Trocas Gasosas nos Seres Vivos

Biologia

Transformação e Utilização de Energia pelos Seres Vivos

  • O foco principal deste estudo é a transformação e utilização de energia nos organismos vivos, com ênfase nas trocas gasosas.

Trocas Gasosas em Seres Multicelulares

  • As trocas gasosas em organismos multicelulares incluem as trocas gasosas em plantas e em animais.
1. Trocas Gasosas nos Animais
1.1. Trocas gasosas entre o organismo e o meio
  • Essas trocas ocorrem por difusão através de superfícies respiratórias.
  • Compreende-se duas modalidades: Difusão Direta e Difusão Indireta.
1.2. Difusão Direta
  • Ocorre quando os gases respiratórios (O2 e CO2) se difundem diretamente entre as células e o meio circundante através da superfície respiratória.
1.3. Difusão Indireta
  • Nesse tipo, os gases são transportados por um fluido circulante, como o sangue, que depois realiza a comunicação entre as células e a superfície respiratória.
2. Características das Superfícies Respiratórias
  • Para que a difusão dos gases se realize de forma eficiente, as superfícies respiratórias devem ter algumas características:
    1. Húmidas: facilitam a dissolução dos gases respiratórios (O2 e CO2) para posterior difusão.
    2. Pouco espessas: geralmente consistem de apenas uma camada de células, facilitando a troca.
    3. Muito vascularizadas: garante um bom contato com o fluido circulante (sangue).
    4. Grande área de contato: deve haver muitas invaginações ou evaginações para aumentar a área de superfície onde as trocas podem acontecer.
3. Sistemas Respiratórios em Animais
3.1 Sem Sistema Respiratório (ex. hidras e planárias)
  • A difusão dos gases ocorre diretamente através da superfície do corpo. As células que estão em contato com a água absorvem O2 e expelem CO2.
  • Estruturas que facilitam essa troca incluem:
    • Camada externa das células que entra em contato direto com a água;
    • Células internas que realizam trocas gasosas com a água na cavidade gastrovascular.
3.2 Com Sistema Respiratório (ex. insetos)
  • Os insetos têm um sistema de traqueias que se ramificam em tubos mais finos, terminando nas traquíolas que contatam diretamente com as células.
  • A ventilação ativa ocorre em insetos maiores, que possuem sacos de ar que agem como reservas de ar e ajudam na ventilação através de movimentos musculares rítmicos.
4. Trocas Gasosas nos Insetos
4.1 Estruturas Envolvidas
  • As traqueias se conectam ao exterior através de pequenos orifícios chamados espiráculos.
  • Essas estruturas são importantes para a alta taxa metabólica dos insetos.
4.2 Tipos de Insetos
  • Insetos primitivos: possuem espiráculos que permanecem sempre abertos.
  • Insetos mais evoluídos: apresentam espiráculos com filtros e válvulas (ostíolos) que controlam o fluxo de ar.
5. Hematose
  • As trocas gasosas realizadas em superfícies respiratórias com fluido circulante são denominadas hematose.
  • Exemplos de hematose incluem:
    • Hematose Cutânea: Trocas gasosas realizadas através da pele (tegumento) em animais mais complexos (ex. minhoca).
    • Animais maiores, como anfíbios e alguns peixes, realizam hematose cutânea além da hematose pulmonar ou branquial.
6. Trocas Gasosas em Brânquias
6.1 Estruturas
  • As brânquias, também chamadas de guelras, são os órgãos respiratórios da maioria dos animais aquáticos e se encontram em contato direto com a água.
  • Geralmente, as brânquias oferecem uma extensa superfície para a hematose e são localizadas externamente ou protegidas por estruturas, como o opérculo.
6.2 Processo de Troca de Gases
  • O oxigênio passa através dos capilares para um fluido circulante em um sistema circulatório fechado.
  • O fluxo de água nas brânquias e a circulação sanguínea nos capilares seguem um mecanismo de contracorrente, que otimiza a hematose branquial.
7. Mecanismo de Contracorrente
  • A água que entra pelas brânquias cruza-se em sentido contrário à circulação sanguínea, aumentando a oxigenação do sangue.
  • Este processo mantém um coeficiente de difusão elevado, permitindo que até 80% do O2 na água se difunda para o sangue, enquanto o CO2 é eliminado em sentido inverso.
8. Trocas Gasosas em Pulmões
8.1 Estruturas dos Pulmões
  • Nos vertebrados, com o aumento da complexidade, os pulmões apresentam uma área de superfície respiratória maior, mais vascularizada e com um maior grau de especialização .
  • Os pulmões dos mamíferos têm uma vasta rede de capilares sanguíneos, que aumenta a eficiência nas trocas gasosas.
8.2 Comparação entre Grupos de Vertebrados
  • Diferentes grupos como anfíbios, répteis, aves e mamíferos demonstram variações na estrutura dos pulmões, o que aponta para uma relação entre tamanho, complexidade dos pulmões e a taxa metabólica dos animais.
8.3 Sistema Respiratório nos Mamíferos
  • O sistema respiratório dos mamíferos inclui:
    • Vias respiratórias: fossas nasais, faringe, laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos.
  • As trocas gasosas nos pulmões se dá por difusão simples através da bicamada fosfolipídica das células.
8.4 Hematose Pulmonar
  • As pressões parciais em alvéolos e capilares são as seguintes:

    • Para os alvéolos: PO<em>2=104mmHgPO<em>2 = 104 mm Hg e PCO</em>2=40mmHgPCO</em>2 = 40 mm Hg
    • Para o capilar: PO<em>2=40mmHgPO<em>2 = 40 mm Hg e PCO</em>2=45mmHgPCO</em>2 = 45 mm Hg
  • Essa diferença de pressão é o que favorece a difusão de O2 do alvéolo para o sangue e o CO2 do sangue para o alvéolo.