DMG : Rastreamento e Diagnóstico
Ginecologia e Obstetrícia
Diabetes Mellitus na Gravidez
RASTREAMENTO E DIAGNÓSTICO
Importância do Tópico:
Este é um dos tópicos mais importantes, frequentemente cobrado nas provas de residência médica.
Existem diversos protocolos a serem seguidos.
Objetivo Central:
Identificar, no início da gravidez, pacientes que já são diabéticas, mas desconhecem seu diagnóstico.
Identificar pacientes euglicêmicas que desenvolverão diabetes na segunda metade da gestação, devido ao aumento de hormônios contrainsulínicos.
Protocolos Importantes
Foco no protocolo do Ministério da Saúde (MS):
Publicado em 2017, atualizado em 2021.
Parcerias com a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).
Semelhanças com o protocolo da International Association of Diabetes and Pregnancy Study Groups (IADPSG, 2010), seguido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2013 e American Diabetes Association (ADA) em 2012/2016.
O objetivo imediato é entender o protocolo do MS.
Diagnóstico de Diabetes na Gestação
Primeira Oportunidade de Diagnóstico:
Glicemia de jejum, solicitada na primeira consulta de pré-natal.
Valores de glicemia:
Glicemia em jejum ≥ 126 mg/dL: diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2.
Glicemia entre 92 e 125 mg/dL: diabetes mellitus gestacional (DMG).
Glicemia menor que 92 mg/dL: considerado adequado.
Teste de Tolerância à Glicose Oral (TTGO ou TOTG):
Para pacientes com glicemia em jejum < 92 mg/dL.
TTGO consiste em 75 g de glicose diluída em 200 mL de água, com medições de glicemia em jejum e após 1 e 2 horas.
Execução do TTGO entre 24–28 semanas de gestação.
Valores de Corte para Diagnóstico
Valores de corte para DMG:
Leitura de glicemia:
Jejum: 92 a 125 mg/dL.
1 hora após ingestão de 75g de glicose: ≥ 180 mg/dL.
2 horas após ingestão de 75g de glicose: 153 a 199 mg/dL.
Valores de corte para DM2:
Jejum: ≥ 126 mg/dL.
2 horas após ingestão de 75g de glicose: ≥ 200 mg/dL.
Estudos e Recomendações
A análise do Estudo Brasileiro de Diabetes Gestacional indicou que 86% dos casos de DMG poderiam ser identificados apenas com a avaliação da glicemia de jejum.
A glicemia de jejum é considerada uma alternativa ao TTGO nas regiões com dificuldades de viabilidade financeira ou técnica.
CONDUTA
Acompanhamento do Pré-natal:
Consultas quinzenais até 30–34 semanas de gestação.
Consultas semanais a partir de 30–34 semanas até o parto.
Condutas Específicas:
Introdução de prevenção de pré-eclâmpsia com AAS e Carbonato de Cálcio para gestantes com diabetes prévia.
Ecocardiograma fetal: realizado entre 26-28 semanas para detectar malformações fetais.
Ultrassonografia: mensal a partir de 28 semanas para estimativa de peso e avaliação do líquido amniótico.
Perfil biofísico fetal (PBF): semanalmente ou 2 vezes por semana, a partir de 32 semanas.
Contagem de movimentos fetais: 1 hora, 3 vezes por dia, a partir de 28 semanas.
Urocultura bimestral ou trimestral: devido ao risco aumentado de bacteriúria assintomática.
Avaliação clínico-laboratorial detalhada para lesões nos órgãos-alvo e associação com pré-eclâmpsia.
Avaliação do Estado Metabólico
Hemoglobina Glicada: Mensurar para avaliar o controle glicêmico das últimas 8 – 12 semanas.
Aumento significativo da frequência de malformações fetais maiores, que pode chegar a 20% quando a hemoglobina glicada for ≥ 14% no período periconcepcional.
Tratamento do Diabetes Mellitus na Gestação
Objetivo: Controle glicêmico estrito visando euglicemia.
Evitar hipoglicemias que podem ser mais prejudiciais que hiperglicemias.
Mudança de Estilo de Vida:
Manutenção normal de valores glicêmicos em DM tipo 2 e DMG com ganho de peso adequado.
Dieta:
Composição: 40-50% carboidratos, 30–35% lipídios, 15–20% proteínas.
Fracionamento das refeições em 6 momentos: café da manhã, lanches, almoço, jantar e ceia.
Distribuição de calorias: 10% café da manhã, 30% almoço, 30% jantar, restante dividido entre lanches e ceia.
Atividade Física
Exercícios:
Diminui a intolerância à glicose, reduzindo necessidade de insulina.
Gestantes sedentárias devem realizar caminhadas regulares de 20 minutos por dia.
Necessidade de Insulina
Indicações para Iniciar Insulina:
Diabéticas gestacionais sem controle satisfatório após 2 semanas de dieta/exercícios.
Pacientes em uso de insulina antes da gestação.
Diabéticas tipo 2 substituindo hipoglicemiantes orais.
Fetos com circunferência abdominal ≥ percentil 75 em US realizados entre 28–32 semanas.
Atualizações em 2023:
Guia da Sociedade Brasileira de Diabetes permite iniciar terapia quando dois ou mais valores de glicemia estiverem acima da meta em 7 a 14 dias após tratamento não farmacológico.
Variações na Necessidade de Insulina Durante a Gestação:
Necessidades iniciais semelhantes ao estado pré-gestacional, diminuindo entre 7–15 semanas e aumentando após 28-32 semanas.
Protocolos de Insulina
Esquemas Terapêuticos: Insulina intermediária (NPH) pode ser utilizada.
Iniciar com 0,5 a 0,9 UI/kg, considerando tipo de diabetes.
Monitoramento Glicêmico:
Perfil Glicêmico Simples: Glicemia capilar em 4 períodos no dia.
Perfil Glicêmico Completo:
Glicemia capilar em 4 períodos, ideal para quem usa insulina ou tem DM tipo 1 ou 2.
Controle Adequado: Minimum de 70% dos valores devem estar normais.
Tabelas
Tabela 3: Avaliação detalhada da gestante diabética.
Tabela 4: Cálculo do valor calórico total da dieta a partir do IMC.
Tabela 5: Valores de normalidade no perfil glicêmico.