Processo de industrialização alongou o período entre infância e vida adulta.
Teóricos argumentam que a adolescência é uma invenção social ou um estágio de desenvolvimento do ego e das funções cognitivas.
Adolescência = período para realizar tarefas como definição da identidade, escolha vocacional e autonomia moral.
Fases da adolescência:
Baixa adolescência (11/12-12/13 anos): puberdade, preocupação narcisista, identidade, outro sexo como perigoso, relação com pessoas do mesmo sexo, família ainda central.
Adolescência (12/13-16 anos): construção da identidade sexual e pessoal, desenvolvimento corporal mais lento, interesse pelo sexo oposto, grupos heterossexuais, distanciamento afetivo da família, rebeldia.
Final do período: difícil de situar no tempo, consolidação e ensaio de modos de vida, escolha vocacional.
Desenvolvimento cognitivo:
Mudanças de pensamento paralelas às físicas.
Capacidade de raciocinar abstratamente, fazer juízos morais sofisticados e planejar o futuro.
Teoria de Piaget e as operações formais:
Desenvolvimento intelectual por estágios: sensório-motor, pré-operatório, operações concretas e operações formais.
Adolescentes = estágio das operações formais (pensamento abstrato).
Alcançada por volta dos 11 anos, manipulação flexível de informações. Compreensão do tempo histórico e espaço extraterrestre. Uso de símbolos (álgebra e cálculo). Compreensão de metáforas e alegorias.
Pensamento hipotético-dedutivo:
Transformações emocionais dependem das cognitivas.
Exemplo: problema do pêndulo piagetiano (4 fatores: comprimento do fio, peso do objeto, altura da qual o objeto é solto, força de empurrar). Apenas o comprimento do fio determina a rapidez de oscilação.
Raciocínio hipotético-dedutivo = instrumento para solucionar problemas. Capacidade de projetar ideias para o futuro.
Estudos microgenéticos confirmam a análise de Piaget.
Mudança resultante da maturação cerebral e expansão das oportunidades ambientais. Estimulação ambiental e esforço cooperativo são essenciais. Escolaridade e cultura são importantes.
Teoria de Elkind e a imaturidade do adolescente:
Baseado no trabalho de Piaget.
Atitudes e comportamentos imaturos derivados dos pensamentos abstratos.
Tendência a discutir: testar habilidades de raciocínio.
Indecisão: problemas para decidir.
Encontrar defeitos nas figuras de autoridade: adultos aquém dos ideais.
Hipocrisia aparente: não reconhecer a diferença entre expressar um ideal e sacrificar-se por ele.
Autoconsciência: público imaginário.
Suposição de invulnerabilidade: crença de ser especial e não sujeito às regras.
Teoria de Kohlberg e o julgamento moral:
Dilema de Heinz (remédio caro para salvar a esposa).
Semelhança com a teoria de Piaget, mas mais complexa.
Três níveis de julgamento moral, cada um dividido em dois estágios:-
Nível I: Moralidade pré-convencional: agir sob controles externos (evitar punição, obter recompensas).
Nível II: Moralidade convencional: internalização dos padrões de autoridade (ser bom, agradar, manter a ordem social).
Nível III: Moralidade pós-convencional: reconhecimento de conflitos entre padrões morais, julgamentos baseados em princípios de correção, imparcialidade e justiça.
Nível de transição entre II e III: decisões morais baseadas em sentimentos pessoais.
Fatores além da cognição (desenvolvimento emocional e experiências) influenciam os julgamentos morais.
Alto nível de desenvolvimento cognitivo não garante alto nível de desenvolvimento moral.
A escolha vocacional:
Escola = experiência organizadora central. Oportunidades de adquirir informações, habilidades, engajamento e participação.
Preocupações: explorar opções vocacionais e estar entre amigos.
Escola amplia horizontes intelectuais e sociais.
Escolha de carreira/profissão = vital para o adolescente. Decisão pessoal importante.
Exige conhecimento de atitudes, interesses, valores, autoconhecimento, possibilidades e limites.
Considerar plano/estilo de vida, características da profissão e abrangência social.
Influência positiva dos pais/amigos quando orientam e oferecem modelos sem pressão.
Êxito/fracasso afeta o desenvolvimento pessoal e a sociedade.
Orientação profissional = processo longo, integrado por pais, docentes e amigos, vinculado à história das habilidades do indivíduo e ao processo educativo.
Desenvolvimento Psicossocial
Vivências na adolescência: Anne Frank:
Exemplo de uma adolescente vivendo em condições traumáticas (Holocausto) com pensamentos, sentimentos, devaneios e alterações de humor comuns.
A estranheza da maioridade:
Adolescência = época de oportunidades e riscos.
Fatores físicos, cognitivos e psicossociais (sexualidade, individualidade, relacionamentos) contribuem para a identidade.
Identidade e adolescência: teorias:
Freud: experiências da infância moldam a personalidade (estágios psicossexuais).
Piaget: desenvolvimento da autonomia nas decisões.
Erikson: desenvolvimento do ego é vitalício, com crises de identidade na adolescência.
Erik Erikson e os estágios psicossociais:
O desenvolvimento do ego envolve superar crises em cada estágio da vida.
Na adolescência, a crise é identidade vs. confusão de papéis.
Alcançar uma identidade estável requer superar os estágios anteriores.
Exploração psicossocial: experimentar papéis e ideologias.
Identidade bem-sucedida leva à fidelidade, enquanto confusão de papéis resulta em incerteza.
Os adolescentes precisam sentir que são eles próprios, antes de se fundirem com outra pessoa.
Críticas à teoria de Erikson:
Baseada em observação e não em pesquisa empírica.
Descrição das mudanças psicossociais ao longo da vida (pouca explicação).
Estágios são culturalmente limitados, especialmente a adolescência.
James Marcia e os estados de identidade:
Expansão da teoria de Erikson com base em entrevistas.
Quatro estados de identidade:
Identidade alcançada: exploração seguida de compromisso com valores e objetivos.
Moratória: exploração sem compromisso firme.
Alienação: compromisso sem exploração prévia (ideias dos pais).
Confusão de identidade: ausência de exploração e compromisso.
Pesquisas mostram que a maioria dos estudantes passa por esses estados.
A moratória pode ser um período necessário para formar uma identidade.
Adolescentes alienados podem ser dogmáticos e inflexíveis.
Influências na formação da identidade:
Atmosfera familiar: individualidade e conectividade.
Individualidade: autoafirmação e diferenciação.
Conectividade: receptividade, respeito e intercomunicação.
Amigos e contexto social também influenciam.
Diferenças culturais na formação da identidade.
Gênero e identidade:
Meninas exploram a identidade mais cedo (papéis ocupacionais e estilo de vida).
Meninos focam em princípios ideológicos e compromissos ocupacionais.
A identidade sexual é um componente central da identidade.
Raça/etnia e identidade:
Importância da consciência racial/étnica e da identidade para grupos minoritários.
Modelos de identidade racial/étnica (assimilados, marginalizados, etc.).
Integração da identidade étnica com a identidade cultural dominante.
Sexualidade e identidade:
Identidade sexual como um componente crucial.
Processo de auto-reconhecimento (consciência, teste, aceitação, integração).
Impacto do contexto social e histórico no desenvolvimento da identidade sexual.
Problemas comuns na adolescência:
Uso de drogas e álcool.
Depressão.
Suicídio.
Distúrbios alimentares.
Gravidez na adolescência.
Violência e delinquência.
Dificuldades escolares.
Problemas de relacionamento.
Fatores de risco e proteção:
Resiliência: capacidade de superar adversidades.
Fatores de risco: pobreza, violência familiar, abuso de substâncias.
Fatores de proteção: suporte familiar, escolaridade, autoestima.
A Síndrome da Adolescência Normal
Conceito:
Conjunto de comportamentos e características comuns à adolescência.
Reação aos desafios e mudanças desta fase.
Características:
Busca de si mesmo e da identidade.
Tendência grupal.
Crises religiosas.
Necessidade de intelectualizar e fantasiar.
Deslocamento do eixo familiar para o grupo social.