01 PNA Princípios Básicos

Reynolds Number

O Reynolds Number é dado pela fórmula: Re=ρvLμRe = \frac{\rho v L}{\mu}, onde:

  • ρ\rho é a massa específica.

  • vv é a velocidade.

  • LL é o comprimento.

  • μ\mu é a viscosidade.

Massa Específica

Massa específica é definida como massa por volume. Se um corpo tem uma massa específica menor que a da água, ele flutua; se for maior, ele afunda.

Viscosidade

Viscosidade é a propriedade física que caracteriza a resistência de um fluido ao escoamento, dependente da temperatura. É a resistência que o fluido oferece à deformação por cisalhamento (atrito interno nos fluidos devido a interações intermoleculares).

A viscosidade é comumente compreendida como a 'grossura' ou a resistência ao despejamento. Um óleo mais viscoso resiste mais ao fluxo do que um óleo menos viscoso. Quando uma embarcação se move no mar, ela realiza o cisalhamento das camadas de água ao redor do casco, criando resistência.

Para modelagem matemática, cientistas frequentemente usam o conceito de fluido ideal, que não possui viscosidade, embora não exista na natureza. A viscosidade pode ser expressa como viscosidade dinâmica (μ\mu) ou viscosidade cinemática (ν\nu), sendo a relação entre elas: ν=μρ\nu = \frac{\mu}{\rho}.

Camada Limite

A camada limite é a lâmina de fluido adjacente à superfície de um corpo sólido imerso em um escoamento, que é desacelerada devido ao cisalhamento existente no fluido. A velocidade das camadas aumenta com o afastamento da superfície, até atingir a velocidade do escoamento não perturbado. A região onde a velocidade do escoamento é afetada pela superfície é chamada de camada limite.

Inicialmente, a camada limite apresenta um padrão laminar, mas conforme o fluxo se move para a parte de trás da superfície, ela se desestabiliza e torna-se turbulenta. No escoamento laminar, o fluido se move sem misturar as camadas transversalmente, enquanto no escoamento turbulento, as camadas se misturam. O regime laminar tem menor arrasto de atrito, mas é mais suscetível à separação, ao contrário do regime turbulento.

Pressão

Pressão é força dividida por área (P=FAP = \frac{F}{A}). Uma mulher de 50 kg pisando com um salto largo causa menos pressão do que a mesma mulher pisando com um salto fino, devido à menor área de contato.

Exemplo:

  • Salto largo: 40 mm x 40 mm = 1600 mm². Pressão = 50000 g / 1600 mm² = 31.25 g/mm².

  • Salto fino: 100 mm². Pressão = 50000 g / 100 mm² = 500 g/mm².

Princípio de Bernoulli

Em um fluido ideal sem viscosidade e atrito, em regime de circulação por produto fechado, a energia que o fluido possui permanece constante ao longo de seu percurso. A energia do fluido consiste em:

  • Energia cinética (devido à velocidade).

  • Energia potencial gravitacional (devido à altitude).

  • Energia de fluxo (devido à pressão).

A equação de Bernoulli é dada por: v22+gh+Pρ=constante\frac{v^2}{2} + gh + \frac{P}{\rho} = \text{constante}, onde:

  • vv é a velocidade do fluido.

  • gg é a aceleração gravitacional.

  • hh é a altura.

  • PP é a pressão.

  • ρ\rho é a densidade do fluido.

Cavitação e a Equação de Bernoulli no PNA

Em um fluxo não perturbado, temos velocidade V<em>0V<em>0 e pressão estática P</em>0P</em>0. Ao encontrar um perfil hidrodinâmico, a velocidade aumenta e a pressão estática diminui. No PNA, a soma da pressão estática e da pressão dinâmica deve ser constante, uma vez que o terceiro termo (energia potencial) é considerado desprezível.

pressão estática + pressão dinâmica = constante.

Dimensões e Unidades:

A equação de Bernoulli geralmente aparece com dimensão de energia por unidade de massa (ML2T2/M=L2T2\frac{ML^2}{T^2} / M = \frac{L^2}{T^2}). Multiplicando a energia pela massa específica (densidade), obtemos a dimensão de pressão (MLT2\frac{M}{LT^2}).

  • Pressão Dinâmica: Energia cinética multiplicada pela densidade (ρv22\rho \frac{v^2}{2}).

  • Energia de Fluxo: Termo de pressão relacionado à compressibilidade do fluido (Pρ\frac{P}{\rho}).

  • Pressão Estática: Energia potencial multiplicada pela densidade.

Analogia com a Cama Elástica

Um atleta na cama elástica ilustra a conservação de energia: no ponto mais alto, toda a energia é potencial; ao chegar na cama elástica, toda a energia é cinética; e quando está parado na cama elástica esticada, toda a energia é de fluxo.

Medição de Velocidade de Avião

Instrumentos em aviões medem a pressão total e a pressão estática. Usando a equação de Bernoulli, é possível calcular a velocidade do avião: P<em>estaˊtica+12ρv2=P</em>totalP<em>{\text{estática}} + \frac{1}{2} \rho v^2 = P</em>{\text{total}}.

Perfis Hidrodinâmicos

Considerando um perfil de asa de avião ou pá de hélice, o tempo para o fluido percorrer a parte de cima (dorso) e a parte de baixo (ventre) é o mesmo. No entanto, o caminho pelo dorso é maior, resultando em maior velocidade e menor pressão estática, gerando sustentação.

  • Perfis Assimétricos: Geram sustentação mesmo sem ângulo de ataque.

  • Perfis Simétricos: Requerem ângulo de ataque para gerar sustentação (ex: casco de navio).

A sustentação surge da diferença de pressão entre o dorso e o ventre, resultando em uma força perpendicular ao escoamento de saída. Essa força é dividida em:

  • Lift (sustentação): Perpendicular à direção do fluxo de entrada.

  • Drag (arrasto): Paralelo à direção do escoamento.

Equação Genérica da Hidrodinâmica

F=C12ρv2SF = C \cdot \frac{1}{2} \rho v^2 S, onde:

  • FF é a força resultante.

  • CC é o coeficiente total.

  • ρ\rho é a densidade.

  • vv é a velocidade.

  • SS é a área.

Aspectos Geométricos da Asa

  • Taper Ratio: Relação entre a corda na extremidade e a corda na raiz (corda na extremidadecorda na raiz\frac{\text{corda na extremidade}}{\text{corda na raiz}}).

  • Sweepback Angle: Ângulo da asa em relação à linha perpendicular ao escoamento.

Superfícies elípticas de asa proporcionam distribuição elíptica de sustentação, resultando em arrasto induzido mínimo e ângulo de wash constante.

Aspect Ratio: Razão entre o span (envergadura) e a corda.

Velejando Contra o Vento

Um veleiro precisa de forças aerodinâmicas (nas velas) e hidrodinâmicas (na quilha) para velejar contra o vento. A sustentação nas velas é decomposta em uma componente na direção do movimento e outra perpendicular. Para evitar que o veleiro se mova lateralmente, a quilha (perfil simétrico com ângulo de ataque) gera uma força hidrodinâmica que compensa a componente lateral da força nas velas, permitindo que o veleiro se mova para frente.