Análise da F.E.M. e Operação de Geradores CA e CC

Análise da F.E.M. Induzida em uma Espira

  • O estudo baseia-se na análise de uma espira em rotação dentro de um campo magnético gerado por polos Norte (N) e Sul (S).
  • Componentes da Espira:
    • Lados Ativos (a e a'): São os segmentos da espira que efetivamente cortam as linhas de fluxo magnético para induzir a força eletromotriz.
    • Cabeceira: Parte da espira que conecta os lados ativos, mas não contribui para a indução por não cortar o fluxo.
    • Eixo de Rotação: O centro em torno do qual a espira gira.
  • Indução em função do ângulo (θ\theta):
    • A análise ocorre em diversas posições angulares: 00^\circ, 4545^\circ, 9090^\circ, 135135^\circ, 180180^\circ, 225225^\circ, 270270^\circ, 315315^\circ, 360360^\circ e 405405^\circ.
    • Em 00^\circ, 180180^\circ e 360360^\circ, os condutores se movem paralelamente às linhas de força, resultando em uma F.E.M. nula (00).
    • Em 9090^\circ e 270270^\circ, o corte das linhas de força é máximo, resultando na F.E.M. máxima (positiva ou negativa).
  • Equação Fundamental da F.E.M. Induzida:
    • Relembrando o conceito para um condutor individual:   e=B×L×ve = B \times L \times v
    • Onde:
    • ee: força eletromotriz induzida no condutor em Volts (VV).
    • BB: indução magnética em Tesla (TT).
    • LL: comprimento do condutor em metros (mm).
    • vv: velocidade do movimento em metros por segundo (m/sm/s).
  • Convenção de Polaridade:
    • F.E.M. saindo do lado ativo "a" é considerada positiva.
    • F.E.M. entrando no lado ativo "a" é considerada negativa.
  • Equação para a Espira Completa:
    • Considerando os dois lados ativos e o movimento senoidal:   e=2×B×L×v×sen(θ)e = 2 \times B \times L \times v \times \text{sen}(\theta)
  • Forma de Onda: A F.E.M. induzida em uma espira simples é senoidal pura, alternando a polaridade a cada meio ciclo (corrente alternada).

Gerador CA - Elementar

  • No gerador de Corrente Alternada (CA), a energia é coletada através de um sistema de contatos deslizantes.
  • Anéis Coletores: São dois anéis de metal soldados a cada lado ativo da espira (a e a').
  • Escovas: Cada anel desliza sob uma escova que interliga o gerador à carga externa (RR).
  • Regra de Fleming (Mão Direita):
    • Utilizada para determinar o sentido da corrente induzida.
    • No início, a F.E.M. sai pelo lado ativo "a" e entra pelo "a'".
    • Após um giro de 180180^\circ, as posições se invertem: a F.E.M. passa a sair pelo lado "a'" e entrar pelo "a".
  • Resultado: A corrente que circula na carga muda de direção periodicamente, produzindo uma onda senoidal.

Gerador CC - Elementar e o Comutador

  • Para obter Corrente Contínua (CC), substitui-se os anéis coletores por um comutador (ou coletor de lâminas).
  • Função do Comutador no Gerador CC:
    • Diferente do motor CC, aqui o comutador (junto às escovas) coleta a energia produzida no enrolamento do induzido.
    • Realiza a comutação: converte a corrente alternada que circula internamente nos fios da espira em corrente contínua para o circuito externo.
    • É considerado uma das partes mais delicadas da máquina, sujeita a diversos defeitos.
  • Forma de Onda de Saída:
    • A corrente na carga não é perfeitamente constante, mas sim pulsante (retificada em onda completa).
    • A corrente sempre circula no mesmo sentido na carga, pois as escovas trocam de lâmina exatamente quando a polaridade da espira se inverte.

Melhoria da Forma de Onda no Gerador CC

  • Um comutador de apenas duas lâminas gera uma tensão pulsante com grandes variações (ripple).
  • Solução Prática: Utilizar mais bobinas (espiras) e mais lâminas no comutador.
  • Processo de Comutação:
    • Posição 1: As escovas tocam a espira cujos condutores estão se movendo perpendicularmente ao campo (F.E.M. máxima).
    • Posição 2: À medida que o induzido gira, a F.E.M. dessa espira começa a decrescer.
    • Posição 3: Ocorre a comutação; as escovas deixam de tocar a primeira espira e passam a tocar a próxima, onde a F.E.M. já é média e está crescendo (entrando sob os polos).
    • Conclusão: Como as escovas tocam sempre nos condutores que estão passando sob os polos magnéticos, a tensão de saída nunca cai a zero. Ela oscila levemente entre um valor médio (YY) e o valor máximo, resultando em uma CC muito mais estável.
  • Posicionamento das Escovas:
    • Na prática, o suporte das escovas é ajustado com auxílio de um voltímetro.
    • Procura-se a posição de maior tensão entre as escovas, que coincide com o ponto de menor faiscamento.

Equações e Circuito Elétrico do Gerador CC

  • Equação da F.E.M. Induzida (EaE_a):Ea=ϕ×N×KE_a = ϕ \times N \times K
    • Onde:
    • ϕϕ: fluxo produzido pelo polo da máquina em Weber (WbWb).
    • NN: velocidade da máquina em rotações por minuto (rpmrpm).
    • KK: constante baseada nas características físicas (número de polos e condutores por via interna).
  • Controle da Tensão:
    1. Alteração do fluxo dos polos: Processo universalmente utilizado (ajuste da corrente de campo).
    2. Alteração da rotação da máquina primária: Procedimento raramente utilizado.
  • Circuito Elétrico Equivalente:
    • Aplicando a 2ª Lei de Kirchhoff:   Vt=Ea(Ia×Ra)V_t = E_a - (I_a \times R_a)
    • Onde:
    • VtV_t: tensão de saída do gerador (tensão terminal).
    • EaE_a: F.E.M. induzida nos condutores da armadura.
    • RaR_a: resistência dos condutores da armadura.
    • IaI_a: corrente de armadura.

Rendimento, Potência e Perdas

  • Rendimento: A energia de saída é sempre menor que a de entrada devido às perdas internas por calor. O rendimento é sempre inferior a 100%100\%.
  • Potência da Máquina Primária: Deve ser cerca de 20%20\% a 30%30\% superior à potência nominal do gerador.
    • Exemplo: Um gerador de 5kW5\,kW requer uma máquina primária de pelo menos 6,25kW6,25\,kW (25%25\% a mais), equivalente a 8,5CV8,5\,CV.
    • Relação de conversão: 1CV=0,736kW1\,CV = 0,736\,kW.
  • Tipos de Perdas em Máquinas CC:
    • Perdas Mecânicas: Atrito nos mancais, atrito escovas-comutador e movimentação da ventoinha (que também remove o calor interno para proteger a isolação).
    • Perdas no Cobre: Efeito Joule (aquecimento) nos enrolamentos do induzido, comutador, escovas e circuito de campo.
    • Perdas no Ferro: Correntes parasitas (correntes de Foucault) e histerese magnética no núcleo do induzido.

Formas de Excitação de Geradores CC

  • Excitação é a criação do campo magnético indutor.
  • Meios de Excitação:
    • Ímãs Permanentes: Apenas para pequenos geradores (magnetos).
    • Eletroímãs: Bobinas enroladas nas sapatas polares alimentadas por corrente contínua (bobinas de campo).
  • Classificação quanto ao fornecimento de corrente de campo:
    1. Gerador de Excitação Separada ou Independente:
    • Possui uma fonte CC externa (bateria ou fonte retificada).
    • Rf (Reostato de campo): Controla a corrente de campo e, portanto, a tensão de saída.
    • MP (Máquina Primária): Fornece energia mecânica e controla a velocidade.
    1. Gerador Autoexcitado:
    • As bobinas de campo são alimentadas por uma parte da própria corrente gerada no induzido.

O Processo de Autoexcitação (Escorvamento)

  • Para que um gerador se autoexcite, é necessário o Magnetismo Residual (ou Remanescente) nos polos.
  • Ciclo de Escorvamento:
    1. O magnetismo residual gera uma pequena F.E.M. inicial (EaE_a baixa).
    2. Essa F.E.M. gera uma pequena corrente de campo (IfI_f).
    3. A corrente de campo aumenta o fluxo magnético (ϕϕ).
    4. O aumento do fluxo aumenta a tensão de saída (Ea=ϕ×N×KE_a = ϕ \times N \times K).
    5. O processo se repete sucessivamente até atingir a tensão nominal. Quando estabiliza, diz-se que o gerador escorvou.
  • Causas que impedem o escorvamento:
    • Ligação invertida das bobinas de campo (o campo gerado cancela o residual).
    • Magnetismo residual muito fraco (requer reimantação com fonte externa).
    • Reostato de campo com resistência excessivamente alta.