Ginecologia e Obstetrícia: Diabetes Mellitus na Gravidez
Ginecologia e Obstetrícia: Diabetes Mellitus na Gravidez
CLASSIFICAÇÃO
A classificação do diabetes mellitus mais utilizada é baseada nos fatores etiológicos que determinam a doença. É dividida em quatro grupos:
Diabetes Mellitus Tipo 1
Caracteriza-se pela destruição das células beta pancreáticas.
Resulta em deficiência completa de insulina.
Manifesta-se geralmente antes dos 30 anos, frequentemente durante a adolescência.
Diabetes Mellitus Tipo 2
É a forma mais comum de diabetes.
Apresenta deficiência na secreção e na ação da insulina.
Ocorre com maior frequência após os 40 anos.
Diabetes Mellitus de Outros Tipos
Inclui diabetes devido a outras condições específicas (ex: diabetes induzido por medicamentos).
Diabetes Mellitus Gestacional (DMG)
Caracteriza-se pela intolerância aos carboidratos que é iniciada durante a gestação.
Pode ou não persistir após o parto.
Prevalência:
Casos de gestantes com DM tipo 1 ou tipo 2 representam cerca de 1-2% de todas as gestações.
A prevalência de diabetes gestacional no Brasil é cerca de 18%, sendo a complicação clínica mais comum na gravidez.
Importância da Classificação:
O mau controle da diabetes durante a fase periconcepcional aumenta o risco de malformações fetais.
O surgimento do diabetes quanto mais longe da gestação aumentar as chances de complicações de longo prazo.
A gestação é vista como uma janela de oportunidade para diagnosticar tais complicações.
Classificação proposta por Priscilla White (1978):
Foca no tempo de duração da doença e está correlacionada com a presença de complicações vasculares.
A classificação é utilizada para evidenciar as dificuldades no acompanhamento da gestação.
Classe A: Diabetes gestacional.
Classe D: Indica complicações decorrentes da diabetes prévia. Embora esta classificação esteja sendo menos utilizada nas práticas clínicas atuais, frequentemente aparece em provas de residência médica.
COMPLICAÇÕES
Complicações Maternas:
Cetoacidose Diabética
Caracterizada pela acidose e hiperglicemia devido à ausência de insulina.
Ocorre em cerca de 1-3% das gestantes com diabetes.
É uma das principais causas de morte materna e fetal.
Critérios clínicos:
Hiperglicemia: > 250 mg/dl;
Cetonemia: elevação dos corpos cetônicos no sangue;
Acidose metabólica: pH < 7,3 e bicarbonato < 18 mEq/l.
Maior Risco de:
Pré-eclâmpsia.
Prematuridade (associada ou não à pré-eclâmpsia).
Crescimento uterino restrito (especialmente em pacientes com DM prévia e vasculopatia).
Infecções recorrentes (principalmente ITU e candidíase).
Morte materna.
Complicações Fetais:
Macrossomia
Causada pela hiperinsulinemia fetal, resultante da glicose materna que atravessa a barreira placentária, levando ao aumento da produção de insulina fetal.
Polidrâmnio
Ocorre devido à hiperglicemia materna que leva a hiperglicemia fetal e poliúria (excesso de urina).
Distocia de Ombro
Resulta da maior deposição de gordura nos membros e tronco fetal.
Abortamento
Mais comum em casos de DM prévia com hiperglicemia durante o período periconcepcional.
Síndrome do Desconforto Respiratório ao Nascimento
Devido à diminuição da produção de surfactante pela hiperinsulinemia fetal.
Malformações Congênitas
Podem ocorrer em pacientes com diabetes prévio;
Exemplo: Síndrome da regressão caudal (mais característica do diabetes na gestação, mas não a mais comum).
Mortes Fetal Tardias Súbitas
Associadas à acidose metabólica fetal.
Anomalias Fetais Mais Comuns:
Malformações cardíacas (mais prevalentes):
Comunicações interatriais/interventriculares (CIA/CIV).
Transposição de grandes vasos.
Coarctação da aorta.
Malformações renais.
Malformações do sistema nervoso central:
Meningocele.
Espinha bífida.
Anencefalia.
Hidrocefalia.
FIGURAS
Figura 1: Filho de mãe diabética macrossômico.
Figura 2: Síndrome da regressão caudal, relacionada a malformações congênitas associadas ao diabetes.