MEDICINA DA FAMÍLIA E DA COMUNIDADE I

MÉTODO CLÍNICO CENTRADO NA PESSOA

Conceitos abordados no MCCP → medo, anseio, expectativas e ideias.

VANTAGENS

  • Aumenta aderência à:

    • As condutas propostas e criada com a participação do mesmo.

    • A uma maior confiança no profissional de saúde

  • Melhoram desfecho:

    • Da saúde física

    • Da saúde mental

    • Do melhor manejo para problemas sociais

OBJETIVOS

  • Melhor resultado para a saúde do paciente, quer seja na satisfação, na

    morbimortalidade ou na qualidade de vida.

  • Levantamento de informações relevantes → construir um projeto comum de manejo, que promova melhor adesão ao tratamento.

MODELO CLÍNICO CONVENCIONAL

  • “Poder restrito ao médico” → responsável pela condução da consulta, análise da situação e processo de tomada de decisão a respeito do manejo.

  • Deficiências:

    • Em cerca de 70% das vezes o médico interrompe o paciente em média de

      18 segundos.

    • Uma consulta centrada no médico é capaz de revelar apenas 6% dos

      diagnósticos de esferas psíquicas e sociais.

    • Dois terços dos diagnósticos são feitos apenas pela história clínica.

HABILIDADES ADQUIRIDAS

  • Empatia

  • Não interromper

  • Frases/Perguntas abertas

DESFECHOS

! As consultas centradas na pessoa não exigem mais tempo !

  • Há melhora no controle da hipertensão arterial e do diabetes mellitus, assim como nos pacientes com sintomas inespecíficos;

  • Diminuição das queixas por má prática;

  • Redução nos sintomas em doenças mentais;

  • Menor prescrição de medicações neurolépticas;

  • São solicitados menos exames complementares;

  • Maior satisfação com a prática por parte do médico;

  • Maior conexão entre médicos e pacientes;

  • Melhora na adesão e nos desfechos neonatais;

  • Maior provisão de serviços preventivos;

  • Menos encaminhamentos;

  • Melhora nos cuidados paliativos;

PRIMEIRO COMPONENTE (SAÚDE, DOENÇA, EXPERIÊNCIA DA DOENÇA)

  • Saúde → Percepções e experiência da saúde, pessoais e únicas (significados e aspirações)

  • Doença → Histórico, exame físico, exame complementares.

  • Experiência da doença → Explorar os aspectos subjetivos da doença (SIFE)

    • Sentimentos → como o sinal/sintoma está afetando emocionalmente a pessoa, medos e preocupações

    • Ideias → o que a pessoa pensa sobre o que está acontecendo

    • Função → compreender como o problema afeta a vida diária da pessoa

    • Expectativas → o que a pessoa espera que se faça ou que precise ser feito

SEGUNDO COMPONENTE (PESSOA, FAMÍLIA E CONTEXTO)

  • Pessoa → história de vida, questões pessoais e de desenvolvimento.

  • Contexto próximo → configuração familiar, etapa do ciclo de vida, lazer, condições de trabalho, estado socioeconômico, apoio social.

  • Contexto amplo → convivência social, bagagem cultural, questões sensibilizantes discutidas na mídia ou vivenciadas de outras maneiras.

! buscar relação temporal entre as mudanças do contexto e o surgimento ou mudança no padrão dos sintomas. !

TERCEIRO COMPONENTE (PLANO CONJUNTO)

  • Chegar a uma explicação que seja razoável tanto para o médico como para pessoa, entendendo a lógica que a pessoa estabelece para os sintomas (definição do problema)

  • Definir Metas e prioridades do tratamento e/ou do manejo

  • Identificar os papéis que devem ser assumidos pela pessoa e pelo médico

QUARTO COMPONENTE (FORTALECIMENTO RELAÇÃO MÉDICO-PACIENTE)

  • Compaixão, empatia, cuidado e confiança

  • Compartilhamento do poder

  • Cura e esperança

  • Autoconhecimento e sabedoria prática

  • Transferência e contratransferência

HABILIDADES DE COMUNICAÇÃO

  • Conceito de comunicação: É o processo de troca de informações que ocorre tanto

    verbalmente como com aspectos não verbais, tendo a função de estabelecer relações entre as pessoas.

    Ex: tom de voz. gestos, posicionamento corporal, expressões faciais.

  • Comunicação na saúde engloba:

    ✓ paciente,

    ✓ intraprofissional,

    ✓ escrita,

    ✓ familiares/cuidadores,

    ✓ a distância (Teleatendimento),

    ✓ mídia.

  • Comunicação clínica efetiva → É um procedimento de interação entre o profissional de saúde e outra pessoa, seja ela um paciente, um cuidador ou outro profissional de saúde, em um contexto de cuidado, no qual as características individuais de ambos são levadas em consideração e a relação entre essas pessoas leva ao acolhimento, ao diálogo e ao entendimento mútuo.

    • Resultados:

      ✓ melhores desfechos de saúde,

      ✓ melhora na qualidade do cuidado oferecido,

      ✓ melhores diagnósticos,

      ✓ melhora na satisfação com a consulta,

      ✓ melhor adesão a tratamentos,

      ✓ melhor controle de sintomas e de sofrimento em saúde mental,

      ✓ menor taxa de encaminhamentos pelo médico da APS.

  • Relação direta da comunicação clínica eficiente com a segurança do paciente

  • Protocolos básicos de segurança do paciente:

    • Cirurgia Segura

    • Identificação do Paciente

    • Prevenção de Úlcera por Pressão

    • Higiene das Mãos em Serviços de Saúde

    • Prevenção de Quedas

    • Segurança na Prescrição uso e Administração de Medicamentos

  • Habilidades de comunicação no início da consulta:

    • Preparação do ambiente (ambiência do consultório e da UBS)

    • Preparação do profissional (aspectos emocionais)

    • Aspectos assistenciais (tempo de consulta – agenda, revisão de prontuário)

    • Recepção do paciente (cordialidade)

    • Abertura da entrevista (pergunta inicial aberta e, ao mesmo, tempo focada; evitar interrupções na fala do paciente).

    • Prevenção de demandas aditivas (“Algo mais?”)

    • Negociação da agenda (agenda do paciente)

      ✓ Agenda oculta (dificuldade de falar);

      ✓ Demanda: espera que o profissional solucione;

      ✓ Queixa: é mais um lamentação.

  • Técnicas de entrevista para anamnese:

    ✓ Perguntas abertas

    ✓ Técnica de comunicação não verbal

    ✓ Encorajamentos verbais curtos

    ✓ Reflexões em espelho

    ✓ Seguimento de pistas verbais

    ✓ Paráfrases

    ✓ Sumários/resumos

    ✓ Linguagem positiva

    ✓ Escuta ativa

    ✓ Empatia (nomear/refletir, validar/normalizar, apoiar e formar aliança)

  • Conceito paráfrase: parafrasear é muito semelhante ao eco, com a diferença de que utilizamos nossas próprias palavras para dizer o que o paciente está descrevendo.

  • Conceito Eco/Repetição: consiste em repetir a última palavra ou frase que o paciente falou como forma de demonstrar que estamos escutando o que ele está dizendo e, ao mesmo tempo, dizermos que queremos saber mais informações.

  • Ao diagnóstico, médico deve ter percepção sobre: o quão preparado está o paciente para receber as informações (aspectos cognitivos) e o quanto ele deseja saber sobre sua condição (aspectos emocionais).

  • Técnicas para conversa sobre diagnóstico e plano terapêutico:

    • Sumarização

    • Clareza e objetividade de linguagem

    • Categorização

    • Silêncio

    • Feedback:

      • Sim ou não → pergunta se informações foram entendidas

      • Diretivo → pede para paciente repetir com suas palavras o quelhe foi dito

      • Colaborativo → pede para paciente dizer o que entendeu.

  • Elementor formais na emmissão de mensagens informativas:

    • Frases curtas (não superior a 20 palavras);

    • Vocabulário neutro (usar palavras de baixo conteúdo emocional);

    • Pronúncia clara e tom adequado;

    • Complemento visual-tátil (acrescentar informação do tipo visual ou tátil à verbal).

  • Fatores negativos na comunicação de eventos adversos:

    ✓ Não comunicar

    ✓ Não assumir

    ✓ Não dar atenção (não escutar, evitar contato)

    ✓ Não agir rápido ou postergar

    ✓ Mostrar receio de processo judicial

    ✓ Mostrar-se muito ocupado

  • Fatores positivos na comunicação de eventos adversos:

    ✓ Mostrar cuidado

    ✓ Demonstrar honestidade

    ✓ Assumir responsabilidade

    ✓ Oferecer resposta profissional rápida

    ✓ Mostrar-se confiável

    ✓ Dar alguma garantia de que pode reverter a situação

    ✓ Reconhecer eventuais limitações

    ✓ Manter o paciente informado

    ✓ Dedicar tempo

    ✓ Ouvir

    ✓ Tocar

    ✓ Mostrar que dará suporte, mesmo que seja de longo prazo.

  • Principais motivos para não haver comunicação de eventos adversos:

    ✓ Necessidade psicologicamente reativa de preservar a autoestima

    ✓ Medo de admitir a responsabilidade de ter cometido um erro que pode ter prejudicado alguém

    ✓ Medo da raiva do paciente e/ou de alguém com autoridade

    ✓ Medo da perda de emprego ou cargo

    ✓ Ameaça de censura

    ✓ Ameaça de acusação de negligência médica

    ✓ Medo de desaprovação dos colegas

    ✓ Medo da publicidade negativa

  • Fatores importantes da prescrição de farmácos:

    • Informações por escrito

  • Informação difícil → É qualquer informação que altere de forma drástica e negativa a visão do paciente sobre o seu futuro.

  • SPIKES

    • Setting Up

    • Perception

    • Invitation

    • Knowledge

    • Emortions

    • Strategy and Summary

FAMÍLIA

Conceito de família: “É um grupo de pessoas que convivem, têm laços intensos de proximidade e compartilham o sentimento de identidade e pertencimento, que influenciarão, de alguma forma, suas vidas. Esse grupo, em geral, tem objetivos relacionados com a preservação, a nutrição e a proteção daqueles que vivem em conjunto e tem seu próprio modo de perceber o mundo.

Mudanças na estrutura familiar com o tempo → mulher no mercado de trabalho; aumento dos divórcios, diminuição dos casamentos legais; legalização da homossexualidade; facilidade de comunição gerando fragilidade nos laços sociais.

Funções básicas da família:

  • condições básicas para a sobrevivência dos membros (como moradia, alimentação, higiene e segurança).

  • Auxiliar no desenvolvimento das qualidades humanas.

  • Suprir as necessidades biológicas, emocionais, intelectuais e sociais dos indivíduos.

  • Promover o pleno crescimento e desenvolvimento dos seus integrantes.

Tipos de família:

  • Nuclear

  • Extensiva

  • Unitária → 1 pessoa

  • Monoparental

  • Reconstituída → sofreu ruptura e passou a ter novo formato

  • Homoafetiva

  • Constituição funcional → residem juntas e funcionam como figura(s) parenter.ais

  • Instituição

Tipo de comunicação predominante na família → comunicação analógica (não-verbal, corporal e facial) pois existe uma predominância de comportamento afetivo

Diferença famílias funcionais e disfuncionais → formas como manejam problemas

Crises nos clicos de vida familiares podem ser esperadas (fazem parte do ciclo) ou não.

Ciclo de Vida da Classe Média:

  1. Adulto jovem independente saindo de casa → diferenciação do Eu.

  2. Casamento

  3. Nascimento do primeiro filho

  4. Família com filhos pequenos

  5. Família com flhos adolescentes

  6. Lançando os filhos e seguindo em frente

  7. Aposentadoria

  8. Estágio tardio → a velhice.

Ciclo de vida da Classe Popular → ciclo sofre um encurtamento

  1. Família composta por adultos jovens → começa a trabalhar, normalmente inicia aos 10 anos

  2. Família com filhos pequenos → ocupa grande parte, mesma casa tem 3-4 gerações e papéis se misturam.

  3. Família em estágio tardio → raro acontecer um ninho vazio.

ABORDAGEM FAMILIAR

Ideal em relação à presença de familiares nas consultas é que todos os familiares estivessem presentes durante a consulta

Atitude da família frente à mudanças → atitude inicial é sempre negativa

Etapas da entrevista de família:

  1. Apresentação social

  2. Visão do problema

  3. Exploração da estrutura e dinâmica familiares

  4. Eleição dos objetivos de tratamento

GENOGRAMA

  • Proporciona uma visão de um quadro trigeracional de uma família e de seu movimento através do ciclo de vida.

  • Vantagens: bom para identificar fatores de risco, montar e reconhecer rede de apoio, identificar famílias disfuncionais

  • Quando usar (não existe momento certo para fazê-lo)

    • Isolamento

    • Doençar crônica

    • resisência ao tratamento

    • procura excessiva de serviço médico

    • Adicções

    • Sintomas inespecíficos

    • Problemas emocionais graves

  • O que mostra:

    • estrutura e o padrão de repetição das relações familiares e de padrões de doenças

    • informações sobre a doença da pessoa identificada

    • a rede de apoio psicossocial

    • os antecedentes genéticos

    • as causas de morte de pessoas da família

    • nível sociocultural

    • condição laboral

    • fatores condicionantes dos problemas de saúde

  • Dados do genograma:

    • Estruturais → nome, idade, profissão, situação laboral, mortes (data e causas), doenças, cuidadores e quem é o informante

    • Funcionais → interação entre os membros

  • Símbolos

    • Homem quadrado, mulher circulo

    • Morte → X em circulo ou quadrado

    • Idade dentro do circulo ou quadrade

    • Casamento ___ ; União _ _ _ ; Separação __/_; Dirvórcio __//_

    • União homoafetiva: quadrado com triangulo ou círculo com triangulo

    • ordem filhos: mais velho à esquerda

    • Abuso de alcool ou drogas → base colorida

    • recuperação de adicção → ¼ (base esquerda) colorido

    • Sérios problemas físicos ou mentais → lateral esquerda colorida

    • Gemeos: identicos tringulo com base, bivitelinos trangulo sem base

    • Aborto: linha com pequeno ponto

    • Gestação: triangulo em final de linnha

    • Proximidade = ; Fusão =_ ; Distancimento - - -; Conflituoasa ww ; foco de atenção → ; Ruptura --[ ]— ; Abuso sexual WW> ; abuso físico ww>

Ecomapa

  • relação da família no meio e com os atores sociais existentes (outras famílias, pessoas ou instituições);

  • Relação incerta: - - ; Relação fraca — ; relação forte — ; relaçao estressante ww

FIRO

• INCLUSÃO (interação, associação)

• CONTROLE (poder)

• INTIMIDADE (amor, afeto)

PRACTICE

• Presenting problem (problema apresentado)

• Roles and structure (papéis e estrutura)

• Affect (afeto)

• Comunication (comunicação)

• Time of life cycle (fase do ciclo de vida)

• Ilness in family (doença na família)

• Coping with stress (enfrentamento do estresse)

• Ecology (meio ambiente, rede de apoio)

APGAR FAMILIAR → Cada item é pontuado para medir o grau de satisfação do paciente com sua família, ajudando a orientar intervenções na atenção primária.

1. Adaptabilidade: Capacidade da família de se ajustar às mudanças.

2. Participação: Envolvimento dos membros em atividades e decisões.

3. Crescimento: Oportunidade de desenvolvimento pessoal e emocional.

4. Afeto: Expressão de carinho e vínculos emocionais.

5. Recursos: Capacidade de resolver problemas e fornecer suporte.

ATRIBUTOS DO MÉDICO DA FAMÍLIA E COMUNIDADE

Os quatro princípios base da MFC:

  1. Ser um clínico qualificado

  2. Sua atuação é influenciada pela comunidade

  3. Ser um recurso de uma população definida

  4. A relação médico-pessoa é a base do processo

6 compotências nucleras da MFC

  1. Abordagem abrangente → problemas de saúde agudos e crônicos; bem-estar geral

  2. Abordagem holística → físco, psicológica, social, cultural, existêncial

  3. Aptidão específica para resolução de problemas → decisão baseada em epidemiologia; estágios precoces e indiferenciados

  4. Orientação comunitária → responsável pela saúde da comunidade

  5. Gestão de cuidados primários → coordenação de cuidados; advocacia; 1° contato; todos problemas de saúde

  6. Cuidados centrados na pessoa → continuidade, longitudinalidade, relação médico-paciente

ATRIBUTOS DA APS

ATENÇÃO DOMICILIAR

PREVENÇÃO QUATERNÁRIA