SEBENTA FISFAR I - 2024 (1)
Fisfar Imunidade
- Ativação de células imunitárias residentes:
- Macrófagos residentes:
- M1 (atacam) - estimulado por LPS/INFγ
- M2 (internalizam) - estimulado por IL4
- M2 like
- Controlam os neutrófilos para evitar ataque às próprias células.
- Neutrófilos devem internalizar xenobióticos vivos para evitar infeções intracelulares (tuberculose, leishmânia) e inflamação
- Monócitos ativados transformam-se em macrófagos por alteração do fenótipo
- Mastócitos:
- Células inatas, sentinelas do sistema imunológico.
- Localização tecidual e marginal a vasos sanguíneos.
- Quimiotaxia: chamam neutrófilos que libertam substâncias tóxicas (H2O2, radicais de oxigénio, etc).
- Netose: rede composta por proteína e cromatina, para captar microorganismos – morte do neutrófilo pela formação de armadilhas extracelulares dos neutrófilos - NETs.
- Monócitos: preparam o ambiente para a construção.
- Macrófagos residentes: membrana contém muitos sensores que ativam por frio, calor, toxinas → libertam substâncias pró-inflamatórias → causam vasodilatação → aumento do aporte de sangue → aumento da permeabilidade capilar → células do endotélio começam a afastarem-se → ocorrência de fenestres e passagem de células circulantes → proteinases.
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- Classes de agentes patogénicos induzem diferentes respostas imunitárias (tipo 1, 2 e 3).
* - Necroinflamação não está ligada ao sistema de divisão tipo 1, 2 e 3 e pode ser um tipo independente de inflamação.
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DAMPS, PAMPs e PPRs
- DAMPS (padrões moleculares associados a danos): moléculas endógenas de perigo que são libertadas por células danificadas ou moribundas e que ativam o sistema imunitário inato através da interação com recetores de reconhecimento de padrões (PRRs).
- PAMPs e PRRs: Recetores de reconhecimento de agentes patogénicos (PRRs) → Classe de recetores codificados na linha germinal que reconhecem padrões moleculares associados a agentes patogénicos (PAMPs).
- A ativação dos PRRs é crucial para o início da imunidade inata, que desempenha um papel fundamental na defesa de primeira linha até que se desenvolva uma imunidade adaptativa mais específica.
- Os PRRs diferem nas cascatas de sinalização e nas respostas do hospedeiro ativadas pelo seu envolvimento e na sua distribuição nos tecidos.
- Recetores do tipo Toll (TLRs) Recetores transmembranares
- Recetores de lectina do tipo C (CLRs)
- Recetores do tipo domínio de oligomerização de ligação a nucleótidos (NLRs)
- Recetores do tipo gene induzível por ácido retinóico (RLRs)
- Recetor do tipo AIM2 (ALR)
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- A resposta imune inata é a primeira linha de defesa contra doenças infeciosas e danos nos tecidos.
- Macrófagos e as células dendríticas, células epiteliais, as células endoteliais e os fibroblastos, desempenham papéis importantes no reconhecimento de agentes patogénicos durante a resposta imune inata.
- Vias de transdução ativadas pelos PRRs convergem para módulos de sinalização:
- Fator nuclear (NF-) κB
- Proteína ativadora-1 (AP-1)
- Proteína quinase ativada por mitogénio (MAPK)
- Produção de citocinas/quimiocinas pró-inflamatórias: interleucina (IL-) 1, o fator de necrose tumoral (TNF-) α e a IL-6.
- Células que expressam PPRs: Células dendríticas, macrófagos, neutrófilos, mastócitos, NK, epiteliais, endoteliais, linfócitos B e T.
- A proteína C-reativa (PCR) foi o primeiro recetor de reconhecimento de padrões (PRR) a ser identificado:
- Membro da família de proteínas pentraxina;
- A PCR liga-se à fosfocolina expressa na superfície de células mortas ou moribundas e de algumas bactérias, o que leva à ativação do sistema do complemento.
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Inflamação
- Fisiológica:
- Alteração da matriz, chamam os fibroblastos ao invés dos mastócitos.
- Inflamações “estéreis” - não associadas à um processo patológico.
- Inflamação:
- Vasodilatação
- Alteração da matriz
- Edema
- Dor
- Chamada de células (se for infeciosa)
- Inflamação aguda:
- Resposta imediata com fenômenos vasculares, caracterizadas pelos processos de exudação e quimiotaxia.
- Células envolvidas: neutrófilos, macrófagos, leucócitos e mastócitos
- Controle da intensidade da inflamação à custa de mediadores químicos, que são plasmáticos (diferentes sistemas de coagulação, cininas, fibrinolíticos e complemento) ou teciduais (histamina, serotonina, prostaglandinas e citocinas).
- Inflamação crônica:
- Células envolvidas: macrófagos, linfócitos e plasmócitos.
- Especifica: formação de granuloma.
- Inespecífica: ausência de fatores que elucidem a causa.
Tempos de resposta inflamatória
- Indução: Neutrófilos; conjunto de sinais que estão voltados ao ataque.
- Resolução: Macrófagos; conjunto de processos associados à neutralização do processo de indução.
Sistemas de defesa
- Barreiras: Pele, hematoencefálica, epitélio de revestimento (cílios, vias aéreas, HCl do estomago, muco, queratina).
- Muco espesso: comporta-se como um corpo estranho.
- Muco muito fluido: escorrido para as vias aéreas inferiores (pulmões).
- Melhor fluidificante é a água, para manter o muco na consistência adequada.
- Idosos: muco fica menos fluido.
- Ativação de células imunes residentes:
- Macrófagos residentes
- Mastócitos:
- Primeiros a detetar o perigo, libertam substâncias quimiotáxicas e pró-inflamatórias.
- Vasodilatação para aumentar aporte sanguíneo.
- Aumenta a permeabilidade capilar: células epiteliais mais espaçadas expressam proteínas de adesão.
- Libertam metaloproteinases que destroem proteínas da matriz extracelular para as células imunes conseguirem entrar.
- Mais células no espaço intersticial.
- Local fica com rubor (mais sangue), com edema (alteração da matriz extracelular, permeabilidade de membrana, mais constituintes do plasma no espaço intersticial) e dor → Sinais cardiais da inflamação.
- Processos acontecem em inflamação fisiológica ou estéril (ex: criança a crescer) e não apenas inflamação de defesa infeciosa (aqui chama-se as células imunitárias).
- Na quimiotaxia (mastócitos), as células chamadas são neutrófilos (atacam tudo o que lhes aparece à frente), que libertam substâncias toxicas como ROS, hipoclorito, H2O2.
- NETs são constituídas por cromatina e proteínas dos neutrófilos, quando os neutrófilos vão até a exaustão e explodem, libertando estes componentes, formando uma rede (net) à volta do organismo que estão a atacar.
- Mais mensageiros inflamatórios peptídicos (citocinas) são chamados para além de mais células imunes, e causam uma tempestade de citocinas.
- Os macrófagos também mudam o seu comportamento, libertam substâncias quimiotáxicas.
- Macrófagos circulantes (monócitos circulantes) vão-se transformar em macrófagos devido ao ambiente inflamatório em que estão inseridos (neutrófilos não conseguem neutralizar o agente infecioso).
- Mudança de M1 para M2 é por mudança de fenótipo.
- Agente infecioso apresentado aos linfócitos, vai pela linfa, e começa o processo de imunidade adquirida.
- Memoria do agente infecioso: corpo já está preparado para reconhecer o xenobiótico e proliferar o clone de linfócitos.
Indução e Resolução
- Indução: Conjuntos de sinais destinados ao ataque, neutralização do agente inflamatório.
- Resolução: Processos associados a neutralizações do processo de indução. Criar condições para repor a funcionalidade, reconstrução do tecido lesado (fagocitose de células mortas por exemplo).
- Artrite reumatoide: resposta excessiva de indução e fase de resolução está atenuada.
- Lúpus: excessiva capacidade de internalização e identificação de compostos, logo a resolução entra demasiado cedo.
- Inflamoestasia – quando a inflamação está sob controlo (as infeções cronicas por exemplo, são um desequilíbrio aqui). Este processo vai mudando com a idade, hormonas etc
- Corticoesteroides: mais baixos durante a noite, quando há mais indução do sistema imune, e estão mais altos antes de comer (ingerir corpos estranhos), em que o sistema imunitário fica mais fraco.
Células da primeira linha de defesa
- Macrófagos
- Mastócitos:
- Células imunitárias derivadas da linhagem mieloide, células inatas, sentinelas do sistema imunológico, capazes de responder rapidamente a agente agressores.
- Progenitores circulam e passam a estar presentes em vários tecidos.
- Fatores de células estaminais produzidos localmente por muitas células do tecido, o progenitor diferencia-se num mastócito maduro.
- Mastócitos maduros estão presentes apenas nos tecidos e não se encontram em circulação.
- Tecido conjuntivo frouxo (areolar) de todo o corpo, em praticamente todos os órgãos.
- Desempenham um papel importante na indução da cascata inflamatória.
- Inatos ou adaptativos podem induzir a desgranulação dos mastócitos, libertando mediadores inflamatórios para o espaço extracelular.
- Associadas a muitas patologias, incluindo reações de hipersensibilidade de tipo I, síndrome de ativação dos mastócitos e urticária.
- Contêm grânulos que são mediadores, quando ativados os mastócitos, os grânulos são libertados, gerando ondas diferentes de libertação de mensageiros:
- 1ª onda → mediadores pré-formados – Histamina, protéases, serotonina, peroxidase.
- 2ª onda→ ação não imediata, newly synthesised mediators: VEGF, PAF, prostaglandinas, IFN alfa, beta e gama.
- 3ª onda → preparam o terreno para outras células – Libertando substâncias vasodilatadoras – alteram a matriz extracelular: protéases – preparam a indução e atuam sobre os fibroblastos para eles começarem a proliferar.
- Resposta exagerada: tecido passa a ser um tecido alterado, com perda funcional.
- Atuar farmacologicamente: Inibindo a desgranulação – só é possível com uma terapêutica profilática.
- Inibidores da granulação:
- Cromoglicados (de sódio), usados na profilaxia de patologias alérgicas.
- Anti-histamínico ajuda, mas não resolve o problema.
- Localização tecidual e marginal a vasos sanguíneos. Tecido conjuntivo e mucosa.
- Diferenças moleculares: mucosas libertarem TRIPTASE, conjuntivo libertarem TRIPTASE QUIMASE
- Como a célula lê o perigo?
- Reações alérgicas (complexo antigénio-anticorpo que liga-se aos recetores dos mastócitos, formando um complexo).
- Complemento: pode ativar os mastócitos por causa da granulação.
- TLRs/NLRs: conhecedores de padrões moleculares – lipopolissacarídeos/LPS (recetores reconhecedores de padrões PRR).
- Alergias, atividade física, frio (individuo asmático quando faz exercício no frio), calor, contacto com metais, animais, fármacos (opiáceos), alimentação (ovos, bananas, uvas, chocolate…)
- Células endoteliais (libertam substâncias que podem mobilizar outras células).
- Fármacos inibidores da desgranulação dos mastócitos:
- Cromoglicato de sódio (ácido cromoglícico).
- Ácido espaglúmico
- Nedocromil
- Ladoxamida
- Anti-histamínicos (Cetotifeno; azelastina; epinastina).
- Estímulos que provocam a desgranulação dos mastócitos: Maquilhagem, sabonetes, shampoos, cremes, loções, perfumes, analgésicos, aspirina, antibióticos, morfina, anestésicos, iodina, quinina, laxantes, vitaminas, etc.
- Processo de desgranulação dos mastócitos: A ativação e a desgranulação dos mastócitos modulam significativamente muitos aspetos das condições fisiológicas e patológicas em vários contextos.
- Sabe-se que os mastócitos regulam a vasodilatação, a homeostase vascular, as respostas imunitárias inatas e adaptativas, a angiogénese e a desintoxicação de venenos.
- Implicação na fisiopatologia de muitas doenças, incluindo alergia, asma, anafilaxia, distúrbios gastrointestinais, muitos tipos de doenças malignas e doenças cardiovasculares.
- Processo de desgranulação não é muito diferente do processo de exocitose encontrado nos neurónios (dependente do cálcio em que se tem a ativação dos processos de fusão das vesiculas com a membrana e posterior libertação dos grânulos).
- Associados a microtúbulos que conduzem e mantêm estável esta estrutura (grânulo-grânulo).
- Aumento de cálcio, a ativação de diferentes cinases intracelulares, nomeadamente a PKC, resulta numa alteração dos microtúbulos e posterior fusão e libertação para o exterior da célula.
- Vias de sinalizam podem induzir, posteriormente, a expressão das proteínas, ou seja, histamina e prostaglandinas sejam produzidas de forma mais eficiente devida a uma exacerbação da expressão das enzimas envolvidas na sua síntese.
Sistema do Complemento
- Conjunto de proteínas presentes na corrente sanguínea, maioritariamente sintetizadas pelo fígado, que circulam sob a forma de precursores inativos.
- Outras origens: macrófagos tecidulares, monócitos, células epiteliais do trato geniturinário e gastrointestinal.
- Constituem cerca de 5% das globulinas presentes no soro.
- Proteínas, quando ativadas, podem desencadear uma cascata, transformando outras em conformação catalítica.
- O sistema de complemento é uma parte importante na resposta imune inata e desempenha um papel protagonista na morte e clearance de patógenos invasores (bactérias, vírus, fungos e parasitas).
- Composto por mais de 30 proteínas, cuja maioria é encontrada no sérum, enquanto as proteínas remanescentes são proteínas de ligação a membranas e recetores.
- Ativação, as proteínas do complemento participam quer na via clássica, quer na via alternativa, interagindo numa cascata enzimática altamente específica e gerando fragmentos proteolíticos que medeiam numerosas funções biológicas do sistema imune.
Ativação da Via Clássica
- Ativada por complexos de anticorpos-antigénicos.
- Isótopos de anticorpos - IgM e IgG - irão ativar a via clássica.
- Anticorpo IgM pentamérico ativará a via clássica, um mínimo de dois anticorpos IgG são necessários.
- Anticorpo deve ser ligado ao antigénio para ativar a via clássica.
- A via clássica é ativada quando C1, a primeira proteína na via, se liga à porção FC do anticorpo.
- C1 é uma grande macromolécula composta por uma molécula C1q e duas moléculas - C1r e C1s.
- Porção da cabeça globular da C1q que se liga ao local de ligação da FC no anticorpo. Esta ligação provoca uma mudança conformacional em C1q.
- Conversão autocatalítica de C1r para uma protéase serina ativa, o C1r ativado cliva C1s para uma protéase serina ativa.
- Ativação de C1 por anticorpos de ligação também transformou a fixação do complemento.
- A clivagem de C4 pela molécula C1 ativada
- C4 clivada pela molécula C1s ativada em C1 em dois fragmentos proteolíticos - um pequeno peptídeo chamado C4a, e um fragmento maior de C4b.
- C4b liga-se covalentemente ao complexo de anticorpos-antigénios e tem um local de ligação para C2, a próxima proteína clivada na via clássica.
- C2 é também clivada em dois fragmentos e o fragmento de C2 resultante liga-se a C4b.
- Complexo bimolecular de C4b-C2a é a C3 convertase da via clássica e serve para clivar C3 através da atividade enzimática na porção C2a do complexo. Via clássica C3 convertase
- Molécula C3 é clivada pela C3 convertase em C3a e C3b. O fragmento C3a tem atividades biológicas potentes.
- Fragmento C3a pode ser ligado covalentemente à C3 convertase, resultando num complexo trimolecular constituído por C4b-2a-3b. Este complexo multimolecular designa-se por convertase C5 da via clássica e é específico para a clivagem de C5. Via clássica C5 convertase
- Molécula C5 é clivada pela C5 convertase em C5a e C5b, sendo que ambas medeiam funções importantes de defesa do hospedeiro. Tanto a C3a como a C5a são quimioatractantes potentes.
- C3a atrai para estas células para locais de ativação e ligação do complemento C3a e C5a, bem como basófilos, induzindo a desgranulação e libertação de histamina e outras aminas vasoactivas
- C5a é um quimioatractor de macrófagos e neutrófilos e a ligação de C5a a estas células inicia-as para mediar as suas funções de defesa do hospedeiro.
A via do complemento terminal
- Capacidade de “ludibriar” muitas bactérias, vírus com envelope e células nucleadas.
- A lise das células pelo sistema do complemento é mediada por uma grande estrutura macromolecular designada por complexo de ataque de membrana ou Mac. O Mac é formado através da via do complemento terminal, que começa com uma geração de C5b.
- C5b associa-se com C6, C7 e C8 formando um grande complexo multimolecular que se associa e começa a perturbar a membrana da célula.
- Posteriormente, C9 liga-se a C8 e a isto segue-se a ligação de muitas moléculas C9 adicionais, levando à formação de um grande poro na membrana celular.
- Poro na membrana é suficientemente grande para permitir a passagem de água, iões e pequenas moléculas na célula, conduzindo à lise.
Ativação da via alternativa
- Ativada por LPS e outros lipossacáridios encontrados na superfície de agentes patogénicos não datados.
- Sempre ativa a um nível muito baixo (hidrólise espontânea de uma ligação éster interna em C3).
- Hidrólise de C3, designada por C3(H2O), como local de ligação de outra proteína do fator B na via alternativa.
- Fator B liga-se à C3(H2O) e torna-se um substrato para clivagem pelo fator D, denotado como FD. O fator D cliva o fator B em dois fragmentos - Ba e Bb. O fragmento BB enzimaticamente ativo permanece associado à C3(H2O) e este complexo bimolecular é a via alternativa de iniciação C3 convertase. Via alternativa de iniciação C3 convertase
- Iniciação converte o C3 em dois fragmentos - C3a e C3b. O C3 recém gerado pode ligar-se covalentemente a superfícies próximas, tal como o C4b faz na via clássica.
- Proteínas reguladoras complementares bloqueiam uma maior ativação da via (ausência de um ativador apropriado para a via alternativa).
- C3b, ao interagir com uma superfície ativadora (célula bacteriana), ligará o fator B que será clivado pelo fator D resultando na formação da via alternativa C3 convertase de uma c3bBb.
- C3 convertase da via alternativa cliva C3 para C3a e C3b.
- A superfície de um ativador, tal como uma célula bacteriana, pode ser rapidamente coberta com muitos milhares de moléculas de C3b e alguns minutos depois, como resultado deste efeito amplificador e tal como na via clássica, alguns dos C3b gerados irão interagir com a própria C3 convertase, resultando na formação de um complexo trimolecular de 2 moléculas de C3b e BB.
- Complexo multi molecular chamado de C5 convertase da via alternativa e é específico para a clivagem de C5.
- Ativação da via alternativa resulta na formação do complexo de ataque de membrana, levando à lise do patógeno invasor.
- lise das células pelo sistema complemento é mediada por uma grande estrutura macromolecular - complexo de ataque de membrana ou Mac. O Mac é formado através do que designa por via do complemento terminal, que começa com uma geração de C5b.
- C5b associa-se com C6, C7 e C8 formando um grande complexo multimolecular que perturba a membrana da célula. Posteriormente, C9 liga-se a C8 e a isto segue-se a ligação de muitas moléculas C9 adicionais, levando à formação de um grande poro na membrana celular. O poro na membrana é suficientemente grande para permitir a entrada de água, iões e pequenas moléculas na célula, conduzindo à lise.
- Fármacos têm vindo a ser desenvolvidos com o objetivo de intervir na cascata do complemento.
- Reconhecimento das próprias células (moléculas deste sistema depositam-se nas membranas e são constantemente destruídos).
- Se a célula não for capaz de os destruir, vão-se acumular e fazer com que se atraia, para aquela célula, uma cascata que leva à inclusão da própria célula.
- Implicações: disfunção causa inflamação cronica porque não tenho capacidade para eliminar rapidamente estes mensageiros inflamatórios, logo vou ter uma resposta autoimune devido ao facto de não ser capaz de gerir bem esta inflamação.
- Fármacos usados também no contexto de transplantes (organismo deteta um órgão estranho e vai atacar, através da mobilização da cascata do complemento). Se inibirmos a capacidade destes mensageiros da cascata se ligarem ou estabilizarem o órgão transplantado vai fazer com que os processos de rejeição sejam atenuados.
- Patologias com lise dos eritrócitos com anemias graves associadas e que se deve a uma disfunção no sistema de ativação do complemento.
- Libertação de fragmentos solúveis, que levam a uma chamada de células inflamatórias ao local (neutrófilos, macrófagos, mastócitos e basófilos).
- Geração de proteínas que possibilitam o reconhecimento da fração não solúvel e solúvel. Formas de controlar isto, em que o C3 formado pela via alternativa deposita-se na célula, desencadeando uma ativação da formação do poro, se não for removido imediatamente.
- Processos importantes nas células apresentadoras de antigénio e na geração de células que se não forem convenientemente controladas poderão levar a uma desregulação do processo imunitário.
Papel do complemento na fisiologia
- Proteção das células do hospedeiro contra o complemento:
- Via alternativa do complemento está permanentemente ativada e deposita C3b à superfície das moléculas.
- Em células do hospedeiro são rapidamente inativadas por reguladores do complemento que integram diferentes membranas ou o plasma.
- Clearence silenciosa imunologicamente de células apoptóticas:
- Em células apoptóticas ocorre uma ativação do complemento limitada.
- C1q reconhece sinais “eat me” na superfície de células em degeneração.
- Serve como uma molécula ponte, facilitando a fagocitose por células dendríticas ou macrófagos. O uptake de C1q opsonizado induz um programa anti-inflamatório, potenciação da expressão de moléculas checkpoint imunológicas, e interage com CR3 nos fagócitos, induzindo respostas anti-inflamatórias.
- Complemento na homeostasia de células T humanas:
- A catepsina 1 cliva intracelularmente C3, gerando C3a e C3b.
- C3a liga-se ao C3aR, expressa nos lisossomas, e estimula a via de sinalização mTOR. Esta sinalização é importante para a sobrevivência celular no estado de repouso.
Fármacos Anti-Complemento
- Eculizumab: impede a ligação do complexo C5 e a ativação da C5 convertase.
- Anticorpo monoclonal e é indicado para situações de lesão/perda de plaquetas ou eritrócitos, que fazem com que, durante a noite, se acumule na urina hemoglobina que resulta da lesão dos eritrócitos.
- A sobreativação do complemento tem papel relevante na mobilização de células inflamatórias, pelo que se esta resposta exacerbada por inibida pode conseguir-se um efeito benéfico para a patologia já supracitada, assim como para outras de origem vírica.
- Mirocept: ainda não está aprovado para uso clínico estudos realizados até ao momento têm revelado que este fármaco é muito promissor ao nível do transplante de órgãos.
- Inibidor da C3 convertase, serve para tratar o órgão transplantado, fazendo com que o mesmo escape mais rapidamente ao processo de reconhecimento do organismo (iludir o complemento de forma que o nosso sistema do complemento não encare o órgão transplantado como estranho).
- Bactérias
- Escapa para a circulação: mensageiro pro-infamatório começa a expressar proteína que é um recetor solúvel (proteína C reativa: recetor que quando encontra o corpo com uma sequência anormal, agarra-se a ele como um cão de caça que identifica a presa, e chama as células inflamatórias que torna visível a inflamação)
- Inflamação: conjunto de processos que perante uma anomalia, desencadeia um processo de preparação (aumentam o volume capilar, causam vasodilatação e chama células que continuam o processo).
- Inflamação estéril: desencadeamos aumento da matriz e vasodilatação, mas não há chamada de células pró-inflamatórias ao local para atacar, mas para reparar.
- Bactérias fingem-se de mortas na 1ª vaga, são incorporadas pelos macrófagos e depois são reativadas nos macrófagos, manipulando o seu metabolismo para o ajudar a proliferar.
- Vírus: recetores nas membranas estão preparados para detetar vírus (reconhecimento não é tão fácil quanto bactérias).
- Fundamental que o vírus entre dentro da vesícula, depois é processado e lisado (para replicação e proteção do sistema imunitário).
- Dentro do endossoma, há identificação de substâncias que são úteis para ativar os linfócitos.
- CD4: serve para que a célula apresentadora de antigénio, apresente o antigénio ao vírus
- Se o vírus se liga ao CD4 não é possível transferir a informação da imunidade inata.
- Pessoas com HIV morriam por sepse (infeções causadas por agentes infeciosos), porque não apresentavam o antigénio (atualmente tenta-se evitar a replicação do vírus).
SARS-COV2
- Recetor de internalização: ECA2
- Proteína de superfície do vírus: Spike
- Local de conversão da ECA1 em ECA2: Pulmão
- Pulmão: produz angiotensina II (inflamação estéril – imunossupressão)
- Angiotensina II pouca ECA2: Vasoconstrição pulmonar (excesso de substância pró-inflamatória)
- Eficácia dos corticosteróides: ZERO
- Vacinas têm eficácia limitada: imunossupressão e dificuldade de produção de anticorpos
- Hidroxicloroquina: funciona muito bem no laboratório mas não in vivo.
- Tratamento Covid: Se o problema era excesso de angiotensina II: antagonistas dos recetores da ECA2 🡪 Losartan, SARTANS…
- Vacinas funcionam para induzir a formação de anticorpos para que quando o vírus chegar, os anticorpos liguem-se à spike --> anticorpos protetores.
ECA2 e Adenosina
- ECA2 tem um mecanismo de regulação em que converte a angiotensina II em 1-7 e internaliza o recetor AT1, onde a angiotensina II atua.
- Se não há este recetor, não se verifica atuação da angiotensina II. Com a inflamação, a ECA solta-se porque é solúvel, e não atrás da angiotensina II para a destruir.
- MERS – Middle eastern respiratory syndrome
- O recetor é o DDP 4, que complexa com a adenosina deaminase;
- CD26 - proteína de ancoragem que permite que a adenosina deaminase fique na membrana. Assim, quando o vírus entra, deixamos de ter adenosinas deaminases na membrana, então não haverá a metabolização da adenosina a inosina.
- Aumento da adenosina causa hipoxia (lesão pulmonar aguda).
- Adenosina tem um efeito imunossupressor, mas não é anti-inflamatório: capaz de causar uma resposta inflamatória, mas as células que são chamadas, não são células imunitárias (fibroblastos, alteração da matriz).
- Inflamação nem sempre está associada à resposta imunitária.
- Vacinas são úteis porque aumentam o número de anticorpos neutralizadores
- Aminofilina → broncodilatador (anti-inflamatório que impede a libertação de substâncias vasoconstritoras); dá origem à teofilina – antagonista dos recetores da adenosina (A) -.
Via do NF-kb
- Terapêuticas direcionadas para o NF-κB em doenças inflamatórias → A sinalização do NF-κB desempenha um papel patogénico em várias doenças inflamatórias.
- Inibição da atividade da quinase IKK → Medicamentos como a aspirina e o salicilato têm a capacidade de inibir especificamente a IKK, impedindo assim a fosforilação da IKK.
- Inibição da atividade da protéase → Fármacos como o PS-341 e a lactacistina inibem especificamente o complexo proteossoma 26S, impedindo assim a degradação da IκBα.
- Inibição da translocação nuclear → Fármacos como o tacrolimus e o super-repressor de IκBα impedem especificamente a entrada no núcleo das subunidades RelA, p50, c-Rel e outros membros do NF-κB.
- Inibição da ligação ao DNA→ Fármacos como os glucocorticóides e os agonistas PPAR têm a capacidade de impedir que as subunidades do NF-κB se liguem aos genes alvo, inibindo assim a transcrição.
- Ativação do NF-kB: indireto
- NF-κB composto por 2 proteínas – ReIA e p50 – na forma inativa porque formam um trímero com outra proteína (proteína inibidora).
- Estímulos ativam via NF-κB: fosforilação de um cinase – IKK – que fosforila a proteína inibidora – IκB – provocando a libertação do dímero – ReIA e do p50 – que adquire a capacidade para se deslocar par ao núcleo e ligar-se aos locais de reconhecimento para NF-κB – Kb sites – induzindo a expressão de genes e síntese de proteínas envolvidas na inflamação.
- Regulação farmacológica:
- Inibir a IKK e, desta forma, estabilizar o complexo inativo do NF-κB.
- Inibir-se a degradação do IκB, dificultando a dissociação da forma fosforilada;
- Inibir a transcrição, quer através da inibição da migração de fatores ativados para o núcleo, quer através de atuação ao nível do núcleo (corticosteroides, AINEs).
- Proteínas sintetizadas na sequência da ativação do NF-κB:
- Citocinas e quimiocinas – mensageiros inflamatórios;
- Proteínas de adesão – para as células endoteliais aumentarem a capacidade de fixação das células circulantes;
- Enzimas – o que se faz é aumentar a expressão de enzimas que têm capacidade para