PATOLOGIAS DA VAGINA
Conceitos Gerais sobre a Vagina e Carcinomas
A vagina não é um tema frequentemente solicitado em exames devido à menor incidência de patologias graves em comparação com o colo do útero ou o endométrio.
Novas tecnologias, como laser (ablacão de lesões) e radiofrequência (melhora da atrofia), podem aumentar sua relevância clínica e em estudos.
Anatomia da Vagina
Enervação: Principalmente pelo plexo útero-vaginal (componente do plexo hipogástrico inferior) e o nervo pudendo (responsável pela sensibilidade da porção inferior).
Irrigação:
Porção superior: Artéria vaginal (ramificação da artéria ilíaca interna ou hipogástrica). Os ramos anastomosam-se com as artérias uterinas e retais médias.
Porção inferior: Vasos hemorroidários (ramos da artéria retal inferior, que é ramo da pudenda interna) e ramo da artéria pudenda interna.
Drenagem linfática:
Porção inferior (terço distal): Linfonodos inguinais superficiais e profundos (femorais).
Porção superior (dois terços proximais): Linfonodos hipogástricos, obturadores e ilíacos externos e internos. A drenagem para o promontório sacral e para-aórticos pode ocorrer em casos avançados.
Vaginoscopia
Exame técnico complicado devido à sua mobilidade, presença de rugas e comprimento variável. É crucial para detectar lesões acetobrancas.
Lesões acetobrancas: Áreas do epitélio vaginal que ficam esbranquiçadas após a aplicação de ácido acético a 3-5%, indicando alterações epiteliais anormais (displasia ou metaplasia).
Indicações: Histerectomias prévias (devido a doença cervical preexistente), Papanicolau atípico de células vaginais, seguimento de lesões cervicais e vulvares tratadas, ou suspeita de lesões na vagina.
NIVA (Neoplasia Intraepitelial Vaginal)
Geralmente assintomática e significativamente menos incidente que a Neoplasia Intraepitelial Cervical (NIC), possivelmente devido à menor superfície epitelial e fatores hormonais distintos.
Diagnóstico: Inspeção visual da vagina, seguida de vaginoscopia com aplicação de ácido acético para identificar áreas suspeitas, e biópsia dirigida.
Lesões frequentes (achados colposcópicos):
Pteroceto branco: É uma lesão acetobranca com padrão de "penugem" ou "penas", muitas vezes associado a metaplasia escamosa imatura ou infecção por HPV.
Mosaico e pontilhado: Padrões vasculares anormais que indicam um epitélio lesado, onde os vasos sanguíneos superficiais podem apresentar-se como pontos vermelhos (pontilhado) ou em forma de rede (mosaico), ambos após a aplicação de ácido acético.
Tratamento:
Baixo grau (NIVA 1): Observação expectante, pois muitas lesões regridem espontaneamente. Tratamento pode ser considerado se persistente ou em pacientes imunocomprometidas.
Alto grau (NIVA 2 e NIVA 3): Exige tratamento ativo devido ao risco de progressão para carcinoma invasivo. As opções incluem ressecção cirúrgica (excisão local), ablacão a laser de CO$|_2$ ou aplicação tópica de 5-fluorouracil.
Tratamentos e Eficácia
NIVA de alto grau requer maior cautela devido ao risco de recorrência e progressão. A escolha do método de tratamento deve ser individualizada, considerando a extensão da lesão, localização, presença de comorbidades, desejo de preservar a função sexual e experiência do cirurgião.
A eletrocauterização não é recomendada para lesões de alto grau, pois provoca destruição tecidual sem permitir um exame histopatológico adequado das margens cirúrgicas ou da profundidade da invasão, o que é essencial para garantir a erradicação completa e descartar invasão precoce.
Carcinoma de Vagina
Principal tipo: Carcinoma epidermoide (células escamosas), representando cerca de dos casos, mais comum em mulheres idosas ( anos) e frequentemente associado à infecção crônica por HPV e história de NIC ou NIVA.
Outros tipos: Adenocarcinoma (raro, menos de ), melanoma (comum na porção inferior da vagina), sarcoma e metástases de outros órgãos (endométrio, colo, reto).
Diagnóstico: Exame clínico (inspeção e palpação), biópsia da lesão suspeita para confirmação histopatológica, exames de imagem para estadiamento (ressonância magnética da pelve, tomografia computadorizada de abdome/tórax, PET-CT).
Tratamento padrão: Radioterapia (externa e/ou braquiterapia) é o tratamento de escolha para a maioria dos carcinomas de vagina, independentemente do estágio. A cirurgia é uma opção para casos selecionados (lesões iniciais bem delimitadas na porção superior da vagina, ou para resgate em reincidências limitadas após radioterapia).
Foco de Estudo
A anatomia detalhada da vagina (irrigação, enervação e drenagem linfática), os conceitos e achados da vaginoscopia, o diagnóstico e as opções de tratamento para NIVA (especialmente as de alto grau), e as particularidades do carcinoma de vagina (epidermoide, fatores de risco e tratamento) são os principais pontos a revisar para provas.