Atuação profissional do psicólogo
Atuação profissional do psicólogo
As áreas de atuação do psicólogo, suas diferentes metodologias, funções, finalidades, objetivos e alcances de inserção no mercado.
Itens iniciais
- Propósito:
- Conhecer e compreender as diferentes áreas de atuação do psicólogo, bem como suas diferentes metodologias, funções, finalidades e objetivos de cada área, com o objetivo de facilitar a sua atuação e o seu alcance no mercado de trabalho.
- Preparação:
- Antes de iniciar esse estudo, navegar no site do Conselho Federal de Psicologia para conhecer termos específicos da área.
- Objetivos:
- Reconhecer as áreas clássicas de atuação do psicólogo no hospital, no consultório particular, nas empresas e organizações e na escola.
- Classificar os limites e as possibilidades de atuação do psicólogo na área jurídica, social e esportiva.
- Identificar as interfaces do trabalho multidisciplinar do psicólogo.
- Reconhecer o compromisso social e ético do psicólogo na atualidade.
- Introdução:
- A psicologia como ciência possibilita uma infinidade de áreas de atuação, o que permite ao estudante de graduação especializar-se em mais de uma delas.
- Apresentação das áreas clássicas de atuação do psicólogo no âmbito escolar, organizacional, clínico e hospitalar, os limites e as possibilidades de cada uma delas, além das funções principais e dos órgãos reguladores específicos da profissão e de cada área.
- Segundo o Conselho Federal de Psicologia (CFP), para atuar nas diferentes áreas da psicologia, não é pré-requisito realizar especializações. A atuação prática pode também conferir ao psicólogo o título de especialista.
- A psicologia também necessita envolver a atividade multidisciplinar do psicólogo, o que favorece o trabalho em equipe e um maior bem-estar ao paciente.
- Além disso, os psicólogos jamais podem se esquecer dos conceitos éticos e bioéticos voltados aos cuidados que devem apresentar ao exercer a profissão, como os aspectos básicos e fundamentais acerca da diferença entre ética e moral e suas implicações para os cuidados voltados a prática e a atuação.
Áreas clássicas de atuação do psicólogo
Apresentação das áreas clássicas de atuação do psicólogo no âmbito escolar, organizacional, clínico e hospitalar, bem como os limites e as possibilidades de cada uma delas, além das funções principais e dos órgãos reguladores específicos da profissão e de cada área.
Psicologia hospitalar
- A psicologia hospitalar é uma área de atuação dentro do campo da psicologia, na qual o trabalho do psicólogo é centrado nos níveis secundários e terciários de saúde.
- Segundo Castro e Bornholdt (2004), o nível secundário de saúde abrange o que se chama de serviço ambulatorial, subdividido em várias especialidades (oncologia, gastrenterologia, obstetrícia, cirurgia, entre outras), além de serviços de apoio aos diagnósticos, serviços terapêuticos, serviços de atendimento de urgência e emergência.
- Os serviços ambulatoriais, normalmente, estão disponíveis em hospitais gerais ou em centros especializados, como o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), responsável pelo seguimento e acompanhamento de pacientes da área da saúde mental.
- O nível terciário de saúde abrange a área de atuação em serviços hospitalares de maior complexidade, envolvendo atuação em enfermarias, internações e interconsultas.
- Níveis de atenção à saúde.
- As atribuições de um psicólogo hospitalar envolvem:
- Atendimento psicoterapêutico individual
- Atendimento psicoterapêutico grupal
- Atendimentos ambulatoriais
- Atendimentos em urgência e emergência
- Atendimento em enfermarias
- Atendimento em unidades de terapia intensiva
- Avaliação diagnóstica
- Psicodiagnóstico
- Neuropsicologia
- Consulta e interconsulta
- Para Gorayeb (2001), no Brasil, os primeiros psicólogos começaram a trabalhar na década de 1960. Nesse período, não estava bem claro ainda quais eram de fato as atribuições do trabalho da psicologia no hospital.
- No ambiente hospitalar, é fundamental que o psicólogo entenda que não se faz atendimento psicológico pura e simplesmente (como nos moldes de atendimento de um consultório), mas se faz psicologia médica (entendimento mais amplo sobre a saúde do paciente, tanto orgânica quanto psíquica).
- O atendimento em psicologia hospitalar é diferente do atendimento psicológico na prática de um consultório particular em inúmeros aspectos:
- Muitas vezes não se tem disponível o tempo tradicional de 50 minutos.
- Pode ser necessário atender o paciente na beira do leito.
- Frequentemente é necessário acompanhar o ritmo e horário de trabalho do ambulatório ou da enfermaria veiculada.
- A demanda de psicoterapia não surge por livre e espontânea vontade do paciente, mas é condicionada a uma alteração clínica ou psiquiátrica.
- Às vezes, o paciente não apresenta quadros clássicos de psicopatologia.
- Existe a necessidade de tratamento multidisciplinar e boa comunicação com outros membros da equipe.
- Os atendimentos, muitas vezes, são mais pontuais, menos frequentes do que o tradicional atendimento semanal.
- Há maior descontinuidade do tratamento, principalmente quando o paciente não é da região.
- O psicólogo pode assumir o papel de mediador entre os profissionais da equipe hospitalar, levando harmonia, esclarecendo informações, e permitindo que a equipe possa se relacionar efetivamente com os pacientes.
- Os primeiros congressos da área hospitalar datam de 1980.
- A área da psicologia hospitalar no Brasil está bem consolidada, de modo que existe até a Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar (SBPH), fundada em 1997.
- A SBPH se reúne anualmente e tem como função conduzir eventos científicos na área, promover encontros e grupos de discussões.
- Por meio do site dessa instituição é possível acompanhar novos livros, avanços científicos e tecnológicos que surgem na área.
- Se essa área agrada, é possível que o estudante de graduação se vincule à SBPH e passe a ser um membro filiado.
- O campo de atuação do psicólogo hospitalar é vasto e amplo, oferecendo ao estudante de psicologia e futuro profissional uma diversidade de possibilidades no mercado.
- Dúvida frequente: se eu quiser ser psicólogo hospitalar, o que devo fazer?
- Entrar em um curso de graduação em psicologia e, ao longo da trilha de aprendizagem, buscar cursar disciplinas voltadas à área da saúde entre as disciplinas básicas e obrigatórias na grade curricular do curso.
- Há a oportunidade de realizar estágios em hospitais e verificar como de fato é a prática de trabalho do psicólogo hospitalar.
Psicologia escolar
- Área na qual a atuação do psicólogo é centrada no ambiente educacional.
- A atuação do psicólogo muitas vezes fica superposta a papéis e funções de outros profissionais que também atuam no ambiente escolar, como professores, pedagogos, diretores e coordenadores (Souza, 1996; Gomes, 1994).
- O papel do psicólogo escolar pode ser definido como:
- Orientativo ou psicoeducativo para alunos e pais;
- Acolhedor para alunos que apresentam problemas escolares diversos.
- Relacionado à orientação ou escolha vocacional.
- Identificação de alunos com problemas de aprendizagem.
- Centrado nos processos de ensino e aprendizagem.
- Responsável por conhecer e avaliar o desenvolvimento humano.
- Escolarização de alunos em todos os seus níveis.
- Inclusão de alunos com deficiências;
- Estudo de políticas públicas voltadas à educação.
- Gestão psicoeducacional em instituições.
- Avaliação psicológica.
- Formação continuada de professores.
- Os primeiros congressos da área escolar datam de 1990 e, atualmente, a área da psicologia escolar no Brasil está bastante consolidada.
- Em 1990, a Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (Abrapee) foi fundada por psicólogos.
- Os encontros da Abrapee são realizados anualmente, com eventos científicos, discussões técnicas e divulgação de pesquisas e literatura especializada na área.
- Para atuar como psicólogo escolar, primeiramente é preciso realizar a graduação em psicologia.
- Alguns cursos oferecem várias ênfases de formação e/ou habilitações, tais como bacharelado, bacharelado especial em pesquisa, formação do psicólogo e licenciatura.
- A licenciatura em psicologia forma professores para trabalhar em instituições de ensino e a duração de formação é de quatro anos e meio.
- O bacharelado e o bacharelado especial em pesquisa, oferecem a formação de pesquisador e a duração média também é de cinco anos.
- A formação de psicólogo habilita o profissional a atuar em todos os outros campos da profissão:
- Saúde
- Educação
- Trabalho
- Comunidade
- Os cursos de graduação também oferecem a oportunidade de cursar disciplinas mais voltadas a essa área de interesse, tais como: psicologia escolar, processos de ensino e aprendizagem, além de haver a possibilidade de estagiar em alguma escola para aprender de forma prática como atua o psicólogo escolar.
- O mercado de trabalho para o psicólogo que gosta de atuar no contexto escolar é vasto e oferece um campo cheio de oportunidades, como trabalhar em escolas da rede pública ou privada, além do trabalho em diferentes níveis de escolaridade, que vão do ensino fundamental ao superior.
Psicologia clínica
- A área da psicologia clínica talvez seja a mais procurada entre os estudantes da graduação.
- Ela pode ser exercida em diferentes formatos:
- Individual
- Em grupo
- Familiar
- Institucional
- Normalmente, encontramos na área clínica a prática segundo diferentes abordagens psicoterápicas, como, por exemplo:
- Psicanálise
- Análise do comportamento
- Cognitivo comportamental
- Fenomenologia existencial e humanismo
- Em geral, a ideia de psicologia clínica para o estudante de graduação envolve a noção de psicoterapia como aquele tipo de atendimento individual, de longa duração, realizado em consultórios particulares e envolvendo altos custos.
- Não podemos esquecer da psicoterapia oferecida no Sistema Único de Saúde, nos postos de saúde e centros de atenção psicossocial.
- Atualmente, a psicologia clínica necessita preocupar-se com o contexto social, articulando a clínica ao contexto sócio-histórico.
- A profissão do psicólogo clínico é também bastante confundida com o trabalho do psiquiatra.
- A principal diferença entre eles consiste no fato de que o trabalho do psiquiatra envolve a prescrição de medicamentos, enquanto o trabalho do psicólogo clínico envolve o tratamento psicoterápico.
- São inúmeras as funções da psicologia clínica, tais como:
- Psicodiagnóstico.
- Reabilitações neuropsicológicas.
- Psicoeducação de casais, famílias, pais.
- Tratamento e acompanhamento de problemáticas psicológicas diversas.
- Centra-se nos processos de busca de autoconhecimento.
- Orientação vocacional ou de carreira.
- Um ponto que merece destaque refere-se à escuta clínica, qualificada, livre de julgamentos, que precisa estar atrelada e alinhada a uma aliança terapêutica entre o paciente e o psicoterapeuta.
- Segundo Dutra (2004), a etimologia do termo psicologia clínica nos remete à ‘’beira do leito’’, influenciado no modelo médico que enfatiza o tratamento de alguma doença, problema, sofrimento.
- A área da psicologia clínica no Brasil é consolidada de modo que permite a existência de diversas sociedades brasileiras de psicologia clínica, de acordo com abordagem clínica:
- Sociedade Brasileira de Psicologia
- Sociedade Brasileira de Psicanálise
- Federação Brasileira de Terapia Cognitivo-comportamental
- Associação Brasileira de Gestalt Terapia
- Associação Paulista de Abordagem Centrada na Pessoa
- Associação Brasileira de Daseinsanalyse
- Associação Brasileira de Psicólogo e Medicina Comportamental
- A área de psicologia clínica possui ampla possibilidade de atuação.
- Para especializar-se, é sugerido ao estudante de psicologia o estudo de disciplinas voltadas à área clínica, como atendimento clínico e/ou disciplinas teóricas voltadas às abordagens específicas como:
- Terapia comportamental cognitiva.
- Psicanálise.
- Terapia existencial e humanista.
- Essas, muitas vezes, são disciplinas básicas ou eletivas na grade curricular do curso.
- O aluno tem oportunidade de cursar estágios clínicos com as abordagens específicas e, com isso, verificar como é a prática do psicólogo clínico.
- Indivíduos depressivos possuem poucos recursos ou habilidades sociais para lidar satisfatoriamente com situações estressoras e/ou de vulnerabilidade.
- Exemplo prático: paciente de 26 anos, submetida a 42 sessões de psicoterapia na modalidade individual.
- Na avaliação diagnóstica, foram utilizados os critérios do DSM-5 e os inventários de Beck, constatando-se que a paciente se encontrava com um quadro de transtorno depressivo maior.
- e os inventários de Beck
- - Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais, sendo um manual padrão ouro no que tange a realização de diagnósticos para análise de sinais e sintomas dos mais variados transtornos mentais.
- Inventários de Beck - São inventários e/ou escalas que visam analisar sinais e sintomas de ansiedade, depressão, desesperança e suicídio em algum paciente, sendo material de uso exclusivo do psicólogo.
- Manejo e intervenção, segundo a escola da psicoterapia cognitiva: o plano de tratamento envolveu técnicas cognitivo-comportamentais (TCC), como psicoeducação, reestruturação cognitiva e treino de habilidades sociais (THS).
- Resultados: diminuição do humor depressivo e melhora no repertório de habilidades sociais. Tais fatores em conjunto colaboraram para um melhor funcionamento biopsicossocial da paciente e para o aumento da sua autoconfiança, apontando-se o impacto positivo do THS no tratamento de pacientes com depressão na TCC.
- O pesquisador Milgram (1963 Pág. 371-378) desejou estudar a obediência dos seres humanos a autoridades e, para isso, inventou um aparelho que dava choque nos voluntários cuja intensidade ( a volts) poderia ser controlada pelos voluntários.
- Milgram queria entender como os alemães, na época de Hitler, permitiram que os judeus fossem exterminados, durante a Segunda Guerra Mundial.
- O pesquisador faz perguntas ao aluno e, se ele acertar, continua respondendo às perguntas, mas, se errar, é instruído a aplicar um choque no aluno pelo erro. Além disso, deve-se aumentar um nível da voltagem do choque a cada erro subsequente.
- Nesse experimento, por mais que o voluntário da pesquisa não quisesse mais participar frente aos choques administrados, ele não poderia desistir do experimento.
- Milgram concluiu uma das constantes do comportamento social: “As pessoas obedecem à figura de autoridade quando comandadas”.
- Com as descobertas de Milgram, esse experimento não atende aos preceitos do compromisso social e ético do psicólogo, hoje em dia, no contexto clínico. Portanto, para poder ser reproduzido na atualidade, precisaria de vários ajustes e alterações.
Psicologia organizacional
- Abrange a atuação do psicólogo no contexto organizacional de empresas, indústrias, usinas e do mundo corporativo.
- Visa atuar não só nas organizações, mas também a entender processos de trabalho e problemas decorrentes da atividade laboral (Tonetto, 2008;BORGES, 2005).
- Finalidades:
- Gestão de pessoas.
- Estudo da inter-relação do homem com o ambiente laboral.
- Processos de saúde e doença provocados pelo ambiente de trabalho.
- Atuação em contextos corporativos.
- Recursos humanos.
- Alinhamento entre interesses da empresa e os colaboradores.
- Treinamento e desenvolvimento de pessoas.
- Recrutamento e seleção.
- Consultoria organizacional.
- Para o aluno interessado em aprofundar seus conhecimentos na área de psicologia organizacional e do trabalho, é possível que, ainda no período de graduação, ele frequente congressos anuais ou bianuais, realizados pela Sociedade Brasileira de Psicologia Organizacional e do Trabalho.
- O papel do psicólogo nas organizações é amplo em termo de ações, gestão e manejo de pessoas ligadas a processos e organização.
- Existe uma interface muito grande da psicologia com a administração nessa área, o que faz com que muitos psicólogos optem por cursar, inclusive, duas graduações: psicologia e administração.
- Cursos de MBA voltados para a área de gestão de pessoas e recursos humanos em geral também são muito procurados pelos profissionais da psicologia.
- A formação em psicologia agrega um grande diferencial a essa prática.
- O psicólogo estuda, em sua formação teórica, disciplinas voltadas à aprendizagem, personalidade, percepção, emoção, motivação e liderança, áreas essas não estudadas pelo administrador.
- Essa formação agrega um grande diferencial na prática que possibilita o entendimento do funcionamento humano, permitindo maior manejo de conflitos e convivência plena em atividades em equipe.
- Para atuar de uma forma eficaz na prática do mundo do trabalho, também é interessante conhecer a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), que descreve a realidade das profissões do mercado de trabalho brasileiro.
A atuação do psicólogo na área jurídica, social e do esporte
A psicologia é definida como uma das profissões de mais amplo alcance de áreas de atuação. Isso ocorre porque permite que o profissional formado se especialize em diversas áreas, entre elas a psicologia jurídica, a psicologia do esporte e a psicologia social, as quais serão alvo de nossa atenção no presente módulo.
Estudo dos limites e as possibilidades de cada uma delas, além das funções principais e órgão reguladores específicos da profissão e de cada área em específico.
Outro aspecto muito importante da psicologia é que ela é dinâmica e orgânica, o que significa que novas áreas de atuação surgem na profissão, decorrentes de necessidades práticas do dia a dia do ser humano. Um exemplo é a psicologia do esporte. Em 1950, não havia essa modalidade como possibilidade de atuação de um psicólogo.
Psicologia jurídica
- Área relativamente nova no Brasil, tem ganhado cada vez mais espaço e chamado a atenção de psicólogos.
- O psicólogo que atua nessa área trabalha com o sistema de justiça.
- Muitas nomenclaturas são encontradas na literatura:
- Psicologia forense.
- Psicologia judiciária.
- Peritos do juiz.
- Peritos da parte (indicado por advogados) e Psicólogos testemunhas em processos judiciais.
- A psicologia jurídica já foi chamada de psicologia do testemunho e visava verificar, por meio do estudo experimental dos processos psicológicos humanos, a fidedignidade do relato do sujeito envolvido em um processo jurídico.
- Essa fase inicial do século XX foi muito influenciada pelo ideário da época, fruto da corrente filosófica positivista, a qual privilegiava o método científico empregado pelas ciências naturais, enfatizando uma prática profissional voltada para a perícia, o exame criminológico e os laudos psicológicos baseados no psicodiagnóstico.
- O psicólogo do judiciário é aquele que fez concurso público e que trabalha para o sistema judiciário, diariamente. Ele recebe os casos que precisa avaliar, normalmente, a pedido de um juiz.
- A finalidade dessa avaliação é fornecer subsídios ao juiz para que ele possa tomar decisões nas ações por meio da elaboração de laudos.
- Existem duas situações nas quais o psicólogo pode participar de um processo judicial a pedido dos advogados da parte interessada: psicólogo testemunha e psicólogo perito:
- Psicólogo-testemunha: Pode ser qualquer cidadão que tenha presenciado um fato e que, por isso, pode auxiliar na resolução de um caso na justiça.
- Psicólogo perito: O psicólogo na condição de expert, auxilia o juiz fornecendo as bases para a resolução do caso (precisa prestar esclarecimentos à justiça).
- O psicólogo pode ajudar no caso sem expor fatos ou detalhes sigilosos do paciente e, para isso, deve tomar os seguintes cuidados:
- O psicólogo está ali não para expor fatos, mas para tirar conclusões a partir dos fatos.
- Relatar o que seja devido e necessário ao esclarecimento do caso.
- A Associação Brasileira de Psicologia Jurídica (ABPJ) reúne-se anualmente para conduzir eventos científicos, promover encontros e grupos de discussões da área.
- É possível vincular-se à associação como estudante ainda durante a graduação.
- É interessante cursar disciplinas voltadas à área jurídica, como psicologia jurídica e psicologia criminal, por exemplo, as quais, muitas vezes, são disciplinas básicas e obrigatórias na grade curricular do curso.
- Há a oportunidade de verificar como é na prática o trabalho do psicólogo no judiciário a partir de estágios na área.
- Após formado, o psicólogo que tem interesse nessa área também pode buscar cursos de pós-graduação voltados para atuação em psicologia jurídica, os quais oferecem disciplinas teóricas e práticas voltadas exclusivamente a essa prática.
- Tais cursos são voltados à especialização lato sensu e duram entre um e dois anos.
- Cursar uma pós-graduação em psicologia jurídica não é obrigatório para atuação no campo de trabalho, porém é interessante, uma vez que possibilita um grande aprimoramento na área de atuação, melhorando sua prática e o atendimento ao cliente, bem como sanando dúvidas que surgem ao longo da trajetória profissional.
- É possível também que o profissional formado que opte por trabalhar nessa área busque supervisões com profissionais mais experientes.
- Outra possibilidade de atuação do psicólogo jurídico envolve o caminho de busca por uma pós-graduação stricto sensu, tais como mestrado, doutorado ou pós-doutorado na área, voltadas para o aspecto mais acadêmico.
- É possível desenvolver pesquisas jurídicas, buscando lacunas na literatura e construindo novos conhecimentos.
- A psicologia jurídica apresenta ainda uma interface muito grande com o direito, de modo que é interessante que o psicólogo saiba e/ou busque conhecer algumas leis e decretos importantes. Um exemplo importante envolve o conhecimento do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Estatuto do Idoso e Estatuto do Deficiente.
- O futuro profissional interessado na área saiba que precisará trabalhar junto a advogados, juízes e famílias e, para isso, precisa estabelecer com cada um deles uma forma de diálogo que seja compreensível por todos.
Psicologia do esporte
- É uma área emergente, que compreende o estudo de pessoas e seus comportamentos em atividades esportivas e físicas, no contexto do esporte (Weinberg; Gould, 2001).
- Essa matéria não consta na grade curricular da maioria dos cursos de graduação.
- Academia: surgiu no meio acadêmico, no contexto mundial, em 1920, nos Estados Unidos.
- Brasil: somente na década de 1990 (Samullski, 2009) (Vieira et al, 2010).
- Objetivos:
- Analisar rendimentos de atletas.
- Analisar performance de atletas.
- Analisar fatores que atrapalham o rendimento dos atletas.
- Realizar pesquisa científica ligada ao esporte.
- Aconselhar atletas.
- Reabilitar atletas lesionados.
- Promover o exercício para melhorar a saúde.
- Desenvolver teorias para compreender o comportamento motor no esporte.
- Estudar a personalidade de atletas.
- Preparar o psicológico de atletas.
- A área permite uma gama de atividades que vão desde pesquisa até intervenções.
- Em relação ao atendimento clínico, percebe-se empresas de assessoria ou consultoria prestando atendimentos que envolvem reabilitação em casos de lesões e prevenção de danos.
- A área da pesquisa visa, principalmente, analisar as possíveis variáveis que atuam ou influenciam no desempenho, ligadas ao esporte competitivo (Gauvin; Spence, 1995).
- Exemplo: Diante de um atleta que busca o alto rendimento para competir nas Olimpíadas, como seria o trabalho de intervenção de psicólogo?
- Intervenções possíveis:
- Treino de capacidades psíquicas: treino de concentração, autocontrole, automotivação.
- Preparo para enfrentamento de situações de medo, fracasso e ativação de crenças disfuncionais.
- Aconselhamento psicológico.
- Trabalho sobre os pensamentos automáticos disfuncionais e distorções de pensamentos.
- Intervenções possíveis:
- O psicólogo do esporte, apesar de atuar em uma área nova, tem uma ampla possibilidade no mercado.
- Ao longo da graduação, o aluno pode buscar disciplinas voltadas à área do esporte, como psicologia do esporte, e disciplinas voltadas ao entendimento do funcionamento do corpo, como a fisiologia e a neuroanatomia.
- Essas disciplinas geralmente fazem parte das grades básicas e obrigatórias do curso e podem ser complementadas pela realização de estágios na área de psicologia do esporte.
- É possível também que o profissional formado busque cursos de pós-graduação voltados à atuação na psicologia do esporte.
- Outra possibilidade de atuação do psicólogo do esporte envolve o caminho de busca por uma pós- graduação stricto sensu (mestrado, doutorado e pós-doutorado) voltada ao aspecto mais acadêmico, estudando questões relativas ao instrumental humano voltado ao esporte e pesquisando o que pode influenciar o rendimento de um atleta, por exemplo.
Psicologia social
- Surgiu precocemente na psicologia como uma crítica à ênfase excessiva do trabalho do psicólogo no contexto da clínica individual.
- Área que estuda como o ser humano pensa ou pode ser influenciado ao se relacionar às pessoas.
- Faz uma grande inter-relação entre as disciplinas de sociologia, ciências sociais, história, geopolítica e psicologia.
- Principais objetivos de estudos:
- Explicar como o indivíduo se comporta em relação à sociedade ou é modificado por ela.
- Demonstrar a experiência social que o ser humano adquire na interação social com diversos grupos.
- Analisar a convivência em sociedade.
- Identificar as diversas respostas individuais a estímulos sociais.
- Estudar as massas ou multidões.
- Estudar os fenômenos coletivos (racismo, linchamento, homofobia, terrorismo).
- Subdivisões:
- Psicologia sócio-histórica
- Base: teoria desenvolvimental de Vygotsky, que enfatiza o peso do fator social e das relações sociais que o indivíduo desenvolve ao longo da vida para compreensão do sujeito no meio social no qual ele está inserido. Assim, enfatiza-se a dependência social que um ser humano tem com outro ser humano.
- Psicologia social crítica
- Ênfase em apontar que a psicologia não deve resistir ao ambiente clínico, sendo necessário explorar outros ambientes e relações para compreender a história de vida de um sujeito.
- Psicologia sociocognitiva
- Também chamada de psicologia cognitivista social, foi desenvolvida por Albert Bandura. Esse teórico foi importante para a teoria de aprendizagem social e aponta que nossos comportamentos são influenciados por modelos e observação ativa da realidade.
- Teoria das representações sociais
- Subárea antiga da psicologia social que se dedica a estudar a o conhecimento do senso comum como modificador do ser humano. Além disso, visa estudar o papel das transformações sociais decorrente do conhecimento do senso comum.
- Estudos com famílias
- Visa estudar o papel da família como importante fator de identidade e construção social, dialogando com abordagens clínicas da psicologia, tais como a psicanálise.
- Psicologia social, saúde e escola
- Faz uma interface com outras áreas da psicologia, tais como a saúde e a escolar, estudando os papéis e representações sociais dos seres humanos nesses contextos.
- Identidade social, movimentos sociais
- Interesse em estudar as reações intergrupais e de formação de identidade social. Analisa também os diversos movimentos sociais que já existiram no mundo e como podem afetar o sujeito que a vivencia.
- Psicologia social e saúde mental
- Preocupa-se em estudar a interface entre a psicologia social e a saúde mental. Aluno precisa conhecer a história dos manicômios e como eles afetaram a construção social do que se conhece como loucura.
- Psicologia sócio-histórica
- O campo de atuação do psicólogo social é bastante antigo, e o aluno interessado nessa área deve buscar um aprofundamento nas disciplinas voltadas à área social: psicologia social e psicologia grupal, por exemplo, as quais muitas vezes são disciplinas básicas e obrigatórias na grade curricular do curso, além de cursar estágios práticos.
O trabalho multidisciplinar do psicólogo
A psicologia como ciência possibilita uma infinidade de áreas de atuação em conjunto com outros profissionais. O trabalho multidisciplinar do psicólogo, que favorece o trabalho em equipe, e como esse tipo de trabalho possibilita um maior bem-estar ao paciente.
Trabalho multidisciplinar do psicólogo
Quase todas as áreas de atuação da psicologia envolvem o trabalho em equipe multidisciplinar.
- Exemplos:
- Psicólogo clínico: Precisa discutir casos com outros profissionais envolvidos no processo de cuidar do paciente (psiquiatra, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, acompanhante terapêutico, neuropsicólogo, dentre outros).
- Psicólogo hospitalar: Precisar discutir casos com a equipe e falar a mesma linguagem com os profissionais, entre outros.
- Psicólogo judiciário: Precisa saber dialogar com o juiz, advogado, familiar, assistente social, entre outros.
- Psicólogo escolar: Precisa discutir casos com o pedagogo, o diretor, entre outros.
- Psicólogo social: Precisa discutir casos com o assistente social, sociólogo, entre outros.
- Psicólogo do esporte: Precisa discutir casos com o treinador da equipe, médicos envolvidos no tratamento, entre outros.
- Psicólogo organizacional e do trabalho: Precisa discutir casos com o administrador de empresas, com o diretor, com o gestor, com o gerente, com o auxiliar, entre outros.
- A vantagem de se trabalhar em conjunto envolve o fato de o paciente receber o melhor tratamento possível disponível, bem como poder olhar sobre vários ângulos e aplicar no paciente a intervenção com menores impactos e maiores chances de sucesso, otimizando o tratamento.
- Para o bom entendimento de uma equipe multidisciplinar, precisamos compreender e superar o que se chamava de modelo biológico, evoluindo para o modelo de atendimento chamado biopsicossocial.
- Modelo biológico: se fundamenta na medicina e considera o profissional médico como figura central, depositando nas mãos desse profissional a responsabilidade do cuidado.
- Modelo biopsicossocial: aponta que deve haver uma divisão do cuidado por diferentes profissionais, uma vez que o ser humano deve ser visto e tratado como um todo, em seus múltiplos aspectos:
- Biológico.
- Social.
- Espiritual.
- Mental.
- Físico, entre outros.
- Existe também uma diferenciação entre as palavras multidisciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar:
- Multidisciplinar: Trabalho de diferentes profissionais atuando sobre um caso, porém, não necessariamente de forma conjunta e/ou ao mesmo tempo, decidindo condutas conjuntamente.
- Interdisciplinar: Trabalho conjunto de múltiplas especialidades no qual os profissionais decidem conjuntamente qual será a conduta para cada caso em específico.
- Transdisciplinar: Envolve o trabalho de múltiplos profissionais e, além disso, tenta suprir uma lacuna oferecendo um conhecimento mais amplo e mais aberto, pois leva em consideração o desenvolvimento dos conhecimentos da complexidade humana e da cultura.
- Ruídos na comunicação podem prejudicar:
- A comunicação entre a equipe.
- O paciente e sua melhora.
- A adesão do paciente ao tratamento.
- Adesão do familiar ao tratamento.
- Uma conduta interventiva.
- Outro ponto importante a ser destacado refere-se à ênfase excessiva em nossa cultura da valorização do modelo médico-biológico sobre o ato de cuidar:
- Modelo biomédico: considera a doença apenas em seu aspecto biológico. Nessa concepção, saúde seria ausência de doenças, e o psicólogo seria apenas um auxiliar da tarefa médica, ajustando os comportamentos para o tratamento físico.
- Modelo biopsicossocial: considera a saúde como multifatorial, ou seja, ela seria resultado da interação dos processos biológicos, psicológicos e sociais.
- A figura central é de uma equipe multiprofissional com tratamento coletivo/grupal com o objetivo de:
- Promover a saúde e melhorar a qualidade de vida.
- Atuar sobre fatores de risco.
- Centrar-se na comunidade, nas residências, na rede de atenção biopsicossocial.
- A figura central é de uma equipe multiprofissional com tratamento coletivo/grupal com o objetivo de:
- Outro ponto bastante relevante no trabalho multidisciplinar do psicólogo envolve a necessidade de identificar, principalmente, na atuação em saúde, os sinais e sintomas:
- Sinais: Envolvem um aspecto objetivo, observado pelo profissional da saúde.
- Sintomas: Envolvem um aspecto subjetivo, relato do paciente.
- Algumas funções ou campos de trabalho do profissional de saúde em equipe multidisciplinar envolverão:
- Coordenação: Em equipes inter e multidisciplinares.
- Ajuda durante a internação: Readaptação paciente e recuperação.
- Interconsulta: Consultor, ajudando profissionais a lidarem com pacientes.
- Enlace: Intervenção psicoterápica, longa duração.
- Assistencial: Intervenção psicoterápica, emergência/curta duração
- Gestão em recursos humanos: Funções de contratação.
- Intervenções grupais são possíveis e muito utilizadas na prática.
- Grupos terapêuticos: Objetivo/propósito terapêutico, ou seja, são grupos que visam tratar e/ou intervir em sinais e sintomas. Nesse caso, os pacientes são rigorosamente selecionados para participar dos grupos.
- Grupos comunitários: Voltados ao autocuidado da comunidade como um todo, e qualquer pessoa com ou sem doença pode participar, visam à promoção e à prevenção de saúde.
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