tp3

Universidade do Algarve - Faculdade de Medicina e Ciências Biomédicas

Introdução

  • Professor: Carlos Matos

  • Disciplina: Farmacologia Molecular

  • Data da Aula: Quarta-feira, 11/02/2026

  • Matéria: Farmacocinética e ciclo geral do medicamento

Sumário da Aula TP3

  • Farmacocinética e ciclo geral do medicamento

  • Permeação de membranas biológicas

  • Absorção

  • Biodisponibilidade e bioequivalência

  • Vias de administração

  • Distribuição

  • Fatores que afetam a distribuição

  • Ligação às proteínas plasmáticas

  • Ligação aos tecidos

  • Permeabilidade dos vasos

  • Transportadores membranares

  • Acumulação e redistribuição

  • Placenta e medicamentos na gravidez

  • Metabolização

  • Principais órgãos metabólicos e efeito de primeira passagem

  • Reações de fase I e fase II

  • Enzimas envolvidas

  • Metabolização e efeitos tóxicos dos fármacos

  • Pro-fármacos

  • Indução e inibição enzimática

  • Variabilidade interindividual e farmacogenómica

  • Excreção

  • Excreção renal

  • Excreção biliar e fecal

  • Excreção por outras vias

  • Farmacocinética clínica e parâmetros farmacocinéticos

  • Administrações repetidas

Farmacocinética

  • Definição: Estudo do movimento dos fármacos no organismo, abrangendo absorção, distribuição, metabolização e excreção (ADME).

  • Fases do ciclo do medicamento:
      - Absorção: Como o fármaco entra no organismo.
      - Distribuição: Como o fármaco se distribui pelo corpo.
      - Metabolização: Como o fármaco é quebrado pelo organismo.
      - Excreção: Como o fármaco é eliminado do organismo.

  • Inter-relação entre farmacocinética e farmacodinâmica: A primeira lida com a concentração do fármaco no plasma, enquanto a segunda refere-se aos efeitos que a concentração do fármaco exerce sobre o organismo.

Definições Importantes

  • Biodisponibilidade (F): Fração do fármaco administrado que atinge a circulação sistêmica.

  • Efeito de primeira passagem: Metabolização do fármaco pelo fígado antes de alcançar a circulação sistêmica, frequentemente resultando na diminuição da biodisponibilidade.

  • Coeficiente de variação: Relação entre o desvio padrão e a média, multiplicada por 100%. Um número elevado indica alta variabilidade interindividual.

  • Área sob a curva (AUC): Medida da exposição do organismo ao fármaco, representando a quantidade total do fármaco em circulação por unidade de tempo.

  • Polimorfismo: Presença de dois ou mais alelos no mesmo locus gênico, com frequência mínima de 1% na população.

Fases da Farmacocinética

1. Absorção
  • Movimento do fármaco desde o local de administração até a corrente sanguínea.

  • Formas de permeação:
      - Difusão passiva: Movimento do fármaco através das membranas sem gasto de energia, baseado no gradiente de concentração.
      - Transporte ativo: Movimento do fármaco contra o gradiente de concentração, requerendo energia (ATP).
      - Transporte facilitado: Uso de transportadores para mover fármacos através das membranas.

2. Distribuição
  • Movimento do fármaco desde a corrente sanguínea até os tecidos do organismo.

  • Fatores que afetam a distribuição:
      - Propriedades do fármaco: peso molecular, solubilidade em lipídios, grau de ionização.
      - Fluxo sanguíneo: quantidade de sangue que chega aos tecidos.
      - Concentração do fármaco no plasma.

  • Ligação a proteínas plasmáticas: Fármacos podem se ligar a proteínas como a albumina, afetando sua atividade e distribuição. A fração livre do fármaco é a que exerce efeito terapêutico.

3. Metabolização (Biotransformação)
  • Definição: Transformações bioquímicas que tornam os fármacos mais hidrossolúveis, facilitando sua excreção (geralmente renal).

  • Fases:
      - Fase I: Reações de oxidação, redução, hidrólise (por exemplo, pelo citocromo P450).
      - Fase II: Conjugação com substâncias endógenas, aumentando a solubilidade em água.

  • Metabolização e toxicidade: Alguns fármacos geram metabolitos tóxicos que podem causar efeitos adversos.

  • Pro-fármacos: Fármacos que são administrados em uma forma inativa e se tornam ativos após metabolismo.

4. Excreção
  • Eliminação dos fármacos ou seus metabolitos do organismo.

  • Vias de excreção:
      - Renal: Filtragem no rim, secreção tubular e reabsorção.
      - Biliar/fecal: Eliminação através da bile e fezes.
      - Outras vias: Pulmonar (exalação), transcutânea (sudorese), láctea (leite materno).

Farmacocinética Clínica

  • Parâmetros farmacocinéticos:
      - Biodisponibilidade: Medida de quanto do fármaco é absorvido e disponível em circulação.
      - Volume de distribuição: Volume aparente no qual um fármaco parece se distribuir no organismo.
      - Clearance: Taxa na qual o fármaco é eliminado do corpo.
      - Tempo de meia-vida: Tempo necessário para que a concentração plasmática do fármaco caia pela metade.

  • Administrações Repetidas:
      - Ao administrar fármacos repetidamente, ocorre acumulação, onde a entrada do fármaco pode superar a eliminação, levando a um estado de equilíbrio no qual a quantidade do fármaco no corpo é constante ao longo do tempo.

Considerações Finais

  • É fundamental compreender a farmacocinética para otimizar a eficácia e minimizar os efeitos adversos dos fármacos.

  • Considerar variáveis individuais e genéticas que podem afetar a resposta a medicamentos e a farmacocinética é crucial para a prescrição e terapia medicamentosas.

  • A farmacogenômica estuda essas diferenças individuais e pode melhorar a personalização da terapia farmacológica.

Conclusão

  • O domínio da farmacocinética é essencial para profissionais de saúde, pesquisa farmacológica e práticas clínicas eficazes, garantindo o uso seguro e eficaz de medicamentos em diversos pacientes e condições clínicas.