Sinalização Molecular e Envelhecimento

Sinalização Molecular e Envelhecimento

Instabilidade Genómica e Envelhecimento

A instabilidade genómica é um dos fatores associados ao envelhecimento, que se manifesta através de:

  • Encurtamento de telómeros

  • Alterações epigenéticas

  • Perda de proteostasia

  • Desregulação da sinalização por nutrientes - o envelhecimento está muito relacionado com a restrição calórica

  • Disfunção mitocondrial

  • Senescência celular

  • Diminuição de células estaminais

  • Alteração da sinalização intercelular

  • Sirtuinas são importantes

Danos no DNA (nuclear e mitocondrial) podem ser reparados, mas danos excessivos ou reparação insuficiente favorecem o envelhecimento.

Mutações em genes de reparação do DNA, supressores tumorais, e manutenção dos telómeros levam a um envelhecimento acelerado. Deficiências em helicases tipo RECQ (RECQ1, BLM, WRN, RTS e RECQ5) resultam em deleções, translocações e aberrações cromossômicas.

Síndromes como Bloom, Werner e Rothmund-Thomson estão associadas a elevada incidência de cancro.

Ratinhos deficientes na DNA polimerase 𝛾 (POLG; mitocondrial) apresentam envelhecimento prematuro, diminuição da longevidade, tamanho corporal reduzido, cifose, alopecia, acumulação de mutações pontuais e deleções, e aumento de marcadores de apoptose.

O envelhecimento está associado a morte e doenças, aspeto relacionados com a instabilidade genómica, encurtamento dos telómeros e alteração epigenetica

Perda de proteostasia - homeostasia de proteinas (chaperones e sistemas proteoliticos)

Disfunção mitocondrial, aumento de ros, senescencia celular, diminuição de celulas estaminais e alteração da sinalização intercelular

Senescencia replicativa - limite de Hayflick

  • numero limitado de vezes de divisão

  • são capazes de passar por numero de predeterminado de ciclos de crescimentos (passagens)

  • permanecem metabolicamente ativas

  • associado ao encurtamento dos telómeros

  • Senescencia do organismo - células que vão envelhecendo

Telómeros

Os telómeros são sequências repetitivas de DNA não-codificante (TTAGGG em mamíferos) localizadas nas extremidades dos cromossomas, protegendo-os de fusões. A diminuição do comprimento dos telómeros pode levar a uma crise celular.

Os telomeros vão diminuindo e quando atingem um tamanho critico há crise celular

(pela 8 passagem, as celulas apresentadas ficam achatadas e começam a apresentar beta-galactosidade associado à senescencia

Instabilidade genómica

Pode ser causada por danos no DNA, com muitas causas exógenas ou endógenas como ROS

Podem ocorrer pelo encurtamento de telomeros, danos de bases, quebras, etcs, com a idade os danos acumulam-se e as ferramentas de reparação são menores

É apoiada por patologias em que há mutações em genes- sindromes progeroides

Danos nos genes que mantém a rejuvenidade das células

Mutações nas helicases na replicação de dna como Bloom, werner → sindromes progeróides.

Polimerase gamma - mutações demonstram fenotipos de envelhecimento prematuro, há um aumento de marcadores de morte celular

Alterações Epigenéticas

Alterações na metilação do DNA, acetilação e metilação de histonas induzem alterações epigenéticas que contribuem para o envelhecimento.

Inibidores de acetiltransferases aumentam a longevidade em ratinhos progeroides.

→ Fármacos para limitar alterações epigenéticas

Disfunção Mitocondrial e genomica

A disfunção mitocondrial está relacionada com:

  • Acumulação de mutações e deleções no mtDNA

  • Alterações na dinâmica mitocondrial (fusão vs fissão)

  • Oxidação de proteínas mitocondriais

  • Desestabilização da organização dos complexos da cadeia respiratória

  • Alterações na composição lipídica das membranas

  • Diminuição da biogénese mitocondrial

  • Diminuição da autofagia e mitofagia

O envelhecimento está relacionado com a acumulação de danos celulares causados por espécies reativas de oxigénio (ROS).

A sobre-expressão de MnSOD e catalase (direcionada para a mitocôndria) aumenta a longevidade em Drosophila e ratos, respetivamente, diminuindo danos oxidativos e deleções no mtDNA.

A restrição calórica aumenta a longevidade por um mecanismo associado ao aumento do metabolismo mitocondrial e produção de ROS (mitohormesis). Metformina e resveratrol aumentam a longevidade via disfunção mitocondrial, aumento dos níveis de AMP e ativação da AMPK.

Alterações em vias de sinalização relacionadas com disfunção mitocondrial incluem a diminuição de AMPK, SIRT1 e PGC1α, e o aumento de TORC1.


Disfunções mitocondriais e longevidade

A restrição calórica aumenta a longevidade por um mecanismo associado com o aumento do metabolismo mitocondrial e produção de ROS.

AMPK - processos regulados na longevidade.

Ros em nível baixos podem promover proliferação e diferenciação, resposta adaptativa na reparação de danos celulares e indução da doença

Disfunções mitocondriais:

  • Mutações no DNA mitocondrial

  • Oxidação de proteínas mitocondriais

  • Destabilização da cadeia transportadora de eletrões (os eletrões podem escapar)

  • Alterações nos lípidos das membranas - alterações na sua organização e fluidez ficam afetados

  • Alterações na dinamica mitocondrial

  • Diminuição da autofagia

  • Diminuição da biogenese mitocondrial (impede a substituição das mitocondrias, tem haver com outras vias)

  • Alterações em vias de sinalização também contribuem

Alterações na IGF1, diminição da AMPK, diminuição da SIRT1 (regulação mutuo), diminuição da PGC1alfa —> contribuiem para danos mitocondriais e danos nas proteinas, temos um feedback porque as proteinas podem formar agregados que contribuem para a disfunção mitocondrial.

Perda de Proteostasia

A perda de proteostasia contribui para o desenvolvimento de patologias relacionadas com a idade, como Alzheimer e Parkinson, envolvendo mecanismos de estabilização de proteínas corretamente enroladas (HSPs) e degradação de proteínas pelo proteassoma ou lisossoma. Agregados de proteínas provocam disfunção mitocondrial, aumentando a produção de ROS, e inibem o proteassoma, diminuindo a proteostasia. Chaperones (Hsp104) formam uma ponte entre agregados carbonilados e o citoesqueleto, encaminhando os agregados, contribuindo para doenças neurodegenerativas e disfunção mitocondrial associada.

Em um contexto de envelhecimento replicativo:

Existem mecanismos da célula mãe para proteger a célula filha. Quando uma célula se divide, a citocinese não é igual, e há mecanismos de controlo de qualidade que impedem que a célula filha herde agregados danificados. O mesmo ocorre com as mitocôndrias, onde as que vão para a célula filha são as que têm melhores condições (Hsp140 - ligada ao citoesqueleto e retém as proteínas na célula mãe).

Restrição Calórica

A sobreativação das vias de sinalização por IGF-1 e TOR diminui a longevidade, afetando a autofagia, função mitocondrial, resistência ao stress oxidativo e estabilidade do genoma. O excesso de nutrientes ativa TOR e IGF-1, enquanto a deficiência de AMP ativa AMPK.

A inibição dessas vias (por exemplo, através da restrição calórica) aumenta a longevidade, assim como a ativação da AMP quinase (AMPK). As vias de sinalização da insulina/IGF-1, TOR e AMPK regulam processos celulares críticos para a homeostasia celular e longevidade.

A restrição calórica retarda ou reduz a incidência de doenças relacionadas com o envelhecimento (cancro, diabetes, doenças cardiovasculares) e preserva a função de células estaminais.

Mary Crowell e Clive McCay (1934) demonstraram que a restrição calórica aumenta a longevidade em ratinhos. Uma redução moderada na ingestão de calorias é uma intervenção eficaz no aumento da longevidade em diversas espécies, incluindo mamíferos.

A restrição calórica é conservada em termos evolutivos, retarda doenças relacionadas com o envelhecimento e mantém células estaminais.


Sirtuínas

IGF1 e Tor ficam inibidas, ocorre a ativação das sirtuínas e AMPK.

As sirtuínas são deacetilases dependentes de NAD+NAD^+, importantes na estabilidade genómica. Elas coordenam respostas a stress (oxidativo, metabólico e genotóxico) e regulam proteínas envolvidas na regulação do DNA e da AMPK, além de influenciarem a qualidade das mitocôndrias herdadas pelas células filhas.

  • SIRT1 (núcleo e citoplasma): Atua na sobrevivência, diferenciação, inflamação e metabolismo.

  • SIRT2 (núcleo e citoplasma): Regula o ciclo celular.

  • SIRT3 (núcleo e mitocôndria): Envolvida no metabolismo.

  • SIRT4 (mitocôndria): Atua no metabolismo.

  • SIRT5 (mitocôndria): Influencia a função mitocondrial.

  • SIRT6 (núcleo): Importante na reparação de DNA.

  • SIRT7 (núcleo): Atua na transcrição de rRNA.

SIRT1 é o ortólogo de Sir2.
A atividade das sirtuínas diminui ao longo do tempo devido à redução dos níveis de NAD+NAD^+, que está associada aos danos no DNA e à tentativa de reparação por enzimas como a PARP, que utiliza NAD+NAD^+.

A restrição calórica aumenta a expressão de SIRT1, e a sobreexpressão de SIRT1 promove fenótipos semelhantes aos induzidos pela restrição calórica. Os níveis de NAD+NAD^+ diminuem com o envelhecimento, o que está associado à ativação da PARP (poli-ADP-ribose polimerase), que catalisa a ADP-ribosilação de proteínas nos locais de danos no DNA, clivando o NAD+NAD^+.

O envelhecimento leva a danos no DNA, depleção de NAD+NAD^+, e inativação de sirtuínas.

SIRT1, 2, 6, e 7 (e, em menor extensão, SIRT3) regulam a cromatina via deacetilação de histonas e outras proteínas. Ratos com knockout (KO) para estas sirtuínas apresentam instabilidade genómica e defeitos na reparação do DNA.


Controlo do transporte de organelos mãe-filha

A célula filha recebe material não danificado preferencialmente. Mitocôndrias reduzidas (mais funcionais) são transportadas pela miosina no citoesqueleto e encaminhadas da célula mãe para a célula filha. Proteínas promovem a formação de filamentos de actina, que crescem da célula filha para a mãe e incorporam actina corretamente enrolada por uma chaperona Bni1 (em contracorrente).

Um KO da sirtuina, actina unfolded fica lá e não é incorporada, portanto a velocidade de crescimento dos cabos de actina diminui. Se a actina cresce mais devagar, as mitocondrias oxidadas têm tempo de ir para a celula filha. Normalmente, as mitocondrias reduzidas são mais leves e chegam lá depressa, quando a velocidade da formação dos filamentos de actina diminui, as mitocondrias oxidadas vão ter tempo de chegar à celula mae logo vão envelhecer mais depressa, a celula filha vai nascer com danos.

A deficiência na sirtuína Sir2 aumenta a transferência de mitocôndrias oxidadas da célula mãe para a célula filha. A chaperonina CCT está envolvida no enrolamento da actina, e sua atividade é regulada pela deacetilase Sir2.

Existem vários mecanismos de controlo, incluindo a distribuição de vacúolos (lisossomas) mais ácidos para a célula filha.

Na divisão de células estaminais, a célula mãe retém o material de melhor qualidade para garantir uma divisão contínua e preservar a integridade do DNA. As melhores mitocôndrias também permanecem na célula mãe.


Divisão celular assimétrica em células estaminais

Formam-se duas células filha diferentes:

  • celula estaminal

  • célula em diferenciação

A célula estaminal:

  • Retém a cadeia de DNA parental (a cadeia de DNA sintetizada na fase S, que pode conter erros introduzidos durante a replicação, é direcionada para a célula que se vai diferenciar)

  • Retém mitocôndrias não danificadas

  • Apresenta níveis elevados de autofagia e de atividade de

proteassoma

A diminuição do nº de células estaminais com o envelhecimento leva a uma diminuição de função em tecidos e órgãos (ex. compromete regeneração de tecidos)

Sirtuina 1

SIRT1 promove a reparação de DNA e silenciamento epigenético, via deacetilação de fatores de reparação do DNA, histonas e proteínas envolvidas em vias de resposta a danos no DNA e stress (inibe p53, inibe RelA/p65 (NFkB), ativa FOXO3a)

Regula o metabolismo celular e a homeostasia energética, estimula a secreção de insulina, promove a homeostasia da glucose e a biogénese mitocondrial.

Diacetilação da p53 e NFbK e o PGC1alfa - sensibilidade à insulina, biogenese mitocondrial e tolerancia à glucose

A PGC1alfa, é um coativador de FOXO1 para diminuir a glicolise, aumentar a utilização de acidos gordos, PPARgamma, imobilização dos acidos gordos, etc…

Sintestase de acido nítrico - promovida a beta oxidação, em vez da glicolise

SIRT1 deacetila e ativa a PGC-1α, que é coativador do FOXO1 (ativa gluconeogénese) e PPARα (ativa oxidação de ácidos gordos), e estimula a biogénese mitocondrial. SIRT1 deacetila e inibe enzimas da glicólise, como a fosfoglicerato mutase (PGAM-1). A disfunção mitocondrial durante o envelhecimento está relacionada com a diminuição de SIRT1 - PGC-1α e SIRT3 (principal deacetilase mitocondrial)

Inter-relações com alterações ao longo do envelhecimento, existe uma ligação entre alterações mitocondriais e alterações epigeneticas:

  • NAD+ é cofator das sirtuinas, o alfa cetoglutarato é uma molecula que regula a metilação no DNA e histonas e alterações na mitocondria, pode ter efeitos na metilação. A Acetil CoA é usado pelas acetil transferases para as altereações epigenéticas

  • O metabolismo mitocondrial fornece cofatores e substratos para enzimas epigenéticas (ex: NAD+NAD^+ para sirtuínas, α-cetoglutarato para desmetilação do DNA e histonas, acetil-CoA para acetilação).

SIRT1 deacetila e ativa a PPAR-γ (adipócitos), promovendo a mobilização de ácidos gordos, e a eNOS (aumentando NO), promovendo a angiogénese.

A restrição calórica no Homem (6 meses) leva ao aumento de SIRT1, eNOS e número de mitocôndrias em biópsias musculares.

Ativação de FOXO com restrição calórica

Via PI3K na via da metabolização

Estudos em organismos e centenários confirmam a importância destas vias.

Em restrição calórica, observa-se um aumento da sirtuína 1, impulsionado por FOXO3a e AMPK, com a atividade também sendo favorecida por alterações no metabolismo mitocondrial. A sirtuína 1 desempenha um papel crucial na deacetilação de diversas proteínas, influenciando a regulação do NF-κB e a estabilidade genómica. Além disso, ativa a AMPK através da deacetilação da LKB1, com a AMPK também sendo intensificada pelos níveis de AMP em restrição.

AMPK inibe a via mTORC1, suprimindo a via S6 e promovendo a autofagia.

Outro alvo essencial é o Nrf2 (fosforilado pela AMPK), responsável pelas respostas antioxidantes, que transcreve G6PD, GCL e GST.

A AMPK inibe a via do TOR ao inibir (fosforilação) o raptor ou através da ativação de TSC1/2, que inibem a Rheb. Esta inibição pode afetar a AtG1, complexo de iniciação da autofagia, favorecendo este processo.

Ratinhos FOXO3a KO não apresentam aumento da longevidade com restrição calórica.

AMPK ativa o fator Nrf2 (Nuclear Factor like 2), que regula a expressão de genes antioxidantes e de destoxificação (NQO1/2, HO-1, GCLc, G6PD, TKT, Bcl-2, GST, UGT, MRP). AMPK ativa a autofagia através da ativação da TSC1/2 e fosforilação da Raptor, bem como através da ativação da ATG1/ULK1. SIRT1 deacetila ATG5, ATG7, e ATG8, ativando a autofagia.

Miméticos da Restrição Calórica e Nutraceuticos

Metformina, rapamicina, espermidina, aspirina, polifenóis (resveratrol, catequinas, curcumina, apigenina, quercetina, silimarina, EDAG) afetam a AMPK e SIRT1.

Resveratrol estimula a biogénese mitocondrial e aumenta a longevidade em organismos modelo.

Metformina - medicamento utilizado no tratamento do diabetes tipo 2, também demonstrou propriedades relacionadas ao aumento da longevidade e à modulação do metabolismo energético.

Resveratrol, ativador da sirtuina, o primeiro com esta descrição, promove a biogénese mitocondrial, existe muito no vinho tinto. bolos de arroz, mochi com folhas de gengibre, contêm resveratrol (okinawa, shell ginger).

A população de Okinawa: Comem ainda menos calorias que os japoneses, permanecem ativos até bastante tarde, têm receitas contendo Resveratrol de folhas de gengibre.