(322) Endometriose - Parte 4

Introdução ao Diagnóstico da Endometriose

  • O diagnóstico da endometriose é demoroso e complexo.

  • Fatores que dificultam o diagnóstico:

    • Sintomas não específicos.

    • Biomarcadores não específicos.

    • Falta de percepção e normalização dos sintomas.

    • Estigmas relacionados aos sintomas.

  • O diagnóstico baseia-se em:

    • Entrevistas com pacientes.

    • Exames clínicos.

    • Imagens.

    • Não deve ser sinônimo de cirurgia imediata.

Características da Endometriose

  • Doença crônica com caráter inflamatório, hormonal, imunológico e sistêmico.

  • Três fenótipos principais:

    • Superficial.

    • Endometrioma.

    • Endometriose profunda (associada à dor em 30% dos casos).

Manejo da Endometriose

  • Abordagem individualizada considerando:

    • Sintomas e prioridades do paciente.

    • Diferenças nos sistemas de saúde e percepção da dor pelo paciente.

  • O tratamento clínico é a primeira opção para pacientes com dor pélvica sem desejo imediato de engravidar.

  • Tecnologias de reprodução assistida não requerem cirurgia para pacientes com infertilidade selecionados.

Questões na Entrevista Clínica

  • Importância de perguntar sobre:

    • História familiar de endometriose.

    • Dismenorreia primária grave e suas consequências.

    • Infertilidade.

    • Características da dor (cíclica, gastrointestinal, urológica, etc.).

    • Morbidades associadas (doenças autoimunes, endócrinas, etc.).

Sintomas da Endometriose

  • A endometriose pode ser assintomática ou causar:

    • Dismenorreia.

    • Dor pélvica cíclica.

    • Infertilidade.

    • Fadiga.

    • Alucinações somatossensoriais.

Exames de Imagem

  • Três tipos de exames principais:

    • Ultrassom pélvico.

    • Ultrassom transvaginal.

    • Ressonância magnética.

  • Laparoscopia é um método diagnóstico que revela diferentes tipos de lesões:

    • Lesões brancas (fibróticas).

    • Lesões vermelhas (autoatividade proliferativa).

    • Lesões azuis ou pretas (superfície peritoneal).

    • Lesões marrons ou vesiculares (comuns em adolescentes).

Características da Dor Somatossensorial

  • Dor em endometriose pode não corresponder diretamente às lesões.

  • 70% das mulheres com lesões sutis podem não sentir dor.

  • Tratamento deve ser eficiente para evitar sensibilização central da dor.

Tratamento da Dor da Endometriose

  • Alvos hormonais incluem:

    • Análogos de GnRH (atuam no FSH e LH).

    • Antagonistas de GnRH.

    • Progestinas.

  • Objetivo principal:

    • Alívio dos sintomas e melhora da qualidade de vida.

    • Controle clínico sem esperar cura ou diminuição das lesões.

Condutas no Tratamento

  • Suspeita de endometriose:

    • Se exames normais, iniciar tratamento clínico.

    • Se endometriose profunda ou endometrioma > 6 cm, optar por tratamento cirúrgico.

  • Tratamento da infertilidade:

    • Medidas como fertilização in vitro em casos de mau prognóstico, com avaliação de:

      • Idade.

      • Tempo de infertilidade.

      • Reserva ovariana.

  • Recomendação: evitar o uso de medicamentos hormonais prescritivos para infertilidade, pois não afetam a fertilidade.

Abordagem Farmacológica

  • Medicamentos utilizados incluem:

    • Agonistas de GnRH (ex.: goserelina, leuprolida).

    • Antagonistas de GnRH (ex.: elagolix).

    • Inibidores de aromatase (ex.: anastrozol, letrozol).

  • Progestinas: reduzem a inflamação e a ativação de fatores inflamatórios.

  • Contraceptivos orais: amplamente utilizados, mas carecem de evidências conclusivas.

  • Considerações sobre efeitos colaterais e eficácia dos tratamentos hormonais.

Considerações Finais

  • Tratamento cirúrgico visa preservar a fertilidade e restaurar a anatomia.

  • Controle da dor e qualidade de vida são fundamentais.

  • Discussões sobre abordagem compartilhada e preferências individuais do paciente devem ser priorizadas.