Resumo de Filosofia da Religião
Diversidade Religiosa
Atualmente, existe uma grande diversidade de religiões no mundo, com crenças, rituais e normas distintas.
Essa diversidade inclui várias concepções do divino.
Concepções de Divino
Politeísmo: Crença em vários deuses. Exemplo: religiões do Antigo Egito e da Grécia Antiga.
Monoteísmo: Crença em um único Deus. Exemplo: judaísmo, cristianismo e islamismo.
Henoteísmo: Culto a um só Deus, sem excluir a existência de outros.
Ateísmo: Crença de que Deus não existe.
Agnosticismo: Ausência de crença na existência ou inexistência de Deus.
Conceitos de Deus
Deus Teísta: Criador e sustentador do universo que criou.
Deus Deísta: Criador, mas não sustentador do universo que criou.
Deus Panteísta: Não é distinto do mundo; é o próprio universo.
Problemas Filosóficos na Filosofia da Religião
Existência de Deus
Problema: Existem razões para acreditar na existência de Deus?
Argumento Cosmológico (Primeira Causa)
Formulação de São Tomás de Aquino:
Existem coisas no mundo.
Se existem coisas no mundo, elas foram causadas a existir por alguma outra coisa.
Se as coisas do mundo foram causadas a existir por alguma outra coisa, então ou há uma cadeia causal que regride infinitamente ou há uma primeira causa que é a origem da cadeia causal.
Não há uma cadeia causal que regride infinitamente.
Logo, há uma primeira causa (Deus) que é a origem da cadeia causal.
Argumento a posteriori: Parte da existência do mundo para fundamentar a existência de Deus.
Baseado no conhecimento empírico.
Parte da crença de que tudo o que existe é causado a existir por outra coisa.
Crítica principal: Depende da crença de que tudo necessita de uma primeira causa.
Questiona a impossibilidade de uma cadeia causal infinita.
Conseguimos compreender a estrutura de uma série infinita sem visualização.
Argumento Teleológico (Desígnio)
Formulação de São Tomás de Aquino:
O universo assemelha-se com os artefatos produzidos por seres humanos, que possuem finalidade e ordem.
A finalidade e ordem, presente em todos os artefatos humanos, é o efeito desse artefato ter sido criado por um ser inteligente.
Os mesmos efeitos têm as mesmas causas.
Logo, a finalidade e ordem no universo é um efeito de este ter sido produzido por um criador inteligente.
O universo possui ordem e finalidade, permitindo a existência de vida.
Deus garante a ordem e a finalidade do universo.
Argumento do Relojoeiro de William Paley.
Diferença entre os argumentos cosmológico e teleológico de São Tomás de Aquino:
Ambos são argumentos a posteriori.
O argumento cosmológico estabelece Deus como a primeira causa.
O argumento teleológico estabelece Deus como o garante da ordem e finalidade do universo.
Os argumentos são complementares.
Crítica: A ordem e finalidade observadas no universo podem não necessitar de um criador (Deus).
Teoria da Evolução das Espécies de Darwin (seleção natural).
A seleção natural explica a ordem nos sistemas biológicos.
Argumento Ontológico
Formulação de Santo Anselmo:
Deus existe no pensamento.
Se Deus existe no pensamento e não na realidade, então é concebível existir um ser mais perfeito do que Deus.
Mas, não é concebível um ser mais perfeito do que Deus existir.
Logo, Deus existe na realidade.
Argumento a priori: Depende de premissas conhecidas pelo pensamento, independentemente da experiência.
Baseado na ontologia (estudo do ser).
Um ser que existe na realidade é mais perfeito do que um ser que existe apenas no pensamento.
Deus é "o ser maior do que o qual nada pode ser pensado."
A existência de Deus é necessária.
Distinção entre os argumentos cosmológico/teleológico (a posteriori) e o argumento ontológico (a priori).
Objeção de Gaunilo: Com a mesma estrutura lógica, podemos provar coisas que não existem.
Paródia da Ilha Perfeita:
A Ilha Perfeita existe no pensamento.
Se a Ilha Perfeita existe no pensamento e não na realidade, então uma ilha mais perfeita do que a Ilha Perfeita é concebível.
Mas não é concebível uma ilha mais perfeita do que a Ilha Perfeita.
Logo, a Ilha Perfeita existe na realidade.
Racionalidade da Fé
Problema: Será a fé racional?
Definição tradicional de fé: Um sujeito S tem fé em Deus se (1) S acredita que Deus existe e (2) S acredita em Deus.
Fé ligada à crença.
Tipos de racionalidade:
Racionalidade epistêmica: Conducente à verdade.
Racionalidade prudencial: Conducente a benefícios práticos.
Crenças que são práticas ou ajudam o sujeito de alguma forma.
Fideísmo de Pascal
Não precisamos de provas para acreditar em Deus.
A fé (crença em Deus) possui racionalidade prudencial (benefícios práticos).
A fé não possui racionalidade epistêmica (não temos provas da crença em Deus).
Aposta de Pascal:
Ou Deus existe ou Deus não existe.
Se Deus existe, estaremos melhor como crentes em Deus do que como não crentes em Deus. (Dado que é melhor ter um valor infinito positivo do que apenas finito).
Se Deus não existe, não é pior acreditar do que não acreditar. (Dado que em ambos os casos haverá algum valor finito.)
Logo, quer Deus exista quer Deus não exista, acreditar que Deus existe tem um melhor resultado do que não acreditar em Deus, e nunca um resultado pior.
Crítica ao fideísmo de Pascal: As crenças não são voluntárias.
Não decidimos acreditar, descobrimos que acreditamos.
Dificuldade em desenvolver uma crença sincera mesmo reconhecendo as vantagens de acreditar.
Atributos Divinos e o Mal no Mundo
Problema: Serão os atributos divinos compatíveis com o mal existente no mundo?
A existência de Deus e a existência do mal parecem ser incompatíveis.
Se resolvermos o problema da incongruência da existência do mal no mundo com a existência de Deus, conseguimos solucionar uma das principais refutações que são apresentadas à existência de Deus.
Tipos de mal:
Mal moral
Mal físico
Mal metafísico
Mal natural
Resposta de Leibniz ao Problema do Mal
Teodiceia: Justificação da existência de Deus face ao mal no mundo.
O termo "teodiceia" tem as suas raízes na palavra grega “teo” que significa “Deus” e “dikê” que significa justiça.
O mal que existe no mundo é necessário.
Deus permite a existência de certos males para não perder um bem maior ou para não permitir um mal igualmente mau ou pior.
Razões para Deus permitir males:
Ou Deus não poderia obter esses estados (bons) sem ter certos males.
Obter esses estados (bons) justificaria que Deus permitisse tais males.
Não há males gratuitos ou injustificados.
Leibniz e os Mundos Possíveis
Deus criou infinitos mundos possíveis.
Deus criou este mundo porque este é o melhor dos mundos possíveis (princípio da razão suficiente).
No melhor dos mundos existem males, mas não há nele males gratuitos apenas necessários.
Todos os males derivam do mal metafísico, este advém de existirem seres imperfeitos.
O mal físico funciona como pena ou punição ou para prevenir males maiores.
O mal moral é originado pelo livre-arbítrio, mas o exercício do mesmo é necessário.
O mal moral, o mal físico e o mal metafísico fazem, portanto, parte da ordem do mundo.
A ocorrência de certos males no mundo pode ser necessária para se obterem bens maiores, que superam esses males.
Críticas à Teodiceia
Parecem existir males no mundo que não podem ser justificados (males gratuitos).
Acontecimentos como o Holocausto comprovam que não podemos justificar todos os males que existem no mundo como sendo necessários.
Um mal é gratuito se e só se Deus, caso exista, pode impedi-lo sem com isso perder um bem maior ou sem ter de permitir um mal igualmente mau ou pior.
Exemplos de males gratuitos: violação, abuso infantil, pornografia infantil, a morte lenta por fome, a explosão de bombas nucleares em áreas povoadas, etc.