Introdução ao Sistema Imunológico e Barreiras Epiteliais
Os corpos humanos estão constantemente em contato com fatores ambientais.
As barreiras epiteliais, como a pele e a mucosa intestinal, representam a primeira linha de defesa.
Função da Mucosa Intestinal
Na mucosa intestinal, células imunes especializadas reforçam a barreira e induzem tolerância contra alimentos e bactérias comensais.
Células Linfoides Inatas (ILC)
Um tipo de linfócito recentemente descoberto, conhecido como células linfoides inatas (ILC), orquestra as respostas imunes e mantém a homeostase tecidual.
Diferentemente dos linfócitos T e B, as ILCs não expressam receptores adaptativos de reconhecimento de antígenos.
A ativação e expansão das ILCs são impulsionadas por sinais de citocinas do tecido.
As ILCs podem ser divididas em três tipos principais:
ILC1
ILC2
ILC3
Interações das ILCs com outras Células
ILC3 e Células Dendríticas
As ILC3 interagem com células dendríticas para manter a barreira epitelial.
Células dendríticas: especializadas na apresentação de antígenos; adquirem antígenos da microbiota intestinal.
Secretam a interleucina 23 (IL-23).
A IL-23 estimula as ILC3 a produzir IL-22.
IL-22: ativa o epitélio a secretar peptídeos antimicrobianos (AMPs) que matam diretamente as bactérias.
A IL-22 aumenta também a produção de IL-23 nas células dendríticas.
O diálogo entre as células dendríticas e as ILC3 é vital para manter a barreira contra bactérias patogênicas ou comensais.
Interação das ILC3 com Macrófagos
As ILC3 também interagem com macrófagos para estabelecer tolerância em relação à microbiota comensal.
Antígenos de bactérias intestinais induzem a secreção da citocina inflamatória IL-1beta em macrófagos, que desencadeia a secreção de GM-CSF nas ILC3.
GM-CSF sinaliza de volta aos macrófagos para induzir a produção de ácido retinóico.
O ácido retinóico promove a diferenciação das células T reguladoras.
Células T reguladoras: essenciais para manter a tolerância em relação à microbiota comensal.
Respostas Imunes Mediadas por ILC2
As ILC2 desempenham um papel importante na resposta imune contra helmintos (vermes parasitas).
Os helmintos liberam enzimas que destroem a barreira mucosa, resultando em morte celular massiva.
Células epiteliais percebem sinais de perigo oriundos de células morrendo e produzem alarminas.
Em resposta à alarmina IL-25, as ILC2 produzem mediadores que:
Induzem a produção de muco por células caliciformes.
Enviam células dendríticas ativadas a linfonodos, onde iniciam células T efetoras.
Recrutam eosinófilos e mastócitos.
Induzem contração muscular.
Essas ações resultam na expulsão dos vermes intestinais em resposta à IL-33.
As ILC2 também produzem anfirregulina que induz o reparo do tecido após a liberação do verme.
Contribuição das ILCs para Patologias Teciduais
As ILCs também têm um papel na contribuição para patologias teciduais.
As ILC1 produzem o mediador inflamatório interferon-gama.
As ILC3 podem adquirir a capacidade de produzir IFN-gama durante a inflamação crônica.
Ambas são encontradas em doenças inflamatórias intestinais, como colite e Doença de Crohn.
As ILCs contribuem para a patologia intestinal, afetando a homeostase e a integridade do tecido intestinal.
Conclusão
As ILCs participam de diversos aspectos da imunidade: