Meningites Agudas e Sua Abordagem Clínica

MENINGITES AGUDAS

  • Definição: Inflamação das meninges, aumentando o número de leucócitos no líquido cefalorraquidiano (LCR).
    • Ocorre devido à presença de patógenos nas meninges.
    • Alta taxa de mortalidade e morbidade.
    • Mortalidade: Número de mortes pela doença comparado à população geral.
    • Letalidade: Número de mortes pela doença em relação ao número de pessoas infectadas.
    • Possíveis sequelas graves nos pacientes.

TIPOS DE MENINGITE

Meningite Bacteriana
  • Características: Quadro clínico grave.
  • Diagnóstico: Realizado por cultura.
  • Letalidade: Aproximadamente 20-30%.
Meningite Viral
  • Características: Quadro clínico menos grave.
  • Diagnóstico: Por PCR (método mais caro).
  • Prevalência: É mais comum, mas frequentemente subdiagnosticada e subnotificada.
  • Letalidade: Baixa.
Meningite por Outras Etiologias
  • Exemplos:
    • Meningite tuberculosa (micobactérias).
    • Meningite fúngica (criptococose)…
  • Letalidade: Semelhante à bacteriana para criptococose.

SOROTIPOS DA MENINGITE

  • Existem sorotipos A, B, C, W, Y.
    • Sorotipos mais prevalentes: Meningococo C e B.
    • Vacina disponível apenas para meningococo B na rede privada.
    • Vacina Menigo C: 2 doses (3m, 5m) + reforço (12m).
    • Vacina Meningocócica Quadrivalente (ACWY): 1 dose única aos 11-14 anos.

ETIOLOGIA

  • Desde 2014, a meningite bacteriana é mais comum que a viral.
  • 80% das meningites bacterianas:
    • Streptococcus pneumoniae (pneumococo)
    • Neisseria meningitidis (meningococo)
    • Haemophilus influenzae.
  • A vacinação contribuiu para a diminuição de casos.
  • Principais agentes causadores variam:
    • Neonatos: Escherichia coli e Streptococcus agalactiae.
    • Imunossuprimidos: Listeria monocytogenes.

SURTOS

  • Profilaxia:
    • Vacinação de bloqueio: imunizar toda a população de uma área.
    • Vacinar entre 3 meses a 64 anos.
    • Quimioprofilaxia: Para contatos diretos com casos confirmados.

ANATOMIA E FISIOPATOLOGIA

  • Produção do líquor: Plexo corióide do 3º e 4º ventrículo.
  • Escoamento: Espaço subaracnóideo.
  • Reabsorção: Nas placas crivosas, granulações da aracnóide.
Fisiopatologia da Meningite
  1. Colonização da nasofaringe.
  2. Invasão local.
  3. Bacteremia.
  4. Invasão da meninge.
  5. Multiplicação bacteriana e lise no espaço subaracnóideo.
  6. Inflamação do espaço subaracnóideo e ventricular.
  • Consequências:
    • Edema vasogênico, aumento da pressão do líquor, hidrocefalia…
    • Neutrófilos tentam combater o patógeno no LCR.

QUADRO CLÍNICO

  • Tríade clássica: Presente em cerca de 40% dos casos.

    • Febre
    • Rigidez nucal
    • Cefaleia
    • Alteração do nível de consciência (Glasgow < 13).
  • Sinais de Hipertensão Intracraniana:

    • Papiledema, alteração no nível de consciência, tríade de Cushing.
  • Outros Sintomas:

    • Náuseas, vômitos, convulsões, rash (petéquias, equimoses).

MENINGOCOCCEMIA

  • Ocorre em 30-40% das meningites meningocócicas.
  • Progressão Rápida: Bacteremia persistente.
  • Síndrome de Waterhouse-Friderichsen: Hemorragia suprarrenal.

DIAGNÓSTICO

  • Suspeita clínica: Coleta de LCR, hemocultura e início precoce de antibióticos e corticoides.

  • PUNÇÃO LOMBAR:

    • Realizar em decúbito lateral.
    • Indicações para exame de imagem antes da punção: rebaixamento do nível de consciência, sinais de HIC, etc.

ANÁLISE DO LÍQUOR

  • Manometria: Pressão de abertura.
  • Citoquímica: 4 células/mm³.
  • Bioquímica:
    • Proteínas até 45-50 mg/dL.
    • Glicose ≥ ⅔ da glicose sérica.
  • Bacterioscopia e Cultura: Diagnóstico etiológico.

MENINGITE CLARA VS MENINGITE BACTERIANA

  • Líquor claro: Causas virais.
  • Líquor turvo/purulento: Causas bacterianas (polimorfonucleares).

DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS

Meningite Bacteriana vs Viral
  • Bacteriana: Predomínio de neutrófilos.
  • Viral: Predomínio de linfócitos.

TRATAMENTO

Empírico
  • Meningite Bacteriana:
    • Ceftriaxona: 2g a cada 12h.
    • Vancomicina: Para cobertura de pneumococos.
  • Corticóides:
    • Dexametasona para evitar sequelas neurológicas.
Meningite Viral
  • Conduzir suporte, antivirais se necessário.

PREVENÇÃO

  • Vacinação: Meningo C, ACWY, B.
  • Quimioprofilaxia: Para contatos.
COMPLICAÇÕES
  • Raras, mas podem incluir complicações cerebrovasculares, surdez e empiema subdural.

MENINGITE AGUDA NO PACIENTE PEDIÁTRICO

  • Sinais e Sintomas: Variam com a idade; exceto os neonatos, que podem apresentar instabilidade térmica, apatia, refluxo.
  • Diagnóstico Precoce: Fundamental para a identificação da meningite.

DIAGNÓSTICO EM CRIANÇAS

  • Critérios: Considerar idade, sinais de gravidade, laboratórios e radiografias.
  • Patógenos mais comuns: Pneumococo, meningococo, E. coli em neonatos.