Sangramento de 1o tri

Introdução
  • O foco do protocolo da FEBRASGO em 2020 é abordar as emergências hemorrágicas na gestação.

  • Inclui hemorragias da primeira metade da gestação:

    • Abortamento: interrupção da gestação antes de 20 a 22 semanas ou com feto pesando menos de 500g. Pode ser espontâneo ou induzido, com diferentes classificações como aborto iminente, incompleto, completo ou retido, e em muitos casos, a causa é cromossômica.

    • Gravidez ectópica: implantação do blastocisto fora da cavidade uterina, mais comumente na tuba uterina (95%), mas também pode ocorrer no ovário, abdome ou colo uterino. Apresenta-se frequentemente com dor abdominal, atraso menstrual e sangramento vaginal, sendo uma das principais causas de mortalidade materna no primeiro trimestre.

    • Doença trofoblástica gestacional: grupo de condições caracterizado pela proliferação anormal do trofoblasto, como a mola hidatiforme (completa ou parcial), que pode progredir para doença trofoblástica gestacional persistente ou coriocarcinoma, exigindo monitoramento rigoroso dos níveis de hCGhCG.

  • Segunda metade da gestação:

    • Descolamento prematuro de placenta (DPP): separação parcial ou total da placenta normalmente implantada após a 20ª semana de gestação e antes do trabalho de parto. Caracteriza-se por dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal escuro, hipertonia uterina e sofrimento fetal agudo, sendo uma emergência obstétrica grave.

    • Placenta prévia: implantação da placenta sobre ou muito próxima ao orifício interno do colo uterino. Classificada como total, parcial ou marginal. O principal sintoma é sangramento vaginal indolor, vermelho vivo e recorrente, geralmente no terceiro trimestre.

    • Ruptura uterina: solução de continuidade da parede do útero que ocorre durante a gestação ou o trabalho de parto, resultando em hemorragia grave. Pode ser completa (envolvendo todas as camadas) ou incompleta. Geralmente associada a cicatriz uterina prévia (cesariana anterior) ou trauma, sendo uma condição de altíssima morbimortalidade materno-fetal.

    • Acretismo placentário: condição em que a placenta se insere anormalmente na parede uterina devido à deficiência ou ausência da decídua basal, permitindo que as vilosidades coriônicas se liguem ou invadam o miométrio. Pode ser accreta (adesão ao miométrio), increta (invasão do miométrio) ou percreta (invasão além do útero, podendo atingir órgãos adjacentes como a bexiga), o que acarreta risco de hemorragia maciça no parto.

  • Hemorragias pós-parto: sangramento excessivo (perda sanguínea > 500mL500 mL após parto vaginal ou > 1000mL1000 mL após cesariana) que ocorre após o nascimento do bebê. As causas principais são conhecidas como os "4 Ts": atonia uterina (Tone - causa mais comum), lacerações do trato genital (Trauma), retenção de restos placentários ou produtos da concepção (Tissue) e distúrbios de coagulação (Thrombin).