Economia do Território e Desenvolvimento Local
Aula 2: A visão neoclássica da economia espacial: Cantillon, o precursor
Razão de ser da teoria da localização:
Explicar os padrões espaciais de localização das atividades económicas.
Apoiar decisões (públicas e privadas) sobre futuras localizações.
Questão central:
Por que os aglomerados populacionais não são todos da mesma dimensão, estruturando-se em aldeias, vilas e cidades?
Richard Cantillon (1775):
Banqueiro irlandês que viveu em França.
Pretendeu explicar o padrão espacial de localização das aglomerações populacionais.
A terra é a única fonte de riqueza, e a sua propriedade é socialmente assimétrica.
A atividade agrícola e a organização social por ela moldada constituem o ponto de partida da análise de Cantillon.
Cantillon (1775): Matriz social e territorial
Aldeia: Proprietários fundiários (pequenos), artesãos, criados, trabalhadores agrícolas.
Burgo: Proprietários fundiários (grandes e pequenos), comerciantes (pequenos e grandes), artesãos, criados.
Cidade: Proprietários fundiários (grandes), comerciantes (grandes), artesãos, criados.

O que determina a dimensão dos aglomerados?
Aldeia: Mão de obra necessária ao cultivo das terras.
Burgo: Mercado dos excedentes agrícolas das aldeias da sua área de influência.
Cidade: Riqueza dos proprietários que aí decidiram fixar residência.
Interpretação gráfica do modelo de Cantillon:
Padrão espacial: Aldeia, Burgo, Cidade-capital, Cidade.
Padrão de interdependência espacial: Terras de cultivo.
O legado de Cantillon:
A perceção das interdependências entre a organização espacial da economia e a organização social.
A utilização da variável tempo (custo transporte).
A antevisão da relevância das economias de aglomeração e da hierarquia do sistema urbano.
Aula 3: A visão neoclássica da economia espacial: A localização da empresa industrial (Weber, Hotelling e Losch)
Alfred Weber foi um economista alemão, sociólogo e teórico da cultura.
Premissas de localização da empresa cf Weber:
Cada empresa produz um único produto para um único mercado.
Mercado é atomístico.
O espaço é isotrópico.
A tarifa de transporte por unidade de distância é constante.
A maximização do lucro corresponde ao ponto de minimização do custo de transporte total.
O triângulo locativo de Weber (1909):

Críticas ao modelo de Weber:
A minimização do custo de transporte não garante a maximização do lucro.
Diferenciação espacial da função de produção: custos de instalação, salários…
Diferenciação espacial do preço dos inputs e dos salários.
Se existirem economias de urbanização: concentração da mão de obra no “mercado”.
Quando se consideram os custos de deslocação da mão de obra, a melhor localização tende a ser a do “mercado”.
Hotelling (1929):
O objetivo da empresa não é minimizar custos de transporte mas o de maximizar o lucro, maximizando as vendas.
O mercado não se confina a um ponto, é disperso.
A empresa repercute o custo de transporte no preço final.
Duas soluções espaciais:
Com procura rígida há concentração das empresas.
Com procura elástica, há dispersão da localização.
Hotelling (1929): Procura rígida
O mercado não está equilibrado.
Se B corrigir a sua localização para o mesmo local de A… temos uma situação de equilíbrio.
Hotelling: Equilíbrio com procura elástica
O mercado de A é igual ao mercado de B.
Conclusão:
A concentração faria com que consumidores mais distantes reduzissem o seu consumo, empresas dispersam-se pelo espaço isotrópico.
Em situação de equilíbrio empresas repartem entre si o mercado em partes iguais.

August Lösch (1940):
Áreas de mercado e equilíbrio do sistema espacial.
Enquanto houver no mercado lucros anormais, haverá entrada de novas empresas.
Lösch: equilíbrio do sistema espacial (Aquele dos hexágnos)
Áreas de mercado de igual dimensão com configuração hexagonal. As empresas estarão no centro da área de mercado para maximizar o ganho.
Modelos vs realidade…
Se a solução ótima é a dispersão espacial, como se explica a concentração da economia nas grandes megápoles?
Economias de aglomeração
Porque se concentram os serviços nos centros comerciais?
… custos de transação/informação
Nas condições atuais, o que é fulcral para as Políticas Públicas?
Explicar as decisões de localização e atuar sobre as condições de mobilidade espacial das empresas?
Focarem-se nas condições da empresarialidade e nos fatores de sucesso competitivo, particularmente nos associados à qualidade do Meio Territorial?
Aula 4: A visão neoclássica da economia espacial: Walter Christaller (1933): Teoria dos lugares centrais
Walter Christaller (1933): Teoria dos lugares centrais
Pressupostos conceptuais:
A localização espacial dos serviços decorre de fatores diferentes dos da empresa industrial: serviços consomem-se in loco;
Os serviços localizam-se nos aglomerados urbanos que lhes assegurem o necessário limiar de mercado;
A procura de um dado serviço é função da sua área de influência e do grau de especialização desse serviço.
Localização dos serviços determina hierarquia do sistema urbano:
Padrão de localização dos serviços tende a ser de tipo hierárquico, com os serviços mais especializados (de utilização menos frequente) a localizarem-se apenas nos centros de maior dimensão.
O lugar central de maior dimensão dispõe dos serviços mais especializados e de todos os outros que são oferecidos nos centros de ordem hierárquico-dimensional inferior.
Walter Christaller : estrutura hierárquica do sistema urbano

Cristaller: hierarquia urbana segundo o princípio do tráfego (K=4)

A abordagem de Cristaller ajuda-nos a compreender as dinâmicas regionais atuais?
Críticas a Cristaller
Não tem em conta que na atualidade o padrão de especialização é ditado por lógicas de competitividade internacional, levando a que as regiões não tenham padrões de especialização standard.
Não considera as interações espaciais geradas pelo mercado de trabalho.
Metade das deslocações na AML estão associadas à localização dos serviços, a outra metade, explica-se pelo mercado de trabalho… não considerado por Cristaller.
A polarização de Lisboa é simultânea à existência de núcleos territoriais de proximidade com funções complementares
Deslocações associadas ao mercado trabalho
Lisboa polariza todos os restantes 17 concelhos da AML
Mas Oeiras, Loures e Amadora também atraem milhares de residentes em Lisboa.
Indicadores do sistema urbano português: População residente nos principais centros urbanos em Portugal (2011):
AMLisboa 2.820 mil hab.
AMPorto: 1.287 mil hab.
AML: Residentes em lugares > 2000 hab. (2011)
Ausência de centros de nível regional…
O sistema urbano português é duplamente desequilibrado!
Aula 5: Economias de aglomeração: tipologias de economias externas e organização espacial
Tipologia de Economias Externas conforme a sua natureza e génese/fonte
Natureza | Escala | Diversidade | Complexidade |
|---|---|---|---|
Internas à empresa | Economias de escala (ind. automóvel) | Economias Gama ou de diversificação (ind. bebidas) | Economias organizacionais (Grupos empresariais de serviços) |
Externas à empresa ou Economias de Aglomeração | Economias de localização (Cortiça, Curtumes…) | Economias de urbanização (Centro comercial) | Economias de proximidade (Moldes, Automóvel, Vestuário, Calçado) |
Economias de escala
São função da quantidade produzida
Podem ter origem:
Ganhos de aprendizagem
Ganhos de mecanização
Redução da proporção dos custos indiretos no custo unitário
Exemplos: indústria automóvel, indústrias de processo…
Economias Gama
Função da complementaridade do portefólio de produtos
Origem:
Utilização de tecnologia similar
Partilha da rede de comercialização
Transferência de know-how entre produtos
Exemplos: indústria de bebidas, produtos de beleza…
Economias organizacionais
Integração horizontal: media, operadores comunicações…
Integração vertical: cadeia comercial+central compras+gestão financeira
Rede de especialização intra-grupo/multinacional
Exemplos: MEO/NOS/Vodafone; Sonae; CTT, Banca
Economias de localização
Decorrem da especialização produtiva (mesmo ramo de atividade)
Fonte:
Mão-de-obra especializada
Partilha de infra-estruturas públicas
Partilha de rede logística e de fornecedores/clientes
Exemplos: Cortiça, Curtumes, Reparação naval
Economias de Urbanização
Decorrem da proximidade dos agentes económicos
Estão associadas à aglomeração/dimensão urbana
Concentração da população
Diversidade da base económica local/disponibilidade de serviços especializados
Diversidade da rede de equipamentos e serviços de apoio à vida coletiva
Exemplos: Centros comerciais, Serviços financeiros, Serviços de apoio às empresas, Hotelaria, Universidades…
Economias de proximidade
Decorrem da interação dos agentes económicos
Revelam-se:
Na divisão técnica do trabalho entre empresas locais
Na diminuição dos custos de transação
No acesso privilegiado à informação estratégica
Na emergência de mecanismos de aprendizagem interativa
Na rápida difusão de impulsos inovadores
Exemplos: Indústria moldes, calçado, cluster automóvel, Serviços intensivos em conhecimento…
Que tipo de economias de aglomeração estão aqui representadas?
Que tipo de economias externas estão subjacentes ao NOW?
Que tipo de economias externas estão subjacentes aos Centros de Serviços Partilhados?
A refletir:
A consideração das economias externas deve levar-nos a reequacionar a teoria da localização?
Qual a relevância das economias externas para a competitividade regional?
Que tipo de economias são mais relevantes para gerar dinâmicas de inovação?
Aula 6: A abordagem empírica da localização e a mobilidade diferenciada das empresas
A localização do ponto de vista empírico
Fatores económicos: as economias de aglomeração
Economias de localização associadas ao Mercado de Trabalho (automóvel, moldes, cortiça…) ou às infraestruturas (curtumes…)
Economias de localização associadas ao Mercado final, Economias Urbanas: indústria alimentar… serviços.
Economias Organizacionais associadas à organização do setor/ou do grupo (loc. de outros estabelecimentos do grupo: Cimpor-carvão; centrais logísticas: Carregado-Azambuja)
Economias de proximidade associadas às dinâmicas territoriais de inovação (Silicon Valley, Baden-Württemberg…)
Fatores não económicos:
Relacionamento institucional
Clima social e político
Enraizamento familiar e social
Qualidade residencial do Meio
Conclusão
A mobilidade espacial de pessoas e empresas é limitada
A mobilidade das PME e das grandes empresas é diferenciada
Mais do que a racionalidade da decisão de localização importa aferir o papel do Território no suporte competitivo das empresas
Aula 7: Teorias do crescimento regional desigual: A visão marxista
O novo contexto económico e político da 2ª metade do séc. XX
Nos novos países saídos da descolonização a questão que se coloca ao novo poder político é: que estratégia de crescimento adotar?
O processo de crescimento evidencia que, ao contrário do pressuposto teórico neoclássico, o crescimento é de natureza assimétrica: “Paris e o seu deserto”.
Na Europa do pós-guerra a questão deixou de ser onde localizar e passou a ser “como promover o crescimento nas regiões atrasadas?”
Teorias do crescimento regional desigual
Teoria da causalidade circular e cumulativa (Myrdall 1957)
A visão marxista da organização espacial (década 60 e 70)
A interpretação historicista, Rostow (1960)
A teoria dos pólos de crescimento de Perroux (1955…)
A visão localista do desenvolvimento endógeno (década 80)
Gunnar Myrdall (1957): teoria da causalidade circular e cumulativa
A visão marxista da organização espacial: teoria centro-periferia.
A visão marxista da organização espacial: divisão espacial do trabalho.
Os desequilíbrios são inerentes ao processo de acumulação capitalista, pelo que só a destruição do capitalismo pode conduzir à eliminação dos desequilíbrios regionais
A abordagem de Rostow: Uma visão historicista
W. Rostow (1960)
W. Rostow (1960): síntese
Etapa | Descrição |
|---|---|
1ª | sociedade tradicional (agricultura e técnicas tradicionais) |
2ª | pré-arranque (revolução industrial, 1760… mudança tecnológica choca com conservadorismo) |
3ª | arranque (industrialização: generalização de novas tecnologia |
4ª | marcha para a maturidade (completo domínio do processo de modernização tecnológica…) |
5ª | era do consumo massificado (produção de produtos de consumo duradouro e serviços) |
Leitura crítica de Rostow:
- Não é uma teoria do crescimento, mas uma interpretação formal determinista
- Mérito: associação de dinâmica de crescimento a alterações tecnológicas e institucionais.
Aula 8: Teorias do crescimento regional desigual - François Perroux
Indústis motriz = Atividade com crescimento superior ao crescimento médio nacional + Forte efeito de arrasto
Teoria dos polos de crescimento:
A nova empresa “âncora”/Motriz
Economias de localização => atração de “linked industries” = Cluster motriz + Emprego + Rendimento → + População → + construção habitação… + procura de serviços + empresas atividades complementares => Economias de urbanização
Perroux (1955): a dimensão espacial dos polos
Efeitos de polarização e de difusão resultam em um aumento significativo da interação entre as diferentes indústrias e um fortalecimento das redes locais de colaboração, o que gera um efeito cascata no desenvolvimento económico da região.
O crescimento =f (inovação)
Difusão da inovação faz-se:
pelo canal sectorial (indústria motriz)
pelo canal regional (polos de crescimento)
A influência de Perroux em Portugal - O polo regional de Sines (criado em 1971)
Sines, uma ilustração da falência da teoria dos polos?
Sines nunca foi verdadeiramente um polo “à Perroux”.
O que resta de Sines: o efeito “escola de engenharia”
E se o projeto de Sines não fosse “plantado no deserto”, sem enraizamento na economia regional e com todas as variáveis estratégicas na dependência externa?
Aula 9: Teorias do desenvolvimento regional endógeno: A abordagem bottom-up do desenvolvimento
Nos anos 80, em vez de crescimento para distribuir, passa a haver crise para gerir. A visão localista do desenvolvimento endógeno ou a resposta à crise do modelo fordista:
Pilares fundadores
Critica do papel das multinacionais;
Critica do conceito de crescimento e da pobreza;
Critica da natureza exógena da Política Regional.
Development from bottom-up (W. Stöhr)
Satisfação das necessidades básicas da população local;
Promoção da autarcia seletiva (a exportação não é vista como um objetivo prioritário);
Promoção da microiniciativa de base local (sociologicamente comprometida com comunidade local);
Suporte institucional de regulação das relações inter-regionais com legitimidade que emana da comunidade local.
Abordagem localista: implicações políticas
Estratégias de desenvolvimento autocentradas (<>Pol Reg T)
Small is beautiful (<> Polos Regionais e das multinacionais)
“Local” espaço de resistência ao (capitalismo) “Global”.
Aula 11: Teorias do desenvolvimento regional endógeno: O distrito industrial (DI)
Os Sistemas Produtivos Locais/Distrito Industrial (Becattini, Garofoli, Italianos)
Articulação economia-sociedade de matriz territorial
O Território funciona como um elemento regulador, em alternativa à regulação hierárquico-empresarial e ao mercado.
Elementos definidores do DI (Distritos Industriais são a abordagem pioneira da relação entre inovação e Território)
Tecido industrial com forte divisão social do trabalho:
- Forte especialização num ramo de atividade (têxtil-vestuário, calçado, mobiliário, maquinaria);
- Sistema de PME industriais.Tecido produtivo rico em conhecimento tácito:
- Tradição histórica com saber-fazer consolidado e socializadoUma atmosfera de cooperação:
- Código de conduta: cultura e quadro de valores morais/comportamentais próprios
Dimensões características dos DI
Sistema gerador de economias externas resultantes da organização territorial;
Articulação economia mercantil com economia social;
Sistema de valores socioculturais regulador dos conflitos;
Presença do impannatori que assegura articulação da economia local com mercado global;
Sistema institucional local que assegura reprodução social e mediação territoria.
Aula 12: A abordagem atual da Economia do Território: Dinâmicas de Inovação e Território
Silicon Valley
A história: um século de sucessivas vagas de inovação radical
Fatores explicativos do sucesso de Silicon Valley
O papel da universidade de Stanford
Ilações a reter da história de Silicon Valley
Como é que isto aconteceu? Devido à dinâmica de atores (universidades, I&D, Estado como suporte do mercado e estimulador da inovação, espírito empreendedor de base tecnológica) de um verdadeiro SRI-Sistema Regional de Inovação baseado numa especialização produtiva robusta.
=> A inovação é um processo sistémico ancorado no Território.
Aula 13: Dinâmicas regionais de inovação - A génese da inovação e o papel do Território
Globalização, competitividade e inovação
Com a globalização a inovação passou a ser vista como o suporte principal da competitividade e elemento fulcral de interpretação das atuais dinâmicas económicas:
Porter (1985 e 1990): as empresas para puderem competir à escala global precisam de inovar, já que as vantagens comparativas baseadas no baixo custo não garantem a competitividade;
Freeman e Pérez (1988): sublinharam que a crise do fordismo estava associada a uma mudança de paradigma tecno-económico.
Como se gera a inovação? (Yoguel e Boscherini)
É a pressão concorrencial da globalização que leva as empresas a aumentar a sua capacidade inovativa. Esta capacidade inovativa depende de duas componentes: uma refere-se à estrutura interna da empresa e ao seu know-how acumulado, outra refere-se ao ambiente externo que enquadra a empresa, o Meio.
O conhecimento tácito envolve os saberes aplicados no processo de trabalho e não codificados nos manuais da tecnologia; os saberes gerais e comportamentais; a capacidade de resolução de problemas não codificados;
Inovação decorre de um processo de aprendizagem coletiva → Nesse processo ocorre a fertilização cruzada de conhecimento tácito e de conhecimento codificado, assim como de conhecimento interno à empresa com conhecimento originário da sua envolvente → A chave da dinâmica territorial de inovação é a INTERAÇÃO
Modos de inovação: DUI-Doing, Using & Interacting; STI-Science, Technology & Innovation; TEI-Territorial Embeddedness Innovation.
Nunes & Lopes: DUI + STI = TEI => Performance superior
A inovação é tributária da informação e do conhecimento. Por sua vez, o conhecimento é adquirido através de processos de aprendizagem predominantemente interativos. A intensidade e o resultado da interação serão influenciados pelo grau de proximidade existente entre os atores… mas não apenas pela proximidade física ou geográfica.
Aula 14: Proximidade e Inovação - A proximidade na abordagem territorialista: tipos de proximidade
As 5 dimensões de proximidade (Boschma):
Cognitiva
A absorção de conhecimento novo por uma empresa pressupõe a existência de proximidade cognitiva, porque:
O conhecimento é de natureza cumulativa;
O sucesso da comunicação e do entendimento do novo conhecimento requer a existência de um conhecimento base próximo;
O acesso ao conhecimento não é condição suficiente para inovar (comprar tecnologia <> de saber usá-la eficientemente).
Organizacional
O mercado configura um arranjo organizacional de reduzida proximidade organizacional;
A organização hierárquica de uma empresa proporciona um ambiente de elevada proximidade organizacional;
A coordenação em rede representa uma solução com um grau de proximidade organizacional intermédio às duas situações anteriores.
Social
Relações entre agentes que estão socialmente embutidas mas que se revelam à microescala. A proximidade social é moldada pelas relações baseadas na confiança recíproca, na amizade, no parentesco e na experiência;
Proximidade social reduz o risco de comportamentos oportunistas;
Facilita a transferência do conhecimento tácito e o envolvimento em processos de aprendizagem interativa.
Institucional
Instituições = “hábitos comuns, rotinas, práticas estabelecidas, regras ou leis que regulam as relações e as interações entre indivíduos e grupos”
Porque as instituições, formais (leis e normas) e informais (cultura, hábitos, ...), influenciam a coordenação das ações dos atores, então a proximidade institucional facilita, ou restringe, os mecanismos de transferência de conhecimento e da aprendizagem interativa.
Geográfica
Proximidade geográfica = distância física entre atores. “Curtas distâncias colocam literalmente as pessoas em contacto, favorecem a difusão da informação e facilitam a permuta de conhecimento tácito”
Três escalas geográficas de proximidade:
Nível nacional, (proximidade geográfica interpenetra-se mais de perto com proximidade institucional);
Nível da empresa, onde a proximidade geográfica tem um sentido restrito e se interpenetra com a proximidade organizacional e cognitiva;
Nível regional, espaço privilegiado de interpenetração entre as cinco dimensões.

Aula 20: Paradigmas de política regional - Breve retrospetiva referenciada às experiências europeias

O paradigma da PR exógena: anos 50-70 (os 30 anos gloriosos de crescimento económico)
Promover a mobilidade espacial
Proceder à redistribuição regional do crescimento
=>REDISTRIBUTIVA + EXÓGENA + CENTRALISTA
O paradigma da PR endógena: anos 80-90 (a resposta à crise do paradigma de desenvolvimento)
Promover as potencialidades endógenas
Mobilizar os atores locais => PROMOCIONAL + ENDÓGENA + DESCENTRALIZADA
O place-based paradigm: séc. XXI (a resposta à globalização)
Promover a competitividade territorial
O desafio das infraestruturas imateriais do desenvolvimento
Ensaiar novas formas de Governança do desenvolvimento regional
=> PROMOCIONAL + NETWORKING + MULTINÍVE
Aula 20: A Política Regional é eficaz?
Caso da Alemanha, UK e Itália. A Política Regional tradicional falhou o seu objetivo… mas na ausência de Política Regional os desequilíbrios regionais agravam-se.
O papel da Governança Territorial
A gestão do desenvolvimento territorial é atravessada por conflitos de interesse e pela necessidade de articular lógicas setoriais, territoriais e institucionais distintas;
Tipos de coordenação que se exigem à governança territorial:
Coordenação territorial entre políticas setoriais diferentes;
Coordenação territorial entre municípios/regiões vizinhos, entre áreas urbanas e rurais, etc;
Coordenação entre diferentes níveis de “government” (multi-level governance);
Coordenação entre atores públicos-privados-associativos.
Conclusão: A necessidade da PR decorre dos problemas de desenvolvimento regional, interpelados pela justiça social
O Mercado não assegura uma distribuição espacial dos recursos económicos que seja economicamente eficiente e socialmente aceitável. O Crescimento económico é, intrinsecamente, espacialmente desigual, tendendo mesmo a exprimir-se num processo de circularidade cumulativa (Myrdal). Porém as Assimetrias Regionais colidem com o entendimento de Desenvolvimento, em nome do qual se reclama a intervenção pública.
O processo de PR comporta dinâmicas territoriais autónomas e diferenciadas, mas reclama articulações inter-regionais que são ora complementares ora antagónicas. Num caso e noutro a intervenção pública impõe-se, desde logo em nome do interesse nacional.
O processo de desenvolvimento regional envolve múltiplos agentes, cujos interesses tendem a conflituar, sendo necessário assegurar a liderança do processo em ordem a salvaguardar o interesse coletivo
Aula 22: POLÍTICAS DE DESENVOLVIMENTO RURAL EM PORTUGAL
Tendências e orientações da Política de Desenvolvimento Rural na OCDE
Muitos dos espaços rurais em Portugal deixaram de ser espaços de localização ultra remota
Muitos dos espaços urbano-rurais dispõem de uma dotação de equipamentos coletivos que lhes garantem condições de vida equiparáveis à dos grandes centros urbanos.
A atividade agrícola é a principal responsável pelo ordenamento ambiental do país. Mas viver no campo, não é sinónimo de trabalhar na agricultura ➔ É preciso reinventar uma função económica para as aldeias
Um novo paradigma, materializado numa estratégia: Multi-sectorial, Multi-agente, Multi-escala territorial, Centrada na capacitação organizacional do espaço rural.
Portugal: a Política de Desenvolvimento Rural no passado recente (2007-2013)
O PRODER é um instrumento estratégico e financeiro de apoio ao desenvolvimento rural do continente, para o período 2007-2013, aprovado pela Comissão Europeia.
Cofinanciado pelo FEADER – Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural aproximadamente em 3,5 mil milhões de euros, envolve uma despesa pública de mais de 4,4 mil milhões de euros.
Objetivos:
Aumentar a competitividade dos setores agrícola e florestal;
Promover a sustentabilidade dos espaços rurais e dos recursos naturais;
Revitalizar económica e socialmente as zonas rurais.
A Política de Desenvolvimento Rural 2014-2020 em Portugal

O Plano Estratégico da Política Agrícola Comum, 2023-27: Integra as medidas de apoio para se alcançarem os objetivos específicos das UE para a Política Agrícula Comum (PAC). Materializa os instrumentos da PAC financiados pela UE, através de pagamentos diretos, de medidas setoriais das frutas e hortículas, da vinha e da apicultura e de instrumentos de desenvolviemtno rural.
O papel das intervenções territorialmente integradas e do LEADER
Em 2013 a metodologia LEADER foi alargada ao espaço urbano e orla costeira, passando a CLLD-Desenvolvimento Local de Base Comunitária (DLBC).
As 7 questões-chave explicadas da Intervenção LEADER (1991-2013):
Area-based: ocorre em um território pequeno, homogéneo e socialmente coeso.
Bottom-up: os atores locais elaboram a estratégia e escolhem as ações.
Public-private partnership: Os LAGs são grupos equilibrados que envolvem atores dos setores público e privado, que podem mobilizar todas as habilidades e recursos disponíveis.
Innovation: dando aos LAGs a flexibilidade para introduzir novas ideias e métodos.
Integration: entre ações económicas, sociais, culturais e ambientais, distintas de uma abordagem setorial.
Networking: permitindo a aprendizagem entre pessoas, organizações e instituições em nível local, regional, nacional e europeu.
Co-operation: entre grupos LEADER, por exemplo, para compartilhar experiências.
Existem cerca de 47 LAGs em Portugal. → Rede Rural