Doug_completo Anestesiologia
Anestesia Geral (19/02/2019)
- Intervenção farmacológica para prevenir efeitos adversos (psicológicos e somáticos) do trauma cirúrgico e criar condições convenientes para a cirurgia.
- Tríade da anestesia geral: Inconsciência (hipnose), amnésia e imobilidade em resposta a estímulo nociceptivo.
- Analgesia é o mais importante, nem sempre a hipnose é necessária.
- Tipos de anestesia:
- Inalatória (comum em pediatria, início de ação rápida).
- Venosa (sempre com oxigênio).
- Balanceada (inalatórios e venosos).
- Combinada (inalatória ou venosa + anestesia condutiva).
- Anestesia condutiva:
- Subaracnóidea (raquianestesia, L2-L3 ou L1-L2).
- Peridural ou epidural.
- Bloqueio de plexos (braquial, ilíacos).
- Bloqueio de nervos periféricos ou local.
- Processo básico:
- Análise pré-anestésica (histórico do paciente).
- Indução anestésica:
- Pré-oxigenação.
- Hipnose.
- Analgesia (opioides).
- Relaxamento muscular (bloqueadores neuromusculares).
- Intubação orotraqueal ou nasotraqueal.
- Manutenção da anestesia (inalatórios, venosos ou combinados).
- Pós-anestésico (24 horas de responsabilidade médica).
Avaliação Pré-Anestésica
- Importância: Essencial para o profissional e o paciente.
- Histórico:
- 1940-1960: Anamnese e exame físico (ênfase na redução da mortalidade cirúrgica).
- 1960: Introdução de exames complementares (redução de morbidade e mortalidade).
- 1984: Anamnese, exame físico, exames complementares e interconsultas.
- 1993: Ênfase no bem-estar humano e consentimento informado.
- Quatro perguntas:
- Risco de complicação acima da média?
- Quais testes adicionais?
- Ações para minimizar riscos?
- Cirurgia liberada, adiada, modificada ou contraindicada?
- Objetivos:
- Vínculo profissional e humanístico.
- Esclarecimento sobre o ato anestésico.
- Conhecer o estado físico e psíquico do paciente.
- Estimar o risco anestésico-cirúrgico.
- Planejar a anestesia e tratamento da dor pós-anestésica.
- Obter consentimento informado.
- Adequar técnicas e fármacos.
- Reduzir suspensões de cirurgia.
- Avaliar a complexidade dos procedimentos.
- Otimizar o leito hospitalar.
- Adequar os custos (reduzir exames desnecessários).
- Permitir recuperação com qualidade de vida.
- Etapas da avaliação:
- Anamnese.
- Exame físico.
- Revisão do prontuário e pareceres.
- Solicitar novos exames (se necessário).
- Explicar o ato proposto e pós-anestésico.
- Anamnese: Perguntar sobre anestesias prévias, alergias, tolerância ao exercício, atividades físicas, atitude em relação à doença, data da última menstruação e uso de medicamentos.
- Risco cirúrgico: Escala ASA (American Society of Anesthesiologists).
Critérios e Escalas de Avaliação
- Mallampatti:
- Estima a dificuldade de intubação orotraqueal.
- Baseado nas estruturas visíveis da boca aberta.
- Classe 1: Palato mole, úvula e pilares visíveis (mais fácil de intubar).
- Classe 2: Palato mole e úvula visíveis.
- Classe 3: Palato mole e base da úvula visíveis.
- Classe 4: Nenhum palato mole visível (mais difícil de intubar).
- Índice de Wilson:
- Associado à escala Mallampati.
- Avalia a dificuldade em pontos.
- Critérios:
- Peso: < 90Kg (0 pontos), 90-110Kg (1 ponto), > 110Kg (2 pontos).
- Movimentação da cabeça e do pescoço: > 90º (0 pontos), = 90º (1 ponto), < 90º (2 pontos).
- Movimentação da mandíbula: > 5cm (0 pontos), = 5cm (1 ponto), < 5cm (2 pontos).
- Retrognatismo: Ausente (0 pontos), Moderada (1 ponto), Grave (2 pontos).
- Protusão dentária: Ausente (0 pontos), Moderada (1 ponto), Acentuada (2 pontos).
- Interpretação:
- 2 ou mais pontos: Intubação difícil.
- Acima de 4 pontos: Intubação muito difícil.
- Índice de atividade de Duke:
- Avalia a capacidade funcional quantificada.
- Baseado na demanda metabólica das atividades diárias.
- 1MET=3,5kg⋅minml de oxigênio.
- Estresse metabólico anestésico-cirúrgico: 4-5 METs.
- 1 a 4 METs: Andar em volta de casa, vestir-se, comer, atividades domésticas leves.
- 5 a 9 METs: Subir escada, subir ladeira, andar rápido (>6km/h), jogar golfe.
- 10 METs: Jogar tênis, nadar, correr curta distância.
- Classificação da capacidade funcional:
- Ruim: < 4 METs.
- Moderada: 5 a 7 METs.
- Boa: > 7 METs.
- Excelente: > 10 METs.
Jejum Pré-Anestésico
- Histórico: Redução de broncoaspiração e síndrome de Mendelson.
- Diretrizes de jejum:
- Alimentos sólidos: Jejum conforme a faixa etária.
- Líquidos claros (água, chá, sucos sem resíduos): 4ml/kg.
- Leite: Considerado alimento sólido devido às proteínas.
- Cuidados adicionais: Obesos, gestantes a termo, diabéticos e emergências.
Contraindicações do Ato Anestésico Eletivo
- Jejum inadequado.
- Hemoglobina < 6g/dL.
- Preparo inadequado ou reação medicamentosa (diabéticos, hipertensos, feocromocitoma, hipertireoidismo, hipotireoidismo).
- Pressão arterial em cirurgia eletiva: PAD > 110 e PAS > 180.
- IAM há menos de 6 meses.
- Febre > 37,5ºC de origem desconhecida.
- Infecção respiratória alta ou baixa (aguardar 3 semanas após a remissão).
- Suspensão abrupta de β-bloqueadores adrenérgicos ou α-adrenérgicos.
- Emergência: Contraindicações secundárias.
Medicação Pré-Anestésica (19/02/2019)
- Objetivos:
- Reduzir a ansiedade (hipertensão, angina, arritmias).
- Sedação, amnésia e analgesia.
- Diminuir secreções salivares e pulmonares.
- Prevenir reflexos.
- Reduzir o volume gástrico alimentar (ou aumentar o pH).
- Promover efeito antimimético.
- Reduzir o uso de anestésicos durante a cirurgia.
- Induzir uma anestesia mais suave.
- Fazer profilaxia contra reações alérgicas.
- Características do medicamento ideal: Indolor, latência e duração curtas, estabilidade cardíaca e pulmonar.
- Vias de administração: Intramuscular, oral, nasal, intravenosa ou retal (até 60 minutos antes).
- Benzodiazepínicos (mais usados atualmente):
- Ação: Ansiolítica, amnéstica, sedativa, anticonvulsivante, relaxante muscular.
- Pouca depressão respiratória (comparado a opioides).
- Principais: Diazepam, lorazepam e midazolam.
- Diazepam:
- Dor à administração intravenosa (flebitis).
- Absorção via oral/sublingual: 90%.
- Efeito ansiolítico (via oral): 1 hora.
- Aumenta o limiar de convulsão e diminui a CAM inalatório.
- Absorção IM imprevisível.
- Diminuir a dose em 10% por década de idade.
- Dose: 0,1 a 0,2mg IM ou VO.
- Lorazepam:
- Ansiolítico, sedação profunda.
- Injeção indolor.
- Boa absorção oral, sublingual e IM.
- Efeito máximo: 30-40 minutos (IV), 90 minutos (IM), 2-4 horas (VO).
- Dose: 0,025 a 0,05mg/Kg IV, dose total no adulto: 4mg.
- Midazolam:
- Solúvel em água, metabolismo rápido.
- Não causa irritação local.
- Maior efeito de amnésia anterógrada.
- Maior sedação e depressão respiratória (idosos, DPOC, morfínicos).
- Ideal para procedimentos de curta duração.
- Dose: 0,05 a 1mg/Kg IM (início: 5-10 minutos, duração: 30-60 minutos).
- Uso pediátrico: 0,5mg/Kg VO (duração: 30 a 60 minutos).
- Vias: Nasal (0,2mg/Kg), retal (0,35mg/Kg) ou sublingual (0,2-0,3mg/Kg).
- Outros benzodiazepínicos: Oxazepam, clordiazepóxido, termazepam, triazolam e alprazolam.
- Medicamentos não benzodiazepínicos:
- Barbitúricos: Sedativo, contraindicado para porfiria.
- Secobarbital, pentobarbital, metohexital (pediatria via retal).
- Outros sedativos: Hidroxizina, difenidramina, prometazina, hidrato de cloral.
- Opioides (morfina, meperidina e fentanila):
- Analgésicos potentes.
- Diminui a necessidade de anestésicos durante a cirurgia.
- Efeitos adversos: Depressão respiratória, hipotensão postural, aumento da pressão intracraniana, náuseas, vômitos, prurido e espasmo do esfíncter de Oddi.
- Morfina: 5 a 10mg IM em adultos, dose calculada por peso em crianças.
- Meperidina: Interação com inibidores da MAO, 1mg/Kg IM.
- Fentanila: 15 a 20mg/Kg, via intramucosa.
- Sulfentanil: 3mg/Kg via nasal.
- Cetamina:
- Sedação intensa (catalepsia).
- Início de ação rápido.
- Aumenta a secreção salivar e pulmonar e as pressões arterial, intraocular e intracraniana.
- Vias: Nasal (3mg/Kg), transmucosa (5-6mg/Kg), oral (6mg/Kg), intramuscular (2-4mg/Kg).
- Agonistas α2-adrenérgicos: Sedativos, ansiolíticos e analgésicos.
- Diminuem a pressão intraocular, arterial e o consumo de anestésicos.
- Efeitos adversos: Boca seca, hipotensão, bradicardia e sedação acentuada.
- Clonidina: VO (200-300mg/Kg ou 3-5mg/Kg - adultos, 4mg/Kg - pediatria).
- Dexame-tomidina: 1-2,5mg/Kg IM.
- Anticolinérgicos (atropina, escopolamina e glicopirrulato):
- Não são usados rotineiramente.
- Efeitos adversos: Arritmias, aumento de metabolismo, hipertermia, hipertensão arterial, alterações de acomodação ocular, relaxamento do esfíncter esofágico inferior e alucinação em idosos.
- Atropina e escopolamina: 0,4 a 0,6mg por 60Kg de peso ou 0,1mg/Kg em criança.
- Glicopirrulato: Não atravessa a barreira hematoencefálica.
- Redutores do conteúdo gástrico:
- Antagonistas H2: Cimetidina, ranitidina.
- Cimetidina: Aumenta a meia-vida da lidocaína, da teofilina, do diazepam e do propranolol (inibe o citocromo P-450).
- Ranitidina: Mais potente, específica e duradoura, não prolonga o metabolismo de outros medicamentos.
- Inibidores da bomba de próton: Omeprazol, lansoprazol (inibem a ateplase gástrica e o citocromo P-450).
- Antiácidos: Citrato de potássio (Bicitra) (neutralizam o conteúdo gástrico).
- Agentes gastrocinéticos: Metoclopramida (Plasil, Eucil) (aumentam a pressão no esfíncter esofagiano, relaxam o piloro e o duodeno e aceleram o esvaziamento gástrico).
Anestésicos Inalatórios (19/02/2019)
- Necessário sistema respiratório em boas condições.
- Usados para indução e manutenção.
- Primeiro anestésico: Óxido nitroso.
- ECA: Líquido anestésico, causava mortes por alta dose.
- Estágios de sedação: Sedação, excitação, cirúrgico (4 níveis), parada cardíaca.
- Anestésico inalatório ideal: Ação previsível, indução e recuperação rápidas, sem efeitos adversos, não inflamável, biotransformação mínima, monitorização plasmática, estabilidade química, fácil administração, baixo custo.
- Características físicas e químicas: Ponto de ebulição, pressão de vapor, coeficiente de partição óleo/gás, solubilidade gás/sangue, coeficiente de partição tecido/sangue.
- Óxido nitroso (N2O - protóxido de azoto):
- Único anestésico gasoso na natureza.
- Cilindro azul.
- Outros anestésicos necessitam de vaporizadores.
- Vaporizadores calibrados para cada gás.
- Concentração Alveolar Mínima (CAM):
- Concentração de gás anestésico a 1atm necessária para cessação de movimentos em 50% dos pacientes submetidos a uma incisão padronizada na pele.
- Menor para anestésicos mais potentes (halotano).
- Maior para anestésicos menos potentes (óxido nitroso).
- Inverso da CAM = índice de potência do anestésico.
- Quanto mais lipossolúvel, menor a concentração necessária.
- Óxido nitroso aumenta a captação alveolar do segundo gás na indução da anestesia (efeito segundo gás).
- Fatores que influenciam a CAM:
- Modificáveis: ritmo cardíaco, temperatura corporal, idade, drogas.
- Não modificáveis: espécie, gênero, duração da anestesia, pH-PaCO2, oxigenação, pressão arterial.
- Captação Tecidual:
- Tempo para o tecido alcançar equilíbrio com a pressão parcial do gás anestésico.
- Inversamente proporcional ao fluxo sanguíneo.
- Diretamente proporcional à capacidade de armazenar o anestésico e ao volume do tecido.
- Em pacientes obesos: cessar o uso de anestésicos 40-50 minutos antes do fim da cirurgia.
- Tecidos:
- Altamente perfundidos: cérebro, coração, fígado, rins, glândulas endócrinas.
- Medianamente perfundidos: músculo esquelético.
- Pouco perfundidos: gorduras (alta capacidade de armazenamento e lipossolubilidade).
- Mal perfundidos: ossos, cartilagens, ligamentos (baixa capacidade de armazenamento).
- Características dos anestésicos:
- Óxido nitroso:
- Cor azul.
- Associação com outros anestésicos (efeito segundo gás).
- Analgesia com outros anestésicos (receptor NMDA e opioides µ).
- Não irrita vias aéreas.
- Não induz hipnose profunda.
- Não tem efeito relaxante muscular ou ansiolítico.
- Risco de depressão da medula óssea.
- Preenche espaços vazios (contraindicado em timpanoplastia).
- Índice metabólico: 0,004%.
- CAM: 105.
- Halotano:
- Contém molécula de bromo.
- Potente hipnótico.
- Perda de consciência suave e rápida.
- Não é explosivo.
- Não irrita as vias aéreas.
- Não aumenta secreções.
- Relaxante muscular.
- Indução rápida e despertar precoce.
- Broncodilatador.
- Hipotensivo.
- Pode causar arritmias em presença de catecolaminas.
- Deprime o nódulo sinusal.
- Índice metabólico: 15 a 20% no fígado.
- CAM: 0,75.
- Eflurano:
- Médio poder hipnótico.
- Menor incidência de arritmias, náuseas, vômitos e tremores pós-operatórios.
- Causa crises semelhantes à epilepsia (>3%).
- Depressor do miocárdio.
- Contraindicado em pacientes com história de convulsão e ICC.
- Índice metabólico: 5%.
- CAM: 1,7.
- Isoflurano:
- Vasodilatador das artérias coronárias normais (roubo coronariano).
- Menor risco de toxicidade (menos metabolismo hepático).
- Causa menos depressão miocárdica.
- Não é epileptogênico.
- Diminui o fluxo cerebral e o metabolismo cerebral.
- Índice metabólico: 0,2%.
- CAM: 1,2.
- Sevoflurano:
- Muito usado em pediatria.
- Anestésico inalatório quase ideal.
- Indução anestésica rápida (1 a 3 minutos).
- Pequena depressão miocárdica.
- Pouca ação na pressão arterial.
- Aumenta a pressão intracraniana.
- Forma composto A na presença de cal sodada (libera produtos tóxicos e monóxido de carbono).
- Índice metabólico: 0,2%.
- CAM: 2.
- Desflurano:
- Precisa de vaporizador caro.
- Causa declínio da resistência e da pressão arterial.
- Reduz o metabolismo cerebral e aumenta a pressão intracraniana.
- Índice metabólico: 0,1%.
- CAM: 6.
Anestesia do século XIX ao XXI (22/02/2019)
- Triunfo sobre a dor: A anestesia repousa sobre um conhecimento do processo da dor. Há dois séculos, ela era totalmente empírica pela falta desses conhecimentos. Atualmente, mesmo um alto padrão técnico não é o suficiente para o exercício da função nessa área.
- Pilares:
- Sedação
- Analgesia
- Relaxamento muscular
- Marcos históricos:
- 16 de outubro de 1846: Primeira anestesia de fato (Dia Mundial da Anestesia).
- Descoberta do óxido nitroso (substância hilariante).
- Descoberta do éter.
- Invenção da vacina antirrábica por Louis Pasteur.
- Descoberta da penicilina por Alexander Fleming (1941).
- Práticas antigas:
- Pacientes amarrados.
- Pressão na carótida para desmaio.
- Gelo na região.
- Álcool.
- Misturas de mandrágora, morfina e cocaína.
- Drogas e anestésicos modernos:
- Anestésicos inalatórios: Óxido nitroso, óxido de etileno, ciclopropano, dietiléter, halotano, metoxiflurano, enflurano, sevoflurano.
- Opioides: Morfina, fentanil, sufentanil, alfentanil e remifentanil (fentanil é 100 vezes mais potente que a morfina).
- Barbitúricos:
- Sedativos:
- Os benzodiazepínicos são os sedativos utilizados. Usam-se o clorodiazepóxido, o diazepam, o lorazepam, o midazolam e o flumazenil (antagonista).
- Dos fenciclidínicos usa-se mais a cetamina, que é altamente excitatória. É um excelente analgésico para uma situação de guerra e tem efeito relativamente fugaz. O paciente tem cialorreia e não pode ter estímulos luminosos ou auditivos porque fica excitado. Ela é usada em CTI, quando o paciente está parado, torporoso.
- Das agentes venosos, ainda tem o etomidato e o propofol (este último é indutor do sono, não anestésico).
- Combinação de anestésicos: Inicialmente, combinava-se a morfina com a escopolamina. Em 1983 já se usava propofol com opioide. Atualmente, faz-se a combinação que se quer, desde que se use a fórmula adequada.
- Bloqueio neuromuscular:
- Curare usado por índios.
- Galamina, pancurônio, atracúrio, vecurônio, rocurônio, mivacurônio, pipecurônio e doxacúrio.
- Antagonista: Neostigmina.
- Succinilcolina (apenas para indução, ação curta).
- Anestésicos locais: Cocaína (1860), procaína, tetracaína, lidocaína (a mais utilizada).
- Equipamentos: Evolução da monitorização hemodinâmica, agulhas, sondas orotraqueais.
- Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA): Fundada no Rio de Janeiro.
Recuperação Pós-Anestésica (22/02/2019)
- Necessidades da anestesia geral: Sedação, hipnose, analgesia e relaxamento muscular.
- Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA): Cuidado peri-operatório.
- Processo dinâmico: Inicia-se na sala de operações e se estende até a recuperação completa (depende da técnica e das drogas utilizadas).
- Histórico:
- 1801: Reconhecimento da necessidade de cuidados especiais.
- 1863: Primeira descrição de SRPA (New Castle, Inglaterra).
- Década de 1920: SRPA começa a tomar corpo.
- Segunda Guerra Mundial: Atenção aos cuidados pós-operatórios.
- Reconhecimento no Brasil: ANVISA, SBA e Conselho Federal de Medicina.
- Cuidados pós-operatórios imediatos: Monitorização e intervenções mais prolongadas.
- Localização da SRPA: Próxima ao centro cirúrgico.
Regras da Sala de Recuperação Pós-Anestésica - SRPA
- Próxima ao centro cirúrgico.
- Acompanhamento do paciente pelo anestesiologista.
- Monitorização contínua.
- Relatório de encaminhamento (verbal/escrito).
- Responsabilidade da SRPA e alta do paciente: Anestesiologista.
- Regras não comuns: número de leitos, proporção enfermeiros/pacientes, regulamentos para pacientes ambulatoriais e obstétricos.
Prioridades na SRPA
- Atendimento prioritário: Pacientes com complicações e ameaça à vida.
- Prioridade secundária: Conforto e bem-estar do paciente.
Queixas Pós-Operatórias
- Vômito.
- Reação ao tubo orotraqueal.
- Dor.
- Náuseas.
- Estar consciente no trans-operatório.
- Fraqueza residual.
- Tremores.
- Dor de garganta.
- Sonolência.
Transferência para a SRPA
- Estabilidade fisiológica.
- SRPA em condições de receber o paciente.
- Decisão sobre a necessidade de monitorização durante o transporte: Anestesiologista.
- Hipóxia: Comum no pós-operatório imediato.
Minimizar Riscos no Transporte SRPA
- Espaço físico próximo ao centro cirúrgico.
- Número de leitos: 1,5 leitos de recuperação para cada sala de operação (2 leitos para cirurgias ambulatoriais).
- Equipamentos: Monitorização mínima, monitorização básica, manta térmica e apósitos, medicamentos.
- Tomadas vermelhas: 220V.
Recursos Humanos na SRPA
- Humanização (Política do Ministério da Saúde).
- Anestesiologista em tempo integral.
- Enfermeiro: 1 para cada 2 ou 3 leitos (1 para cada leito em casos críticos).
- Pessoal treinado: Pacientes instáveis podem ter alterações rápidas.
Legislação: SRPA
- RDC 50 da ANVISA (2002): Planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde.
- Obrigatório: Centro cirúrgico, centro obstétrico, endoscopia e imagem (TM, RM e Hemod.).
- Estrutura física: Número de leitos, O2, ar comprimido e vácuo, iluminação, rede elétrica, distância entre leitos.
- RDC de 2006: Condições mínimas de segurança dirigidas para a prática da anestesia.
- Encaminhamento para a SRPA ou permanência na sala de operações até autorização do anestesiologista.
Recomendações SBA para a SRPA
- SRPA obrigatória: Anestesia geral, bloqueio terapêutico e sedação.
- Relação de leitos: No mínimo 1,5 para cada sala de operações.
- Médico anestesiologista permanentemente na SRPA.
- Anestesiologista responsável: Transporte para a SRPA.
- Transferência de responsabilidade para o anestesiologista da SRPA.
- Reavaliação do paciente ao chegar à SRPA.
- Relato das técnicas e medicamentos utilizados.
- Monitorização e avaliação periódica dos pacientes.
- Sinais vitais e escala de recuperação pós-anestésicas registrados.
- Supervisão, coordenação da SRPA e alta do paciente sob responsabilidade do anestesiologista.
Desafios na SRPA
- Obrigatória desde 1977, mas muitos hospitais não a possuem.
- Pressão sobre o anestesiologista: Liberar a sala de operações e garantir a estabilização do paciente.
Relatório para SRPA
- Relatório verbal e escrito: Cópia da ficha anestésica.
- Avaliação: Sinais vitais, nível de consciência, força muscular e dor, monitorização, curativos, drenos, sondas, vias venosas, diurese.
Recuperação Pós-Anestésica - Estágios
- Restabelecimento: Reflexos respiratórios, estabilidade cardiovascular e força muscular.
- Estada na SRPA: Monitorização clínica e instrumental.
- Pacientes ambulatoriais: Deambulação, micção espontânea, tolerância a líquidos via oral, controle de dor, náuseas e vômitos.
Escala de Aldrete e Kroulik
- Escala mais utilizada no mundo para avaliar alta pós-anestésica.
- Critérios: Atividade motora, respiração, circulação, nível de consciência e coloração da pele (SpO2).
- Pontuação: 0 a 2 pontos para cada critério.
- Alta: Nota acima de 8.
Uso do Sistema de Pontos
- Auxilia, mas não substitui a avaliação individual.
- Jugamento clínico: Fundamental.
- Considerações: Tipo e gravidade da doença, procedimento cirúrgico, evolução da anestesia, recuperação e destino pós-operatório.
Complicações na SRPA
- Relacionadas: Procedimento cirúrgico, anestesia, intercorrências transitórias e condições clínicas pré-operatórias.
- Aumento do tempo de permanência na SRPA.
- Origens: Respiratórias, cardiovasculares, endócrinas, dor, náuseas e vômitos ou hipotermia.
Complicações Respiratórias
- Hipoxemia (alta incidência): Controle inadequado da ventilação, efeitos residuais de anestésicos, inadequação da relação ventilação/perfusão da zona atelectásica ou bloqueio neuromuscular residual.
- Redução do débito cardíaco, anemia, calafrios, dor e agitação.
- Obstrução respiratória: Queda da língua, laringoespasmo (irritação mecânica da via aérea), edema de glote (intubação traumática, manipulação da cabeça e do pescoço com o paciente intubado, tosse e buking, reação alérgica ao material do tubo ou lubrificação ou irritação provocada por suco gástrico regurgitado) e broncoespasmo (central ou periférico).
Complicações Cardiovasculares
- Fatores relacionados: Paciente e risco cirúrgico.
- Monitorização: Frequência cardíaca, pressão arterial e eletrocardiograma.
- Hipotensão arterial: Redução da pré-carga, da contratilidade miocárdica ou da RVS.
- Hipovolemia: Causa mais comum de hipotensão arterial no pós-operatório
### Hipertensão Arterial - Comum: Ocorre mais comumente nos primeiros 30 segundos após a admissão na sala de recuperação pós anestésica - SRPA.
- Causas: Dor, retenção urinária, hipoxemia, hipercapnia, acidose metabólica, sobrecarga hídrica, hipertensão intracraniana.
- Complicações da severa hipertensão arterial: causa Insuficiência ventricular esquerda que pode resultar em infarto ou arritmia
Complicações Endócrinas
- Metabolismo da glicose (hiperglicemia ou hipoglicemia):
- Hiperglicemia: Estresse ou trauma cirúrgico.
- Hipoglicemia : Causada por choque hemorrágico, pancreatite, septicemia, insuficiência renal ou alcoolismo.
- Sintomas: Dor de cabeça, diplopia, letargia, crise convulsiva e coma.
** Insuficiência Suprarrenal Aguda:
Uso de glicocorticoides exógenos, que suprimem o eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal, aí o paciente acaba fazendo deficiência adrenocortical.
Complicações relacionadas a dor
- Medida pela escala numérica da dor de 0 a 10.
Complicações mais frequentes na SRPA
- Náuseas e vômitos desconforto retarda a alta do paciente.
Complicações Hipotermia
- Temperatura abaixo de 36º e é observado em 60-80% dos pacientes admitidos na SRPA.
Mecanismos da Hipotermia
- Alterações produzidas pelas drogas anestésicas,
- Mecanismos centrais de termorregulação
- Fatores externos: temperatura da sala de operações e infusão venosa de líquidos frios
Combate a hipotermia
- Vasoconstrição, piloereção, contração e tremores.
*Aumenta a produção de calor em 300 a 400%, mas também aumenta o consumo de oxigênio em 500% (aumentando a produção de CO2, o risco cardíaco, a pressão intracraniana, a pressão intraocular e a dor incisional).
Bloqueio Peridural(25/02/2019)
Vias de bloqueio
- subaracnoide (raquianestesia)
- a peridural.
Anestésico local
- Não injetar sem ter certeza que o anestésisco vai ficar no local da injeção