Notas sobre Transmissão da Revelação e Estrutura da Bíblia
Transmissão da Revelação
Perspectiva Católica: A transmissão da revelação é feita pela Tradição e pela Sagrada Escritura.
Tradição: "A Igreja, na sua doutrina, vida e culto, perpetua e transmite a todas as gerações tudo aquilo que é e tudo aquilo em que acredita" (Dei Verbum, 8).
Com a Tradição, a Igreja reconhece o cânon dos livros sagrados e compreende a Sagrada Escritura de forma mais profunda.
Definições Importantes:
Magistério da Igreja: A autoridade que interpreta a revelação e a transmite.
"Traditio" (transmissão) e "Tradita" (coisas transmitidas).
Estrutura da Bíblia
Antigo Testamento: Compreende os textos que precedem a vinda de Cristo, incluindo a Torá e os profetas.
Novo Testamento: Contém os escritos sobre a vida e ensinamentos de Jesus, bem como as cartas dos apóstolos.
Antigo Testamento
Formado por 46 livros (Bíblia Católica) e 39 livros na Bíblia Protestante.
Pentateuco: Génesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio.
Livros Históricos e Didáticos: Isaías, Jeremias, Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, Crónicas.
Novo Testamento
Composto por 27 livros.
Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João.
Cartas de Paulo: Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, entre outras.
Apocalipse: Livro profético final.
Inspiração das Escrituras
A Bíblia é vista como inspirada por Deus, garantindo sua veracidade e autoridade.
Co-autoria: Deus é o autor principal, e os escritores humanos são instrumentos que não competem com a vontade divina.
Citação: "Na Escritura, tudo é de Deus e tudo é do homem…" (Sesboüé).
A Verdade nas Escrituras
Tipos de Verdade
A Bíblia aborda a verdade religiosa, focando nas relações com Deus.
Interpretação: Vários níveis de interpretação existem, incluindo:
Sentido literal.
Sentido espiritual.
Sentido alegórico.
Sentido moral.
Sentido anagógico (Diz respeito à meta final.)
Citação de Santo Agostinho
"A letra ensina-te os factos (passados), a alegoria o que deves crer…".
Gênesis 1-2: Interpretação e Verdade
A narrativa da criação apresenta um forte contraste com mitos babilônicos como o Énuma Élish.
Em Gênesis:
Deus cria o mundo a partir do nada.
O ser humano é feito à imagem e semelhança de Deus e não de um cadáver divino.
Deus considera toda a Sua criação como "muito boa".
Visão Semita do Cosmos
Representações do cosmos em que Deus separa a ordem do caos.
Comparação com Énuma Élish
No mito babilônico, a criação é feita através da destruição e do sacrifício, enquanto em Gênesis ela é ordenada e boa.
"Marduque dominou… e extraiu uma obra de arte do monstro…"
Gênesis apresenta a criação como um ato de vontade de Deus, sem violência.