Mecanismo de resistência dos gram positivos
Introdução
Aula sobre mecanismos de resistência em bactérias Gram-positivas.
Apresentadora: Maria Luí, médica assistente do controle hospitalar.
Foco na discussão de Staphylococcus aureus e, ao final, Enterococcus.
Mecanismos de Resistência Bacteriana
Há quatro mecanismos principais que se aplicam a todas as bactérias:
Produção de enzimas inativadoras: comum em bactérias Gram-negativas.
Bombas de refluxo: expulsão de antibióticos da célula.
Alterações de permeabilidade: varia de acordo com a bactéria; mais significativas em Pseudomonas e Enterococcus.
Alterações de sítio de ligação: modificação na forma como os antibióticos se ligam, tornando-os ineficazes.
Comparação entre Gram-positivas e Gram-negativas
Estrutura da Parede Celular
Gram-positivo: parede celular espessa que retém o corante durante a coloração de Gram.
Gram-negativo: parede celular menos espessa, com membrana externa e espaço periplasmático maior.
Consequências:
O espaço periplasmático abriga enzimas inativadoras, favorecendo resistência em Gram-negativas.
Enzimas conhecidas incluem ISPL, SHV, KPC, OXA, entre outras.
Diferenças de Resistência
Mecanismos de resistência são diferentes entre Gram-positivo e Gram-negativo:
Gram-positivo: muitas vezes resistência por alteração de sítio de ligação.
Gram-negativo: resistência muitas vezes por mecanismos enzimáticos.
Resistência de Staphylococcus aureus
Exemplo clínico
Apresentação de caso de uma paciente de 3 anos com impetigo disseminado.
Diagnóstico: Impetigo sem indicação de tratamento sistêmico normalmente, mas indicado em casos disseminados.
Tratamento:
Incorreto: uso de penicilina G, devido à resistência generalizada do Staphylococcus aureus (80-90%) à penicilina.
História da penicilina: descoberta por Fleming, comercializada na década de 40, inicialmente eficaz contra infecções.
Evolução da Resistência a Antibióticos
Desde a comercialização da penicilina, resistência surgiu rapidamente (ex.: 28% de resistência em 1950).
Meticilina foi introduzida na década de 60 como resposta à resistência.
Mecanismo de Resistência a Penicilina
Staphylococcus aureus possui a penicilinase, uma enzima mediada por gene plasmidial (gene blaZ).
Consequências:
A penicilinase confere resistência a penicilinas naturais e outras penicilinas sintéticas.
Para tratamento, é preferível usar um betalactâmico com inibidor de betalactamase (ex.: amoxicilina com clavulanato).
Outras opções: cefalosporinas, como cefalexina, que se mostraram eficazes.
Considerações Finais
A resistência bacteriana representa um desafio contínuo na medicina.
Importante diferenciar entre os tipos de resistência para um tratamento eficaz.