Movimentos da Psicologia no século XX
Movimentos da Psicologia no século XX
Itens Iniciais
- Propósito: Compreender a diversidade no campo da Psicologia e seus desenvolvimentos nos séculos XX e XXI para instrumentar profissionais.
- Objetivos:
- Descrever os movimentos históricos que organizaram a Psicologia como ciência.
- Identificar os movimentos da Psicologia no século XX.
- Identificar o marco histórico, conceitos e métodos da Psicologia Cognitiva.
- Relacionar a Psicologia dos séculos XX e XXI.
- Introdução:
- Estudar a história da ciência permite compreender o propósito e a utilidade do conhecimento.
- A prática da Psicologia é restrita a psicólogos inscritos em conselhos regionais.
- O conhecimento da Psicologia embasa o trabalho de diversos profissionais.
- O uso do conhecimento psicológico é possível e desejável em outras profissões.
Influências na História da Psicologia
Perspectiva e Zeitgeist:
- Todo ponto de vista é a vista de um ponto.
- A leitura é uma releitura e a compreensão é uma interpretação.
- Para entender alguém, é necessário saber como são seus olhos e qual é sua visão de mundo.
- A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam.
- Para compreender, é essencial conhecer o lugar social de quem olha.
- Perspectiva é fundamental para estudar e usar o conhecimento da Psicologia.
- É necessário considerar o Zeitgeist (espírito de uma época) ao estudar Psicologia.
- A ciência usa a tecnologia disponível e tenta responder às perguntas da época.
- As perguntas consideram o acúmulo de conhecimento até o momento.
A frase atribuída a Sir Isaac Newton traduz bem essa ideia:
- Se enxerguei um pouco mais longe, foi por estar em pé sobre ombros de gigantes.
Não é recomendado julgar ou refutar um dado histórico com a mentalidade do século XXI.
É necessário afastar-se do sistema de crenças e do conhecimento do século XXI.
Compreender a perspectiva e o Zeitgeist do momento histórico é essencial.
Em ciência, não se acha ou deduz sem observar, experimentar e demonstrar evidências.
Em ciência, não existe o óbvio, tudo precisa ser investigado.
Essa postura permite absorver melhor o conteúdo e compreender a história.
Erros e Acertos na Ciência:
- Para acertar, às vezes é necessário errar.
- Os erros são relevantes para buscar evidências válidas.
- Exemplo: Frenologia (medir inteligência pelo tamanho da cabeça) foi relevante, mas hoje é pseudociência.
- Ideias de Gall sobre áreas específicas do cérebro se sustentaram posteriormente.
- Aproveitamos o que é útil e descartamos o resto, evitando repetir erros.
- Errar faz parte, mas permanecer no erro é obscurantismo.
- É preciso ser crítico e não acreditar em tudo só porque dizem que é ciência.
Pseudociências:
- Pseudociência é algo que se diz ciência, mas não é.
- É fundamental testar teses e hipóteses.
Com evidências científicas robustas:
- Somos seres únicos, ninguém é melhor do que ninguém.
- Não existe raça superior.
- O melhor tratamento para o doente mental não é ser descartado em um hospício.
- A orientação sexual de uma pessoa só importa a ela mesma.
- A Psicologia Científica é autônoma e não se confunde com dogma religioso.
- A eugenia como hipótese não se sustenta.
- A homossexualidade não é uma doença para ser tratada.
- Na escola, não devemos separar as crianças por dificuldades de aprendizado.
Discussões e pesquisas levam a projetos individualizados para educação, inclusão e convívio com as diferenças.
Comunidades terapêuticas são uma solução viável para doentes mentais.
Estratégias são desenvolvidas para promover tolerância, compaixão, saúde e bem-estar.
Para achar a ética e a humanidade, foi necessário se deparar com práticas desumanas.
Ainda há mazelas, mas estamos em tempos melhores como humanidade.
A História da Psicologia como Ciência demonstra a importância em diferentes campos:
- Na escola, para entender o desenvolvimento humano e estratégias de aprendizagem.
- Na gestão de pessoas, para desenvolver melhores práticas.
- Nos tratamentos humanizados na saúde mental.
- Na atuação dos psicólogos.
Analisar a história ajuda a imaginar o futuro e direcionar esforços.
A Psicologia no Brasil busca evitar erros da história, promovendo direitos humanos e inclusão.
Por onde começamos?
- A Psicologia foi influenciada por inúmeros pensadores, cientistas, movimentos e áreas.
Influência da Filosofia:
- A história da Psicologia está imersa na história da Filosofia.
- A Filosofia aborda o objeto que deseja conhecer por intermédio da razão, da argumentação, da lógica e da retórica.
- A Filosofia se ocupa das falácias do conhecimento.
- O papel da Filosofia é fundamental para apontar as falácias do conhecimento.
- O pensamento filosófico é uma vacina poderosa contra o obscurantismo.
Influência de movimentos e estudos:
- Mecanicismo: explica fenômenos pela causalidade.
- Racionalistas (tese) vs. Empiristas (antítese).
- Empirismo inglês: "mente como uma tabula rasa" (John Locke).
- Discurso
sobre
o
método (René Descartes, 1637). - A origem
das
espécies (Charles Darwin, 1872): aproxima humanos de outras espécies. - A espécie Homo sapiens tem 350 mil anos.
- O funcionalismo estuda o papel adaptativo da consciência.
Filósofos especularam sobre o funcionamento da mente humana.
John Locke concebeu a mente como uma tabula rasa, onde a experiência sensorial deixa suas impressões.
Descartes e Leibniz acreditavam que algumas funções da consciência humana não são resultado da experiência sensorial.
- As categorias do pensamento
- O mecanismo das inferências lógicas
- A noção de causalidade
- O sentido do propósito
O debate sobre o mecanismo racional envolvia desde a ideia de que uma porção “divina” nos oferecia o sentido da verdade, do belo e do correto, até uma crítica necessária da “Razão Pura”, empreendida por Immanuel Kant.
Pensadores afirmaram que as ideias deviam seu processo de construção às dinâmicas sociais, interpretações e relações do sujeito com o meio.
Pensamento dialético de Hegel: os seres humanos constroem e reconstroem os seus conceitos.
Ex: As sociedades estão sempre ancoradas em teses, naturalizadas em seu cotidiano e assumidas como verdadeiras. Entretanto, no processo histórico, essas teses são constantemente contrastadas, negadas, enfrentadas, e desse enfrentamento, entre tese e antítese, emerge sempre algo novo, uma síntese, que posteriormente será consolidada no meio social, tornando-se a tese então vigente.
Influência da Psicofísica:
- A Psicofísica demarca uma mudança de abordagem, mas não rompe com a Filosofia.
- A Psicofísica é a relação entre um estímulo físico e a resposta consciente do sujeito.
- A inovação é empregar o método experimental para estudar uma Psicologia sensorial.
- É fundamental conseguir dados constantes.
- A teoria da evolução das espécies, os avanços da Fisiologia Experimental e o Zeitgeist do século XIX impulsionaram a criação do primeiro laboratório de Psicologia, em 1879.
- Sensorial: visão, audição, olfação, paladar, tato, propriocepção.
- Sensações são descritas em termos fisiológicos, percepções como função psicológica.
- No século XIX, os métodos das ciências naturais estavam em alta, e a Psicologia precisava seguir esse caminho.
- O conhecimento científico era considerado a via mais segura para se construir um conhecimento verdadeiro.
No século XX, a medida em Psicologia era de natureza cognitiva.
- Na segunda metade do século XIX, as primeiras medidas eram psicofísicas.
- As primeiras medidas psicofísicas buscavam as regularidades e os padrões da nossa fisiologia, isto é, o geral, não o particular ou as singularidades.
- Singularidades são o que não é padrão.
Origens e Cientistas:
- Wilhelm Wundt (1832-1920) é o responsável pelo marco fundante da Psicologia Científica.
- Outros psicofísicos precederam o primeiro laboratório de Psicologia e trabalharam juntos (ou separados) a Wundt
- Ernst Weber (1795-1878): estudou a discriminação da distância tátil perceptível entre dois pontos.
- Gustav Theodor Fechner (1801-1887): demonstrou que o mundo mental e o mundo material estão relacionados quantitativamente.
- Hermann von Helmholtz (1821-1894): mediu a velocidade do impulso nervoso.
- Esses estudos encorajaram Wundt a fundar um Instituto de Psicologia na Universidade de Leipzig.
- Wundt estava focado em delimitar o campo da nova ciência (Psicologia) e o seu objeto de estudo (consciência).
- A maneira de estudar a consciência foi a introspecção.
- Hermann Ebbinghaus (1850-1909): estudou a aprendizagem e memória (funções superiores).
- Franz Brentano (1838-1917): fez uma distinção entre o conteúdo mental e a atividade mental.
- Essa nova Psicologia resultou em duas escolas: o estruturalismo e o funcionalismo.
Questão 1:
Quais cuidados devemos ter, ao estudar determinado conteúdo da nossa história, para torná-lo útil e significativo no tempo presente?
- A alternativa correta é B: Usar o método filosófico para evitar as falácias do conhecimento e o método científico para coletar evidências.
Questão 2:
A Psicologia Científica, surgida no século XIX, rompe com a Filosofia para delimitar-se como uma ciência, evento que é um marco de 1879 com Wundt fundando o primeiro laboratório de Psicologia Experimental. Analise essa afirmação e "responda":
- A alternativa correta é D: A Psicologia Científica amplia a abordagem dos fenômenos psicológicos pelo método experimental, mas não rompe com a Filosofia.
A Psicologia no Século XX
Movimentos da Psicologia:
- Na transição do século XIX para o início do século XX, a Psicologia alcançou visibilidade nas universidades dos Estados Unidos e da Europa
Estruturalismo
- Em 1896, nos Estados Unidos, o britânico Edward B. Titchener (1867-1927), discípulo de Wundt, divulgou um projeto diferente do de seu professor.
- Titchener identificou mais de 40 mil qualidades e sensações.
- Os elementos eram determinados pela qualidade, intensidade, duração e nitidez.
- O reducionismo de chegar ao átomo do pensamento era aproximar a Psicologia das ciências naturais e do espírito positivista.
- Titchener treinou vários observadores a descrever o seu estado consciente por intermédio de uma introspecção experimental sistemática.
Funcionalismo
O norte-americano William James (1842-1910) publicou, em 1890, o texto Princípios da Psicologia, que se transformou nas bases do funcionalismo
James não estava interessado nos átomos do pensamento, mas na experiência imediata que um objeto impunha à consciência
Suas principais teorias são os estudos sobre a emoção, sua origem e função
James acreditava que uma alteração fisiológica no organismo levaria a uma emoção.
Na perspectiva desses autores, não experimentamos uma emoção se não houver uma alteração fisiológica no organismo.
O corpo reagiria de modo diverso aos eventos ambientais causadores de emoções, e as experiências emocionais nada mais seriam do que uma tentativa de dar sentido à alteração no organismo.
Ex: Se você escuta um barulho muito alto, como uma explosão, esse evento ambiental vai aumentar seu batimento cardíaco, causar sudorese, respiração mais rápida e curta, e o resultante disso é sua percepção de medo. Essa é a teoria James-Lange para explicar uma emoção.
Os funcionalistas sofreram influência da teoria da evolução das espécies e estavam mais interessados no papel adaptativo da consciência, dos hábitos, da emoção, ou seja, em suas respectivas funções
Pragmático: Pragmatismo é uma doutrina da Filosofia que define os critérios de utilidade do conhecimento.
No início do século XX, a Psicologia norte-americana vivenciou o debate, muitas vezes, fundamentalista e não amistoso, entre estruturalistas e funcionalistas. Na Europa, observamos outras discussões.
Antes de prosseguirmos, vamos analisar o que se desenvolveu ao longo do século XX, por influência da Psicologia do século XIX.
Psicanálise
A Psicanálise é uma história à parte da Psicologia, mas que exerce grande influência nos psicólogos, pedagogos, médicos psiquiatras, neurocientistas, entre outros interessados no estudo das funções psicológicas humanas.
Erros de tradução colocam Sigmund S. Freud (1856-1939), em certos livros, como um teórico do instinto, mas isso está equivocado.
A palavra instinto não se aplica a Freud, pois ele não usou o termo instinkt (instinto, em alemão). Para os seres humanos, ele usou trieb, traduzido como impulso ou pulsão.
Freud também apresenta sua teoria sobre o desenvolvimento psicossexual (fase oral, anal, fálica, período de latência, genital).
Em termos de desenvolvimento psicossexual, a Psicanálise é mal compreendida por leigos e pelo senso comum.
De maneira geral, uma teoria do impulso concentra-se em explicar como o nosso comportamento mantém o organismo em equilíbrio.
Ex: A sede é um desconforto psicológico para a necessidade de ingestão de líquidos.
As teorias do impulso explicam comportamentos e são focadas nas causas, em nosso funcionamento interno, na fisiologia e/ou na estrutura da nossa mente.
Não é incomum compararmos a proposta libidinal (energia mental) de Freud com um sistema hidráulico.
Descrevendo com essa analogia o funcionamento da mente humana na perspectiva desse autor: à medida que os impulsos corporais acumulam energia (por analogia, a água de nosso sistema hidráulico), a experiência psicológica resultante é um aumento da ansiedade, um desconforto psíquico.
Freud descreverá minuciosamente esses mecanismos de defesa.
Ele elenca três estruturas do aparato psicológico humano que vivem em uma interação dinâmica:
- Id
- Evita a dor e maximiza o prazer.
- Ego
- O aspecto racional da personalidade.
- Superego
- Introjeção da moral da sociedade na estrutura de personalidade.
- Id
O Id, como uma estrutura psíquica inata, é regido pelo princípio do prazer e pela busca da satisfação imediata; representa a pressão da água na caixa. Essa pressão é constante e buscamos objetos que sejam capazes de satisfazer o desconforto psíquico.
A produção intelectual da Psicanálise, inicialmente, foi direcionada para a saúde mental e para o tratamento clínico de enfermidades mentais.
Durante o século XX, a Psicanálise foi empregada de maneira mais ampla para compreender diversas manifestações humanas, uma vez que se constitui como uma teoria da personalidade e do desenvolvimento humano.
Pode ser aplicada na psicopedagogia, na psicoterapia, na educação, na saúde e nas práticas institucionais e comunitárias.
A Psicanálise sofreu algumas variações, ao longo do século XX, nas mãos de outros autores que discordaram de certos aspectos da abordagem de Freud e/ou ampliaram algo que anteriormente não tinha sido abordado ou aprofundado.
Carl Gustav Jung (1875-1961), cuja teoria dos tipos psicológicos é amplamente utilizada como orientação profissional, no levantamento do estilo de aprendizagem de uma pessoa e dos seus interesses.
Jung foi um discípulo de Freud, mas romperam relações por divergências teóricas.
O seu sistema é conhecido como Psicologia Analítica, que é aplicada na psicoterapia, em saúde mental e na avaliação da personalidade.
A tipologia de Myers-Briggs (classificação tipológica de Myers-Briggs) é um instrumento padrão-ouro para avaliação da personalidade (MBTI).
Outro teste que é amplamente utilizado no Brasil é o questionário de avaliação tipológica (QUATI).
Psicométricas: Trata-se do embasamento para a medida em Psicologia.
Behaviorismo (Comportamentalismo)
O behaviorismo, também conhecido como comportamentalismo, tem como objeto de estudo a análise científica dos comportamentos humano e animal.
Busca descrever as circunstâncias relevantes para que um comportamento seja instalado no repertório comportamental de uma pessoa e o que é preciso para modificar esse comportamento, quando necessário.
Behaviorismo: Um neologismo, criação de uma nova palavra a partir de outra já existente. Behavior (inglês) = comportamento.
O behaviorismo foi um protesto contra a Psicologia Wundtiana, a consciência como objeto de estudo e a introspecção como um método.
Em 1913, John Broadus Watson publicou o artigo A Psicologia como um behaviorista a vê, no qual expõe os principais posicionamentos científicos da Psicologia Comportamental.
Watson propõe defini-la como uma ciência do comportamento, já que esta é fisicamente observável.
John Broadus Watson (1878-1958) foi um cientista que fez conferências em que rejeitava as abordagens estruturalistas e funcionalistas e afirmava o abandono de métodos introspectivos.
Ex: Podemos dizer que comemos porque sentimos fome.
- Momento 1: Houve um período de privação de comida.
- Momento 2: Durante essa privação, os processos associados à homeostase causam a sensação de fome materializada na consciência mediante pensamentos sobre comida e/ou estratégias para saciar a fome.
- Momento 3: Com a sensação, você se dirige à cozinha, para fritar um ovo ou outro alimento de sua preferência, ou vai até uma lanchonete e come.
Os momentos 1 e 3 podem ser observados diretamente.
Já o momento 2 é encoberto aos olhos de um observador externo e só pode ser descrito pela introspecção, mas esse método é falho.
Os introspectistas, pela Psicologia Wundtiana, tratariam o momento 2, a sensação de fome, como a causa do momento 3, o comportamento de comer.
A tese do behaviorismo é se preocupar somente com os fatos naturais, facilmente mensuráveis.
Burrhus Frederic Skinner (1904-1990): estabeleceu a distinção entre o behaviorismo radical e o metodológico, além de descrever a aprendizagem por contingência.
Skinner buscava descrever contingências, como elas ocorrem e são mantidas.
O behaviorismo apresenta protocolos interessantes para o manejo do comportamento na escola, nas organizações etc.
Na perspectiva desse autor, o cérebro é um depositário de contingências.
As ideias essenciais de Skinner são reveladas em algumas frases:
- Seja inato ou adquirido, o comportamento é selecionado por suas consequências. (SKINNER, 1983, p. 155)
- Um eu ou uma personalidade é, na melhor das hipóteses, um repertório de comportamento partilhado por um conjunto organizado de contingências. (SKINNER, 1974, p. 130)
Psicologia da Gestalt
A Psicologia da Gestalt é uma importante perspectiva da Psicologia.
Foi crítica à Psicologia Wundtiana; à lei do efeito, de Thorndike (1874-1949), nos Estados Unidos; e à Psicologia do Reflexo, de Pavlov (1849-1936), na Rússia.
As principais personalidades desse movimento foram:
- Max Wertheimer 1880-1943
- Kurt Koffka 1886-1941
- Wolfgang Köhler 1887-1967
Os gestaltistas aceitavam o objeto de estudo da Psicologia Wundtiana, a consciência, mas negavam-se a aceitar que o seu estudo acontecesse pela busca de seus elementos.
De certo modo, a Psicologia da Gestalt foi um movimento funcionalista, mas ao estilo alemão.
Max Wertheimer foi o precursor da Psicologia da Gestalt, sendo o principal fundador desse movimento.
Em 1912, descreveu o movimento Phi, um fenômeno que demonstrou as propriedades da percepção humana e serviu de base para a tese inicial da Gestalt se opor a outros sistemas teóricos.
No fenômeno Phi, uma sequência de imagens foi apresentada, por um taquistoscópio, com um intervalo de tempo de 60 milissegundos, dando a ilusão de que era a mesma imagem se movimentando.
Ao demonstrar uma ilusão, constataram que a consciência, a percepção do movimento, não poderia ser analisada a partir dos seus elementos sensoriais, premissa da Psicologia de Wundt.
A Psicologia da Gestalt também criticou a ideia de que a percepção seria a soma de elementos básicos, tese atomista defendida por Wundt.
Os cientistas defendiam que uma percepção não dependia de processos mentais superiores ou de aprendizagem, mas os dados da percepção estavam presentes no próprio estímulo apreendido pela percepção, em um todo, não no somatório de partes elementares.
A Terceira Força da Psicologia: Humanismo
O humanismo é um movimento, uma perspectiva teórica da Psicologia, do início da década de 1960.
Todas as perspectivas analisadas até aqui têm por base uma doutrina filosófica: o determinismo, ambiental no caso do behaviorismo, psíquico no caso da Psicanálise.
O humanismo evidencia outra doutrina filosófica: o livre-arbítrio.
O objeto de estudo do humanismo não é a consciência ou o comportamento, tampouco a percepção, mas os interesses e valores humanos.
Gordon Allport (1897-1967), com o livro A natureza do preconceito, de 1954. Allport utilizou a expressão Humanismo de forma pioneira, em 1930.
Além de Allport, as principais referências da terceira força da Psicologia são: Kenneth B. Clark (1914-2005), Abraham Maslow (1908-1970) e Carl Rogers (1902-1987).
Abraham Harold Maslow foi um precursor do movimento da Psicologia Humanista.
Defendia a capacidade de autorrealização de cada pessoa e criou a famosa pirâmide de necessidades.
Na perspectiva desse autor, todos temos tendência a buscar uma realização pessoal, que só é alcançada quando atingimos as prioridades dos degraus da pirâmide, da base para o topo. A ideia da hierarquia é criticada, sem dúvida temos necessidades que são fisiológicas, psicológicas e sociais.
- Realização pessoal
- Moralidade, criatividade, espontaneidade, solução de problemas, ausência de preconceitos, aceitação dos fatos.
- Estima
- Autoestima, confiança, conquista, respeito dos outros, respeitos aos outros.
- Amor/Relacionamento
- Amizade, família, intimidade sexual.
- Segurança
- Segurança do corpo, do empregro, de recursos, da moralidade, da família, da saúde e da propriedade.
- Fisiologia
- Respiração, comida, água, sexo, sono, homeostase, excreção.
- Realização pessoal
Pesquisas que buscaram evidências da hierarquia em cinco níveis, em amostras mais amplas de pessoas, sugerem que é coerente pensar em apenas dois níveis que são necessidades por deficiência e necessidade por crescimento.
Verificando o Aprendizado
- Questão 1
- Das alternativas abaixo, identifique aquela que caracteriza o behaviorismo.
- A alternativa correta é C: Uso da observação sistemática e do método experimental para descrever as circunstâncias em que um comportamento ocorre e modificá-lo, se necessário.
- Das alternativas abaixo, identifique aquela que caracteriza o behaviorismo.
- Questão 2
- A frase “O todo é mais importante que o somatório das partes” expressa uma reflexão que nos é dada pela Psicologia da Gestalt, no estudo da consciência e da percepção. Analise as sentenças abaixo e identifique aquela que melhor expressa os argumentos que defendem essa ideia.
- A alternativa correta é A: Evidências de um experimento que demonstrou que um movimento aparente não era real e que não podia ser compreendido por teses atomistas, pois o fenômeno simplesmente acontecia e não podia ser explicado, mas era apreendido pela consciência.
- A frase “O todo é mais importante que o somatório das partes” expressa uma reflexão que nos é dada pela Psicologia da Gestalt, no estudo da consciência e da percepção. Analise as sentenças abaixo e identifique aquela que melhor expressa os argumentos que defendem essa ideia.
A Psicologia Cognitiva
Psicologia do Senso Comum e a Psicologia Científica
A Psicologia Cognitiva traduz, em essência, o que é a ciência psicológica.
Tudo é cognição.
Importante lembrar da diferença entre a Psicologia do senso comum e a Psicologia Científica.
Quando utiliza a expressão “é psicológico”, tipicamente está fazendo menção a uma frescura, a algo que é inventado e/ou que podemos mudar se tivermos força de vontade.
Força de vontade não é um construto que explica um comportamento motivado.
Tudo é psicológico do ponto de vista da Psicologia Cognitiva (científica).
Conceito e Princípios da Psicologia Cognitiva
A Psicologia Cognitiva pode ser definida como uma área de conhecimento que analisa os processos internos implicados na forma como as pessoas extraem sentido do ambiente e decidem quais ações são apropriadas.
Estuda a atividade e a estrutura do cérebro para compreender a cognição e o comportamento humano.
A investigação dos processos cognitivos inclui:
- Atenção
- Percepção
- Aprendizagem
- Memória
- Motivação
- Linguagem
- Resolução de problemas
- Raciocínio
- Pensamento
O pensamento é a “cereja do bolo” da Psicologia Cognitiva, principalmente clínica.
Existe diferença entre a Psicologia Cognitiva aplicada à clínica, seus métodos e objetos de estudo, e a Psicologia Cognitiva enquanto um sistema teórico da Psicologia.
Existem processos psicoterapêuticos que podem atuar no manejo da dor, da irritabilidade, da angústia, da ansiedade etc.
Mudar determinado padrão de comportamento, determinado padrão cognitivo (um perfil cognitivo) obviamente exige investimento e engajamento da pessoa no processo de mudança, que pode ser conduzido, por exemplo, em uma terapia cognitivo-comportamental.
Tudo é psicológico, e chamamos esse tipo de trabalho de reestruturação cognitiva
Sternberg (2016): A Psicologia Cognitiva é o estudo de como as pessoas percebem, aprendem, lembram-se de algo e pensam sobre informações.
A Psicologia Cognitiva vai estabelecer como tais informações são codificadas, interpretadas e utilizadas.
A reestruturação cognitiva significa:
- Ensinar a pensar diferente sobre… …si próprio (o eu, o ego).
- Ensinar a pensar diferente sobre… …o mundo (pessoas e acontecimentos).
- Ensinar a pensar diferente sobre… …o futuro.
Esses três fatores compõem a tríade cognitiva, na expressão teórica do autor da Psicologia Clínica Aaron Beck (2013).
A Psicologia estuda como o indivíduo dá significado ao ambiente, a partir dos seus processos internos, permitindo a sua ressignificação.
A forma como decidimos as ações que são apropriadas depende de nossa evolução ontogenética.
Ontogenia é o desenvolvimento de um organismo. Já filogenia é o desenvolvimento da espécie.
A Psicologia Cognitiva adota o determinismo como um pressuposto epistemológico.
O paradigma de diátese-estresse: pessoas vulneráveis cognitivamente desenvolvem psicopatologias ao passar por eventos estressores.
As necessidades psicológicas em um âmbito geral:
- Fisiológicas: sede, fome e sexo.
- Psicológicas: autonomia, relacionamento e competência.
- Sociais: afiliação e intimidade, realização e poder.
Na infância, as necessidades emocionais fundamentais são: vínculos seguros, autonomia, liberdade de expressão, espontaneidade e lazer, limites realistas e autocontrole.
Se seu padrão de respostas está desadaptado ao meio a Psicologia Clínica pode ajudar.
A visão é monista, ou seja, não dualista (mente-corpo).
Manejo medicamentoso quanto psicoterapia agem sobre o cérebro, sobre o psicológico, apenas operam com mecanismos distintos.
O que importa, neste momento, é compreendermos essa visão da Psicologia Cognitiva contemporânea.
Não se trata de um reducionismo materializante, mas de uma visão integrativa entre Psicologia, Ciências da Saúde, Ciências Sociais e Neurociências.
Os determinantes do comportamento podem ser analisados:
- Em um aspecto físico: Mapeamento neurológico.
- Em um aspecto psicológico: Sensopercepção, atenção, pensamento, memória, volição, emoções, sentimentos etc.
- Em um aspecto ambiental/funcional: Mapeamento cultural, socioeconômico etc.
Existem uma grande quantidade de variáveis que exercem influência em como os neurônios codificam as informações, e isso gradualmente vai determinar nossa estrutura de personalidade e nosso repertório comportamental.
- Gestação: Uma mulher que durante a gestação sofra descargas hormonais, bem-estar e estresse.
- Ocorrências no meio externo: Em países com menos sol, estatisticamente, há mais prevalência de depressão e ideação suicida na população do que em países com mais sol.
Os Marcos Históricos Relativos ao Surgimento da Psicologia Cognitiva
Questionar como o cérebro ou a mente funciona e, fundamentalmente, o que motiva o comportamento está na base de nossa discussão. Podemos buscar esse entendimento na Filosofia e nas Ciências.
Existem duas modalidades de Psicologia Cognitiva, uma básica e outra aplicada.
- Ciência básica: Busca delimitar uma área de conhecimento, definir construtos, construir e testar hipóteses, elaborar teorias que possam descrever os fenômenos.
- Ciência aplicada: Utiliza as diversas formas de conhecimento e a ciência básica para encontrar soluções para a vida das pessoas.
O que é relevante é o uso que se faz da ciência, sendo básica ou aplicada.
Marcos históricos:
- 1956: Noam Chomsky fez uma exposição sobre uma teoria para a linguagem; George Miller apresentou o mágico número 7 na memória de curto prazo; Newell e Simon expuseram seu modelo de solução de problemas.
- Fim dos anos 1950 e década de 1960: os sistemas clínicos começam a ganhar forma, e surgem as terapias cognitivas.
- Wilhelm Wundt demarcou o primeiro laboratório de Psicologia.
- A formação da Psicologia Cognitiva é demarcada formalmente, pelos historiadores da Psicologia, nas décadas de 1950 até 1970.
- Edward Chace Tolman (1886-1959), um behaviorista, estabelece os alicerces para o cognitivismo, pois afirma que aprendizagem não é mudança no comportamento, mas aquisição de novos conhecimentos/cognições.
- A inovação do cognitivismo era buscar compreender as operações internas do organismo, ou seja, estudar o efeito dos processos cognitivos e como esses medeiam comportamentos.
- Para o behaviorismo, o importante não é saber o que causa os comportamentos, mas explicar e descrever em que circunstâncias eles acontecem. O cognitivismo quer compreender o que causa um comportamento.
- Na década de 1970, os temas do momento eram o Cognitivismo e a Computação.
Exercício:
- Imagine que um individuo tenha motivação para a arte, a corrente que busca compreender as causas dessa motivação é chamada de: Cognitivismo.
Neurociência Cognitiva, a Psicofisiologia e a Computação, na era informacional, constituem um Zeitgeist.
Comparação dos Métodos de Pesquisa na Psicologia Cognitiva
- A Ciência Cognitiva inclui a Psicologia Cognitiva, mas também outros modelos com interesses e métodos de investigação distintos.
O Método das Neurociências
- As Neurociências buscam evidências de como a interação de áreas no cérebro resultam em cognição.
- Nas Neurociências, vamos encontrar as evidências científicas que são levantadas pelo uso da tecnologia, especialmente o uso de técnicas de neuroimagem.
- A organização de nosso sistema