Paisagens geológicas

Paisagens Geológicas

Os agentes modeladores do relevo (internos e externos) transformam as paisagens dependendo do tipo de rocha. Há rochas que se podem identificar a grandes distâncias, apenas pelo tipo de paisagem que observamos. O que vamos estudar, são exatamente, as paisagens mais características.

O Caos de Blocos (granito); paisagens vulcânicas (tipicamente do basalto), as dunas do litoral e do deserto (rochas sedimentares detríticas) e modelado cársico (Calcário).

@@Caos de Blocos@@ \n O caos de blocos é uma paisagem característica do granito. São exemplos: Serra da Estrela, Serra de Sintra, Gêres… \n

 

 \n O granito ao arrefecer e por alívio de pressão, fratura-se em paralelepípedos (cubos quase perfeitos), uma vez à superfície a erosão começa a atuar com maior facilidade nas fraturas (diaclases). Os paralelepípedos começam a alterar-se pelos vértices e arestas. Os cubos transformam-se ao longo de milhões de anos em esferas. \n Os granitos, sendo rochas plutónicas e devido à sua composição mineralógica), são muito resistentes à erosão ficam em saliência relativamente ao resto da paisagem formando serras. Estes blocos arredondados, aparentemente dispersos pela serra, constituem o caos de blocos (confusão de blocos). \n

 \n Rochas Vulcânicas: Órgãos basaltos, Caldeira Vulcânica, Ilhas vulcânicas, Vulcanismo secundário (Geiseres, nascentes termais e fumarolas).

Órgãos basálticos - Disjunção prismática ou Disjunção colunar

Paisagem típica do basalto.

==Órgãos basálticos - Disjunção prismática ou Disjunção colunar==

O basalto ao arrefecer na chaminé e no cone vulcânico fratura-se em prismas hexagonais (quase perfeitos). Com a erosão do cone vulcânicos os prismas aparecem à superfície e vão sofrer erosão. Com o tempo estes prismas arredondam as suas arestas e vértices e originam uma espécie de tubos que fazem lembrar órgãos de igreja, daí o nome órgãos basálticos.

 

http://oficina.cienciaviva.pt/~pw043/lomba_piano_prismas.htm            http://www.geopor.pt/gne/ptgeol/vulcanismo/madeira.html \n \n

 

Foto do Magoito

Para além de o Basalto partir em prismas hexagonais, é também frequente partir (semelhante ao Caos de Blocos do Granito) em paralelepípedos, por contraste de temperatura e formar estas bolas (disjunção esferoidal).

@@Caldeira Vulcânica@@

 \n O vulcão deixa de entrar em erupção e a sua cratera entra em colapso, com a sucessão de várias estações da chuva a cratera enche de água e forma a caldeira. \n \n A caldeira é particularmente perigosa quando com o excesso de peso de água a estrutura vulcânica entra em colapso, ou quando o vulcão entra em atividade e expele com muita violência a água retida na caldeira. \n

 \n              Observa com atenção o esquema

 \n Caldeiras dos Açores

 

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e4/Sete_cidades_twin_lakes.JPG \n \n @@Ilhas Vulcânicas@@ \n \n As ilhas vulcânicas, como sabes, são relevos que resultam da acumulação das pillow-lavas das várias erupções na parte submersa e do material dos quatros tipos de vulcanismo (peleano, estromboliano, havaiano e vulcaniano), quando o vulcão passa a ser aéreo. \n

%%Dunas do Deserto%% \n \n As dunas do deserto são diferentes das dunas litorais. Este tipo de dunas tem normalmente a forma de um "croissant" ou de uma meia lua -chamam-se a este tipo de dunas Berkane, um dos lado da duna é íngreme e o outro é suave. Do lado que sopra o vento a vertente da duna é suave. \n Os grãos que constituem este tipo de dunas são baços e de "faces angulosas, devido à ação do vento que transporta os finos grãos que chocam uns com os outros, ficando cada vez mais pequenos e baços das. As dunas deslocam-se na direção do vento. \n Quando o deserto é assolado por uma tempestade de areia, a paisagem muda drasticamente.

 \n Curiosidade: Já deves ter dado pela poeira que se deposita no teu carro acabadinho de lavar numa pequena chuvada. Pois é, essa poeira vem do Deserto do Saara. Vê só o tamanho de cada grão para poder ser transportado pelas nuvens.

 \n %%As dunas litorais%% são formadas por rochas detríticas móveis, e têm uma morfologia e génese diferentes das dunas do deserto. Enquanto que as areias do deserto são baças e estriadas, e isto deve-se ao vento que as transporta e ao "roçarem" umas nas outras ficam arranhadas, as do litoral são lisas e brilhantes porque o maior transporte é feito pela ação das águas.

AS dunas do Litoral, são normalmente de forma cónica, isto porque o vento muda constantemente de direção, ao contrário das do deserto. \n \n \n

@@Modelado Cársico@@

\n

CampodelapiaˊsCascaisGuinchoCampo de lapiás Cascais-Guincho

São nas rochas carbonatadas que encontramos este tipo de paisagem. \n O calcário é uma rocha sedimentar quimiogénica que se forma por precipitação de carbonato de cálcio. \n O calcário apresenta uma rede de fraturas a que se dá o nome de diaclases. \n \n \n \n O que observas são a rede de diaclases numa camada de calcário que faz parte do sinclinal do Guincho. \n \n A origem dessas diaclases tanto pode estar relacionada com processos de origem como com processos tectónicos. Os fenómenos de origem têm a ver com a própria formação da rocha por consolidação (perda de água) e alívio de pressão com erosão das rochas que estão por cima, levando à sua fraturação, e que estão relacionados com os fenómenos globais de movimentação das placas tectónicas. É a circulação da água da chuva por essas diaclases que leva ao seu progressivo alargamento, dando origem a formas de relevo características das regiões calcárias: o Relevo ou Modelado Cársico. \n \n Ao cair, a água da chuva (H2O) dissolve o dióxido de carbono (CO2) existente na atmosfera, donde resulta a formação dum ácido fraco - o ácido carbónico (H2CO3) - que lhe confere uma ligeira acidez. Essa acidez é intensificada quando, ao circular pelo solo, a água dissolve os ácidos orgânicos aí existentes. \n \n Como, os calcários são rochas fundamentalmente constituídas por um mineral a calcite (carbonato de cálcio - CaCO3)Sendo este mineral facilmente atacado pelos ácidos, dissolvendo-se, nos calcários, quando em contacto com as águas ácidas que neles circulam pelas diaclases, ocorre uma reação química característica, conhecida por carbonatação, da qual resulta bicarbonato de cálcio dissolvido na água. A lenta mas contínua circulação das águas pelas diaclases leva à dissolução do calcário. \n \n %%CaCO3 + H2CO3 Ca2+ + 2HCO3%% \n \n Por este processo, as fendas vão-se alargando e ligando umas com as outras, levando à formação de largos canais subterrâneos por onde se dá uma intensa circulação da água. Dum modo geral, as grutas correspondem a zonas alargadas destes rios subterrâneos. \n

 \n elementos da gruta: \n \n \n ==Algar== \n Poços naturais, por vezes muito profundos, na ordem da centena de metros na vertical, através dos quais as águas de escorrência superficial descem para as camadas mais profundas, alimentando os rios subterrâneos. À superfície o seu diâmetro varia de alguns decímetros a 1 ou 2 metros. (entradas na gruta na vertical)

 \n

 \n ==Estalactite==: formação que cresce do teto da galeria para baixo. As gotas dissolvem o carbonato de cálcio e transportam-no. Assim que a gota de água encontra um obstáculo, por ação da força da gravidade, cai e larga o carbonato de cálcio, formando a estalactite.

 

imagens de http://nland.homestead.com/

Formação de uma estalactite e estalagmite que crescem na mesma direção, originando uma ==coluna.==

==Estalagmite==: formação que cresce da base da galeria para cima. as gotas que caem do teto da gruta trazem ainda algum carbonato de cálcio e depositam-no na base da galeria. \n \n ==Coluna==: formação que resulta da junção de uma estalactite com uma estalagmite. \n \n ==Galeria:==formação que resulta da dissolução da base da camada calcária (horizontal) \n \n ==Poço:==formação que resulta da dissolução da diaclase da camada calcária (vertical), se tiver comunicação com a superfície trata-se de um Algar. \n \n ==Rio subterrâneo==- Nas grutas existe sempre um rio subterrâneo que resulta da acumulação da água que se infiltra na gruta. O rio irá originar uma nascente (local por onde a água aparece à superfície). \n \n \n Para além das grutas podemos encontrar outros elementos da paisagem calcária (modelado cársico): \n \n ==Terra Rossa== - Argila vermelha que resulta da erosão do calcário.

 \n \n \n \n Dolinas \n Depressões pouco profundas, mais ou menos circulares, com diâmetro variando entre a dezena e a centena de metros. O fundo é revestido de um solo argiloso de cor avermelhada ("Terra Rossa") resultante da acumulação das impurezas dos calcários não dissolvidas pela acção da água da chuva. \n \n \n \n Dolinas Pieciu Stawow - Polónia

Uvala \n Depressão resultante da junção de dolinas. \n \n Campo de Lápias \n Formas rendilhadas em que as rochas calcárias apresentam formas muito diversas resultantes da sua dissolução diferenciada. (imagem em cima)

 \n \n Polje \n Grande depressão aplanada resultante de grandes abatimentos de origem, em geral, tectónica. Durante o Inverno é comum os poljes transformarem-se temporariamente em lagos, resultantes da subida do nível das águas que circulam em profundidade. Estas sobem e voltam a infiltrar-se pelos chamados "sumidouros". \n \n \n

Polje de Minde (Serra de Aires e Candeeiros), Mira de Aire

Marmita de Gigante

São pequenas depressões formadas, essencialmente, nos leitos dos rios formados de calcário. Os sedimentos sólidos que o rio transporta podem ficar aprisionados, por acção da gravidade, numa depressão no leito. Estes sedimentos não conseguem libertar-se da depressão mas o movimento da água faz com que os sedimentos escavem, alarguem e afundem as depressões.

 

marmita de gigante

A Espeleologia é Ciência que estuda as grutas o e outros fenómenos do modelado cársico. É uma ramo da geologia, mas muitos são os entusiastas da Espeleologia. Não é necessário, ser-se geólogo, para ser-se espeleólogo!

 \n

 \n

 \n \n

 \n \n