Máquinas de Suspender

Componentes da Máquina de Suspender

De acordo com a sessão Charlie do Capítulo 10 (Maurílio), a máquina de suspender é composta pelos seguintes elementos:

  • A Máquina Propulsora: Pode ser a vapor, motor elétrico ou sistema hidrelétrico.

  • Coroa de Barbotan: Peça fundamental para tracionar a amarra.

  • Eixo e Transmissões: Conjunto que transmite o movimento do motor para a coroa e a saia.

  • Freio: Mecanismo de retenção por fricção.

  • Saia (ou Tambor): Parte lisa para manobra de cabos.

  • Embreagem: Dispositivo para engrazar ou desengrazar a coroa do eixo.

  • Equipamento de Manobra Manual: Utilizado principalmente em navios veleiros, como o Cisne Branco.

Coroa de Barbotan

  • Definição: É uma roda fundida com a periferia côncava contendo dentes (também chamados de bolsas). A amarra se aloja nesses dentes, e os elos são momentaneamente presos durante o movimento de suspender ou arriar.

  • Funcionamento: Para garantir a segurança e tração, a amarra deve fazer pelo menos meia volta ao redor da coroa, de modo que no mínimo 33 elos fiquem engrazados simultaneamente.

  • Posicionamento: Em molinetes, a coroa situa-se em um eixo horizontal; em cabrestantes, o eixo é vertical.

Eixo e Transmissões de Movimento

O motor é rigidamente ligado ao seu eixo, que aciona o eixo da coroa e da saia por transmissões que podem ser:

  1. Roda Dentada e Parafuso sem Fim: Apresenta baixo rendimento térmico/mecânico, mas possui a vantagem da irreversibilidade mecânica (como visto na talha patente do Capítulo 9). Isso significa que, se o motor parar, o parafuso sem fim trava o sistema.

  2. Engrenagens Cilíndricas (Roda Dentada e Rodete): Possuem maior eficiência que o parafuso sem fim, porém não são irreversíveis, exigindo o uso de freios para travar a máquina.

  3. Transmissão Hidráulica: Utiliza óleo pressurizado circulando por mangueiras para movimentar o sistema (exemplo da retroescavadeira).

  • Diferença de Ligação: A saia é sempre rigidamente ligada ao eixo por meio de chavetas (gira sempre que o eixo girar). A coroa liga-se ao eixo geralmente por meio de uma embreagem de fricção, podendo ser desengrazada.

Freio da Máquina de Suspender

  • Estrutura: Consiste em uma cinta de aço forjado em forma de anel que aperta um flange na coroa.

  • Acionamento: Feito por uma alavanca ou por um parafuso comandado por um volante.

  • Regras de Uso:

    • A cinta aguenta o peso do ferro e da amarra, mas não deve ser usada para reduzir a velocidade da amarra quando ela está correndo livremente (devido ao momentum/quantidade de movimento).

    • Não deve ser usada isoladamente para aguentar o ferro com o navio navegando em mar aberto (neste caso, utilizam-se as bosas).

    • O freio deve ser acionado apenas quando o eixo está parado ou com velocidade muito reduzida.

Saia, Embreagem e Manobra Manual

  • Saia: Tambor fundido de periferia completamente lisa. É empregada para manobrar espias de amarração ou cabos que exijam grande esforço.

  • Embreagem: Liga a coroa de Barbotan ao seu eixo e é manobrada por um volante de aperto.

  • Manobra Manual: Utiliza barras de madeira radiais enfiadas no "chapéu" da saia ou coroa (casas de barras).

  • Linguetes: Pequenas barras de ferro na base (gola) da coroa para impedir o movimento contrário (retrocesso) do ferro. Quando se usa o motor, pinos mantêm os linguetes levantados.

Cabrestantes versus Molinetes

  • Cabrestante:

    • Eixo vertical.

    • Operado à mão ou motor.

    • Mais usado em navios de guerra para proteção da máquina, que fica uma ou duas cobertas abaixo.

  • Molinete:

    • Eixo horizontal.

    • Mais usado em navios mercantes para liberar espaço interno para carga (toda a estrutura fica no convés).

    • Geralmente é duplo, com duas coroas e duas saias no mesmo eixo.

Tipos de Motores (Classificação da Máquina)

  1. Máquina a Vapor: Muito usada em mercantes antigos. Aciona o eixo por parafuso sem fim. Desvantagens: baixo rendimento, peso elevado, tempo de aquecimento e longas canalizações.

  2. Máquina Elétrica: Motor de corrente contínua (CCCC), de grande porte, estanque e com ampla variação de velocidade. Vantagens: melhor rendimento que o vapor e facilidade na passagem de cabos.

  3. Sistema Hidrelétrico: O mais moderno e eficiente, embora mais caro. Comum em navios de guerra modernos.

    • Um motor elétrico pequeno (de alta velocidade constante, CACA ou CCCC) aciona uma bomba hidráulica.

    • Permite controle total de velocidade e sentido de marcha, mantendo a irreversibilidade mecânica através do sistema hidráulico.

Requisitos e Fases de Suspender

A operação de suspender possui três fases críticas:

  1. Recolher o excesso de amarra: Velocidade constante.

  2. Arrancar o ferro do fundo (Breakout): Fase de maior esforço, exigindo uma força de 55 a 1010 vezes o peso do ferro. Requer velocidade lenta e alto torque/conjugado motor.

  3. Içar o ferro: Velocidade de içamento padrão de aproximadamente 11 m/min11\,\text{m/min} (especificação americana).

Condução e Vozes de Manobra

  • Vozes de Comando: "Postos de fundear", "Larga o ferro", "Içar o ferro".

  • Vozes de Informação (Estado da Marra):

    • Amarra a pique de estada: Direção da amarra paralela ao mastro (sob tensão).

    • Amarra a pique: Direção perpendicular à água (pouca tensão).

    • Dizendo para vante/ré/través: Indica a direção horizontal da amarra.

    • Dizendo para boreste (se o ferro é de bombordo): Quando a amarra passa por baixo do casco.

  • Vozes de Informação (Estado do Ferro):

    • Arrancou: O ferro deixou o fundo (amarra vertical e sob tensão).

    • Ferro a olho: O anete surge na superfície da água.

    • Ferro pelos cabelos: A cruz do ferro sai da água.

    • No escovém: Ferro alojado em sua posição de descanso.

Manobras de Largar e Suspender

  • Largar o Ferro: Pode ser feito pelo freio mecânico, por uma bossa da marra (para maior precisão e rapidez com marretada na patola) ou com a coroa engrazada (método indicado para profundidades superiores a 100 peˊs100\,\text{pés}).

  • Suspender o Ferro:

    • Ligar mangueiras para lavar amarra e ferro.

    • Engrazar a embreagem e soltar mordentes/bossas.

    • Recolher elos de teste.

    • Operar na velocidade de arrancar e, após o ferro estar safo, proceder à lavagem e alojamento no escovém.

    • Ao final, aplicar freio, bossas e fechar o mordente.