Flashcards de Introdução à Cardiologia e Eletrocardiograma
Estrutura, Organização Acadêmica e Avaliações
Estrutura e Frequência das Avaliações:
As avaliações cobram conhecimentos cardiológicos fundamentais e exigem alto nível de retenção teórica e prática.
A recuperação das provas é realizada na semana imediatamente posterior à aplicação da prova regular.
O cronograma de dias de prova é integrado às aulas regulares: a avaliação ocorre das às , seguida de aula teórica normal das em diante.
Fundamentos do Sistema Cardiovascular e Anatomia Cardíaca
Componentes Anatômicos do Tórax e Sistema Cardiovascular:
O sistema cardiovascular é composto pelo tronco coronariano esquerdo, tronco coronariano direito, átrios e ventrículos.
Inclui estruturas de suporte, válvulas cardíacas e grandes vasos, como a artéria aorta e a artéria pulmonar.
Mapeamento Anatômico e Correlação Clínica de Patologias:
Qualquer estrutura anatômica do tórax pode apresentar disfunções ou processos patológicos:
Artérias Coronárias: Obstrução ou entupimento aterosclerótico que evolui para o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM).
Pericárdio: Ocorre o acúmulo de fluido na cavidade pericárdica levando ao tamponamento cardíaco (restrição mecânica ao enchimento das câmaras).
Válvulas Cardíacas: Lesões estruturais resultando em estenoses (dificuldade de abertura) e insuficiências valvulares (regurgitação).
Grandes Vasos: Formação de aneurismas, dissecções agudas de aorta e tromboembolismo pulmonar (TEP) na artéria pulmonar.
Interpretação e Visualização de Exames de Imagem:
A anatomia descritiva teórica deve ser correlacionada com exames na prática clínica real.
Ao analisar uma radiografia de tórax ou uma ressonância magnética cardíaca (RMC), é necessário correlacionar a imagem bidimensional com a anatomia tridimensional em movimento dinâmico.
Diferenças Estruturais entre os Ventrículos:
O Ventrículo Esquerdo (VE) possui espessura parietal, massa muscular e força de contração significativamente maiores do que o Ventrículo Direito (VD).
O VD trabalha em um circuito de baixa pressão (circulação pulmonar), enquanto o VE responde pela circulação sistêmica de alta pressão.
Essa assimetria de massa muscular é o pilar anatômico para a compreensão do vetor elétrico resultante no eletrocardiograma (ECG).
Eletrocardiograma (ECG): Origem Elétrica e Fisiologia das Ondas
Propriedades Eletrofisiológicas da Célula Miocárdica:
Em repouso, a célula miocárdica encontra-se polarizada, mantendo uma carga elétrica interna predominantemente negativa no polo intracelular.
Por meio da despolarização, ocorrem alterações rápidas no fluxo iônico que tornam o meio intracelular positivo, desencadeando a contração mecânica do miocárdio.
Bioenergética e Equilíbrio Iônico:
A manutenção da polaridade e a deflagração do potencial de ação dependem da bomba de sódio e potássio (-ATPase), responsável pelo gasto de energia celular (ATP).
O aporte energético celular requer consumo constante de substratos metabólicos como glicose e oxigênio ().
A função mecânica e elétrica adequada exige rigoroso equilíbrio dos íons potássio (), sódio (), cálcio () e magnésio (). Alterações na concentração de potássio alteram diretamente o potencial de repouso miocárdico e desencadeiam arritmias cardíacas severas.
Evolução Filogenética do Coração:
Organismos primitivos (como anelídeos/minhocas) possuem sistemas circulatórios rudimentares compostos unicamente por células contráteis simples.
A evolução em répteis, aves e mamíferos desenvolveu um coração septado e compartimentalizado, com sistemas isolados e altamente eficientes, permitindo o suporte metabólico a organismos complexos.
Tipos de Células no Tecido Cardíaco:
Miócitos Propriamente Ditos: Células musculares especializadas na contração mecânica e ejeção sanguínea.
Sistema de Condução: Miócitos modificados e especializados na geração e condução ultrarrápida de impulsos elétricos, atuando como um sistema elétrico intrínseco do coração.
Origem Histórica e Princípio de Registro do ECG:
O ECG registra graficamente em papel milimetrado a atividade elétrica gerada pelo coração a partir de eletrodos posicionados na superfície corporal.
A atividade elétrica cardíaca segue um padrão cíclico e organizado, composto por ondas de despolarização e repolarização temporalmente ordenadas.
Morfologia e Fisiologia das Ondas Eletrocardiográficas:
Onda P: Representa a despolarização sequencial e sístole de ambos os átrios. Sua pequena amplitude reflete a menor massa miocárdica atrial (parede muito fina/delgada) comparada à ventricular. Atriomegalias causam alterações na duração e voltagem da Onda P.
Complexo QRS: Corresponde à despolarização ventricular rápida e sístole dos ventrículos. A condução ultrarrápida pelo sistema His-Purkinje garante que o complexo seja estreito. O vetor principal do QRS é dominado pela massa superior do Ventrículo Esquerdo, suprimindo o vetor elétrico do VD. A ausência de QRS é incompatível com a vida (diferente dos átrios, a função ventricular é vital).
Onda T: Representa o processo de repolarização ventricular (restabelecimento do potencial negativo de repouso da célula miocárdica), preparando o coração para o próximo ciclo. Habitualmente acompanha a polaridade do complexo QRS (se QRS é positivo, a Onda T tende a ser positiva).
Sistema de Condução Cardíaco e Condução Atrioventricular
Nó Sinoatrial (Nó Sinusal ou Keith-Flack):
Localizado na porção superior do átrio direito, próximo à desembocadura da veia cava superior.
Atua como o marcapasso fisiológico do coração, gerando impulsos elétricos espontâneos através de despolarizações automáticas periódicas.
Propagação do Estímulo Atrial:
O estímulo gerado no nó sinoatrial propaga-se pelos feixes internodais pelo átrio direito e pelo feixe de Bachmann em direção ao átrio esquerdo, despolarizando os miócitos atriais sequencialmente (sincício funcional).
Junção Atrioventricular (Nó AV e Feixe de His):
Isolamento Elétrico: Os átrios e ventrículos são eletricamente isolados por um anel fibroso atrioventricular que atua como isolante elétrico. A junção atrioventricular é a única via de condução fisiológica do estímulo dos átrios para os ventrículos.
Função de Atraso Fisiológico: O Nó AV retarda a condução do estímulo elétrico ("porteiro"). Esse atraso temporal é essencial para permitir que os átrios completem a contração (sístole atrial) e esvaziem o sangue nos ventrículos antes do início da sístole ventricular, prevenindo o choque mecânico entre as câmaras.
Derivações Eletrocardiográficas e Eixo Elétrico do Coração
Derivações do Plano Frontal (, , , , , ):
Avaliam a atividade elétrica nos eixos superior-inferior e direito-esquerdo.
situa-se a , a , a , a (inferior) e a (ombro direito).
Como a maior parte da massa miocárdica (VE) projeta-se para baixo e para a esquerda, a derivação registra habitualmente deflexões predominantemente negativas (onda P e QRS negativos), por se afastar da direção do vetor elétrico dominante.
Determinação do Eixo Elétrico Ventricular:
O eixo elétrico normal do QRS varia entre e (comumente próximo a , entre e ). Pode ser determinado identificando a derivação de maior amplitude positiva.
Variações biotípicas alteram a posição do eixo: pacientes longilíneos ou com DPOC/hiperinsuflação pulmonar possuem o coração em posição pendente ("em gota"), deslocando o eixo para a direita/inferior ( mais positivo e mais negativo). Pacientes brevilíneos, obesos ou grávidas possuem diafragma elevado, deslocando o eixo para cima e para a esquerda ( mais positivo).
Derivações Precordiais ( a ):
Avaliam o plano horizontal (ântero-posterior e látero-lateral).
e situam-se no espaço intercostal (à direita e esquerda do esterno, respectivamente); no espaço na linha hemiclavicular; no espaço na linha axilar média esquerda.
As derivações e observam a parede lateral do VE e apresentam perfil morfológico equivalente à derivação ( posicionado no tórax e no braço esquerdo).
Variações na parede torácica interferem na amplitude do QRS: indivíduos obesos, asmáticos ou com enfisema apresentam atenuação do sinal elétrico (baixa voltagem), enquanto jovens magros e atletas de alto rendimento exibem hipervoltagem fisiológica do QRS sem cardiopatia subjacente.
Mapeamento Topográfico e Derivações Adicionais (, , , , ):
Mapeamento de Paredes: Parede anterior ( a ), parede lateral (, , , ) e parede inferior (, , ).
Derivações Complementares: Indicadas em condições específicas, tais como suspeita de infarto do ventrículo direito (, ), infarto de parede dorsal/posterior (, , nas costas do paciente), dextrocardia, deformidades torácicas (ex: pectus excavatum) ou anomalias anatômicas (como agenesia de pericárdio).
Hemodinâmica, Volumetria Ventricular e Fisiopatologia da Insuficiência Cardíaca
Parâmetros Volumétricos Ventriculares e Fração de Ejeção:
Volume Diastólico Final (VDF): Volume presente no ventrículo ao final do relaxamento/enchimento (aprox. , totalizando em um indivíduo de ).
Volume Sistólico Final (VSF): Volume residual restante na câmara ventricular após a ejeção (aprox. no exemplo de ).
Volume de Ejeção (VEj): Volume ejetado para a aorta ou artéria pulmonar a cada batimento (aprox. , ou no exemplo de ).
Fração de Ejeção (FE): Porcentagem do VDF ejetada durante a sístole (). No caso do exemplo: . O intervalo normal de referência fisiológica varia de a .
Débito Cardíaco (DC) e Mecanismos de Adaptação ao Esforço:
O Débito Cardíaco é o volume total ejetado por minuto (), variando em repouso entre e .
Durante o exercício físico ou estresse metabólico, o acúmulo de lactato e a demanda por exigem aumento do DC para (ou até em atletas). Esse aumento ocorre mediante elevação da Frequência Cardíaca (mecanismo cronotrópico) e aumento da inotropia/força de ejeção.
Regime de Pressões Intracavitárias e Mecanismo de Sucção Atrial:
Em condições normais, a pressão sistólica do VE atinge cerca de em repouso (podendo atingir no exercício), enquanto a pressão no Átrio Esquerdo (AE) permanece muito baixa, entre e (e no Átrio Direito entre e ).
Essa baixa pressão atrial cria um efeito de vácuo/sucção que facilita o retorno venoso pulmonar e sistêmico sem exigir trabalho sob alta pressão.
Fisiopatologia da Insuficiência Cardíaca (IC) e Edema Pulmonar:
Em disfunções miocárdicas (como na Miocardiopatia Dilatada ou pós-IAM), o Ventrículo Esquerdo perde a capacidade de ejetar adequadamente ou de relaxar com baixas pressões.
Para tentar manter o débito cardíaco, ocorre elevação da pressão diastólica final do VE, que é transmitida retrogradamente para o Átrio Esquerdo.
Em situações de esforço ou progressão da doença, a pressão no AE eleva-se (subindo do patamar normal de para até ), o que aumenta substancialmente a pressão hidrostática nos capilares pulmonares.
Quando a pressão hidrostática capilar supera a pressão oncótica do plasma, ocorre extravasamento de fluido para o espaço intersticial e alveolar (edema pulmonar), provocando crepitações auscultatórias basais, dispneia e intolerância aos esforços (ex: quadro clínico de dispneia progressiva na esteira em paciente com miocardiopatia não diagnosticada).
Na falência de Ventrículo Direito, a transmissão retrógrada de pressão atinge o sistema venoso sistêmico, gerando turgência jugular, congestão hepática, congestão renal, ascite e edema de membros inferiores.
Choque Cardiogênico: Estágio grave de falência de bomba (frequentemente pós-IAM agudo), caracterizado por hipotensão severa (ex: PA ), má perfusão periférica, tempo de enchimento capilar alentecido, confusão/rebaixamento, edema agudo de pulmão (crepitações disseminadas) e dessaturação de oxigênio (ex: ).