Sistema Digestivo FA

Capítulo 5 - Sistema Digestivo

Aspetos Introdutórios

  • A alimentação é essencial para a manutenção, crescimento e reprodução dos organismos.

Classificação com bases nos hábitos na natureza

  • Carnívoro: Alimenta-se apenas de carne.

  • Herbívoro: Alimenta-se apenas de plantas.

  • Omnívoro: Alimenta-se de carne e plantas.

  • Detritívoro: Alimenta-se de restos de animais ou plantas em decomposição.

Exemplos de hábitos alimentares em animais domesticados
  • Gato: Classificado como carnívoro obrigatório, com necessidades específicas que só são supridas pela carne, como:

    • Taurina

    • Ácido araquidônico

    • Vitamina A pré-formada

  • Gatos utilizam aminoácidos como fonte de energia por meio de neoglicogénese, com capacidade limitada para converter triptofano em niacina.

  • Apesar de ser carnívoro, os gatos consomem carboidratos em alimentos formulados, que:

    • Melhoram a consistência do biscoito.

    • São mais baratos devido à gelatinização.

Sustentabilidade na alimentação de peixes
  • Truta: Peixe carnívoro que geralmente se alimenta de farinha de peixe, que não é uma prática sustentável devido a limitações na pesca.

  • Alternativas de origem vegetal estão sendo exploradas para alimentar peixes, incluindo a necessidade de suplementar aminoácidos como lisina.

Comportamento animal/alimentar

  • O comportamento alimentar é fundamental para a obtenção de alimento: “Comem para viver ou vivem para comer.”

  • A seleção natural favoreceu a capacidade de obtenção de alimento e de evitar se tornar alimento para outros.

Hipóteses de vivência para os animais
  • Vida em grupo: Proteção e eficiência na obtenção de alimento em ambientes arriscados.

  • Vida solitária: Pode ser preferível diante de recursos limitados, evitando a competição.

  • O comportamento alimentar é influenciado por fatores como:

    1. Tamanho da presa disponível.

    2. Tamanho do predador.

    3. Técnica de caça (ex.: camuflagem, emboscada, etc.).

    4. Habitat.

    5. Presença de outros predadores e perigos.

Técnicas de caça
  • Dependem da presa, ambiente, necessidades nutricionais e energia despendida.

Características morfológicas/fisiológicas e comportamento alimentar

  • Herbívoros:

    • Apresentam:

    • Ausência de caninos;

    • Pré-molares e molares desenvolvidos;

    • Incisivos no maxilar inferior apenas.

  • Carnívoros:

    • Contêm caninos e dentes canáceos para predar.

Seletividade alimentar

  • Cabras: Altamente seletivas, preferem rebentos e folhas jovens, utilizando retração dos lábios.

  • Vacas: Menos seletivas, com línguas longas e flexíveis que capturam uma variedade maior de alimentos.

Comportamento alimentar na natureza vs domesticação

  • Gatos na natureza fazem várias pequenas refeições, principalmente à noite. Já em casa, precisam de alimento disponível sempre.

  • Cães possuem um comportamento alimentar mais constante e podem ser ensinados a se sentirem satisfeitos com diferentes dietas ajustando teor e fonte de fibra.

Métodos de alimentação

  • Animais sésseis: Alimentam-se por absorção ou filtragem.

  • Animais móveis: Realizam atividades de busca, perseguição e captura.

Absorção
  • Método rudimentar

    • Através da superfície corporal sem necessidade de captura especializada.

    • Exemplos: protozoários, endoparasitas.

Endocitose
  • Forma ativa de alimentação em nível celular, onde vacúolos são formados para a digestão.

  • Exemplos: Fagocitose e Pinocitose em amebas.

Filtração
  • Captura de alimentos suspensos em água por dispositivos de aprisionamento, como cílios ou flagelos.

  • Efeito Bernoulli: Reduz a pressão do fluido com aumento da velocidade, diminuindo o custo energético.

  • Exemplo de organismos filtradores móveis: Baleias, flamingos.

Apreensão de presas
  • Uso de acessórios bucais, como dentes ou toxinas, para capturar e processar o alimento.

  • Estruturas quitinosas em invertebrados, dentes modificados em cobras, etc.

Digitação

  • Cada categoria de animal possui adaptações específicas para a digestão:

    • Herbívoros: Adaptados para trituração de materiais vegetais.

    • Carnívoros: Dentes projetados para rasgar e mastigar.

Sistemas de alimentação

  • Sistema de reator batch: Um único orifício; exemplo: hidra.

  • Reator de tanque agitado: Dois orifícios; exemplo: rúmen de ruminantes.

  • Reator de tomada: Entrada e saída contínuas; digestão ao longo do tubo digestivo; exemplo: intestino delgado.

  • A digestibilidade e o comprimento do intestino variam entre herbívoros e carnívoros.

Estruturas auxiliares
  • Pregas intestinais: Aumentam a superfície de absorção.

  • Cecos: Estruturas que aumentam a eficiência digestiva, especialmente em peixes e outros animais.

Canal Alimentar

  • Estrutura tubular:

    • Lúmen externo ao corpo;

    • Esfíncteres controlam a entrada e saída;

    • Produção de sucos digestivos;

    • Absorção de nutrientes.

  • Sub-divisões do canal alimentar:

    • Headgut: Recepção.

    • Foregut: Condução, armazenamento, digestão.

    • Midgut: Digestão e absorção.

    • Hindgut: Absorção de água e armazenamento.

Regiões do canal alimentar e suas funções
  • A região cranial consiste em:

    • Partes bucais, cavidade oral, faringe, glândulas salivares, etc.

  • Funções da língua abordam desde a mastigação até a percepção sensorial.

Secreção Salivar

  • Produzida por glândulas salivares, principalmente:

    • Parótidas: Saliva serosa rica em amílase.

    • Submaxilares: Saliva mista.

    • Sublinguais: Prédominantemente mucosa.

  • A secreção salivar é estimulada pela presença de alimento e modula processos digestivos.

Deglutição

  • Processo complexo que envolve a passagem do bolo alimentar do boca ao esôfago, coordenando movimentos peristálticos.

Funções e características do estômago
  • Armazenamento, mistura de alimentos e início da digestão através de secreções gástricas (HCl e pepsinogênio).

    • A secreção gástrica envolve:

    • Células oxínticas (HCl);

    • Células peptídicas (pepsinogênio).

  • O pH do estômago (2-5) é ideal para a digestão.

Ruminantes

  • Classificação em poligástricos:

    • Comprimentos dos compartimentos gástricos: retículo, rúmen, omaso e abomaso.

    • O rúmen é principal compartimento de fermentação e absorção de nutrientes.

Ruminação e suas vantagens
  • Aumenta a eficiência na digestão de fibras vegetais, permitindo a ingestão rápida de alimentos.

  • Processos de mastigação ajudam na liberação de nutrientes.

Interações simbióticas no rúmen
  • A população microbiana é fundamental para a digestão de celulose, produção de ácidos gordos voláteis e recuperação de água.

  • Enzimas como celulase são essenciais para a degradação de fibras.

Fermentação de Proteínas e Lípidos

  • Produção de amônia e necessidade de reciclagem para a eficácia nutricional dos ruminantes.

  • Os lipídios se transformam em ácidos graxos e glicerol, com destaque para a natureza saturada ou insaturada:

    • Ácidos graxos insaturados podem ser convertidos durante a digestão.

Adaptações dos diferentes grupos animais

  • Os herbívoros são adaptados para uma dieta rica em fibras, utilizando também o ceco para fermentação bacteriana.

Conclusão sobre a alimentação
  • A alimentação influencia diretamente o comportamento e a saúde dos animais, variando de acordo com a espécie e a disponibilidade alimentar.

Necessidades Alimentares

  • Nutrientes essenciais para energia metabólica, crescimento e reprodução, com variações conforme:

    • ZNT (Zona de Neutralidade Térmica);

    • Velocidade de crescimento e necessidade reprodutiva.