Gestos

Escola Superior de Comunicação Social

Laboratório de Comunicação Interpessoal

Apresentador: Ângelo VicenteTítulo: OS GESTOS E A PRODUÇÃO DA FALA

AGENDA

  • O conceito e as funções de cinésica

  • Tipologias de Gestos

  • Visibilidade do interlocutor e produção de gestos

  • Dupla função dos gestos

  • Coordenação entre postura, gestos e fala

CONCEITO DE CINÉSICA

Fundada por Ray Birdwhistell nas décadas de 1950 e 1970, a cinésica é um termo antropológico que se refere à linguagem do corpo. Essa disciplina busca explorar a expressividade global do corpo humano, examinando como movimentos, expressões faciais, olhares e gestos contribuem para a comunicação interpessoal. A cinésica sugere que o corpo é um meio fundamental de comunicação, muitas vezes complementando ou até substituindo a fala verbal.Exemplos de gestos:

  • Acenos de cabeça: Controlam o fluxo do discurso e ajudam a sincronizar a interação entre os interlocutores.

  • Mãos e braços: Têm um papel fundamental na cinésia, sendo utilizados para ilustrar pontos ou expressar emoções.

FUNÇÕES DA CINÉSICA

Os gestos têm várias funções na comunicação, incluindo:

  • Regulação da alternância de falas: Auxiliam os interlocutores na identificação de quando um fala deve ser iniciada ou finalizada.

  • Acompanhamento de elementos paralinguísticos: Gestos podem acompanhar entonações e pausas na fala, enriquecendo a mensagem.

  • Sinalização das emoções e sua intensidade: Por meio dos gestos, é possível transmitir emoções de forma mais eficaz, como alegria, tristeza ou surpresa.

TIPOS DE GESTOS

A tipologia dos gestos pode ser entendida através de várias classificações:

  1. Tipologia de Ekman & Friesen (1969)

    • Emblemas: Gestos que têm significado específico e podem ser utilizados na ausência de fala. Exemplos incluem o sinal de "OK" ou um gesto de saudação.

    • Ilustradores: Relacionados à fala, expressando estados emocionais que complementam a comunicação verbal.

    • Gestos reguladores: Usados para regular a conversa, como indicar que se quer falar.

    • Adaptadores: Gestos que surgem em situações de ansiedade, como mexer nas mãos ou brincar com objetos.

  2. Tipologia de Knapp & Hall (2006)

    • Gestos independentes da fala: Que podem ser compreendidos sem a fala.

    • Gestos relacionados com a fala: Que de alguma maneira influenciam ou são influenciados pelo discurso verbal.

  3. Tipologia de McNeill (1985; 1992; 2001)

    • Gestos não representativos: Não têm um significado específico.

    • Gestos representativos: Dividem-se em icônicos, deícticos espaciais (indicando objetos ou direções) e metafóricos.

FUNÇÕES DOS GESTOS

Os gestos desempenham um papel crucial na comunicação:

  • Função comunicativa: Eles ajudam a tornar o discurso mais compreensível, proporcionando pistas visuais.

  • Função de acesso lexical: Facilitam a produção da fala, ajudando a pessoa a acessar vocabulário e informações necessárias para se expressar.

  • Estudo de Jacobs & Garnham (2007): Revelou que a quantidade de gestos aumenta quando as mensagens são transmitidas a diferentes ouvintes, especialmente se o interlocutor não está olhando para a fonte de informação.

QUANDO GESTICULAMOS MAIS?

Condições que levam a um aumento na gesticulação incluem:

  • Comunicação cara a cara: Interações diretas tendem a inspirar mais gestos.

  • Falante entusiasmado: O entusiasmo e preocupação com a compreensão do ouvinte levam ao uso mais frequente de gestos.

  • Situações complexas: Em situações onde a atenção é dispersa, os gestos ajudam a manter o foco na comunicação.

  • Dificuldade em encontrar palavras: Quando a fluência verbal é desafiada, os gestos promovem a expressão.

  • Domínio da conversa: Gestos ajudam a tomar a iniciativa durante a conversa, reafirmando a posição do falante.

  • Conteúdo da fala relevante: Em casos onde a atividade envolvida é prática (como demonstrações), os gestos naturalmente se intensificam.

O IMPACTO DA VISIBILIDADE NA PRODUÇÃO DE GESTOS

Estudos indicam que o contexto físico em que a comunicação ocorre pode impactar a produção de gestos:

  • Cohen e Harrison (1973): Compararam gestos em interações face a face com aquelas por intercomunicação.

  • Cohen (1977): Explorou como a direção da conversa influenciava os gestos.

  • Lickiss e Wellens (1978): Discutiram a descrição de retratos fotográficos e como isso provoca diferentes tipos de gestos.

  • Rimé (1982): Analisou a discussão sobre filmes e os gestos utilizados durante essas conversas.Resultados: Gestos ilustradores foram mais frequentes nas interações cara a cara, enquanto diferenças com gestos temáticos foram menos significativas.

O IMPACTO DO CONTEXTO NA INTERPRETAÇÃO DOS GESTOS

Os significados culturais podem modificar a interpretação dos gestos.Exemplos de gestos emblemas:

  • Insulto: Em algumas culturas, um gesto com o dedo pode ser um insulto, enquanto em outras pode não ter esse significado.

  • Vitória: Levantar os braços em sinal de vitória pode ter conotações diferentes dependendo do contexto cultural.

  • Significados diversos: Gestos como "cornudo" ou "I love you" podem variar enormemente entre diferentes países e culturas, destacando a importância do contexto na comunicação.

DIFERENTES TIPOS DE GESTOS

Além dos mencionados, gestos de saudação desempenham um papel importante na interação social, expressando cortesia e o início de uma conversa.

PREOCUPAÇÕES NA COMUNICAÇÃO EFICAZ EM APRESENTAÇÕES ORAIS

Ao elaborar apresentações orais, é essencial considerar a produção e interpretação de gestos, tornando a comunicação mais eficiente e engajadora para o público.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • Bitti, P. R., & Zani, B. (1993). A comunicação como processo social. Lisboa: Editorial Estampa. (cap.5)

  • Gamble, T. K., & Gamble, M. W. (2005). Interpersonal communication in theory, practice and context. Boston: Houghton Mifflin Company. (cap. 6)

  • Knapp, M. L. & Hall, J.A. (2006). Nonverbal communication in human interaction. 6ª Ed. Belmont, CA: Thomson Wadsworth (cap.1 e 10)

  • Trenholm, S. & Jensen, A. (2004). Interpersonal communication. 5ª Ed. New York: Oxford University Press (cap.3)

  • Wood, J. T. (2020). Interpersonal communication – everyday encounters. Belmont, Ca: Thomson Wadsworth. (cap.5)