Notes on Raimundo Fauro
Raimundo Fauro
- Raimundo Fauro: advogado e historiador influente no Brasil.
- Influenciado por Sérgio Buarque, compartilha visões sobre mazelas brasileiras (homem cordial, povo corrupto).
- Culpabilização da vítima: povo pobre como causa do próprio atraso, enquanto a elite se torna invisível.
- Estado patrimonial: reflexo do povo corrupto, resultando em um "estamento burocrático" que explora a sociedade.
A Herança de Sérgio Buarque e a Visão Liberal Clássica de Fauro
- Fauro desenvolve as ideias de Buarque em seus livros, com análises da política brasileira influenciadas por Joaquim Nabuco.
- Defesa do liberalismo clássico: o mercado como fonte de todas as virtudes.
- Contraposição entre mercado (virtude) e estado (criminalizado), o estado patrimonial é visto como antilibertário.
- Crítica ao estado patrimonial: obstáculo à liberdade, iniciativa e empreendedorismo.
Críticas à Teoria de Fauro
- A teoria de Fauro é vista como uma teoria elitista que busca legitimar a apropriação do Estado pela elite.
- Paralelo com Sérgio Buarque: ambos apresentam uma crítica social superficial que, em última análise, serve aos interesses da elite.
- Divisão de trabalho: Buarque como filósofo do liberalismo elitista e racista, Fauro como historiador que explica a formação desse sistema.
Contradições e Falsificações Históricas
- Fauro busca nas origens de Portugal a base do patrimonialismo e do estamento burocrático no Brasil.
- Contorcionismo histórico: Fauro transforma a virtude da unificação precoce de Portugal em fonte de problemas.
- Centralização do Estado em Portugal: unificação, pagamento em dinheiro aos funcionários (evitando descentralização do poder).
- Economia monetária e centralização: Norberto Elias demonstra que a economia monetária possibilita a centralização do Estado.
- Portugal pioneiro: centralização política e recursos monetários permitiram as grandes navegações.
- Visão distorcida de Portugal: Fauro vê Portugal como a base do patrimonialismo, com um estamento burocrático controlador da riqueza.
- O autor discorda dessa visão, apontando que Fauro já tinha a intenção de elogiar o mercado e condenar a ação estatal.
- A visão de Fauro é classificada como uma fraude histórica.
Corrupção e o Estado Moderno: Uma Análise Crítica
- Anacronismo: Fauro alega existência de corrupção no Portugal medieval (1380), o que é considerado um equívoco.
- Corrupção moderna: pressupõe a existência do bem público e da soberania popular.
- Bem público e soberania popular: a noção de que bens pertencem a todos surge com a ideia de que o poder emana do povo.
- Impossibilidade da corrupção medieval: terras pertenciam ao rei, sem a noção de ilegitimidade da propriedade real.
- Revolução Francesa: necessária mudança de consciência para questionar a legitimidade da propriedade real.
- Falsificação histórica: a tese de Fauro é vista como uma fraude científica que convenceu muitas pessoas.
O Mito do Excepcionalismo e a Criminalização do Estado
- Oposição forjada: Fauro cria uma oposição entre o passado português/presente brasileiro e o passado inglês/presente americano.
- Americanismo: idealização dos Estados Unidos como virtuosos, democráticos e honestos.
- Similaridades medievais: Portugal e Inglaterra medievais funcionavam de maneira semelhante.
- Singularidade fictícia: construída para contrapor o "paraíso" do mercado (EUA) ao Estado "corrupto" (Brasil).
- Interesse político: a tese de Fauro é prejudicada por um interesse político prévio, que o leva a falsificar a história.
- Criminalização do estado: objetivo de Fauro é criminalizar a atividade estatal e exaltar o mercado.
- Excepcionalismo paulista: exaltação da elite paulista como representação da visão virtuosa do mercado.
- Mercado como base de todas as virtudes: tese infundada e inexistente na realidade.
- Estado como obstáculo: visão de que o estado impede o florescimento de riquezas e conhecimento.
- Estado fiscalista (Minas Gerais) e estado benévolo (Dom João VI): ambos são vistos negativamente por Fauro.
- Simplismo da tese: apesar de simplista, a tese de Fauro teve sucesso monumental.
Recepção na Esquerda e Contexto Político
- Sucesso na direita: alinhamento com o liberalismo que idealiza o mercado.
- Acolhimento na esquerda: Fauro e Buarque são considerados ídolos da esquerda.
- Contexto histórico: "Os Donos do Poder" foi publicado em 1959 e relançado em 1975, durante a ditadura militar.
- Crítica ao estado ditatorial: a crítica ao estado autoritário dos militares fez com que a esquerda interpretasse a obra comoprogressista.
- Esquecimento das ideias: a filiação de um autor ao PT não deve obscurecer os efeitos de suas ideias na sociedade.
Necessidade de uma Crítica Social Verdadeira
- Crítica social autêntica: necessidade de uma interpretação alternativa que não repita a visão dos dominadores.
- Opressão interna: as ideias de Fauro e Buarque são utilizadas para oprimir a maioria da população brasileira.