Notas sobre Antibioticos
Inibição da síntese da parede bacteriana
São bactericidas e atuam apenas em bactérias em crescimento.
São os β-lactâmicos e Peptideos
Há 3 fases de síntese de parede celular:
1ª - Síntese do precursor (UDP-N-ácido acetilmurâmico) a partir:
N-acetil-D-glicosamina-1-fosfato
UTP
Fosfoenolpiruvato
Há a ligação de 5 aminoácidos em cadeia a UDP-N-ácido acetilmurâmico - nas duas ultimas posições encontra-se D-alanina
A D-alanina provém da L-alanina por ação de uma racemase.
A formação do dipeptídeo D-alanilalanina ocorre por intervenção de uma ligase.
2ª - Transporte de UDP-N-ácido acetilmurâmico-pentapeptídeo e UDP-N-acetilglicosamina (os elementos básicos da parede bacteriana)
Ligação com pirosfosfato catalizada por translocase para transporte
Formação do composto intermediário lipídico I
A estrutura pentapeptídica é colocada na face externa da membrana plasmática
Formação da unidade básica do peptidoglicano e do polímero linear peptideoglicânico (transglicosidases)
3ª - Ligações transpeptidásicas
Ligações cruzadas entre as cadeias lineares
Ligações covalentes entre os pentapeptídeos na face externa da membrana citoplasmática
Proteinas como PBP (penicillin-binding proteins) estabelecem ligações transpeptidásicas, pertencem à membrana citoplasmática.
Antibioticos que intervérem com a 1ª etapa
Cicloserina:
Inibe a racemase e a ligase, impedindo a formação da cadeia pentapeptídica.
Fosfomicina:
Inibe irreversivelmente a transferase que catalisa a condensação do fosfoenolpiruvato ao UDP-N-acetilglicosamina-1-fosfato.
Estrutura simples. Entre os microrganismos sensíveis, encontram-se os Haemophilus influenzae, as Salmonella, as Serratia, a Escherichia coli, o Proteus mirabilis e a generalidade dos cocos gram-positivos, incluindo alguns estafilococos resistentes à penicilina G.
Antibioticos que intervêm com a 2ª etapa
Bacitracina:
Inibe a pirofosfatase, que transforma o undecaprenilpirofosfato em undecaprenilfosfato
Inibe então o transporte do UDP-N-ácido acetilmurâmico-pentapeptídeo através da membrana.
Vancomicina:
Inibe a transglicosidação, impedindo a formação do peptideoglicânico, e liga-se com afinidade ao dipeptídeo D-alanina-D-alanina, impedindo a aproximação das unidades do peptideoglicano.
β-lactâmicos
Antibioticos que intervêm com a 3ª etapa
Antibióticos β-lactâmicos:
Inibem a D-alanina-carboxipeptidase e a peptideoglicano-transpeptidase, impedindo a última fase da síntese da parede bacteriana.
Ligam-se às PBP (penicillin-binding proteins) no terminal carboxílico, que intervêm no estabelecimento das ligações transpeptidásicas durante a síntese do peptideoglicano
A ligação varia com o antibiótico e com a bactéria em causa.
São estes Penincilinas, Cefalosporinas, Monobactamos, Carbapenemas
Penincilinas
Penicilinas naturais: benzilpenicilina (penicilina G) e a fenoximetilpenicilina (penicilina V)
Penicilinas resistentes às penicilinases estafilocócicas (infeções por Staphylococcus): isoxazolpenicilinas (flucloxacilina, dicloxacilina) e meticilina
Penicilinas de largo espectro: (aminopenicilinas): amoxicilina, ampicilina, bacampicilina
Carboxipenicilinas e ureidopenicilinas: carbenicilina, ticarcilina; mezlocilina, azlocilina, piperacilina
Penicilinas apenas ativas contra bactérias Gram-negativas: (amidinopenicilinas): pivmecilinamo
Muitas delas têm a terminação -ilina
Especial atenção para Isoxazolpencilinas:
Dicloxacilina, Flucloxacilina e Meticilina
Ativas contra estafilococos, incluindo os produtores de β-lactamases
Por via oral; por via intravenosa e intramuscular (sais)
Resistencia a Penincilinas:
Microrganismos resistentes, os MRSA (meticilinoresistentes), que possuem resistência a todas as penicilinas e cefalosporinas resistentes à penicilinase
Os MRSA têm uma PBP adicional, de elevado peso molecular, com baixa afinidade para os β-lactâmicos.
Associação recomendada de vancomicina e rifampicina em situações graves e utilização de penincilinas resistentes às penincinases estafilócocicas.
Mutações em PBPs podem causar resistencia
Existencia de β-lactamases
Cefalosporinas
Inibem a transpeptidação
São mais resistentes às β-lactamases
Modificações c3 e c7 - fatores farmacocineticos, resistencia a β-lactamases
Capacidade de penetração através da membrana bacteriana externa
Afinidade para as enzimas-alvo localizadas na membrana citoplasmática (membrana
interna
A atividade varia de composto desta família
Todas têm o prefixo Cef-
Cefalosporinas de 1ª geração
Via oral
Tratamento de infeções urinárias
Tratamento de lesões estafilocócicas não graves ou infeções polimicrobianas
A Cefazolina: penetra nos tecidos, uso na profilaxia de infeções cirúrgicas. Usada em infeções estafilocócicas ou estreptocócicas em doentes com alergia a penicilinas.
Cefalosporinas de 2ª geração
Ativas contra Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis
São usadas para tratar sinusites, otites e infeções do trato respiratório inferior.
Cefoxitina ou Cefotetan são úteis em infeções mistas por anaeróbios (B. fragilis), como peritonites ou diverticulites.
Cefuroxima é frequentemente utilizada no tratamento de pneumonias adquiridas na comunidade (H. influenzae ou K. pneumoniae).
Cefalosporinas de 3ª geração
Ceftriaxona:
Utilizada contra estirpes de N. gonorrhoeae resistentes à penicilina.
Possuem boa penetrabilidade no SNC (meningites), em meningites por P. aeruginosa, devem ser usadas em associação com um aminoglicosídeo.
Ceftriaxona e cefotaxima - mais eficazes contra pneumococos resistentes à penicilina G. (Em casos de meningite por pneumococo resistente à penicilina, pode ser necessário adicionar rifampicina ou vancomicina.)
Cefalosporinas de 4ª geração
Cefepima: Infeções graves em doentes hospitalizados, quando o agente em causa é, potencialmente, gram-positivo, uma enterobacteriácea ou uma pseudomona.
Cefalosporinas Recentes
Ceftarolina fosamilo
Pró-fármaco de ceftarolina, ativado por fosfatases do plasma.
Tem uma elevada afinidade para:
PBP2a das bactérias Staphylococcus aureus meticilinorresistente (MRSA)
PBP2x das bactérias Streptococcus pneumoniae não suscetíveis à penicilina.
Aprovada para infeções de pele, tecidos moles e pneumonia adquirida na comunidade. Usada para tratamento de infeções complicadas como bacteremia, endocardite e osteomielite.
Possui uma semivida de aproximadamente 2.7 horas e é administrada por via intravenosa. Excretada por via renal, requer ajuste em caso de comprometimento renal.
Não é ativa contra Enterobacterales produtoras de β-lactamases de largo espectro (ESBLs) das famílias TEM, SHV ou CTX-M, carbapenemases serinas (como as KPC), metalo β-lactamases classe B ou cefalosporinases classe C (AmpC).
Cefiderocol
Tratamento de organismos gram-negativos produtores de β-lactamases resistentes.
Ativo contra gram-negativos aeróbios, incluindo Enterobacteriaceae, P. aeruginosa e Acinetobacter baumannii.
Este depende do transporte ativo através de transportadores de ferro. Liga-se à PBP3, inibindo a síntese da parede bacteriana.
Não é substrato para bombas de efluxo e é ministrado por via intravenosa.
Não se espera que tenha atividade contra organismos gram-positivos ou anaeróbios.
Monobactamos
São compostos β-lactâmicos monocíclicos, muito resistentes às β-lactamases bacterianas.
Incluiram-se na sua estrutura básica cadeias laterais que lhes conferissem mais resistência às β-lactamases e melhores características farmacocinéticas.
Aztreonam:
resistencia a β-lactamases;
Boa atividade contra gram-negativas;
Atividade contra gram-positivas e contra anaeróbios é clinicamente irrelevante.
Tienamicinas (carbapenemas)
Produzido por Streptomyces cattleya
Apresenta o anel β-lactâmico fundido a um anel de 5 membros, do tipo existente nas penicilinas, mas que é insaturado e tem um carbono em vez de um enxofre.
Vários compostos, entre os quais a imipenema, a meropenema, a doripenema, ertapenema.
Sufixo -nema
Desidropeptidase I, enzima que existe na bordadura das células tubulares renais, inativa a imipenema, por hidrólise do anel β-lactâmico. Dessa forma a tratamento com imipenema. Associa-se sempre um inibidor potente e reversível da desidropeptidase I, a cilastatina.
Imipenema:
Resiste às β-lactamases (aplica-se a bactérias não produtoras e produtoras destas enzimas)
Grande espetro de bactérias sensíveis a este antibiotico, mesmo quando ha resistência a outros antibioticos.
Mecanismos de resistencia geral a Inibidores da sintese da parede bacteriana
Tipos de β-lactamases:
Classe A (KPC-2)
Classe B (NDM-1)
Classe C (AmpC)
Classe D (OXA-48)
São enzimas inativadoras de β-lactâmicos
Hidrolisa o anel β-lactâmico, com formação de ácido peniciloico (inativo).
Outros compostos como a meticilina, penicilinas isoxazólicas e as cefalosporinas mais antigas, não sofrem hidrólise apreciável.
Inibidores de β-lactamases:
Ácido clavulânico
Sulbactam
Tazobactam
Avibactam
Relebactam (novo)
Sufixo -actam (e o clavulânico)
Têm boa eficácia contra β-lactamases plasmídicas, mas fraca atividade contra as β-lactamases cromossómicas induzíveis pelas Enterobacteriaceae.
O avibactam é eficaz contra classe A, classe C, e algumas β-lactamases D.
O relebactam está aprovado para a associação de dose fixa à imipenema + cilastatina.
Exemplos de combinações:
Sulbactam + Ampicilina
Tazobactam + Piperacilina
Avibactam + Ceftazidima
Outros mecanismos de resistência:
Bacilos gram-negativos aeróbios dispõem de mecanismos não enzimáticos de resistência às penicilinas e cefalosporinas.
Localização estratégica da enzima no espaço periplasmático de uma bactéria com uma membrana externa pouco permeável.
A enzima pode ser segregada livremente para o meio (ex: Staphylococcus aureus).
Modificação do recetor microbiano ao qual se liga o fármaco.
Exemplo: resistência dos estafilococos meticilinorresistentes devido à produção de uma PBP2 diferente do habitual (PBP2' ou PBP2a).
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Péptideos
Peptídeos endógenos (defensinas) – moléculas anfipáticas que promovem a formação de canais iónicos.
Glicopeptídeos (ex., vancomicina, teicoplanina)
Lipopeptídeos acídicos (ex., daptomicina)
Lipoglicodepsipeptídeos (ex., ramoplanina)
Sufixo -cina ou nina
Glicopeptídeos
Têm uma estrutura linear de 7 aminoácidos (heptapeptídeos), 5 dos quais são aromáticos e comuns a todos os membros do grupo.
Vancomicina
Grande peso molecular, isolado de culturas de Streptomyces orientalis.
É um antibiótico bactericida, exceto para o enterococo e o Str. viridans (bacteriostático).
Tem ação sinérgica sobre os enterococos e o Staphylococcus aureus com os aminoglicosídeos e as cefalosporinas
Forma um complexo (ligações de hidrogénio) com o dipeptídeo D-alanina-D-alanina da porção terminal do pentapeptídeo, na 2ª fase da sintese da parede
Esta interação muito específica leva à inibição da reação de transglicosidação
Ativa principalmente contra bactérias gram-positivas.
Também pode interferir com a membrana celular e com a síntese de ARN.
Resistências: estão descritos vários tipos de resistência à vancomicina entre os enterococos (VanA, VanB, VanC, VanD, VanE). Algumas estirpes Staphylococcus haemolyticus e Enterococcus faecalis são resistentes (plasmídeos transferíveis).
Teicoplanina