Máquinas de Suspender
Componentes da Máquina de Suspender
De acordo com a sessão Charlie do Capítulo 10 (Maurílio), a máquina de suspender é composta pelos seguintes elementos:
A Máquina Propulsora: Pode ser a vapor, motor elétrico ou sistema hidrelétrico.
Coroa de Barbotan: Peça fundamental para tracionar a amarra.
Eixo e Transmissões: Conjunto que transmite o movimento do motor para a coroa e a saia.
Freio: Mecanismo de retenção por fricção.
Saia (ou Tambor): Parte lisa para manobra de cabos.
Embreagem: Dispositivo para engrazar ou desengrazar a coroa do eixo.
Equipamento de Manobra Manual: Utilizado principalmente em navios veleiros, como o Cisne Branco.
Coroa de Barbotan
Definição: É uma roda fundida com a periferia côncava contendo dentes (também chamados de bolsas). A amarra se aloja nesses dentes, e os elos são momentaneamente presos durante o movimento de suspender ou arriar.
Funcionamento: Para garantir a segurança e tração, a amarra deve fazer pelo menos meia volta ao redor da coroa, de modo que no mínimo elos fiquem engrazados simultaneamente.
Posicionamento: Em molinetes, a coroa situa-se em um eixo horizontal; em cabrestantes, o eixo é vertical.
Eixo e Transmissões de Movimento
O motor é rigidamente ligado ao seu eixo, que aciona o eixo da coroa e da saia por transmissões que podem ser:
Roda Dentada e Parafuso sem Fim: Apresenta baixo rendimento térmico/mecânico, mas possui a vantagem da irreversibilidade mecânica (como visto na talha patente do Capítulo 9). Isso significa que, se o motor parar, o parafuso sem fim trava o sistema.
Engrenagens Cilíndricas (Roda Dentada e Rodete): Possuem maior eficiência que o parafuso sem fim, porém não são irreversíveis, exigindo o uso de freios para travar a máquina.
Transmissão Hidráulica: Utiliza óleo pressurizado circulando por mangueiras para movimentar o sistema (exemplo da retroescavadeira).
Diferença de Ligação: A saia é sempre rigidamente ligada ao eixo por meio de chavetas (gira sempre que o eixo girar). A coroa liga-se ao eixo geralmente por meio de uma embreagem de fricção, podendo ser desengrazada.
Freio da Máquina de Suspender
Estrutura: Consiste em uma cinta de aço forjado em forma de anel que aperta um flange na coroa.
Acionamento: Feito por uma alavanca ou por um parafuso comandado por um volante.
Regras de Uso:
A cinta aguenta o peso do ferro e da amarra, mas não deve ser usada para reduzir a velocidade da amarra quando ela está correndo livremente (devido ao momentum/quantidade de movimento).
Não deve ser usada isoladamente para aguentar o ferro com o navio navegando em mar aberto (neste caso, utilizam-se as bosas).
O freio deve ser acionado apenas quando o eixo está parado ou com velocidade muito reduzida.
Saia, Embreagem e Manobra Manual
Saia: Tambor fundido de periferia completamente lisa. É empregada para manobrar espias de amarração ou cabos que exijam grande esforço.
Embreagem: Liga a coroa de Barbotan ao seu eixo e é manobrada por um volante de aperto.
Manobra Manual: Utiliza barras de madeira radiais enfiadas no "chapéu" da saia ou coroa (casas de barras).
Linguetes: Pequenas barras de ferro na base (gola) da coroa para impedir o movimento contrário (retrocesso) do ferro. Quando se usa o motor, pinos mantêm os linguetes levantados.
Cabrestantes versus Molinetes
Cabrestante:
Eixo vertical.
Operado à mão ou motor.
Mais usado em navios de guerra para proteção da máquina, que fica uma ou duas cobertas abaixo.
Molinete:
Eixo horizontal.
Mais usado em navios mercantes para liberar espaço interno para carga (toda a estrutura fica no convés).
Geralmente é duplo, com duas coroas e duas saias no mesmo eixo.
Tipos de Motores (Classificação da Máquina)
Máquina a Vapor: Muito usada em mercantes antigos. Aciona o eixo por parafuso sem fim. Desvantagens: baixo rendimento, peso elevado, tempo de aquecimento e longas canalizações.
Máquina Elétrica: Motor de corrente contínua (), de grande porte, estanque e com ampla variação de velocidade. Vantagens: melhor rendimento que o vapor e facilidade na passagem de cabos.
Sistema Hidrelétrico: O mais moderno e eficiente, embora mais caro. Comum em navios de guerra modernos.
Um motor elétrico pequeno (de alta velocidade constante, ou ) aciona uma bomba hidráulica.
Permite controle total de velocidade e sentido de marcha, mantendo a irreversibilidade mecânica através do sistema hidráulico.
Requisitos e Fases de Suspender
A operação de suspender possui três fases críticas:
Recolher o excesso de amarra: Velocidade constante.
Arrancar o ferro do fundo (Breakout): Fase de maior esforço, exigindo uma força de a vezes o peso do ferro. Requer velocidade lenta e alto torque/conjugado motor.
Içar o ferro: Velocidade de içamento padrão de aproximadamente (especificação americana).
Condução e Vozes de Manobra
Vozes de Comando: "Postos de fundear", "Larga o ferro", "Içar o ferro".
Vozes de Informação (Estado da Marra):
Amarra a pique de estada: Direção da amarra paralela ao mastro (sob tensão).
Amarra a pique: Direção perpendicular à água (pouca tensão).
Dizendo para vante/ré/través: Indica a direção horizontal da amarra.
Dizendo para boreste (se o ferro é de bombordo): Quando a amarra passa por baixo do casco.
Vozes de Informação (Estado do Ferro):
Arrancou: O ferro deixou o fundo (amarra vertical e sob tensão).
Ferro a olho: O anete surge na superfície da água.
Ferro pelos cabelos: A cruz do ferro sai da água.
No escovém: Ferro alojado em sua posição de descanso.
Manobras de Largar e Suspender
Largar o Ferro: Pode ser feito pelo freio mecânico, por uma bossa da marra (para maior precisão e rapidez com marretada na patola) ou com a coroa engrazada (método indicado para profundidades superiores a ).
Suspender o Ferro:
Ligar mangueiras para lavar amarra e ferro.
Engrazar a embreagem e soltar mordentes/bossas.
Recolher elos de teste.
Operar na velocidade de arrancar e, após o ferro estar safo, proceder à lavagem e alojamento no escovém.
Ao final, aplicar freio, bossas e fechar o mordente.