Teoria da Mente ao Longo do Desenvolvimento Normativo

Teoria da Mente: Definição e Avaliação ao Longo do Desenvolvimento

  • A Teoria da Mente (ToM) é um marco do desenvolvimento sócio-cognitivo que surge na idade pré-escolar, definido como a capacidade de:
    • Compreender e atribuir estados mentais (desejos, cognições, crenças, emoções) a si e aos outros.
    • Prever e interpretar o comportamento dos outros (Apperly, 2012; Astington & Barriault, 2001; Wellman, 1990).
  • O artigo visa responder como a ToM se caracteriza no desenvolvimento normativo ao longo da vida e como é avaliada, revisando:
    • O desenvolvimento da ToM na idade escolar, adolescência e idade adulta.
    • As principais metodologias de avaliação.
  • Palavras-chave: Teoria da mente, Idade escolar, Adolescência, Idade adulta, Avaliação.

Introdução à Teoria da Mente

  • A designação “Teoria da Mente” refere-se a um marco crucial no desenvolvimento sócio-cognitivo normativo, emergindo na idade pré-escolar.
  • Define-se como a capacidade de compreender e atribuir estados mentais (desejos, cognições, crenças e emoções) a si e aos outros.
  • Essa capacidade permite prever e interpretar o comportamento alheio (Apperly, 2012; Astington & Barriault, 2001; Wellman, 1990).
  • A origem do construto remonta a um estudo de Premark e Woodruff (1978) com chimpanzés, sendo amplamente estudado na Psicologia do Desenvolvimento.
  • A ToM tem despertado interesse em áreas como Psicopatologia e Neurociências.
  • Desde o estudo de Wimmer e Perner (1983), a compreensão da crença falsa é o indicador principal da ToM em idade pré-escolar.

Avaliação da Crença Falsa

  • A avaliação da crença falsa expõe a criança a uma situação onde precisa prever o comportamento de uma personagem com uma crença que não corresponde à realidade.
  • Para prever corretamente, a criança deve:
    • Pensar sobre os estados mentais como representações (metarepresentar) (Perner, 1995).
    • Descentrar-se da sua perspetiva e responder de acordo com a crença da personagem.
  • Exemplos de tarefas:
    • Tarefa da Transferência Inesperada (Wimmer & Perner, 1983).
    • Tarefa do Conteúdo Inesperado (Hogrefe, Wimmer, & Perner, 1986).
  • Crianças entre 3 e 5 anos geralmente começam a ter sucesso nessas tarefas, demonstrando compreensão das crenças como representações da realidade que podem ser falsas (Wellman, Cross, & Watson, 2001).
  • A tarefa de crença falsa é considerada o teste essencial da capacidade de metarepresentar, desenvolvida por volta dos 4 anos, quando as crianças conseguem distinguir entre suas representações e o conteúdo destas (Doherty, 2009).
  • Antes dos 4 anos, as crianças podem não ser capazes de compreender as representações mentais como construções subjetivas, o que explica o insucesso nas tarefas.

Desenvolvimento Gradual da Teoria da Mente

  • Embora a crença falsa seja um marco importante, alguns estudos mostram que a compreensão de estados mentais mais simples a precede (Bretherton & Beeghly, 1982; Peterson & Slaughter, 2006).
  • O desenvolvimento da compreensão de diferentes estados mentais por crianças é gradual, acompanhando a capacidade de metarepresentação e culminando na compreensão da crença falsa.
  • Referências a estados mentais no discurso infantil, como desejos, antecedem referências a cognições (Bretherton & Beeghly, 1982; Peterson & Slaughter, 2006; Tardiff & Wellman, 2000).
  • Segundo Wellman e Wooley (1990), a compreensão do comportamento começa com desejos e necessidades, e evolui para a compreensão de que as crenças alheias podem ser diferentes e influenciar o comportamento.
  • A compreensão dos desejos antecede a compreensão das crenças.

Escala de Avaliação de Wellman e Liu (2004)

  • Wellman e Liu (2004) desenvolveram uma escala de avaliação da ToM segundo uma sequência desenvolvimental:
    • Desejos diversos: Pessoas podem ter desejos diferentes pelo mesmo objeto.
    • Crenças diversas: Pessoas podem ter crenças distintas sobre a realidade, agindo conforme estas.
    • Acesso ao conhecimento: Uma pessoa pode não ter conhecimento de um facto verdadeiro.
    • Crença falsa: Pessoas podem ter crenças distintas sobre a realidade, que podem ser falsas.
    • Crença-emoção: Compreensão de como alguém se sentirá, dada sua crença falsa.
    • Emoção real-aparente: Uma pessoa pode sentir uma emoção, mas demonstrar outra diferente.
  • Wellman e colegas validaram e expandiram essa sequência em estudos longitudinais com crianças de desenvolvimento típico e com perturbações (Peterson, Wellman, & Slaughter, 2012; Wellman, Fang, & Peterson, 2011).
  • Na idade pré-escolar, a ToM está fortemente ligada ao construto da crença falsa, usado como principal referência na avaliação.
  • A partir da idade escolar, adolescência e idade adulta, a ToM torna-se mais complexa, desdobrando-se em várias competências relacionadas, resultando em diversos termos e metodologias de avaliação.
  • O artigo apresenta uma revisão teórica da ToM na idade escolar, adolescência e idade adulta, e uma sistematização das metodologias de avaliação.

Teoria da Mente na Idade Escolar

  • A compreensão da crença falsa marca a compreensão dos conceitos mentais básicos para a ToM, mas o desenvolvimento continua.
  • Na idade escolar, a ToM torna-se mais complexa (Perner & Wimmer, 1985).
  • Entre 7 e 8 anos, as crianças começam a representar e raciocinar sobre crenças de segunda ordem, entendendo que as pessoas podem ter crenças sobre outras crenças.
  • Alguns autores, com metodologias mais simples, observaram sucesso em tarefas de ToM de segunda ordem já aos 5 ou 6 anos (Sullivan, Zaitchik, & Tager-Flusberg, 1994).
  • A avaliação na idade escolar envolve tarefas de ToM de ordens superiores, como segunda, terceira ou quarta ordem (e.g., Liddle & Nettle, 2006; Perner & Wimmer, 1985).

Avaliação da Teoria da Mente de Segunda Ordem

  • Para avaliar a ToM de segunda ordem, Perner e Wimmer (1985) desenvolveram a História do Gelado, seguida por histórias semelhantes como a História do Aniversário e a História do Casaco.
  • As histórias descrevem situações em que uma personagem muda seu comportamento ou planos sem que outra personagem saiba.
  • A criança responde a questões que exigem a atribuição de estados mentais às personagens, como antecipar a crença de uma personagem em relação ao comportamento ou crença de outra.
  • Questões de controlo, memória e realidade são incluídas para garantir a compreensão e a recordação dos elementos essenciais da história.

Avaliação da Teoria da Mente de Ordens Superiores

  • Liddle e Nettle (2006) avaliaram a ToM em cinco níveis, partindo de questões simples sobre desejos e crenças até a ToM de terceira e quarta ordem.
  • Essas ordens superiores envolvem a inferência de estados mentais sobre estados mentais, aumentando em complexidade.
  • Uma ToM de terceira ordem envolveria pensar sobre o que uma personagem pensaria sobre o pensamento de outra, antecipando o desejo de uma terceira.
  • Crianças de 10 a 11 anos demonstraram mais sucesso em tarefas de primeira e segunda ordem.
  • Tarefas de ordens superiores mostraram-se mais difíceis, com desempenho próximo ao acaso nas de terceira ordem e ao nível do acaso nas de quarta ordem.

Desenvolvimento das Competências da Teoria da Mente

  • Schwanenflugel, Henderson e Fabricius (1998) avaliaram o desenvolvimento da ToM através da análise das alterações na organização dos verbos cognitivos e sua extensão a diferentes contextos.
  • Entre 8 e 12 anos, as crianças utilizam mais verbos relacionados a processos mentais e estendem seu uso a diferentes cenários, sugerindo um desenvolvimento progressivo da ToM após a idade pré-escolar e a compreensão da crença falsa.
  • Além da crença falsa, outros estudos com crianças em idade escolar usaram tarefas como a Tarefa das Histórias Estranhas e o Teste Faux Pas.

Tarefa das Histórias Estranhas

  • A Tarefa das Histórias Estranhas (Happé, 1994) foi desenvolvida em um estudo com amostra clínica e crianças de desenvolvimento típico entre 6 e 9 anos, além de adultos.
  • A tarefa apresenta 24 histórias de situações cotidianas onde as pessoas dizem algo que não queriam dizer.
  • Após cada história, as crianças respondem a questões de compreensão e justificação para avaliar a capacidade de inferir pensamentos, sentimentos ou intenções das personagens.
  • A tarefa inclui histórias de controlo que não exigem a atribuição de estados mentais.

Teste Faux Pas

  • O Teste Faux Pas (Baron-Cohen et al., 1999) avalia a ToM em crianças de 7 a 11 anos, com 10 histórias com faux pas e 10 histórias de controlo.
  • As histórias com faux pas apresentam situações sociais onde alguém diz algo inadequado, como criticar um desenho na presença do autor.
  • As crianças respondem a questões para garantir a compreensão da história e a capacidade de identificar o faux pas e perceber que este se deve a crenças falsas das personagens.
  • Adaptações do teste têm sido usadas em estudos recentes (Banerjee, 2000; Banerjee, Watling, & Caputi, 2011; Filippova & Astington, 2008).
  • Os resultados sustentam empiricamente a progressão desenvolvimental da ToM para além da idade pré-escolar, com diferenças de desempenho nas tarefas de avaliação na idade escolar.

Teoria da Mente na Adolescência

  • Na adolescência, surgem sinónimos para o construto de ToM, como compreensão social, competências de leitura da mente (mindreading skills) e mentalização.
  • Além da diversidade de termos, a avaliação da ToM nesta faixa etária varia nas metodologias.
  • Tarefas específicas para adolescentes, como a História de Kenny/Mark/Tom e a História de Nancy/Margie/A Rapariga Nova, foram desenvolvidas (Bosacki, 2000; Bosacki & Astington, 1999).
  • Alguns autores adaptaram tarefas originalmente desenvolvidas para amostras clínicas de adolescentes e adultos com perturbações do espetro do autismo e lesões cerebrais.
  • Exemplos dessas tarefas são o Child Eyes Test, a Imposing Memory Task, o Awkward Moments Test e o Story Comprehension Test.
  • As tarefas procuram avaliar a sofisticação das competências de ToM, como a compreensão e atribuição de intenções, crenças e emoções em situações sociais complexas.

Child Eyes Test

  • O Child Eyes Test (Baron-Cohen et al., 2001) apresenta 28 fotografias da região dos olhos, e os participantes devem selecionar a palavra que melhor descreve o que a pessoa da fotografia está a pensar ou sentir.
  • Esta versão é uma adaptação do Reading the Mind in the Eyes, e inclui um menor número de itens.
  • Na Imposing Memory Task, são apresentados cinco cenários sociais no formato de histórias, seguidos por questões relativas à memória e competências de ToM de 1ª a 5ª ordem.
  • O Awkward Moments Test e as tarefas de Bosacki e Astington consistem na apresentação de situações sociais embaraçosas em vídeo e cenários sociais através de histórias, respetivamente.
  • Tal como nas tarefas anteriores, são colocadas questões aos indivíduos, que apelam à interpretação dessas situações e atribuição de estados mentais, e à explicação dessas interpretações.
  • A Imposing Memory Task e o Awkward Moments Test têm sido utilizados com amostras normativas de adolescentes (Cavojová, Belovicová, & Sirota, 2011).
  • O Story Comprehension Test envolve a apresentação de 12 histórias que representam situações sociais, perante as quais os participantes devem explicar o comportamento e/ou discurso de uma personagem.
  • A interpretação das histórias implica a compreensão de sarcasmo, ironia, mal-entendido, mentira, ameaça e desafio.
  • Esta tarefa tem sido utilizada com amostras normativas de adolescentes (Vetter, Leipold, Kliegel, Phillips, & Altgassen, 2012).
  • Apesar das diferenças entre as várias tarefas, todas avaliam a compreensão que os indivíduos têm de estados mentais e a interpretação de cenários sociais.

Avaliação da Teoria da Mente na Adolescência

  • A avaliação da ToM, no período da adolescência, parece estar mais ancorada na maior (ou menor) elaboração nas interpretações, atribuições e respostas dos indivíduos.
  • A avaliação reflete uma maior (ou menor) sofisticação das competências de ToM ou de mentalização.
  • Nesta fase do desenvolvimento, surgem mais frequentemente outros construtos relacionados com o de ToM.
  • Existe uma maior variedade de instrumentos, utilizando formatos diferentes dos que caracterizaram os estudos realizados em faixas etárias prévias.
  • É dada uma maior ênfase à capacidade de elaboração das respostas dadas pelos participantes a hipotéticos cenários sociais que envolvem a compreensão da mente de outros.
  • Parece haver uma progressiva expansão do construto de ToM, de um maior foco na compreensão da crença falsa, em idade pré-escolar, passando por um aumento gradual de complexidade, envolvendo um raciocínio de ordens superiores durante a idade escolar, para um raciocínio cada vez mais aplicado a situações sociais concretas, na adolescência.

Teoria da Mente na Idade Adulta

  • Existe um conhecimento acumulado sobre a aquisição e desenvolvimento de habilidades de ToM em crianças, mas há uma compreensão reduzida acerca desta competência em populações normativas de idade adulta.
  • A ToM na idade adulta tem sido estudada fundamentalmente em amostras clínicas, em termos dos seus défices.
  • Nos últimos anos, o interesse pelo estudo desta competência na idade adulta tem vindo a aumentar.
  • A literatura referente ao estudo da ToM na idade adulta é marcada:
    • Por uma multiplicação de paradigmas usados na avaliação desta competência.
    • Por uma série de construtos apresentados como sinónimos ou como estando relacionados com a mesma.
  • Assiste-se a uma mudança nas questões de investigação colocadas, não se tratando já de avaliar se um indivíduo tem ou não uma teoria da mente, mas antes de estudar que processos estão envolvidos na utilização desta competência (Apperly, 2011).

Evolução das Competências da Teoria da Mente na Idade Adulta

  • Espera-se um refinamento contínuo na capacidade da atribuição de estados mentais ao longo da vida adulta.
  • Isto acontece devido ao papel fundamental da experiência subjetiva e da recordação das interações sociais.
  • A literatura sugere que a ToM continua a desenvolver-se gradualmente ao longo da vida adulta (Bernstein, Atance, Loftus, & Meltzoff, 2004; Birch & Bloom, 2007; Carpendale & Chandler, 1996; Maylor, Moulson, Muncer, & Taylor, 2002; Slessor, Phillips, & Bull, 2007; Wellman et al., 2001).
  • A avaliação da ToM na idade adulta coloca desafios aos investigadores, exigindo paradigmas metodológicos específicos.
  • Além das tarefas de crença falsa, como a Sally-Anne Task, utilizam-se outros instrumentos cuja origem nos remete para amostras clínicas.
  • Os últimos, posteriormente adotados na avaliação em amostras normativas, compreendem exemplos como sejam a Tarefa das Histórias Estranhas (Strange Stories Task, Happé, 1994) e o Teste da Leitura de Mentes nos Olhos (Reading the Mind in the Eyes Test, Baron-Cohen, Joliffe, Mortimore, & Robertson, 1997).

Instrumentos Utilizados na Avaliação da Teoria da Mente em Adultos

  • A Tarefa das Histórias Estranhas (Happé, 1994) envolve 24 pequenas histórias de situações quotidianas:
    • 8 que implicam inferências acerca de pensamentos, sentimentos ou intenções das personagens.
    • 16 histórias de controlo.
  • Outros estudos têm usado esta tarefa com adultos, apresentando variações ao nível do tipo e número de histórias utilizadas (e.g., Sullivan & Ruffman, 2004), bem como das medidas consideradas, nomeadamente o registo dos tempos de resposta dos participantes (e.g., Maylor, Moulson, Muncer, & Taylor, 2002).
  • No Teste da Leitura de Mentes nos Olhos (Baron-Cohen, O’Riordan, Stone, Jones, & Plaisted, 1997; Baron-Cohen, Wheelwright, Hill, Raste, & Plumb, 2001), o participante observa um conjunto de 36 fotografias exclusivamente da região ocular e seleciona, entre uma série de quatro opções, a emoção expressa pelo olhar.
  • Este teste tem sido igualmente utilizado em amostras normativas de adultos (e.g., Declerck & Bogaert, 2008; Ferguson & Austin, 2010; Sylwester, Lyons, Buchanan, Nettle, & Roberts, 2012).
  • A Tarefa de Cartoons (Happé et al., 1999) envolve seis cartoons ilustrativos de situações que requerem a descrição puramente física e/ou comportamental de um acontecimento e seis cartoons que implicam a inferência de estados mentais e de crenças falsas das personagens das vinhetas.
  • Na Tarefa das Piadas Visuais (Corcoran et al., 1997), semelhante à Tarefa dos Cartoons, a atribuição de humor ao conjunto de piadas visuais requer a atribuição de crenças falsas, ignorância e engano das personagens.
  • Por fim, destaca-se o Teste Faux Pas, desenvolvido para avaliar a teoria da mente em amostras clínicas e normativas de crianças (Baron-Cohen et al., 1999) e adaptado para a idade adulta por Stone, Baron-Cohen e Knight (1998).

Sofisticação vs. Deterioração da Teoria da Mente na Idade Adulta

  • Uma questão importante é se a ToM se torna mais sofisticada ou deteriora com o aumento da idade.
  • Os resultados são inconsistentes e contraditórios.
  • Há evidências de estabilidade ou melhor desempenho ao longo da vida, mas também de declínio com o avançar da idade.
  • O declínio é mais notável em situações onde é necessário inibir a própria experiência para inferir estados mentais de outros (e.g., Apperly, Riggs, Simpson, Chiavarino, & Samson, 2006; Keysar, Lin, & Barr, 2003; Slessor et al., 2007).
  • A definição da ToM na idade adulta está cada vez mais distante da definição original de Premack e Woodruff (1978).
  • A questão parece estar mais relacionada com avaliar de que forma os indivíduos utilizam ou não esta competência em situações do dia-a-dia, nas quais seria esperado que o fizessem (Keysar et al., 2003).
  • Em relação à metodologia utilizada nesta avaliação, existe uma multiplicidade de tarefas, que se focam em aspetos distintos, mas que parecem aceder à mesma competência.

Mentalização e Parentalidade: Teoria da Mente na Idade Adulta?

  • Em 2008, Sharp e Fonagy fizeram uma revisão teórica acerca dos vários conceitos existentes na literatura que se referem à capacidade de mentalização num grupo particular de adultos (pais e mães).
  • Há três construtos que parecem ter pontos de contacto entre si e com o que se designa por teoria da mente: parental reflective function, parental mind-mindedness e parental meta-emotion.
  • O conceito de parental reflective function surge para explicar a transmissão intergeracional dos padrões de vinculação.
  • Fonagy e colaboradores (1991) verificaram que as capacidades de mentalização dos pais eram preditoras da segurança de vinculação dos seus filhos.
  • A definição do construto tem pontos de contacto com a definição de teoria da mente.
  • Para avaliação deste construto, Fonagy, Target, Steele e Steele (1998) desenvolveram uma escala que constituiria um índice individual indicador da capacidade parental para refletir sobre os estados mentais e intenções dos seus próprios pais em situações passadas, relevantes do ponto de vista da vinculação.
  • Mais recentemente foi desenvolvido um segundo índice, desta vez direcionado especificamente para a relação mãe/pai- criança, através do qual se avalia as representações que os pais têm de si enquanto pais e do seu relacionamento com os seus filhos (Slade, 2005).
  • Com base numa perspetiva cognitivo-desenvolvimental, Meins (1997) introduz o conceito que denominou de mind-mindedness.
  • Este refere-se à tendência dos pais para entenderem e interagirem com a criança enquanto um indivíduo com uma mente própria (Meins, Fernyhough, Russell, & Clark-Carter, 1998).
  • A mind-mindedness pode ser avaliada através de uma curta entrevista em que se pede à mãe ou pai para descrever o seu filho.

Parental Meta-Emotion

  • No contexto da psicologia familiar, Gottman, Katz e Hooven (1996) introduziram o construto de parental meta-emotion.
  • Enquanto o reflective function e a mind-mindedness estão mais situados no domínio sócio-cognitivo, o conceito de meta-emotion veio acrescentar e enfatizar a dimensão emocional à análise do discurso parental.
  • Este refere-se a um conjunto de sentimentos e pensamentos sobre as emoções da mãe/do pai e sobre as emoções dos seus filhos, tendo implicações importantes sobre a capacidade de regulação emocional das crianças (Sharp & Fonagy, 2008).

Conclusão

  • O artigo centrou-se na definição e avaliação da ToM ao longo do desenvolvimento normativo, desde a idade escolar até à idade adulta.
  • Em idade escolar, a definição de ToM avança para níveis superiores de compreensão da mente.
  • As tarefas de avaliação consistem na apresentação de histórias, com personagens e questões dirigidas à inferência de estados mentais.
  • Na adolescência, surgem uma variedade de construtos que parecem referir-se à mesma competência.
  • Na literatura referente à ToM em idade adulta surgem vários construtos relacionados com a ToM, bem como paradigmas usados na sua avaliação.
  • De uma maneira geral, a avaliação das habilidades de ToM na idade adulta envolve medidas de avaliação cujo grau de complexificação continua a aumentar.