente)

AVC AGUDO

  1. Triagem → F.A.S.T.

    • B - Balance (ataxia

    • E - Eyes

    • F - face (desvio da comissura labio

    • A - arm (perda de força

    • S - speech (afasia)

    • T - Chamar ajuda

  2. Suspeita clínica

    ! ALTERAÇÕES SÃO SÚBITAS !

    • Confusão mental, dor de cabeça forte sem causa conhecida, afasia, perda de força, perda focal súbita

  3. Escala de NIH (0-42)

    • Ferramenta mais efeitiva para avaliar gravidade.

    • <4: quadro leve, a não ser que sintomas sejam de fala

    • <6: AVC moderado

    • >10: AVC grave

    • >20: AVC muito grave

  4. Fiosopatologia

    • CORE: area que morre na hora → aumenta a cada minuto.

    • Penumbra: recebem sangue das colaterais. Área depende da qualidade das colaterais

  5. Trombolíticos

    • 1995: Alteplase rt-PA → trombolítoco de meia-vida curta, tempo de tratamento é de 1h em bomba de infusão.

    • Wake-up stroke: paciente acorda com o déficit

      • O tempo que o AVC demora para aprecer no Flair, é em torno de 4:30h, no de difusão é em torno de 30 minutos

      • Mismatch: sintoma clinico pior que se ve na imagem, significa que imagem irá piorar.

    • 2023: Tenecteplase → estudo demonstrou que são igualmente eficazes e ela tem meia-vida é muito maior

    • Trombectomia em grandes vasos até 24h → estudo da penumbra.

  6. Opções de tratamento de reperfusão

    • trombólise venosa em alteplase ou tenecteplase em até 4,5h

    • trombolise venosa com alte ou tenecteplase em paciente que acordam com deficit mas tem mismatch difusão/FLAIR

    • Em paciente trombolisados mas com oclusão de grande vaso, avaliar trombectomia

    • Trombectomia em oclusões proximais em até 24h quando há mismatch perfusão/clínica

  7. Unidade de AVC

    • Stroke-team cuidando em unidade exclusiva de AVC

    • Recuperação maior e mais precoce

AVC HEMORRÁGICO

PADRÕES

  1. Hipertensivo → mais comum

    • Vasos lacunares são muito sensíveis e se rompem por HAS. Apesar de pequenos, são vasos arteriais, então tem ghrande fluxo e pressão.

      • São sempre profundos, pois é onde artérias perfurantes irrigam (ventriculo, nucleos da base)

    • Paciente normalmente chega no PA com pressão extremanete alta → é errado tentar abaixá-la muito rápido pois pode ocorrer hipoperfusão cerebral (PA alta esta vencendo PIC alta) → transitoriamente, paciente pode ser tratado com manitol (diurético osmótico, que puxa o liquido intersticial, sem risco de hipoperfusão), não resolve o problema.

      ! Max 15% da PA pode cair por hora !

    • Tratamento é cirúrgico → drenagem e alguns casos expecíficos, trombolíticos

  2. Má formação arteriovenosa (MAV)

    • angiogênese anormal a nível capilar

      • pode ocorrer em qualuqer região do cérebro

      • pode atingir tamanhos significativos

    • MAV pode sangrar de forma recorrente, se cortical pode causar crise epiléptica, pode crescer (síndrome expansiva)

      • Sinais: déficti focal subito, déficits transitórios recorrentes, deficit gradual e progressivo

  3. Angiopatia Amiloide

    • Complexo amiloide se deposita em vasos cerebrais, tornando-os frageis e friáveis → alto risco de sangramento

    • É a principal causa de hematoma lobar → sangramento de tronco arterial

    • Possibilidde de ver angiopatia amiloide antes de sangramento → RMN Eco: ve hemossiderina preta → tem oxigenio → varios microsangramentos

    • Não há nivel de evidência sobre prevenção.

    • Não ha evidencia sobre relação com demencia de alzheimer (são coplexo beta-amiloides diferentes)

    • Paciente nunca deve ser anticoagulado

  4. Hemorragia Subaracnóidea

    • Alta taxa de sequelas neurológicas e mortalidade, mas alta chance de tartamento sem sequelas se precoce.

    • Maior causa é aneurisma sacular → bifurcação de artéria é repetidamente injuariada por pressão sanguinea, forma aneurimas sacular (apenas 10% sangram)

      • Maior parte das bifurcações importantes é no polígono de Willis → explica alta mortalidade

    • Se individuos está vivo, é por que sangramento parou → formação de trombo e mudança de plasitcidade cerearteral em tantiva de parar sangramento. Se sangramento continua é morte súbota

    • Diagnóstico:

      • Cefaleia súbita e intensa (normalmente diferente de qualquer outra que ja teve)

      • Perda de consciência, convulsão, náusea/vômitos

      • Rigidez de nuca pode demorar várias horas para se instalar → è o sintomas clínico clássico, porém ausencia não descarta hemorragia.

      • HSA em até 25% de pacientes atendidos com cafélias súbita e intensa

      • sinais de gravidade de cefaleia (sempre fazer exame de imagem): dor de cabeça sem precedentes + qualquer déficit focal (exame neurológico tronco central) + qualquer sintoma clínico que remeta a imunodeficiencia ou contexto infeccioos (HIV, corticoide, febre, prostração, neoplasia)

      • Exames de imagem:

        • TC de crânio → altisisma sensibilidade para avliar sangramenro NAS PRIMEIRAS 24 HORAS (hemossiderina é degrada)

        • RMN → mais sensível que TC

        • ANGIO-RMN e ANGIO-TC (SÃO IGUAIS PARA ESTUDO) → principais para depois de 24h. Muita sensibilidade, consegue descartar

        • Punção lombar → líquor fica xantocrômico (sinal de sangramento)

          • Problemas: nao se vê o aneurisma, conduta é impossibilitada. Logo paciente vai ter que fazer exame de imagem de qualque jeito. Queda na pressão intracranian pode mover trombo que esta estancando sangramento

        • Arteriografia → tamanho de aneurisma, É a mais sensível

    • Desfecho

      • Destino → morte súbita ou estado muito grave.

      • Diagnóstico → deve ser feito nas primeiras 48h

      • Tratamento cirúrgico → cateterismo com coil, stent, ou cirurgia aberta

      • Suporte intensivo → prevenção do vasoespasmo, identificação do vasoespasmo , tratamento do vasoespasmo [aumento da pressão arterial + dilatação do vaso com nimodipina + doppler transcraniano → velocidade aumentada de fluxo indica vasoespasmo, faz todos os dias]

        • vasoespasmo é a principal complicação que sobrevive sangramento, sangue em contanto com parede externa do vaso leva a espasmo

    • <3mm → risco extremanete baixo de compplicação

    • 3-5mm → risco pode aumentar de acordo com local e características do aneurisma ( pode já fazer intervanção)_

    • 5-7mm → aneurisma com risco significativo a não ser que haja CI absoluta

    • 7-10mm → risco altíssimo

    • >10mm → aneurismas gigantes, pode ter efeito tumoral

    • Triagem (RMN) → familiar de 1° grau que teve aneurisma

MENINGITE E MENINGOENCEFALITE

DIFERENÇA → meningoencefalite tem acometimento focal → rebaixamento do sensório

  • Nível de consciência

  • Estado e consciência

A meningite bacteriana sempre vai evoluir para meningoencefalite

SINTOMAS

  • Cefaleia com febre não é sinônimo de sinusite

  • Cuidado com Rx de seios da face → marioais vai ter velamento, não exclui outras infecções sisteminas ou meningites

  • Tríade clássica da meningite bacteriana:

    • Rigidez de nuca, febre e alteração do sensório

    • Ausência dos três descarta meningite BACTERIANA

  • Sinal de Kernig e Burdzinski tem baixa sensibilidade

  • Petéquias → meningococcemia [coropo todos, só no rosto podem ser apenas esforço de vômito)

DIAGNÓSTICO

  • Tres exames mais importantes:

    • Lab → hemograma [leucocitose x leucopenia], hemocultura [positiva em 50-90% dos casos], função renal [creatinina, ureia, Na, K, Ca, Cl, Mg, Gasometria venosa e urina: EAS e relação albumina/creatinina em amostra única]

      ! também pedir glicose para interpretação do líquor !

    • TC de crânio sem contrates → pode visualizar abcesso associado ou hemorragia sub-aracnoidea

    • Líquor: aumento de celularidade [VR 5 celulas por mm3] (polimortfo → bac ou linfomorfo → viral); consumo de glicose [ VR até 2/3 da glicemia]; valor de proteína; gram e cultura; Látex (procura antígenos especificos bacterianos mas tem alto percentual de falso positivos)

      • pulurento = bacteriana

      • aumento de linfocitos + consumo de glicose → TB e carcinomatose meningea

TRATAMENTO

  • O atraso em mais de 3h no diagnóstico é FR independente de mortalidade, sendo maior que infecção por um microorganismo resistente a penicilina

  • Iniciar ATB logo após punção lombar

  • Corticoide → se susperita de meningite pneumocócica usar antes ou junto com dexa

    • Não usar coirtiocide se houver iniciado ATB ou imunosuprimidos ou desnutridos

    • Interromper o corticoide se ainfecção não por pneumococo

    • Se corticoide + vancomicina, associar rifampicina

  • RN → bacteria do perineo maternos, tratamento empíroco é ampicilina + cefotaxina

  • 3-5 meses → transmissão via oral (inluenza e meningococo)

  • A partir dos 5 anos, principal causa é pneumococo (não transmite por via oral) → se não tem punção lombear, dar ceftriaxona + aciclovir

  • Prevenção contato para agente de saúde → ciprofloxacino dose única

MENINGITE ASSÉPTICA

  • Causa mais comum é enterovírus → meninigite muito comum, benigno, não se trata.

  • Pode ter causas não infeccionas → autoimune, drogas, paraneoplasico

MENINGOENCEFALITE VIRAL

  • Causa mais comum é o herpes virus 1

  • Tratamento : aciclosvir; se imunodeprimidos: anfotericina B

  • Muito grave: tropismo por lobo temporal

CEFALEIA AGUDA

INCIDÊNCIA

  • 18% da população; 3:1 mulheres (está relacinado ao estrógeno)

  • 52% possuem crises esporádicas de cefaleia tensional (mulheres = homens)

  • Principais causas de cefaleia secundária → sinusite, meningite, lesão expansiva, hemorragia intracraniana

  • Principais causas de cefaliea primária → enxaqueca, tensional e cefaleia em salvas

SNOOP

Pode ser resumido em 3 (que são imperativos solicitar TC

  • Dor sem precedentes

  • Alteração de exame neurológico

  • Presença de sinais sistêmicos ou história de imunossupressão (corticoide, oncológico, HIv +)

S → Sistêmica

N → Neurológico

O → Onset

O → Outros (especificidades)

P → Padrão

MANEJO CLÍNICLO NO PA

  • Objetivos

  • fluxograma

CEFALEIAS PRIMÁRIAS

  • Maior causa é cefaleia tensional mas maior causa no PA é enxaqueca

  1. Enxaqueca

    • Patologia da enxaqueca → Disautonomia cerebral: liberação exagerada de NT (nora).

    • uso de beta-block: bloqueio de NA

    • uso de tricíclicos e duasi: controle de liberaçãode NA

    • uso de topiramata ou valporato de sódia: modulaçõa de atividade elétrica

      [Tentativa de modulação da atividade cerebral]

    • A aura deve vir obirgatoriamente antes ou junto da dor (dura de 5 minuto a 1h]

    • Critérios diagnósticos:

      • Pelo menos 5 crises

      • Duração 4-72 horas

      • Pelo menos 2 desses: dor unilateral, pulsátil moderada ou intensa, piora com atividade física

      • Pleo menos 1 dos seguintes [DD com cefaleia tensional]: náusea e/ou vômitos, fotofobia e fonofobia, não atribuída a outra causa.

    → PROVA: Um paciente que tenha neuasea ou vomito/ fotofobia e fonofobia NÃO É CEFALEIA TENSIONAL

    • Sintomas premonitórios (pode ser várias horas antes da dor): Irritabilidade, raciocionio e memorização mais lentos, desânimo, avidez por alguns tipos de alimentos

    • Aura

      • Típicos: escotomas luminosos ou negativos

      • Perda de distorção de um dos hamicampos visuais ou partes deles

      • Às vezes associam-se a parestesia unilateral e/os disfasia

      • Vertigem → enxaqueca vestibular

    • Tratamento

      1. Dimenidarato (antiemético)

      2. Dipirona

      3. Cetoprofeno

      4. Sumatriptana subcutâneo → triptanos agem com bloqueio agudo da CDRT (calcitonina) gera vasoconstrição quase totalmente seletiva cerebral

      → Associação se enxqueca crônica ou se cetoprofeno não funcionou: Dexametasona (se não melhorar: clorpromazina IM e SF 0,9%)

      → Não prescrever opióde para a crise de enxaqueca!!

    • Complicações

      • Estado migranoso: duração maior que 72h com intervaldos de no maximo 12h. É uma dor que melhora ma svolta

      • Infarto migranoso: aura persistente por mais fede 60 minutos e exqueca que não melhora, em RMN há AVC

      • Mingrânea crônica

  1. Cefaleia Tensional

    • Desregulação adrenérgica: grau de tensão relacionado à dor

      • Sono ruim → relaxamento musuclar ocorre apenas a aprtie da fase 3 do sono

      • Má postura → presença de pontos de gatilhos

    • Pelos menos 2 dos seguintes: dor bilateral, pressão ou aperto não pulsátio, dor leve a moderada, não piora com atividade física

    • Não pode ter: nasusea ou vomitos, fotofobia e/ou fonofobia

    • Mínimo de 10 crises, duração de 30 minutos a 7 dias

    • Tratamento: Paracetamol, dipirona, ibuprofenos, diclofenaco

      • Associação com cafeína a eficácia analgésico

  2. Cefaleia Em Salvas (Cluster Headaches)

    • Mais presente em homens

    • Dor desautonômica levando a processos inflamatórios e vasodilatação

    • c→ vasodilatação muito intensa, tem sintomas parecidos com sinusite

    • Mlehor remédia: O2

    • Vem em blocos

    • Pelo menos 1 : injeção conjutival ipsilateral e/ou lacrimejamento; Congestão nasal e/ou rinorreia; Edema palpebral ipsilateral; Miose e/ou ptose ipsilateral

FLUXOGRAMA

  • Dor aguda, emergente, sem febre → TC com contraste

  • Dor aguda emergente com febre

    • com sinais de alerta (qualquer alteração no tronco neurologico) → Meningite

    • sem sinaisd e alerta → sistemico

  • Dor crônica progressiva sem febre → HIC idiopática (prestar atenão em mulheres que tiveram alteração d epeso subito)

  • Dor crônica progessiva com febre

  • Dor crônica não progressiva → abuso de analgesio

REVISÃO

12 QUESTÕES

  • principal causa de avc isquemico em <50 anos [independente de FR]: dissecção arterial

  • pct que acorda com deficit neurpologico sem certeza exata de que horas o avc foi → com a RMN se tem restrição à difusão mas sem alteração do flair pode-se afirma que tem <4,5 horas = pode-se avaliar trombolise

  • cefaleia subita intensa sem precedentes há 72 h → procedimento mais adequeado para avaliar aneurisms roto é ANGIOTC arterial cerebral

  • prinicpal causa de avc hemorragico intraparenquimatose → HAS

  • cefaleia tensional x enxaqueca → fotofoibia, fonofobia, nausea ou vomito NÃO É TENSIONAL

  • cefaleis em salvas tratamento de crise → OXIGÊNIO (12L/min, MASCARA FCIAL Fo2 100% POR 20 MINUTOS)

  • Meningite x encefalite → encefalite tem alteração do exame neurologico

  • Meningite bacteriana líquor → neutrofilos com consumo de glicose e aumento de proteina

  • crises focais perceptivas x disperceptivas → alteração de memoria ou consciência é disperceptiva (diferente de ausencia)

  • delirium → base orgânica (alcool e BZD podem causar delirium tanto pelo uso quanto pela abstinência)

  • comprometimento cognitivo leve amnesico e não amensico → amnesico mais relacionado ao nivel de alzheimer

  • anticorpos monoclonais trazem risco de edema ou sangramernto cerebral (removem complexo beta-amiloides → alterações de imagem relacionada a amiloide)

  • profilaxia secundaria apos avc isquemico agudo → lacunar é dupla-antiagregação por 21 dias (AAS e clopidogrel), depois muda para só AAS; avc grande é só AAS. Ambos tem estatina

EPILEPSIA

CONCEITO

→ Pré-disposição de ter crises epilepticas, pode ser genética ou adquiricas e pode ser parte de uma doença ou puramente primário

! sem controle, aumenta em 3 vezes o risco de morte → alto risco de acidentes !

ETIOPATOGENIA

→ diminuição do limiar convulsivo (pode ser primário ou secundário → alcool) ou foco com estimulo eletrico maior que proteção natural consegue segurar (traumas, cicatrizes)

→ Pode ser focal ou generalizada (generalizada = acomete os dois hemisferio, nao necessariamente o cerebro todo.

PROVA

TIPOS DE CRISE FOCAL

  • Perceptiva (crise parcial simples) → nivel de consciencia, estado de conscienciae memória são preservados

  • Disperceptiva (crise parcial complexa) → perda de nivel de consciencia ou estado de consciencia ou memoria

CLASSIFICAÇÃO

  1. Início Focal

    • Motor

    • Não-motor

  2. Início Generalizado

    • Motoras

      • Tonico-clonicas

      • Outras clonicas

    • Não motoras

      • Ausências

  3. Início desconhecido

CRISES GENERALIZADAS

  1. Crise Tônico-Clônicas Generalizadas

    • Perda de consciência

    • 2 fases:

      • Fase tônicas → com enrijecimento de todos os músculos

      • Fase clônica → com movimentos repetitivos

    • Salivação excessiva, moderdura de língua e bochecha, possibilidade de liberação de esfíncteres, estado pós-comicial (sempre|)

  2. Crise de Ausência (pequeno mal)

    • Perda total da consicencia sem perda de tônus por fração curta de tempo mas pode ocorrer dezenas de vezes ao dia

    • Olhar vago

    • Muito cuidados com diagnóstico diferencial de TDAH

  3. Crise Mioclônica

    • Contrações musculares bruscas de 1-2 segundos

    • Podem ser únicas ou repetidas

    • Pode ter eprda de consicnecia durante a crise, mas normlamente não ´percebida pela rapidez da sua duração

    • Importância: crise mioclônica juvenil

  4. Crise atônica

    • assemelha-se a um desmaio → não existe diferença fora do EEG

  5. Crises secundárias:

    • abusos de SPA

    • metabólica

    • Infecciosa

    • Lesão cerebral

    • Vascular

    • Trauma

    • Tumoral

    • Inflamatória

CONDUTA PÓS 1a CRISE

  • Exame de imagem → TC ou RMN

  • Verificar motivo da crise

  • Manterm observação por minimo 6h

CRISE EPILEPTICA EM PACIENTE EPILEPTICO

  • Verifica motivo da crise

    • falha na tomada da medicação

    • Intercorrência clinica

    • Interação medicamentosa

    • Posologia inadequada

  • Outros fatores pedisponentes

  • Condutas de prevenção até a avaliação especializada

ESTADO DE MAL EPILÉPTICO (Status Epilepticus)

  • Crise convulsiva que dura mais de 5-10 minutos OU crises convulsivas reentrantes sem recuparação dea csnciencia entre eles

  • Porcesso de retroalimentação do curto circuito

  • A partir de 30 minutos, cerebro começa a queimar

  • Complicações: rabdomiolise, IRA< acidose laticas, morte neuronal, pneumonte aguda

  • Protocolo:

    1. estabilização (ABCDE)

    2. Glicemia

  • Criança: midazolam nasal, retal ou pelo IOT

  • Diazepam venoso até 40 mg (1omg de bolus) → Fenitoina (Levetiracetam se disponível) → se não funcionaou → Midazolam (dose anticonvulsivanete é 4x maior que a sedativa) ou fenobarbital venoso (paciente precisará ser entubado)

COMPROMENTIMENTO COGNITIVO

DECLÍNIO COGNITIVO NATURAL DA IDADE

  • Bascaimente existe declinio MAs não há perda de conhecimento ou hbialidade que a pessoa já tem e não ha perda da capacidade de aprender coisas novas

DELIRIUM

  • alteração do estado e nivel de conscientia por base orgânia

  • I WATCH DEATH

  • ! Pode coexistir com demeência → deliconoi cognitivo que piora subitamnete não faz parte da historia natural da doenaç !

DIAGNOSTICO DIFERENCIAL

  • Causas secundárioas → deficiencia de B12, B1 (wernicke-korsakof), disfunção tireoideana, neurosífilis, etilismo crônico, uso cronico de BZD.

CONCEITO DEMÊNCIA

  • Compromentomento de pelos menos 1 domínio cognitivo que é progressivo, disfuncional sem outras causas possíveis

    • aprrendizado e memoria

    • linguagem

    • função executiva

    • atenção complexa

    • perceptomotor

    • cognição social

COMPROMETIMENTO COGNITIVO LEVE (CCL)

  • Preservação das atividades diárias

  • Pode ocorrer por depressão, desuso

  • CCL Amnésica → risco maior para Alzheimer

  • CCL não-amnésica → risco maior para outras demências

  • Tratament é psicoestimulo : atividiade fisica, atividade intelectual, vida social, higiene do sono

  • Alertas

→ Lecanemabe: funciona para CCL ou DA leve com comprovação de beta-amiloide em PET ou líquor