Economia do Território e Desenvolvimento Local

Aula 2: A visão neoclássica da economia espacial: Cantillon, o precursor

  • Razão de ser da teoria da localização:

    • Explicar os padrões espaciais de localização das atividades económicas.

    • Apoiar decisões (públicas e privadas) sobre futuras localizações.

  • Questão central:

    • Por que os aglomerados populacionais não são todos da mesma dimensão, estruturando-se em aldeias, vilas e cidades?

  • Richard Cantillon (1775):

    • Banqueiro irlandês que viveu em França.

    • Pretendeu explicar o padrão espacial de localização das aglomerações populacionais.

    • A terra é a única fonte de riqueza, e a sua propriedade é socialmente assimétrica.

    • A atividade agrícola e a organização social por ela moldada constituem o ponto de partida da análise de Cantillon.

  • Cantillon (1775): Matriz social e territorial

    • Aldeia: Proprietários fundiários (pequenos), artesãos, criados, trabalhadores agrícolas.

    • Burgo: Proprietários fundiários (grandes e pequenos), comerciantes (pequenos e grandes), artesãos, criados.

    • Cidade: Proprietários fundiários (grandes), comerciantes (grandes), artesãos, criados.

  • O que determina a dimensão dos aglomerados?

    • Aldeia: Mão de obra necessária ao cultivo das terras.

    • Burgo: Mercado dos excedentes agrícolas das aldeias da sua área de influência.

    • Cidade: Riqueza dos proprietários que aí decidiram fixar residência.

  • Interpretação gráfica do modelo de Cantillon:

    • Padrão espacial: Aldeia, Burgo, Cidade-capital, Cidade.

    • Padrão de interdependência espacial: Terras de cultivo.

  • O legado de Cantillon:

    1. A perceção das interdependências entre a organização espacial da economia e a organização social.

    2. A utilização da variável tempo (custo transporte).

    3. A antevisão da relevância das economias de aglomeração e da hierarquia do sistema urbano.


Aula 3: A visão neoclássica da economia espacial: A localização da empresa industrial (Weber, Hotelling e Losch)

  • Alfred Weber foi um economista alemão, sociólogo e teórico da cultura.

  • Premissas de localização da empresa cf Weber:

    • Cada empresa produz um único produto para um único mercado.

    • Mercado é atomístico.

    • O espaço é isotrópico.

    • A tarifa de transporte por unidade de distância é constante.

    • A maximização do lucro corresponde ao ponto de minimização do custo de transporte total.

  • O triângulo locativo de Weber (1909):

  • Críticas ao modelo de Weber:

    1. A minimização do custo de transporte não garante a maximização do lucro.

      • Diferenciação espacial da função de produção: custos de instalação, salários…

      • Diferenciação espacial do preço dos inputs e dos salários.

      • Se existirem economias de urbanização: concentração da mão de obra no “mercado”.

    2. Quando se consideram os custos de deslocação da mão de obra, a melhor localização tende a ser a do “mercado”.


  • Hotelling (1929):

    • O objetivo da empresa não é minimizar custos de transporte mas o de maximizar o lucro, maximizando as vendas.

    • O mercado não se confina a um ponto, é disperso.

    • A empresa repercute o custo de transporte no preço final.

  • Duas soluções espaciais:

    • Com procura rígida há concentração das empresas.

    • Com procura elástica, há dispersão da localização.

  • Hotelling (1929): Procura rígida

    • O mercado não está equilibrado.

    • Se B corrigir a sua localização para o mesmo local de A… temos uma situação de equilíbrio.

  • Hotelling: Equilíbrio com procura elástica

    • O mercado de A é igual ao mercado de B.

  • Conclusão:

    • A concentração faria com que consumidores mais distantes reduzissem o seu consumo, empresas dispersam-se pelo espaço isotrópico.

    • Em situação de equilíbrio empresas repartem entre si o mercado em partes iguais.

  • August Lösch (1940):

    • Áreas de mercado e equilíbrio do sistema espacial.

    • Enquanto houver no mercado lucros anormais, haverá entrada de novas empresas.

  • Lösch: equilíbrio do sistema espacial (Aquele dos hexágnos)

    • Áreas de mercado de igual dimensão com configuração hexagonal. As empresas estarão no centro da área de mercado para maximizar o ganho.

  • Modelos vs realidade…

    1. Se a solução ótima é a dispersão espacial, como se explica a concentração da economia nas grandes megápoles?

      • Economias de aglomeração

    2. Porque se concentram os serviços nos centros comerciais?

      • … custos de transação/informação

    3. Nas condições atuais, o que é fulcral para as Políticas Públicas?

      • Explicar as decisões de localização e atuar sobre as condições de mobilidade espacial das empresas?

      • Focarem-se nas condições da empresarialidade e nos fatores de sucesso competitivo, particularmente nos associados à qualidade do Meio Territorial?


Aula 4: A visão neoclássica da economia espacial: Walter Christaller (1933): Teoria dos lugares centrais

Walter Christaller (1933): Teoria dos lugares centrais

  • Pressupostos conceptuais:

    • A localização espacial dos serviços decorre de fatores diferentes dos da empresa industrial: serviços consomem-se in loco;

    • Os serviços localizam-se nos aglomerados urbanos que lhes assegurem o necessário limiar de mercado;

    • A procura de um dado serviço é função da sua área de influência e do grau de especialização desse serviço.


  • Localização dos serviços determina hierarquia do sistema urbano:

    • Padrão de localização dos serviços tende a ser de tipo hierárquico, com os serviços mais especializados (de utilização menos frequente) a localizarem-se apenas nos centros de maior dimensão.

    • O lugar central de maior dimensão dispõe dos serviços mais especializados e de todos os outros que são oferecidos nos centros de ordem hierárquico-dimensional inferior.


  • Walter Christaller : estrutura hierárquica do sistema urbano

  • Cristaller: hierarquia urbana segundo o princípio do tráfego (K=4)


  • A abordagem de Cristaller ajuda-nos a compreender as dinâmicas regionais atuais?

  • Críticas a Cristaller

    • Não tem em conta que na atualidade o padrão de especialização é ditado por lógicas de competitividade internacional, levando a que as regiões não tenham padrões de especialização standard.

    • Não considera as interações espaciais geradas pelo mercado de trabalho.


Metade das deslocações na AML estão associadas à localização dos serviços, a outra metade, explica-se pelo mercado de trabalho… não considerado por Cristaller.

  • A polarização de Lisboa é simultânea à existência de núcleos territoriais de proximidade com funções complementares

  • Deslocações associadas ao mercado trabalho

  • Lisboa polariza todos os restantes 17 concelhos da AML

  • Mas Oeiras, Loures e Amadora também atraem milhares de residentes em Lisboa.


Indicadores do sistema urbano português: População residente nos principais centros urbanos em Portugal (2011):

  • AMLisboa 2.820 mil hab.

  • AMPorto: 1.287 mil hab.

  • AML: Residentes em lugares > 2000 hab. (2011)

  • Ausência de centros de nível regional…

  • O sistema urbano português é duplamente desequilibrado!


Aula 5: Economias de aglomeração: tipologias de economias externas e organização espacial

  • Tipologia de Economias Externas conforme a sua natureza e génese/fonte

Natureza

Escala

Diversidade

Complexidade

Internas à empresa

Economias de escala (ind. automóvel)

Economias Gama ou de diversificação (ind. bebidas)

Economias organizacionais (Grupos empresariais de serviços)

Externas à empresa ou Economias de Aglomeração

Economias de localização (Cortiça, Curtumes…)

Economias de urbanização (Centro comercial)

Economias de proximidade (Moldes, Automóvel, Vestuário, Calçado)

  • Economias de escala

    • São função da quantidade produzida

    • Podem ter origem:

      • Ganhos de aprendizagem

      • Ganhos de mecanização

      • Redução da proporção dos custos indiretos no custo unitário

    • Exemplos: indústria automóvel, indústrias de processo…

  • Economias Gama

    • Função da complementaridade do portefólio de produtos

    • Origem:

      • Utilização de tecnologia similar

      • Partilha da rede de comercialização

      • Transferência de know-how entre produtos

    • Exemplos: indústria de bebidas, produtos de beleza…

  • Economias organizacionais

    • Integração horizontal: media, operadores comunicações…

    • Integração vertical: cadeia comercial+central compras+gestão financeira

    • Rede de especialização intra-grupo/multinacional

    • Exemplos: MEO/NOS/Vodafone; Sonae; CTT, Banca

  • Economias de localização

    • Decorrem da especialização produtiva (mesmo ramo de atividade)

    • Fonte:

      • Mão-de-obra especializada

      • Partilha de infra-estruturas públicas

      • Partilha de rede logística e de fornecedores/clientes

    • Exemplos: Cortiça, Curtumes, Reparação naval

  • Economias de Urbanização

    • Decorrem da proximidade dos agentes económicos

    • Estão associadas à aglomeração/dimensão urbana

    • Concentração da população

    • Diversidade da base económica local/disponibilidade de serviços especializados

    • Diversidade da rede de equipamentos e serviços de apoio à vida coletiva

    • Exemplos: Centros comerciais, Serviços financeiros, Serviços de apoio às empresas, Hotelaria, Universidades…

  • Economias de proximidade

    • Decorrem da interação dos agentes económicos

    • Revelam-se:

      • Na divisão técnica do trabalho entre empresas locais

      • Na diminuição dos custos de transação

      • No acesso privilegiado à informação estratégica

      • Na emergência de mecanismos de aprendizagem interativa

      • Na rápida difusão de impulsos inovadores

    • Exemplos: Indústria moldes, calçado, cluster automóvel, Serviços intensivos em conhecimento…

  • Que tipo de economias de aglomeração estão aqui representadas?

  • Que tipo de economias externas estão subjacentes ao NOW?

  • Que tipo de economias externas estão subjacentes aos Centros de Serviços Partilhados?

  • A refletir:

    1. A consideração das economias externas deve levar-nos a reequacionar a teoria da localização?

    2. Qual a relevância das economias externas para a competitividade regional?

    3. Que tipo de economias são mais relevantes para gerar dinâmicas de inovação?


Aula 6: A abordagem empírica da localização e a mobilidade diferenciada das empresas

  • A localização do ponto de vista empírico

    • Fatores económicos: as economias de aglomeração

      • Economias de localização associadas ao Mercado de Trabalho (automóvel, moldes, cortiça…) ou às infraestruturas (curtumes…)

      • Economias de localização associadas ao Mercado final, Economias Urbanas: indústria alimentar… serviços.

      • Economias Organizacionais associadas à organização do setor/ou do grupo (loc. de outros estabelecimentos do grupo: Cimpor-carvão; centrais logísticas: Carregado-Azambuja)

      • Economias de proximidade associadas às dinâmicas territoriais de inovação (Silicon Valley, Baden-Württemberg…)

    • Fatores não económicos:

      • Relacionamento institucional

      • Clima social e político

      • Enraizamento familiar e social

      • Qualidade residencial do Meio

  • Conclusão

    • A mobilidade espacial de pessoas e empresas é limitada

    • A mobilidade das PME e das grandes empresas é diferenciada

    • Mais do que a racionalidade da decisão de localização importa aferir o papel do Território no suporte competitivo das empresas


Aula 7: Teorias do crescimento regional desigual: A visão marxista

  • O novo contexto económico e político da 2ª metade do séc. XX

    • Nos novos países saídos da descolonização a questão que se coloca ao novo poder político é: que estratégia de crescimento adotar?

    • O processo de crescimento evidencia que, ao contrário do pressuposto teórico neoclássico, o crescimento é de natureza assimétrica: “Paris e o seu deserto”.

    • Na Europa do pós-guerra a questão deixou de ser onde localizar e passou a ser “como promover o crescimento nas regiões atrasadas?”

  • Teorias do crescimento regional desigual

    1. Teoria da causalidade circular e cumulativa (Myrdall 1957)

    2. A visão marxista da organização espacial (década 60 e 70)

    3. A interpretação historicista, Rostow (1960)

    4. A teoria dos pólos de crescimento de Perroux (1955…)

    5. A visão localista do desenvolvimento endógeno (década 80)

  • Gunnar Myrdall (1957): teoria da causalidade circular e cumulativa

  • A visão marxista da organização espacial: teoria centro-periferia.

  • A visão marxista da organização espacial: divisão espacial do trabalho.

  • Os desequilíbrios são inerentes ao processo de acumulação capitalista, pelo que só a destruição do capitalismo pode conduzir à eliminação dos desequilíbrios regionais

  • A abordagem de Rostow: Uma visão historicista

  • W. Rostow (1960)

  • W. Rostow (1960): síntese

Etapa

Descrição

sociedade tradicional (agricultura e técnicas tradicionais)

pré-arranque (revolução industrial, 1760… mudança tecnológica choca com conservadorismo)

arranque (industrialização: generalização de novas tecnologia

marcha para a maturidade (completo domínio do processo de modernização tecnológica…)

era do consumo massificado (produção de produtos de consumo duradouro e serviços)

  • Leitura crítica de Rostow:

    - Não é uma teoria do crescimento, mas uma interpretação formal determinista

    - Mérito: associação de dinâmica de crescimento a alterações tecnológicas e institucionais.


Aula 8: Teorias do crescimento regional desigual - François Perroux

Indústis motriz = Atividade com crescimento superior ao crescimento médio nacional + Forte efeito de arrasto

Teoria dos polos de crescimento:

  • A nova empresa “âncora”/Motriz

Economias de localização => atração de “linked industries” = Cluster motriz + Emprego + Rendimento → + População → + construção habitação… + procura de serviços + empresas atividades complementares => Economias de urbanização


Perroux (1955): a dimensão espacial dos polos

  • Efeitos de polarização e de difusão resultam em um aumento significativo da interação entre as diferentes indústrias e um fortalecimento das redes locais de colaboração, o que gera um efeito cascata no desenvolvimento económico da região.

  • O crescimento =f (inovação)

  • Difusão da inovação faz-se:

    1. pelo canal sectorial (indústria motriz)

    2. pelo canal regional (polos de crescimento)


A influência de Perroux em Portugal - O polo regional de Sines (criado em 1971)

  • Sines, uma ilustração da falência da teoria dos polos?

    1. Sines nunca foi verdadeiramente um polo “à Perroux”.

    2. O que resta de Sines: o efeito “escola de engenharia”

    3. E se o projeto de Sines não fosse “plantado no deserto”, sem enraizamento na economia regional e com todas as variáveis estratégicas na dependência externa?


Aula 9: Teorias do desenvolvimento regional endógeno: A abordagem bottom-up do desenvolvimento

Nos anos 80, em vez de crescimento para distribuir, passa a haver crise para gerir. A visão localista do desenvolvimento endógeno ou a resposta à crise do modelo fordista:

  • Pilares fundadores

    • Critica do papel das multinacionais;

    • Critica do conceito de crescimento e da pobreza;

    • Critica da natureza exógena da Política Regional.


Development from bottom-up (W. Stöhr)

  • Satisfação das necessidades básicas da população local;

  • Promoção da autarcia seletiva (a exportação não é vista como um objetivo prioritário);

  • Promoção da microiniciativa de base local (sociologicamente comprometida com comunidade local);

  • Suporte institucional de regulação das relações inter-regionais com legitimidade que emana da comunidade local.


Abordagem localista: implicações políticas

  • Estratégias de desenvolvimento autocentradas (<>Pol Reg T)

  • Small is beautiful (<> Polos Regionais e das multinacionais)

  • “Local” espaço de resistência ao (capitalismo) “Global”.


Aula 11: Teorias do desenvolvimento regional endógeno: O distrito industrial (DI)

Os Sistemas Produtivos Locais/Distrito Industrial (Becattini, Garofoli, Italianos)

  • Articulação economia-sociedade de matriz territorial

  • O Território funciona como um elemento regulador, em alternativa à regulação hierárquico-empresarial e ao mercado.


Elementos definidores do DI (Distritos Industriais são a abordagem pioneira da relação entre inovação e Território)

  1. Tecido industrial com forte divisão social do trabalho:
    - Forte especialização num ramo de atividade (têxtil-vestuário, calçado, mobiliário, maquinaria);
    - Sistema de PME industriais.

  2. Tecido produtivo rico em conhecimento tácito:
    - Tradição histórica com saber-fazer consolidado e socializado

  3. Uma atmosfera de cooperação:
    - Código de conduta: cultura e quadro de valores morais/comportamentais próprios


Dimensões características dos DI

  1. Sistema gerador de economias externas resultantes da organização territorial;

  2. Articulação economia mercantil com economia social;

  3. Sistema de valores socioculturais regulador dos conflitos;

  4. Presença do impannatori que assegura articulação da economia local com mercado global;

  5. Sistema institucional local que assegura reprodução social e mediação territoria.


Aula 12: A abordagem atual da Economia do Território: Dinâmicas de Inovação e Território

Silicon Valley

  1. A história: um século de sucessivas vagas de inovação radical

  2. Fatores explicativos do sucesso de Silicon Valley

  3. O papel da universidade de Stanford

  4. Ilações a reter da história de Silicon Valley

Como é que isto aconteceu? Devido à dinâmica de atores (universidades, I&D, Estado como suporte do mercado e estimulador da inovação, espírito empreendedor de base tecnológica) de um verdadeiro SRI-Sistema Regional de Inovação baseado numa especialização produtiva robusta.

=> A inovação é um processo sistémico ancorado no Território.


Aula 13: Dinâmicas regionais de inovação - A génese da inovação e o papel do Território

Globalização, competitividade e inovação
Com a globalização a inovação passou a ser vista como o suporte principal da competitividade e elemento fulcral de interpretação das atuais dinâmicas económicas:

  • Porter (1985 e 1990): as empresas para puderem competir à escala global precisam de inovar, já que as vantagens comparativas baseadas no baixo custo não garantem a competitividade;

  • Freeman e Pérez (1988): sublinharam que a crise do fordismo estava associada a uma mudança de paradigma tecno-económico.


Como se gera a inovação? (Yoguel e Boscherini)

É a pressão concorrencial da globalização que leva as empresas a aumentar a sua capacidade inovativa. Esta capacidade inovativa depende de duas componentes: uma refere-se à estrutura interna da empresa e ao seu know-how acumulado, outra refere-se ao ambiente externo que enquadra a empresa, o Meio.

  • O conhecimento tácito envolve os saberes aplicados no processo de trabalho e não codificados nos manuais da tecnologia; os saberes gerais e comportamentais; a capacidade de resolução de problemas não codificados;

  • Inovação decorre de um processo de aprendizagem coletiva → Nesse processo ocorre a fertilização cruzada de conhecimento tácito e de conhecimento codificado, assim como de conhecimento interno à empresa com conhecimento originário da sua envolvente → A chave da dinâmica territorial de inovação é a INTERAÇÃO

  • Modos de inovação: DUI-Doing, Using & Interacting; STI-Science, Technology & Innovation; TEI-Territorial Embeddedness Innovation.

  • Nunes & Lopes: DUI + STI = TEI => Performance superior


A inovação é tributária da informação e do conhecimento. Por sua vez, o conhecimento é adquirido através de processos de aprendizagem predominantemente interativos. A intensidade e o resultado da interação serão influenciados pelo grau de proximidade existente entre os atores… mas não apenas pela proximidade física ou geográfica.


Aula 14: Proximidade e Inovação - A proximidade na abordagem territorialista: tipos de proximidade

As 5 dimensões de proximidade (Boschma):

Cognitiva

  • A absorção de conhecimento novo por uma empresa pressupõe a existência de proximidade cognitiva, porque:

    • O conhecimento é de natureza cumulativa;

    • O sucesso da comunicação e do entendimento do novo conhecimento requer a existência de um conhecimento base próximo;

    • O acesso ao conhecimento não é condição suficiente para inovar (comprar tecnologia <> de saber usá-la eficientemente).


Organizacional

  • O mercado configura um arranjo organizacional de reduzida proximidade organizacional;

  • A organização hierárquica de uma empresa proporciona um ambiente de elevada proximidade organizacional;

  • A coordenação em rede representa uma solução com um grau de proximidade organizacional intermédio às duas situações anteriores.


Social

  • Relações entre agentes que estão socialmente embutidas mas que se revelam à microescala. A proximidade social é moldada pelas relações baseadas na confiança recíproca, na amizade, no parentesco e na experiência;

  • Proximidade social reduz o risco de comportamentos oportunistas;

  • Facilita a transferência do conhecimento tácito e o envolvimento em processos de aprendizagem interativa.


Institucional

  • Instituições = “hábitos comuns, rotinas, práticas estabelecidas, regras ou leis que regulam as relações e as interações entre indivíduos e grupos”

  • Porque as instituições, formais (leis e normas) e informais (cultura, hábitos, ...), influenciam a coordenação das ações dos atores, então a proximidade institucional facilita, ou restringe, os mecanismos de transferência de conhecimento e da aprendizagem interativa.


Geográfica

  • Proximidade geográfica = distância física entre atores. “Curtas distâncias colocam literalmente as pessoas em contacto, favorecem a difusão da informação e facilitam a permuta de conhecimento tácito”

  • Três escalas geográficas de proximidade:

    • Nível nacional, (proximidade geográfica interpenetra-se mais de perto com proximidade institucional);

    • Nível da empresa, onde a proximidade geográfica tem um sentido restrito e se interpenetra com a proximidade organizacional e cognitiva;

    • Nível regional, espaço privilegiado de interpenetração entre as cinco dimensões.


Aula 20: Paradigmas de política regional - Breve retrospetiva referenciada às experiências europeias

O paradigma da PR exógena: anos 50-70 (os 30 anos gloriosos de crescimento económico)

  • Promover a mobilidade espacial

  • Proceder à redistribuição regional do crescimento

  • =>REDISTRIBUTIVA + EXÓGENA + CENTRALISTA


O paradigma da PR endógena: anos 80-90 (a resposta à crise do paradigma de desenvolvimento)

  • Promover as potencialidades endógenas

  • Mobilizar os atores locais => PROMOCIONAL + ENDÓGENA + DESCENTRALIZADA


O place-based paradigm: séc. XXI (a resposta à globalização)

  • Promover a competitividade territorial

  • O desafio das infraestruturas imateriais do desenvolvimento

  • Ensaiar novas formas de Governança do desenvolvimento regional

  • => PROMOCIONAL + NETWORKING + MULTINÍVE


Aula 20: A Política Regional é eficaz?

Caso da Alemanha, UK e Itália. A Política Regional tradicional falhou o seu objetivo… mas na ausência de Política Regional os desequilíbrios regionais agravam-se.


O papel da Governança Territorial

  • A gestão do desenvolvimento territorial é atravessada por conflitos de interesse e pela necessidade de articular lógicas setoriais, territoriais e institucionais distintas;

  • Tipos de coordenação que se exigem à governança territorial:

    • Coordenação territorial entre políticas setoriais diferentes;

    • Coordenação territorial entre municípios/regiões vizinhos, entre áreas urbanas e rurais, etc;

    • Coordenação entre diferentes níveis de “government” (multi-level governance);

    • Coordenação entre atores públicos-privados-associativos.


Conclusão: A necessidade da PR decorre dos problemas de desenvolvimento regional, interpelados pela justiça social

  1. O Mercado não assegura uma distribuição espacial dos recursos económicos que seja economicamente eficiente e socialmente aceitável. O Crescimento económico é, intrinsecamente, espacialmente desigual, tendendo mesmo a exprimir-se num processo de circularidade cumulativa (Myrdal). Porém as Assimetrias Regionais colidem com o entendimento de Desenvolvimento, em nome do qual se reclama a intervenção pública.

  2. O processo de PR comporta dinâmicas territoriais autónomas e diferenciadas, mas reclama articulações inter-regionais que são ora complementares ora antagónicas. Num caso e noutro a intervenção pública impõe-se, desde logo em nome do interesse nacional.

  3. O processo de desenvolvimento regional envolve múltiplos agentes, cujos interesses tendem a conflituar, sendo necessário assegurar a liderança do processo em ordem a salvaguardar o interesse coletivo



Aula 22: POLÍTICAS DE DESENVOLVIMENTO RURAL EM PORTUGAL

Tendências e orientações da Política de Desenvolvimento Rural na OCDE

  • Muitos dos espaços rurais em Portugal deixaram de ser espaços de localização ultra remota

  • Muitos dos espaços urbano-rurais dispõem de uma dotação de equipamentos coletivos que lhes garantem condições de vida equiparáveis à dos grandes centros urbanos.

  • A atividade agrícola é a principal responsável pelo ordenamento ambiental do país. Mas viver no campo, não é sinónimo de trabalhar na agricultura ➔ É preciso reinventar uma função económica para as aldeias


Um novo paradigma, materializado numa estratégia: Multi-sectorial, Multi-agente, Multi-escala territorial, Centrada na capacitação organizacional do espaço rural.


Portugal: a Política de Desenvolvimento Rural no passado recente (2007-2013)

  • O PRODER é um instrumento estratégico e financeiro de apoio ao desenvolvimento rural do continente, para o período 2007-2013, aprovado pela Comissão Europeia.

  • Cofinanciado pelo FEADER – Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural aproximadamente em 3,5 mil milhões de euros, envolve uma despesa pública de mais de 4,4 mil milhões de euros.

  • Objetivos:

    • Aumentar a competitividade dos setores agrícola e florestal;

    • Promover a sustentabilidade dos espaços rurais e dos recursos naturais;

    • Revitalizar económica e socialmente as zonas rurais.



A Política de Desenvolvimento Rural 2014-2020 em Portugal

  • O Plano Estratégico da Política Agrícola Comum, 2023-27: Integra as medidas de apoio para se alcançarem os objetivos específicos das UE para a Política Agrícula Comum (PAC). Materializa os instrumentos da PAC financiados pela UE, através de pagamentos diretos, de medidas setoriais das frutas e hortículas, da vinha e da apicultura e de instrumentos de desenvolviemtno rural.



O papel das intervenções territorialmente integradas e do LEADER

Em 2013 a metodologia LEADER foi alargada ao espaço urbano e orla costeira, passando a CLLD-Desenvolvimento Local de Base Comunitária (DLBC).

As 7 questões-chave explicadas da Intervenção LEADER (1991-2013):

  1. Area-based: ocorre em um território pequeno, homogéneo e socialmente coeso.

  2. Bottom-up: os atores locais elaboram a estratégia e escolhem as ações.

  3. Public-private partnership: Os LAGs são grupos equilibrados que envolvem atores dos setores público e privado, que podem mobilizar todas as habilidades e recursos disponíveis.

  4. Innovation: dando aos LAGs a flexibilidade para introduzir novas ideias e métodos.

  5. Integration: entre ações económicas, sociais, culturais e ambientais, distintas de uma abordagem setorial.

  6. Networking: permitindo a aprendizagem entre pessoas, organizações e instituições em nível local, regional, nacional e europeu.

  7. Co-operation: entre grupos LEADER, por exemplo, para compartilhar experiências.


Existem cerca de 47 LAGs em Portugal. → Rede Rural