Ginecologia e Obstetrícia - Diabetes Mellitus na Gravidez
Ginecologia e Obstetrícia: Diabetes Mellitus na Gravidez
Monitorização Glicêmica
Tipos de perfil glicêmico: Existem dois tipos principais de monitorização glicêmica durante a gravidez:
Perfil Glicêmico Simples:
Realizar glicemia capilar em quatro períodos do dia:
Jejum
1 hora pós-prandial (café da manhã)
1 hora pós-prandial (almoço)
1 hora pós-prandial (jantar)
Indicado para:
Diabetes gestacional (DMG) para início de tratamento com dieta e exercícios.
Pacientes em uso de insulina com bom controle glicêmico.
Perfil Glicêmico Completo:
Realizar glicemia capilar em quatro períodos do dia:
Jejum
Pré-prandial (antes das refeições)
1 hora pós-prandial (café da manhã, almoço, e jantar)
3 horas da manhã
Indicado quando:
A paciente está em uso de insulina.
Diabetes Mellitus Tipo 1 ou Tipo 2.
Controle Glicêmico Adequado:
Considera-se adequado quando, no mínimo, 70% dos valores de glicemia se encontram na normalidade.
Educação do Paciente:
A monitorização glicêmica tem um papel educativo para as pacientes, que aprendem a identificar alimentos que impactam seus níveis glicêmicos, melhorando assim a adesão ao tratamento.
Tabela 5:
Valores de normalidade no perfil glicêmico.
Uso de Hipoglicemiantes Orais
Estudos sobre Hipoglicemiantes Orais:
Há evidências de benefícios do uso de metformina e glibenclamida durante a gestação, mas não há consenso sobre sua segurança e eficácia.
O Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Diabetes recomendam contra o uso de hipoglicemiantes orais na gravidez.
Informação para Provas:
A controvérsia sobre o uso de hipoglicemiantes orais raramente aparece em provas de acesso direto.
Conduta Obstétrica
Decisões sobre Parto:
A indicação do parto em pacientes diabéticas é um tema controverso com quatro situações principais:
Pacientes DMG tratadas apenas com dieta:
O parto não precisa ser antecipado e deve ocorrer entre 39 e 40 semanas.
Pacientes em uso de insulina com controle satisfatório:
Antecipação do parto indicada entre 39 e 39 semanas e 6 dias.
Pacientes em uso de insulina com controle insatisfatório:
Antecipação do parto entre 37 e 38 semanas.
Diagnóstico de Macrossomia Fetal:
Antecipar o parto no momento do diagnóstico de macrossomia (peso fetal estimado > 4000-4500 g).
Alteração do Bem-Estar Fetal:
Realizar o parto no diagnóstico de alteração, considerando a necessidade de maturação pulmonar fetal.
Situações Especiais:
Condições que podem justificar antecipação do parto incluem:
Nefropatia diabética franca
Retinopatia proliferativa
Dificuldade no controle metabólico
Associação com hipertensão arterial
Restrição do crescimento fetal
Sinais de sofrimento fetal
Em geral, raramente é necessário interromper a gestação antes de 37 semanas.
Via de Parto
Escolha da Via de Parto:
O parto vaginal é a via de escolha, desde que não haja contraindicações.
A cesariana deve ser indicada de forma eletiva em casos de peso fetal estimado maior que 4000-4500 g.
Controle Glicêmico no Momento do Parto:
Para pacientes em uso de insulina, deve-se dosar a glicemia capilar a cada 2 horas e corrigir com insulina regular.
O objetivo é manter a euglicemia, geralmente definida como glicemia entre 70–110 mg/dl.
A insulina NPH deve ser suspensa no dia do parto.
Se a paciente estiver em jejum por mais de 8 horas, realizar infusão contínua de soro glicosado.
Puerpério
Conduta no Pós-Parto:
Pacientes DMG com ou sem uso de insulina:
Suspender insulina e controle de glicemia capilar e realizar nova avaliação entre 6-12 semanas pós-parto com TOTG 75 g de glicose.
Pontos de corte como na população não gestante.
Se o exame não for viável, realizar glicemia de jejum 6 semanas pós-parto (ponto de corte ≥ 126 mg/dl).
Pacientes diabéticas prévias em uso de hipoglicemiante oral:
Retornar ao hipoglicemiante oral e manter perfil glicêmico simples na internação, com correção e uso de insulina regular conforme necessário.
Importância da dieta para diabetes.
Pacientes que utilizavam insulina antes da gestação:
Retornar à dose pré-gestacional ou metade da dose utilizada no final da gravidez.
As necessidades de insulina no pós-parto são 30–40% menores em relação ao período gestacional.
Risco a Longo Prazo:
Até 50% das pacientes que apresentaram diabetes mellitus gestacional desenvolverão diabetes nos 5 anos seguintes ao parto.
O Ministério da Saúde recomenda a glicemia de jejum a cada 3 anos para mulheres que tiveram DMG em gestação anterior.