Resumo Detalhado das Teorias e Modelos Clássicos da Administração
Modelos Clássicos
Primeiros modelos industriais que surgiram devido à transição do trabalho rural para o trabalho industrial.
Essa mudança alterou a forma como as pessoas trabalhavam e como as organizações eram estruturadas.
Racionalização das Organizações
A racionalização consistiu na divisão das organizações para facilitar a compreensão e a análise objetiva, explicando o todo a partir das partes.
As teorias de Taylor, Ford e Fayol são exemplos dessa racionalização, aplicáveis a todas as empresas.
Características das Organizações nos Modelos Clássicos
Sistemas fechados: As organizações eram vistas como sistemas isolados do ambiente externo.
Relativamente estáveis: Pouca ênfase na mudança e adaptação.
Princípios universais: Existência de uma única melhor forma de realizar o trabalho ("one best way").
Máximo de eficiência e produtividade: Foco na otimização dos processos para aumentar a produção.
Resistência à mudança: Dificuldade em se adaptar a problemas inesperados devido à falta de flexibilidade.
Abordagem a Problemas
Os problemas eram frequentemente ignorados por não haver respostas pré-definidas.
Em vez de buscar soluções inovadoras, os problemas eram tratados através de políticas regulamentadas.
Impacto da Revolução Industrial
A Revolução Industrial transformou o modo de vida, impulsionando o crescimento econômico, a produção em massa e a busca por lucro.
Essa época também testemunhou um aumento na disparidade entre trabalhadores e empregadores.
Emergência de sindicatos: Os sindicatos surgiram para promover melhores condições de trabalho e estabilidade contratual.
Importância do Estudo das Teorias Clássicas
As teorias clássicas são importantes para entender a evolução do pensamento administrativo e sua influência nas práticas atuais.
Acentuação da preocupação com o trabalhador e as legislações impostas.
Complexificação dos sistemas produtivos após as duas grandes guerras, assim como a especificação de tarefas.
Interação do meio acadêmico com o mundo industrial.
Recomposição/evolução do contexto social no trabalho, devido à progressiva inclusão da mulher na indústria/maiores cargos.
Teses dos Modelos Clássicos
Eficiência e eficácia: Busca pela otimização dos recursos e alcance dos objetivos.
Gerir, moralizar e vigiar: Forte hierarquia com supervisão constante dos trabalhadores.
Produção em série: Trabalho em cadeia, com tarefas repetitivas.
Representação do trabalho e do trabalhador: Cada trabalhador executa apenas uma tarefa específica.
Seleção e Instrução: Seleção de trabalhadores para tarefas específicas, seguida de treinamento especializado.
Tempos e pausas associados à execução da tarefa: Rigidez nos horários e tempos de produção.
Vencimentos e carreiras: Salário baseado na performance, com pagamento por peça produzida.
Homem econômico: Visão de que a única motivação do trabalhador é o dinheiro.
Ford
Henry Ford seguiu a visão de Taylor, implementando uma análise minuciosa do processo de trabalho.
Buscou agilizar o trabalho, aumentar a produção e diminuir o ciclo produtivo para aumentar a eficiência.
Dimensões Fordistas
Tarefas padronizadas: Cada etapa do processo produtivo era definida e repetida de forma uniforme.
Peças padronizadas: Uso de peças intercambiáveis para facilitar a montagem e reduzir custos.
Sistemas mecanizados de produção em massa: Utilização de máquinas e equipamentos para aumentar a escala da produção.
Aplicação dos princípios da organização científica do trabalho: Implementação dos métodos de Taylor para otimizar a eficiência.
Processo de fabricação com linhas de montagem: Criação de linhas de montagem para acelerar a produção.
Linha de Montagem Semiautomática
Ford foi o primeiro a criar uma linha de montagem semiautomática, combinando o trabalho de máquinas e trabalhadores.
Os trabalhadores permaneciam em seus postos enquanto uma passadeira rolante levava as peças até eles, tornando seus movimentos rotineiros.
Fayol
Henri Fayol focou na gestão e na importância da hierarquia, diferenciando-se de Taylor.
Fayol definiu o termo "administração das empresas".
Funções da Empresa
Todas as empresas são compostas por 6 funções interdependentes:
Técnica: Fabricação e transformação dos produtos.
Comercial: Compra de matérias-primas, vendas e conhecimento do mercado.
Financeira: Obtenção de capital para o funcionamento da organização.
Contabilística: Informações sobre o desempenho econômico.
Proteção ou segurança: Proteção dos serviços e pessoas contra imprevistos.
Administração: Supervisão das outras funções, desenvolvimento global, formação e coordenação.
Primazia da Função Administrativa
Fayol enfatizou a função administrativa, responsável por coordenar todas as outras funções e pelo plano geral da organização.
Princípios da Função Administrativa
Planear: Antecipar o futuro e preparar um plano de ação.
Organizar: Formar o sistema técnico de produção e o conjunto de membros da empresa.
Chefiar: Colocar as pessoas em ação.
Coordenar: Harmonizar os esforços dos trabalhadores com os objetivos da empresa.
Supervisionar: Garantir que as ordens administrativas são cumpridas e que tudo ocorre dentro das regras.
Especialização/divisão do trabalho.
Autoridade e responsabilidade: Articulação do reconhecimento formal com o pessoal.
Max Weber
Modelo teórico em nível macro; burocracia.
Para compreender o funcionamento de uma organização, é necessário compreender o funcionamento da sociedade.
Webber não produziu uma teoria das organizações no mesmo plano que Taylor ou Fayol. Sociólogo, a sua preocupação situa-se numa teorização mais ampla sobre a sociedade, na qual se situa a problemática das organizações.
Formas de Legitimar a Dominação Social (Liderança)
O autor desenvolve uma tese sobre o modelo burocrático, assente na perspetiva sobre a "dominação social" (liderança) que poderá ocorrer por três formas distintas de legitimação:
Tradicional (herdada, sagrada, pessoal, mas limitada pela tradição)
Carismática (liderança de uma figura de exceção - o herói - tende a ser precária)
Racional ou legal (suportada pela lei, regulamentos ou contratos, atribui a superioridade à posição, embora seja tendencialmente impessoal e transitória); só neste modelo terá sentido inscrever as sociedades modernas e a burocracia.
Burocracia (autoridade regulamentada)
Divisão Sistemática do trabalho
Seleção por competência
Hierarquia de funções; autoridade regulamentada
Conduta regulamentada, provimento impessoal
Codificação das linguagens organizacionais de forma rotineira e padronizada
Consequências da Burocracia
"Peso Regulamentar que facilita a impessoalidade e a falta de iniciativa.
Fixação securitária às regras da organização. A função torna-se facilmente um fim em si e os atores refugiam-se nos regulamentos. Contudo, estabiliza expectativas e desempenhos e promove a eficiência".