Pneumonia Flashcards

Pneumonia Hospitalar

  • Definição: Aparecimento agudo de sintomas e sinais de infecção do trato respiratório inferior, sem outra causa óbvia, associada a infiltrado pulmonar novo no exame de imagem.
  • Responsável por aproximadamente 24% das infecções nosocomiais.
  • Pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) ocorre em cerca de 10% dos pacientes em ventilação mecânica.
  • Ambas estão relacionadas a longas internações e custos hospitalares elevados.

Hospitalização por Pneumonia

  • Gráfico mostrando a hospitalização por pneumonia por 1 milhão de pessoas.
  • Dados de 1997 a 1999 (Pré-PCV7), 2001 a 2006 (Início da PCV7), 2007 a 2009 (Fim da PCV7).
  • Faixas etárias: <2, 2-4, 5-17, 18-39, 40-64, 65-74, 75-84, ≥85 anos.

Pneumonia Hospitalar

  • Infecção pulmonar que se desenvolve em pacientes internados, geralmente após 48 horas de internação.
  • É uma das complicações mais comuns e pode levar a morbidade e mortalidade significativas.
  • A compreensão de sua abordagem clínica e prevenção é crucial para melhorar os resultados dos pacientes.

Óbitos e Comorbidades

  • As pneumonias hospitalares estão relacionadas ao maior número de óbitos do que outras infecções.
  • Taxas de mortalidade maiores estão relacionadas à presença de comorbidades.
  • Indivíduos adultos que desenvolvem pneumonia geralmente tiveram infecção viral previamente.
  • Doenças pulmonares estruturais como DPOC, fibrose cística, bronquiectasias e asma predispõem pneumonia bacteriana.

Fatores de Risco

  • Tabagismo, etilismo, doença renal crônica, doença hepática, diabetes melito e AIDS são fatores de risco para o desenvolvimento de pneumonia devido ao quadro de imunossupressão que geralmente ocorre.
  • Idosos também são mais propensos a desenvolverem pneumonia, pois apresentam diminuição dos reflexos faríngeo e de tosse, disfunção da glote e diminuição da resposta imune.
  • Pneumonia viral e por Mycoplasma podem ocorrer em qualquer faixa etária.

Principais Fatores de Risco

  • Os principais fatores de risco para o desenvolvimento de pneumonia hospitalar incluem a ventilação mecânica, a imunossupressão, e a idade avançada.
  • Conhecer esses fatores é vital para a prevenção e para a implementação de estratégias adequadas de cuidado.

Fatores Protetores das Vias Aéreas Superiores

  • Fluxo de ar laminar
  • Pelos das narinas
  • Superfícies pegajosas que permitem que partículas estranhas fiquem aderidas
  • Presença de imunoglobulina A
  • Epiglote
  • Laringe
  • Batimento ciliar
  • Tosse efetiva

Mecanismos de Ocorrência

  • Normalmente ocorrem aspiração do conteúdo da boca e de secreção da nasofaringe.
  • Quando o volume aspirado é maior, ou ocorre em idosos, a chance de desenvolvimento de pneumonia aumenta.
  • Aspiração de grande quantidade de secreções e de conteúdo gástrico também pode causar pneumonia.
  • A inalação de bactérias é mecanismo pouco comum, mas pode ocorrer (tuberculose, bacillus Anthracis).
  • A disseminação hematogênica também é uma importante causa de pneumonia.

Disseminação e Resposta Inflamatória

  • Uma vez que os microrganismos atingem o tecido pulmonar ocorre disseminação por essa estrutura e pelas vias aéreas.
  • Bactérias promovem reação inflamatória, extravasamento de plasma para os alvéolos.
  • Vírus invadem o epitélio lesando cílios e as células.
  • Outros microrganismos aderem às células por meio de receptores específicos.

Sinais e Sintomas

  • Calafrios
  • Febre de início súbito pode estar presente
  • Mal estar
  • Tosse
  • Algumas pessoas podem apresentar expectoração e a secreção pode conter estrias de sangue.
  • Pode haver a sensação de dor pleurítica
  • Aparecimento de infiltrado pulmonar na radiografia de tórax.

Sinais e Sintomas em Idosos e Formas Específicas

  • Pacientes idosos podem não apresentar o quadro clássico no início da doença.
  • Alguns idosos podem apenas apresentar desorientação, confusão mental, alterações mentais discretas.
  • Pneumonia por Legionella e Pneumococo pode cursar com diarreia associada.
  • Pneumonia viral: geralmente causa sintomas relacionados às vias aéreas superiores.

Diagnóstico

  • Quadro de início agudo nas pneumonias bacterianas e virais, porém alguns pacientes podem ser pouco sintomáticos.
  • Frequência respiratória aumentada
  • Saturação de O2 < 92%
  • À ausculta podem ser identificadas crepitações finas no local acometido do pulmão.
  • Pode haver broncofonia e egofonia
  • Macicez à percussão sob a área afetada.
  • Frêmito pode estar presente.

Exames de Imagem

  • RX de tórax: pode evidenciar infiltrado, mas pode não apresentar alterações significativas.
  • Tomografia computadorizada de tórax: excelente exame
  • Ultrassom de tórax

Possíveis Alterações Laboratoriais

  • Hemograma: leucocitose
  • Procalcitonina elevada pode ser indicador de infecção bacteriana
  • Coloração de Gram da amostra de secreção pulmonar.
  • Pode ser pesquisado antígeno urinário pelo método ELISA para pneumococo, legionella, histoplasma.
  • PCR em swab de orofaringe.

Prevenção

  • As medidas de prevenção incluem:
    • Higiene das mãos
    • Vacinação
    • Mobilização precoce dos pacientes.
  • Essas práticas são essenciais para reduzir a incidência de pneumonia hospitalar e melhorar a qualidade do atendimento.

Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAV)

  • A PAV é um tipo de infecção nosocomial.
  • Em pacientes críticos é a segunda infecção mais frequente.
  • Tem relação com desfechos menos favoráveis.
  • Representa um custo alto.
  • Reflete a qualidade da assistência à saúde de uma instituição.

Definição

  • Pneumonia nosocomial que se desenvolve em 48 a 72 horas após a intubação endotraqueal.
  • Pneumonia nosocomial diagnosticada até 24 horas após a extubação.
  • Representa até 25% das infecções que ocorrem no ambiente de terapia intensiva.
  • A duração média de um episódio de PAV é de cinco dias e sua mortalidade varia de 24% a 76%.

Mecanismos de Ocorrência na PAV

  • Pacientes ventilados mecanicamente de forma invasiva tem seus mecanismos de defesa comprometidos:
    • Batimento mucociliar diminuído
    • Reflexo da tosse comprometido
  • Pode haver contaminação por germes que normalmente são encontrados na orofaringe e tubo digestivo
  • Pode haver contaminação de tubos e circuitos dos equipamentos usados
  • Disseminação hematogênica

Microrganismos Envolvidos

  • Quando a pneumonia ocorre até 4 dias após a hospitalização os microrganismos envolvidos são os mesmos que causam a pneumonia adquirida da comunidade:
    • Streptococcus pneumoniae
    • Haemophilus influenzae
    • Neisseria meningitidis
    • Bactérias da cavidade oral: após 24 horas de internação a flora habitual muda para S. aureus e BGN.

Agentes Causais Após o Quarto Dia

  • Após o quarto dia de internação os agentes causais mais frequentes são:
    • Aeróbios gram-negativos: Klebsiella pneumoniae e Escherichia coli, que podem ser produtores de betalactamase (resistentes a penicilinas e cefalosporinas).
    • Outros gram-negativos: Pseudomonas aeruginosa (não fermentador) e Acinetobacter, Stenotrophomonas e Burkholderia.
  • Comorbidades, uso de corticoides, uso prévio de antibióticos contribuem para a mudança da flora bacteriana.
  • É preciso conhecer a flora e a sensibilidade antibiótica na instituição onde o paciente está internado.

Investigação em Imunossuprimidos

  • Em pacientes imunossuprimidos ou quando bactérias não são isoladas em meios de cultura habituais é preciso investigar:
    • Anaeróbios: geralmente em pacientes submetidos à cirurgia abdominal alta, má conservação dos dentes, presença de corpo estranho na via aérea.
    • Legionella
    • Vírus
    • Aspergillus
    • Candida

Infecção por Staphylococcus Aureus

  • Pacientes com trauma craniano
  • Insuficiência renal.
  • Uso crônico de corticoides
  • HIV+
  • Síndrome gripal prévia
  • Uso de medicamentos endovenosos.

Infecção por Pseudomonas

  • Doença pulmonar crônica
  • Uso de corticosteróides
  • Ventilação mecânica por mais de 5 dias.

Fatores de Risco para Patógenos Multirresistentes

  • Uso de antibióticos nos últimos 90 dias.
  • Hospitalização por mais de 5 dias.
  • Presença de choque séptico por conta de PAV no momento do diagnóstico.
  • Síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) precedendo a PAV.
  • Terapia substitutiva renal precedendo o início da PAV.

Diagnóstico Clínico

  • É preciso suspeitar da infecção
  • Todo paciente em ventilação mecânica por mais de 48 horas e com sinais sugestivos de infecção deve ser investigado.
  • Avaliação clínico-laboratorial: febre, taquicardia e leucocitose podem estar presentes, mas são pouco específicos.
  • RX de tórax: pode apresentar problemas técnicos e de interpretação
  • Quando usamos os recursos em conjunto, eles se tornam uma boa ferramenta para o diagnóstico.

Critérios Clínicos para Diagnóstico de PAV

  • Obrigatório: RX de tórax com novo infiltrado ou piora de imagem preexistente.
  • Pelo menos dois dos critérios:
    • Temperatura > 38°C ou < 36°C
    • Leucócitos > 12000/mm³ ou < 4000/mm³
    • Secreção respiratória purulenta

CPIS (Clinical Pulmonary Infection Score)

  • Escore CPIS (Clinical Pulmonary Infection Score)
  • Deve ser ≥ 6

Diagnóstico Microbiológico

  • Deve ser identificado um patógeno compatível com o quadro de PAV em cultura de material de trato respiratório inferior.
  • Cultura de líquido pleural ou hemoculturas podem ser utilizadas.
    • Aspirado traqueal ≥ 10^6 UFC/mL
    • Lavado broncoalveolar e mini lavado ≥ 10^4 UFC/mL
    • Escovado protegido ≥ 10^3 UFC/mL
    • Cultura semiquantitativa ≥ 3+

Métodos de Imagem

  • RX de tórax
  • Tomografia computadorizada de tórax
  • Ultrassom de tórax: ainda não é validado como método diagnóstico

Biomarcadores

  • Proteína C reativa
  • Procalcitonina

Classificação Quanto ao Tempo

  • PAV precoce: diagnóstico entre o segundo e quarto dia do início da ventilação mecânica invasiva.
  • PAV tardia: o diagnóstico é realizado após o quinto dia do início da ventilação mecânica invasiva.

Critério PIRO

  • Estratificação quanto à gravidade - PIRO
VariávelPontosCategorias
PredisposiçãoComorbidades
Insulto1Baixa
Bacteremia
Resposta1Moderada
2Pressão sistólica < 90 mmHg ou uso de DVA
ÓrgãoSDRA
disfuncionante1Alto
EscoreMortalidade
0-110%-17%
253%
3-477%-93%

Prevenção da PAV

  • Higienização das mãos antes e após o contato com o paciente
  • Elevação da cabeceira a 30°
  • Despertar diário
  • Higienização da cavidade oral