Equações de Movimento do Navio e Sistemas Referenciais
Introdução à Equação de Movimento do Navio
- Objetivo Central: O estudo da manobrabilidade do navio visa conhecer as causas dos movimentos. Na construção da equação de movimento, as forças externas que atuam sobre o navio são relacionadas a uma aceleração resultante, em estrita observância à segunda lei de Newton.
- Definição do Sistema: O navio é tratado como um corpo rígido, um sistema idealizado de partículas ou elementos de massa que não sofre alteração de forma ou tamanho.
- Aplicação da Segunda Lei de Newton: Originalmente definida para uma partícula simples em um referencial inercial, a lei é expandida para o navio através da análise da variação da quantidade de movimento ().
Sistemas Referenciais de Posição
- Graus de Liberdade: Um navio em movimento no mar possui seis graus de liberdade: translação ao longo de três eixos ortogonais e rotação em torno de cada um desses eixos.
- Geometria e Referenciais:
- As forças externas dependem da geometria do casco.
- Em um referencial inercial, as funções que descrevem a superfície do casco variam constantemente com o tempo.
- Portanto, as forças no referencial inercial são afetadas não apenas por velocidades e acelerações, mas pela contínua mudança de posição do casco.
- Plano de Simetria:
- Quase todos os veículos hidrodinâmicos possuem um plano de simetria (plano da linha central).
- Boreste (direita) e bombordo (esquerda) possuem geometria espelhada.
- Exemplos citados: navios, submarinos, foguetes, barcos, torpedos, aviões, dirigíveis, peixes e pássaros.
- Assimetria dinâmica: Pode ocorrer devido ao sentido de rotação de um único propulsor, sendo tratada como um desvio controlado.
- Orientação dos Eixos:
- Dois eixos devem estar no plano de simetria e o terceiro deve ser perpendicular.
- Corpos de revolução (foguetes/torpedos) possuem um segundo plano de simetria (perpendicular ao primeiro).
- A escolha de eixos no plano de simetria simplifica as expressões matemáticas para forças hidrodinâmicas e as equações de Newton, pois os eixos geralmente coincidem com os eixos principais de inércia.
Definição dos Eixos e Nomenclatura
O sistema de eixos é fixado no navio (referencial não inercial) para facilitar o cálculo das forças hidrodinâmicas e hidrostáticas ().
- Eixo x: Longitudinal, no plano de simetria, positivo para frente (geralmente paralelo à quilha ou linha d'água). Vetor unitário: .
- Eixo y: Transversal, perpendicular ao plano de simetria, positivo para boreste. Vetor unitário: .
- Eixo z: Vertical, no plano de simetria, positivo para baixo (direção à quilha). Vetor unitário: .
- Referencial Inercial NED (North-East-Down):
- Utilizado para análises de navegação, trajetórias, ângulo de rumo e forças ambientais (vento, corrente, ondas).
- Baseado no sistema geográfico: Norte (), Leste () e Down/Baixo ().
O Vetor Posição e a Cinemática de Rotação
- Vetor Posição (): Acompanha o centro de gravidade no referencial inercial.
- Relação de Posição Infinitesimal: O vetor posição de um elemento de massa é dado por: Onde acompanha a posição de em relação ao centro de gravidade (). Quando tende a zero, ele se torna paralelo aos eixos principais do navio (, , ).
- Variação dos Vetores Unitários: Como os vetores unitários são fixos ao navio que rotaciona, suas derivadas no tempo não são nulas quando há rotação:
- Rotação (pitch - arquejo) em torno de : ; .
- Rotação (yaw - guinada) em torno de : ; .
- Rotação (roll - jogo/balanço) em torno de : ; .
O Vetor Velocidade do Navio
- Velocidade Angular (): Definida como .
- (roll rate)
- (pitch rate)
- (yaw rate)
- Relações de Derivação dos Vetores Unitários:
- Processo de Permutação: Para transpor equações entre os eixos, utiliza-se a escala circular (ou ).
- Componentes da Velocidade Linear ():
- : velocidade em (positiva para vante).
- : velocidade em (positiva para boreste).
- : velocidade em (positiva para baixo).
Equação de Movimento Translacional (Referencial no Centro de Gravidade)
- Hipótese de Massa Constante: Em navios mercantes, a variação de massa por consumo de combustível é negligenciada durante a manobra ().
- Força Resultante (): No referencial fixo ao navio, deve-se considerar a variação do sentido dos eixos unitários.
- Equações Escalares de Força:
- Os termos representam as acelerações translacionais.
- Os termos representam as acelerações centrípetas.
Equação de Movimento para Momentos (Referencial no Centro de Gravidade)
- Quantidade de Movimento Angular (): É a soma das quantidades de movimento angular de todos os elementos de massa em torno de .
- Tensor de Inércia ():
- Simplificação pelos Eixos Principais: Devido à simetria, os produtos de inércia ( onde ) são nulos no centro de gravidade, resultando em:
- Momentos Externos (): Representados pelo vetor .
- Efeitos Giroscópicos: Os termos como representam momentos de precessão e nutação.
Equação de Movimento Fora do Centro de Gravidade
Frequentemente, a origem () do sistema de coordenadas é fixada no centro geométrico ou centro de carena, e não no centro de gravidade (). Isso exige termos adicionais relacionados às distâncias .
Relação de Velocidade:
Forças Inerciais Adicionais:
- Forças Centrifugas: Intensidade vertical à rotação, sentido de para a origem . Valor: .
- Forças de Euler: Reações inerciais dadas pela aceleração angular aplicada em . Valor: .
- Força de Coriolis: Surge da variação da quantidade de movimento angular medida fora de ().
Equações Completas para Forças (Origem em ):
Equações Completas para Momentos (Origem em - Convenção SNAME):
Casos Simplificados e Planos de Movimento
- Plano Horizontal (3 Graus de Liberdade - Surge, Sway, Yaw):
- Referencial Fora do CG:
- Referencial no Centro de Gravidade: